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3 de abr de 2013

Deusa Brighid

Chame a Deusa Brigid na sua qualidade de protetora com esta simples oração, que pode ser repetida diariamente:

Brigid, Deusa vitoriosa da luz,
Cubra-me com teu manto sagrado,
Vigie-me sempre com teus olhos,
Proteja-me com teu cajado,
De manhã e até anoitecer,
Por onde eu andar ou estiver,
De dia ou de noite, que eu seja sempre protegida,
Honrada, acolhida e favorecida,
Brigid, Deusa poderosa e protetora,
Fique ao meu lado e seja a minha companheira,
Minha conselheira, guardiã e defensora!

A Naoimh Bhrid Gui Orainn
(pronuncia-se A Nem Brid Gui Orin que significa “Santa Brigid ore por nós”!)

fonte: Recanto das Bruxas / facebook

3 de ago de 2012

Deusa Brigid

Brigid - A Sobrevivência de uma Deusa

Eu sou Aquela que é a mãe natural de todas as coisas, senhora e governante de todos os elementos, a descendência inicial dos mundos, chefe dos poderes divinos, Rainha de tudo o que há no Outro Mundo, a principal daqueles que habitam as alturas, manifestada sozinha e sob a forma de todos os Deuses e Deusas.

Talvez uma das mais complexas e contraditórias Deusas do panteão celta, Brigid pode ser vista como a mais poderosa figura religiosa em toda a história da Irlanda. Muitas partes de tradições diversas têm se assemelhado, tornando complicados a Sua história e Seu impacto, mas permitindo que Ela sobreviva sem dificuldades pelos dos séculos. Ela tem sido bem sucedida em permanecer intacta por gerações, cumprindo diferentes papéis em tempos divergentes.
Ela foi, e continua sendo, conhecida por muitos nomes. Chamada de Bride, Bridey, Brighid, Brigit, Briggidda, Brigantia, eu estou usando o Seu nome, Brigid, aqui. Há também muitas variantes de pronúncia, todas corretas, mas, na minha mente, eu uso a pronúncia "breet".
Brigid é a padroeira tradicional da cura, poesia e do ofício dos ferreiros, todas elas sabedorias práticas e inspiradas. Sendo uma deidade solar, Seus atributos são a luz, a inspiração e todas as habilidades associadas ao fogo.
Apesar d'Ela não dever ser identificada com o Sol físico, Ela é certamente benfeitora da cura interna e da energia vital.

Também conhecida como A Senhora do Manto, Ela representa o aspecto da Grande Deusa de irmã ou virgem. As deidades do panteão celta não são e nunca foram abstrações ou ficções, mas sim, inseparáveis da vida diária. Os fogos da inspiração, como demonstrado na poesia, e os fogos dos lares e das forjas, são vistos como sendo idênticos. Não há separação entre os mundos internos e externos. A tenacidade com a qual as tradições que gravitam em torno de Brigid têm sobrevivido, mesmo na santa que é a mal disfarçada Deusa, claramente indica a Sua importância.

Como a patrona da poesia, filidhecht, o equivalente à sabedoria bárdica, é a mantenedora primária da cultura e do aprendizado. A bansidhe e os filidh - Mulheres das Colinas das Fadas e a classe dos poetas-profetas, respectivamente, preservam a função poética de Brigid ao manter viva a tradição oral. É largamente acreditado que aqueles poetas que já partiram deste plano habitam os reinos entre os mundos, visitando o nosso, para que as antigas canções e histórias possam ser ouvidas e repetidas. Dessa maneira, Brigid cumpre a função de prover a continuidade, nos inspirando e nos encorajando.

O papel dos ferreiros em qualquer tribo era visto como um trabalho sagrado e era associado com poderes mágicos, desde que envolvia a manipulação do elemento primordial, o Fogo, moldando metais (provenientes da Terra) através da técnica, do conhecimento e da força. Conceitos do ofício dos ferreiros estão conectados a histórias concernentes à criação do mundo, utilizando os Elementos para criar e fundir uma nova forma.

Brigid também é a Deusa dos médicos e dos curandeiros, da divinação e da profecia. Um dos Seus mais antigos nomes é Breo-saighead, que significa "flecha de fogo", e no interior deste nome está o atributo de punição e justiça divina.

Três rios são nomeados em Seu nome - Brigit, Braint e Brent, na Irlanda, Gales e Inglaterra, respectivamente. Na Bretanha moderna, Ela é hoje vista como a  donzela-guerreira Brigantia e venerada não apenas pela sua justiça e autoridade naquele país, mas também como a personificação da Bretanha, como pode ser visto na moeda do reino. Há uma história, que vem do século XII, em que Merlin é inspirado pela figura feminina que representa soberania da Terra da Bretanha.
Ela causa as suas visões para alcançar, através da história da Bretanha, e assim é dito, os confins do sistema solar. Taliesin também descreve uma cosmologia tradicional, inspirado por Brigantia. Ela é o centro de muitos mitos heroicos, especialmente daqueles concernentes com buscas nos mundos inferiores e com o reinado sagrado. Isto parece relacioná-La com o desenvolvimento do potencial humano. No relevo em pedra da Deusa guerreira Brigantia, De Birrens, Dunfrieddhire, um sítio militar romano, Ela carrega uma lança em sua mão direita, um orbe simbolizando a vitória em sua mão esquerda e usa uma coroa. Uma cabeça de górgona adorna seu seio, um símbolo de Minerva. Ela está usando um vestido Romano. Na inscrição se lê: BRIGANTIA SAMAADVS...

Sua importante associação com a vaca, conjugada com a sua extrema necessidade na cultura e história celta, se relaciona com o festival de Imbolc. Esta celebração, que é completamente Dela, envolve fogueiras, purificação com água de fonte e a condução ao ano novo (Primavera) por uma donzela conhecida como a Rainha dos Céus. O significado de Imbolc é tão profundo que merece uma seção completa dentro de qualquer trabalho relativo à Brigid.
Para compreender totalmente o significado de Imbolc é necessário entender a luta de vida-e-morte representada pelo inverno em qualquer sociedade agrária. Em um mundo aquecido apenas pelo fogo, a neve, o frio e o gelo desta estação literalmente te abraçam em seus domínios, apenas suavizando com a chegada da Primavera. Apesar de o equinócio não vir ainda e a primavera ser celebrada em Ostara e Beltane, Imbolc é o seu precursor e a indicação de que melhores tempos estão vindo.

Durante os meses frios, certos assuntos tornam-se angustiantes. Há comida o suficiente para os seres humanos e para os animais? Irá a doença dizimar a tribo, especialmente no caso dos jovens, dos idosos e das mães com crianças de colo? E os animais cujas vidas são tão cruciais para nós mesmos? Uma das questões mais "quentes" diz respeito às vacas grávidas e às ovelhas, já que seu leite é usado para bebida, queijo e coalhada, que podem ser a diferença entre a vida e a morte.
Por Imbolc, estes animais terão parido seus rebentos e seu leite será abundante. Leite, para os celtas, era um alimento sagrado, equivalente à comunhão cristã. Era uma espécie de alimento ideal, devido à sua pureza e aspecto nutritivo. O leite materno era especialmente valioso, detendo poderes curativos. A vaca era o símbolo da sacralidade da maternidade, a força da vida sustentava e nutrida. Este símbolo não era uma vaca passiva dando leite, mas uma mãe ativa lutando pelo bem-estar de seus filhos.
Imbolc divide o inverno no meio; os últimos meses do inverno estão partindo e a promessa da Donzela da Primavera está chegando. Este festival tornou-se nos tempos modernos Candlemas (Candelária) com o Dia de Santa Brígida e a Festa da Purificação de Maria, sendo celebrados durante este período. Esta celebração era definitivamente um festival feminino. Mulheres se reuniam para recepcionar o aspecto virginal da Deusa, encarnada por Brigid. Bolos de milho feitos da primeira e da última colheita eram feitos e distribuídos e esta prática permanece como parte da Sua celebração. Durante estes festivais, Ela era comumente representada por uma boneca, vestida de branco, com um cristal sobre o Seu tórax.
Esta boneca, normalmente uma boneca de milho, era carregada em processão pelas donzelas, também vestidas de branco. Comidas como oferendas eram apresentadas à Deusa com um banquete especial, dado pelas donzelas para elas mesmas. Jovens rapazes eram convidados para este banquete com o objetivo de um acasalamento ritual, para assegurar que novas almas iriam ser trazidas para substituir aquelas perdidas durante os tempos de frio.
O festival tem conexões pastorais devido à associação com a chegada do leite das ovelhas. Apesar de Brigid ser designada como uma deidade extremamente abrangente, durante Imbolc Ela é honrada em Sua capacidade como Grande Mãe.
Ela possui um status não-usual de Deusa do Sol que pendura Seu manto nos raios do Sol e cuja morada irradia luz, como se estivesse pegando fogo. Brigid se apoderou do Culto das Ovelhas, antes dedicado à Deusa Lassas, que é também uma Deusa do Sol e quem fez a transição, nas Ilhas, de Deus para santa. Desta forma, a conexão de Brigid com Imbolc é completa, já que o culto de Lassar se extinguiu, para apenas ser revivido mais tarde no santificado cristão.
Brigid transcendeu desde cedo as considerações territoriais, provendo alguma unidade entre as tribos guerreiras da Europa Ocidental e das Ilhas. Seus três filhos deram seus nomes a soldados da Gália. O culto de Brigid não existe apenas na Irlanda, mas em toda a Europa; Ela possui antiga e internacional ancestralidade, significando o seu nome "alta" ou "exaltada". Como Deusa Mãe, Brigid uniu os celtas que estava espalhados por toda a Europa. Ela era um dos aspectos com os quais todos concordavam, não importante quão díspares eles eram em localidades e tradições.

Além de ser associada aos Seus animais totêmicos, a vaca e a ovelha, Ela é também associada com o galo, arauto do novo dia, e a cobra, símbolo da regeneração. Dessa forma, ela é relacionada à Deusas da fertilidade, muitas das quais são também vistas segurando cobra e dividem com Minerva o escudo, a lança e a coroa de serpentes. Serpentes também são comuns nas joias celtas (outro produto dos ferreiros), com muitos torcs mostrando este sinuoso símbolo de poder e divindade.
Suas histórias retém remanescentes de outras Deusas dos mundos antigos e é dito que o seu culto no local que depois se tornou o Convento de Kildare assemelhava-se ao de Minerva. Alguns dos Seus símbolos são idênticos aos da Deusa Egípcia Ísis. Seus instrumentos ornados, que são também símbolos de Minerva, foram preservados na capela de Glastonbury, junto com a Sua sacola e Seu sino, símbolos da cura. Suas cores - branco, preto e vermelho - são as de Kali e mostram aí uma antiga conexão.


Ela surgiu como uma triplicidade de irmãs, algo usual nas lendas celtas. Ela é a Filha de Dagda e Morrigham e irmã de Ogma, um Deus Solar e Criador do Ogham. Com Bres dos Fomorianos, Ela teve três filhos - Brian (Ruadan), Luchar e Uar - e as ações de Brian na Batalha de Meytura têm grande destaque na Sua evolução como Deusa da Paz e da União.
Para entender o significado dessa batalha é necessário saber um pouco sobre a tradição celta concernente à família. Matrilinear, o que significa que a ancestralidade era traçada através da linhagem da mãe mais do que através da linhagem do pai, o homem mais importante na sua vida seria o parente mais velho da sua mãe, normalmente um tio e não necessariamente um avô, já que a sua linhagem para ela poderia não existir. Todas as relações consanguíneas de importância vieram da linhagem da sua mãe. Esta ligação era tão rigorosa que os filhos das irmãs eram consideradas como irmãos mais do que como primos. A maternidade demandava a máxima reverência. Estupro era um crime da maior severidade, sujeito aos maiores castigos e não perdoável ou sujeito a tolerância. Posteriormente, como uma Deusa que cria leis, Brigid garantiria que certos direitos da mulher fossem mantidos de alguma forma dentro da nova religião.
O casamento de Brigid com Bres foi, essencialmente, uma aliança para trazer a paz entre duas facções inimigas. Ela era dos de Danu e ele dos Fomorianos. Com o casamento, a guerra foi finalmente interrompida. Ruadan, o filho mais velho de Brigid, usou o conhecimento do ofício dos ferreiros dado a ele pela sua parente, Danu, contra os Fomorianos ao matar o seu ferreiro, uma posição sagrada dentro da tribo. Este ferreiro matou Ruadan antes de dele mesmo morrer. Dizem que as aflições e lamentações de Brigid foram as primeiras a serem ouvidas na Irlanda e que não foram apenas uma expressão de luto pela perda do Seu filho, mas também pela animosidade entre as facções maternais e paternais da família. Isto foi visto como o começo do fim para os Antigos Caminhos. E então a história irlandesa do Pecado Original foi mais a do ato contra a família matrifocal do  que a da sexualidade, já que esta traz a visão sagrada da maternidade e era vista como positiva pelos celtas.
Sua evolução de Deusa para santa ligou a tradição pagã celta e a tradição cristã da mesma forma que o Caldeirão de Cerridwen e o Sagrado Graal foram combinados nas lendas arthurianas. Ela atua como uma ponte entre dois mundos e fez a transição de volta para a Deusa com sucesso e com grande parte das Suas tradições preservadas. O culto de Santa Brígida persistiu até o começo do século XX com o Seu culto irlandês quase superando o de Maria. Ela é celebrada tanto na Irlanda quanto na Escócia.

A fim de incorporar Brigid ao culto cristão, e assim assegurar a Sua sobrevivência, Seu envolvimento na vida de Jesus tornou-se conteúdo de lenda. De acordo com as histórias em "The Lives of the Saints", Brigid era a parteira presente no nascimento Dele, derramando três gotas de água na Sua testa. Isto parece ser uma versão cristianizada do antigo mito celta sobre o Filho da Luz sobre cuja cabeça três gotas de água foram derramadas para Lhe conferir sabedoria.
Mais adiante, como uma santa cristianizada, se dizia que Brigid era mãe adotiva de Jesus, sendo que a adoção era uma prática comum entre os celtas. Ela adotou a criança para salvá-La da matança dos outros meninos, supostamente instigados por Herod. Ela vestiu uma coroa de velas para iluminar o Seu caminho para um lugar seguro.
Existe um evangelho apócrifo de Thomas que foi excluído da Bíblia em que ele clama que uma teia foi fiada para proteger o menino Jesus de danos e males. Esta história mantém Seu status como patrona das artes domésticas, fiando lã das Suas ovelhas, alimentando as Suas ligações como uma Deusa pastoral. Devido às diferenças originais entre a Igreja Romana e aquela que um dia foi um tipo extremamente divergente de Cristianismo praticado nas Ilhas Ocidentais, particularmente na Irlanda, muitas das antigas deidades fizeram a transição de Deuses e Deusas para santos e santas, alguns experimentando mudanças sexuais no caminho, causadas pela Igreja.
Frequentemente cultos pagãos mal disfarçados foram perpetuados em monastérios e conventos, os quais foram construídos em locais sagrados para o panteão celta, ou perto deles. Muitos dos grandes monastérios - Clonmacnoise, Durrow e o própria Kildare de Brigid - foram grandes centros de aprendizado e cultura, e muitas informações foram disseminadas destes locais para a Europa Ocidental. (O que é muito parecido com os grandes colégios druídicos e não é surpreendente encontrar lugares sagrados para a nova religião que foram construídos sobre os alicerces da antiga).
Pensa-se que estes mosteiros mantiveram viva e preservada muito da cultura clássica na Europa durante a Idade das Trevas. Durante este período, guerras foram dizimando a população. Maria, sendo a Mãe desta nova religião, foi abraçada por mulheres que sentiam uma experiência similar a de sacrificar os seus filhos para uma maquina política e religiosa.
A Deusa Tríplice foi substituída por uma Trindade, mas os Antigos Caminhos subsistiram em seu culto. O papel de Brigid como Deusa Mãe nunca foi erradicado completamente e reaparece através de toda a Sua carreira como uma santa católica. Como Santa Brígida, há raios de luz do sol vindos da Sua cabeça, assim como é retratada como uma Deusa. Os temas do leite, fogo, Sol e serpentes seguiram-na neste caminho, dando a Ela uma popularidade sempre crescente. Compaixão, generosidade, hospitalidade, fiação e tecelagem, o ofício dos ferreiros, cura e agricultura correram através Dela várias vidas e evoluções.

Seu simbolismo como uma Deusa do Sol permanece, também, na forma da Cruz de Brigid, uma suástica que gira no sentido horário, considerada por todo o mundo como um símbolo profundo, chegando à Irlanda pelo século II a.C. e que ainda hoje é lá usada para proteger a colheita e os animais da fazenda.

Uma das histórias da Sua vida como uma santa suporta o Seu atributo original de deidade solar. Durante a Sua infância, os vizinhos correram até sua casa, pensando que ela estava pegando fogo. Essa radiância vinha da jovem santa, uma demonstração da Sua graça devida ao Espírito Santo. Uma prece à Santa Brígida pede:

Brigit, mulher sempre grandiosa, reluzente chama dourada, guie-nos para o Reino eterno, o deslumbrante sol resplandecente.
Mesmo na Sua nova encarnação como uma santa católica a Sua existência anterior é afirmada. A chama eterna do Seu convento em Kildare sugere sua existência como tendo sido pagã e/ou druídica. Assume-se que o santuário em Kildare é uma sobrevivência cristã de um antigo colégio de sacerdotisas vestais que eram treinadas e depois dispersadas pelo mundo para tomar conta de fontes sagradas, assim como clareiras, cavernas e montes. Estas sacerdotisas eram originalmente comprometidas a prestarem trinta anos de serviço, mas, depois deste período, eram livres para casar e partirem. Os primeiros dez anos eram gastos em treinamento, dez em prática dos seus deveres e os dez finais em ensinar outras, o que é similar aos três graus de iniciação achados em muitas tradições. Estas mulheres preservaram as antigas tradições, estudaram ciências, remédios de cura e, talvez, mesmo as leis do estado. Em Kildare seus deveres devem ter envolvido mais do que meramente vigiar o fogo. Este fogo perpétuo na cidade monástica era vigiado por dezenove noviças por um período de dezenove dias. No vigésimo dia, era dito para a própria Brigid manter o fogo ardendo. O local para o monastério de Kildare foi escolhido pela sua elevação e também por causa do antigo Carvalho lá achado, que se considera tão sagrado que não se permite que haja nenhuma arma perto dali. A palavra Kildare vem de "Cill dara", a Igreja do Carvalho. Toda a área era conhecida como Civitas Brigitae, "A Cidade de Brigid".
A preservação do fogo sagrado tornou-se o foco deste convento. A abadessa era considerada como sendo a reencarnação da santa e cada uma delas automaticamente tomava o nome, Brigid, como investidura. O convento foi ocupado continuamente até 1132 E.C, com cada abadessa tendo uma conexão mística com a santa e retendo o Seu nome. Neste ponto, Demor MacMurrough desejou ter uma parenta sua como abadessa. Apesar da opinião popular ser na época contra ele, suas tropas invadiram o convento e estupraram a abadessa superior com o intuito de lhe tirar o crédito.
Depois disso, Kildare perdeu muito do seu poder e os fogos foram finalmente apagados pelo Rei Henrique VIII, durante a Reforma. Durante o tempo em que o convento foi ocupado pela própria santa, ela foi da posição de Deusa-Mãe para a de Legisladora, paralelamente à Minerva, mais uma vez. Sua habilidade para se mover entre categorias é o segredo do Seu sucesso contínuo. Quando as leis foram escritas e codificadas pelo Cristianismo, Brigid apareceu largamente para assegurar que os direitos da mulher iriam ser lembrados. Essas leis foram confiadas à memória dos bretões como parte da sua extensa tradição oral. Os Antigos Caminhos continuaram a ser praticados, apesar de não sempre abertamente e, com o fim de assegurar que o povo não iria se desviar da nova religião, muitos aspectos da antiga foram incorporadas à ela. Em manterem-se os
Antigos Caminhos, não era permitido aos homens engravidar mulheres contra a sua vontade, contra aconselhamentos médicos ou contra as restrições da tribo dela. A um homem não era permitido negligenciar as necessidades sexuais da sua esposa. A lei irlandesa também favorecia extensivamente os direitos da mulher no casamento, na gravidez fora do casamento e no divórcio. 
Em um incidente, claramente definindo a posição da mulher nesta nova classe guerreira, uma mulher pedia à Brigid por justiça. Suas terras e propriedades estavam para serem confiscadas após a morte dos seus pais. Brigid, entretanto, determinou que era decisão da mulher defender a sua terra como uma guerreira, estando preparada para pegar em armas para proteger a sua propriedade e seu povo. Se ela decidisse não usar desse privilégio metade da sua terra deveria passar para o domínio da sua tribo. Mas, se ela escolhesse manter a terra e defendê-la militarmente, lhe seria permitido manter a terra em sua totalidade para si.
A mudança de Deusa Mãe para Mãe Virgem e daí para Virgem Santa apresentou certa dificuldade. Ainda que isso tenha assegurado a Sua sobrevivência e a emergência do Seu poder no Neo-Paganismo, a ênfase na virgindade é um forte resquício do patriarcado cristão. Ela tirou poder de outras mulheres, removendo a maternidade da sua posição sagrada na sociedade celta. Como a Mãe, Brigid mantém a tradição viva e completa, oferecendo um meio de liderança que se sustenta atravessando quaisquer circunstâncias. Na Sua característica de legisladora, seu empenho em carregar os Antigos Caminhos através de todas as dificuldades para os dias presentes tem sido bem-sucedido. O Paganismo ainda existe e numa forma que irá driblar muito bem as dificuldades presentes neste momento.
Entretanto, vendo Brigid como a donzela intocada, Sua virgindade sendo totalmente simbólica, Sua lealdade não é compromissada por fidelidade a um amante ou marido. Além do controle de qualquer tribo ou nação, Ela pode servir de mediadora para assegurar a união para o bem de todos. Ela nos protege ao andar pelo labirinto, mas também nos faz encarar a realidade por nós mesmos. Seu Fogo é a centelha viva em todos nós.

Por Winter Cymres, 1995, ilustrado por Bill Blank. 12/98

Fonte: site da OBOD (Order of Bard, Ovates and Druids)
Traduzido por Quíron, 2000.

15 de fev de 2012

Deusa Brighid, Brigid ou Brigit

As lendas mais antigas dão conta que num distante dia primaveril dois sóis despontaram no horizonte para iluminar o mundo. Um deles era o velho Astro-Rei que como sempre emergiu do Leste para iniciar sua caminhada costumeira pelo céu até encontrar seu descanso no Oeste, enquanto o outro anunciava o nascimento de uma filha dos Tuatha Dé Danann.
Como uma revelação do que seria o destino daquela menina no mundo a casa onde nasceu ardeu até alcançar o céu numa chama de brilho imperecível nunca desfeita em pó , competindo em pé de igualdade com a luz do Sol durante o dia e até mesmo vencendo as trevas na noite.
Brighid, também grafada Brigid ou Brigit, é uma deusa celta muito popular na Irlanda.

Seu nome significa "flecha de poder". Era chamada A Poetisa. Outro aspecto de Danu, associada a Imbolc. Tinha uma ordem dedicada a ela, formada só por mulheres, em Kildare, na Irlanda, que se revezavam para manter o fogo sagrado sempre aceso. Deusa do fogo, fertilidade, lareira, todas as artes e ofícios femininos, artes marciais, curas, medicina, agricultura, inspiração, aprendizagem, poesia, adivinhação, profecia, criação de gado, amor, feitiçaria, ocultismo.
Brighid era representada por três mulheres, Brighid, a poetisa, Brighid, a médica, e Brighid, a ferreira, sendo conhecida com a deusa da Tríplice Chama, pois o fogo alimenta as forjas, esquenta os experimentos dos alquimistas, e incendeia a mente dos poetas.
Brighid é uma das deusas chamadas de pan-célticas, pois fora cultuada por todos os diferentes povos celtas.

Brigid, a Deusa das águas que curam, faz os rios voltarem a correr; Brigid, a Deusa dos animais, propicia o retorno e o acasalamento deles, garantindo a continuação da vida por meio dos filhotes; Brigid, a Deusa das sementes, filha do Dagda, o Senhor do Caldeirão, abençoa o reinício dos trabalhos na agricultura; Brigid, Deusa solar, traz de volta dias mais claros e mais amenos.
Brigid, Deusa não só do fim do inverno (Imbolc), mas de todo o ano, está conosco mais uma vez, sob uma de suas muitas faces – a Donzela da Primavera. O mundo se enche de luz, os corações de alegria, e dos lábios dos Bardos nasce uma nova canção – uma canção de amor por Brigid, padroeira dos artistas e dos amantes da arte.

Excalibur, A espada do Rei Arthur, foi forjada pela Senhora do Lago, com o fogo sagrado de Brighid. Como a Avalon Arthuriana, ou a "Ilha das Maçãs," Brigid possui um pomar de maçãs no Outro Mundo na qual abelhas viajavam para obter seu néctar mágico.
Brigid, que tambem significa "aquela que exalta a si própria," é a Deusa do Sagrado Fogo de Kildare (derivado de "Cill Dara," que significa "igreja do carvalho") e frequentemente é considerada como sendo o aspecto de Donzela Branca da Deusa Tripla. Ela foi cristianizada como a "mãe adotiva" de Jesus Cristo, e chamada Santa Brígida, a filha do Druida Dougal the Brown. Ela algumas vezes também é associada com a Deusa Romano-Celta Aquae-Sulis em Bathe.
Imbolc, o festival de Brighid, é celebrado em ou em torno do dia 1.o de Fevereiro quando Ela conduz a Primavera para a terra depois do domínio do Inverno de A Cailleach. Esta festa de meio de Inverno começa conforme as ovelhas começam a lactar e é o começo do novo ciclo de agricultura. Durante este tempo Brigid personifica uma noiva, aspecto de virgem ou donzela e é a protetora das mulheres que estão grávidas. Imbolc também é conhecido como Oimelc, Brigid, Candlemas, e até na América como o Dia da Marmota.
Na fundação do Dia da Marmota Americano, a cobra de Brigid sai da colina na qual ela hiberna e seu comportamento é dito para determinar a duração do resto do Inverno.
Gailleach, ou a Senhora Brance, bebeu do Antigo Poço da Juventude ao amanhecer. Naquele instante, ela foi transformada no seu aspecto de Donzela, a jovem Deusa chamada Brigid. Poços são considerados sagrados pois eles vêm de o imbelc (literalmente "no ventre"), ou útero da Mãe Terra.
Por causa do seu Fogo da Inspiração e sua conexão com as macieiras e carvalhos, Brighid frequentemente é considerada a padroeira dos Druidas.

Brigid é uma deusa irlandesa e celta de tempos pré-cristãos. Seu domínio é o coração, a poesia (e criatividade), e smithery (metalcrafting). Ela foi absorvido pela Igreja Católica Romana quando a Irlanda foi convertido ao cristianismo e tornou-se St. Brigid.
Brighid é filha de Dagda,o Bom Deus, pertencendo assim, aos Tuatha De Danann. Dagda é o líder e o Grande Pai conhecido como o Poderoso do Conhecimento. Um rei da sabedoria Dagda é a Boa Mão, um mestre da vida e da morte, e aquele que traz prosperidade e abundância. Gêmeo de Sucellos como o regente da luz durante a metade do ano. O poder e o conhecimento de Dagda é dado por um sopro, chamado "AWEN" através de um beijo no escolhido como sucessor para Chefe Trovador dos Duidas. O "AWEN" é o sopro de Deus (Dagda) que guia e instrui, tornando um trovador diferente dos outros.

Há lendas que alegam ser ela a esposa de Tuireann, com quem teve três filhos (Brian, Iuchar e Iucharba), que posteriormente matam Cían, o pai de Lugh.
Quando surgiu uma aliança de mera conveniência política entre dois povos inimigos terminou se revelando um amor verdadeiro entre Bress e Brigid , nascendo desta união como fruto Rúadan, Brian , Iuchar e Iurbarba.
Apesar de ter com Brigid quatros filhos, Bress fez questão de ´´expurgar´´ deles qualquer sinal de mácula de fraqueza por terem nascidos ´´ mestiços´´ pelo fato de parte do seu sangue formoriano ter sido ´´misturado´´ aos dos dananianos. Assim, Rúadan, Brian , Luchar e Lurbarba foram desde cedo afastados da mãe e mesmo dos seus parentes do lado materno, sendo criados como se fossem Fomorianos.
De todos seus filhos Brigid manteve pouco contato com exceção de Rúadan que nascido fraco e franzino ficou mais tempo ao lado da mãe, desfrutando do convívio com os Tuatha Dé Danann de um modo que nunca conseguiram seus outros irmãos. Apenas na adolescência é que finalmente Rúadan finalmente passou a conviver com seus parentes paternos.

Muita embora esta tamanha hostilidade de Bress com Brigith , o fato é que ele era apaixonado por sua esposa bem como se revelou nos primeiros anos como sendo um monarca razoável dos Tuatha Dé Danann neste tempo todo que estava casado.
Infelizmente com passar do tempo Bress se revelou um tirano, apenas interessado em retirar toda a riqueza de seus súditos com altos tributos cobrados em favor dos Formorianos e nem de longe preocupado com o bem estar dos Dananianos.
Como é óbvio deduzir foi uma questão de tempo para esta situação deteriorar em direção de gerar finalmente uma guerra entre os Formorianos e os Tuatha Dé Danann. Agora entre tantas morte ocorridas neste conflito houve apenas uma que foi lamentada tanto por Formorianos como os Tuatha Dé Danann, a saber o falecimento de Rúadan.
Contam as lendas que a deusa traduziu em prosa e verso toda sua dor pelo filho perdido, entoando um canto fúnebre em seu enterro que além de ser considerada a mais bela poesia já escrita também era de trazer lágrimas e obscurecer o coração do mais insensível entre o seres.

Ao final da guerra com os Fir Bolgs os Tuatha Dé Danann finalmente tinham conquistado um espaço para firmar seu reino, porém, pairando sobre suas cabeças havia tanto a ameaça dos Fomorianos de virem em socorro de seu aliados (os Fir Bolgs ) quanto passavam por sérios problemas ligados a buscar um sucessor ao Rei Nuada que estava segundo as tradições dananianas impossibilitado em continuar como monarca daquele povo por conta de seu grave ferimento em combate que rendeu a amputação da mão.

A solução para este grave problema surgiu das mãos de Dagma, regente por tantos anos dos dananianos antes de passar o poder para o jovem guerreiro Nuada, onde o velho rei sugeriu forjar uma aliança com os Formorianos a partir do casamento de sua filha Brigid com o guerreiro Bress ( filho do Rei Elethan ) onde seria oferecido como dote o direito dele ser o monarca dos Tuatha Dé Danann em sucessão de Nuada.
De outro lado com este casamento é certo que Dagma garantiu de certa maneira o retorno de sua família ao poder, o que não poderia ter conseguido de outro modo seja por conta de sua idade avançada quanto não ter filhos varões ao trono. Sem esquecer o não menos importante fato que Bress abdicasse ou morresse seria Dagma a assumir a posição de regente até quando seus netos crescessem.

Como Deusa, Brigid, é uma entidade fortemente vinculada com a inspiração e a criatividade, tanto que na tradição Britânica dos Druidas foi assimilada como a "Deusa dos Bardos", por ser a "musa" que inspirava àqueles grandes sacerdotes similares aos Brahamanes da Índia. Atualmente se diz que Brigid é o veículo e guardiã do "Awen", o sopro de seu pai (Dagda), ou a "consciência da inspiração", um estado muito variado de magnitude e cujos mistérios mais profundos parecem indicar um estado elevadíssimo de consciência, parecido ao ao Shamadi ou transe Yóguico.
"AWEN" é a força mental que inspira à criatividade.
Brigit também foi uma Deusa muito vinculada à curas (com ervas) e lhe eram atribuídos mágicos conhecimentos das propriedades curativas das plantas. Como conhecedora desses mistérios é uma Divindade vinculada à Bruxaria, já que as bruxas sempre foram, na antiguidade, mulheres de avançada idade que possuíam um vasto conhecimento sobre as propriedades naturais e intrínsecas das plantas para todo o tipo de uso medicinal.

A Deusa era ainda uma grande guerreira que afugentava as tropas inimigas de qualquer exército quando era invocada, e também, infundia valor ao exército que apadrinhava. Brigid apareci frequentemente de maneira imensa e feroz lançando gritos de raiva frente aos exércitos que pretendia afugentar. Desse mesmo modo, os Celtas antes das batalhas lançavam gritos selvagens e ininteligíveis com o único propósito de amedrontar à seus adversários.
Algumas vezes, Brigid é identificada com Danann (Deusa principal, Mãe dos Deuses da Tradição Celta) e é considerada como a Mãe de todas as coisas.
Lady Gregogy, em "Gods an Fighting Men", diz dela:
" Brigit...era uma poetisa, e os poetas a adoravam, pois seu domínio era muito grande e muito nobre. E, era assim mesmo, uma curadora, e realiza trabalhos de ferreiro, fui ela quem deu o primeiro assobio para chamar-se uns aos outros no meio da noite. E, um lado de seu rosto era feio, porém o outro muito belo. E, o significado de seu nome era Breo-saighit, flecha de fogo".

BRIGID possui 4 animais sagrados: a cobra, a vaca, o lobo e o abutre.
A Cobra é a "Serpente Criadora" que era guardada em seus santuários onde oráculos eram revelados aos homens.
O seu segundo animal é a Vaca Sagrada. Seu abundante leite nutre humanos e crianças.
Ela é conectada com o lobo,pois ele é um dos animais totem das Ilhas britânicas.
E em seu aspecto de Deusa da Morte, ela está associada com o Abutre ou outras aves de rapina.
Igualmente lhe é sagrado o cisne, tanto o branco quanto o negro. Os antigos povos europeus acreditavam que o cisne era o resultado da união da serpente com o pato, simbolizando o fogo e a água respectivamente, ambos sagrados para Brigid.
Não há como duvidar do extenso culto – antigo e atual – dedicado a Brigid. Ela é um arquétipo poderoso no mundo contemporâneo, que ultrapassa barreiras religiosas ou filosóficas. Seu poder alcança tanto os adeptos do neo-paganismo (druidismo, Wicca, seguidores da Tradição da Deusa) – que a cultuam no Sabbat Imbolc como uma Deusa Tríplice, padroeira das artes, cura e magia – quanto os cristãos, que a reconhecem como uma mulher real, santificada, cujos milagres continuam acontecendo até hoje.

A data exata do início de seu culto pagão é desconhecida. Acredita-se que foi há milênios, sendo uma das deusas mais antigas, “contemporânea” de Inanna, Ishtar, Ísis, Hera, Gaia e Freyja. Suas lendas se desenvolveram ao longo de várias gerações e, mesmo truncadas ou distorcidas pelos monges e historiadores cristãos, acabam por preservar fragmentos de sua esquecida sabedoria e poder. Muitas das lendas da Santa são compilações dos mitos da Deusa, mescladas a elementos cristãos, com o propósito de atrair pagãos celtas para o cristianismo. Referências escritas surgiram apenas vários séculos depois da sua morte e reúnem histórias confusas sobre sua suposta identidade, sendo considerada ora a parteira e madrinha de Jesus (mesmo tendo nascido séculos após), ora a própria Maria. 

Os inúmeros nomes da Deusa originaram-se nos vários locais de seu culto, assim como suas representações: Breo Saighit, a Flecha Ardente celta (o nome que melhor representa o poder da sua chama sagrada), a escocesa Bride, a irlandesa Brigid ou Bhrid, a inglesa Brigantia (Guerreira, mas também mediadora da paz), Brigandu na Gália, Bridget na Suécia e Ffaid no País de Gales. Independentemente da origem, seu culto floresceu na Irlanda e Grã-Bretanha e seu nome foi imortalizado em várias fontes também na França, Espanha, Suécia. Tão diversos quanto seus nomes, são seus títulos, que descrevem seus atributos: Brigid, a Vitoriosa, Guerreira imortal, Rainha do Povo das Fadas, Mãe da canções e poesias, Senhora das fontes, Chama do coração das mulheres, Fogo que arde sem cinzas, Mãe da sabedoria, Deusa da cura com manto verde e voz doce.

O arquétipo complexo de Brigid – a mais cultuada das deusas celtas – amalgamou vários aspectos das antigas deusas irlandesas (como Danu, Macha, Morrigan). Entretanto, ela é uma divindade tão intensamente relacionada à sacralidade feminina que a nenhum homem era permitido ultrapassar a cerca ao redor do seu santuário. Deusa soberana da terra, do fogo celeste e telúrico, das fontes (cura, fertilidade, prosperidade), ela ficou mais conhecida como Deusa Tríplice das artes (poesia, canto, tecelagem), cura (mistérios das ervas, purificação e renovação pela água), magia e profecia, ou como a Senhora do fogo tríplice: da inspiração (como Musa), forja (padroeira da metalurgia) e lareira (protetora das casas, mulheres e família).

Uma composição de personagens irlandeses e galeses deu origem à Santa, cujo principal título era ”Brigid do manto verde e dos cabelos de ouro (ou fogo)”, traços marcantes das imagens da Deusa. Ela supostamente nasceu entre os anos de 439 e 452 e morreu entre 518 e 525 de nossa era, sendo filha de um druida e de uma escrava pagã. Era uma moça generosa, sem interesse em namoros, apenas na vida religiosa.

Tornou-se freira, depois abadessa e criou uma comunidade com outras sete virgens em Cill Dara (atual Kildare), Irlanda, que cresceu até se transformar em um grande mosteiro, primeiro centro irlandês de estudos e artes. Sua vida foi repleta de milagres, que reproduziam os atributos da Deusa (fertilidade, abundância, cura, o dom de falar com animais, a chama eterna no seu altar cuidado por 19 freiras), com especial ênfase no auxílio a mulheres, pobres e doentes. Sua representação como Santa tem elementos reais e míticos, mas foi através dela que a igreja cristã celta permitiu a perpetuação – de maneira velada e adaptada – da reverência e culto da deusa Brigid.
Os brigantes eram uma confederação de tribos celtas que se instalou na Armórica (França) Grã-Bretanha e no sul da Irlanda… O nome dessa tribo deriva da Deusa Brigantia, que é aparentemente mais uma variação do nome Brighid. Na Gália, a Deusa Brigindo é outra faceta desta deidade, enquanto que Brigantia é o nome original das cidades de Bragança em Portugal e de La Coruña na Galícia (Espanha).
Mas é na Irlanda que encontramos os mais importantes elementos da Deusa Brigith.

No ano de 450, Brigith foi transformada em Santa Brígida pelo cristianismo que não conseguia impedir o culto a Deusa pagã. A biografia dessa santa foi escrita por Cogitosus – que credita a data da morte da santa cristã ao dia 01 de fevereiro, data está em que era comemorado o Festival do Fogo em homenagem a Deusa pagã.
A história da Santa Brigida é na verdade cheia de contradições, uma vez que boa parte de sua biografia é baseada na história da Deusa e alguns elementos que são facilmente compreendidos a partir do paganismo, torna-se estranhos para os fundamentos cristão…
Imbolc ou Oilmec é um dos quatro festivais religiosos celtas, é também um dos oito sabbats da religião Wicca. É o festival em homenagem à Deusa Brighid (Briga, Brigit e suas variações). É quando a terra está se recuperando do inverno, e o Sol se fortalecendo para a primavera. Época de festas alegres, tochas e fogueias, comidas condimentadas e sucos e vinhos de sabores marcantes. É comemorado tradicionalmente no dia 2 de fevereiro, no Hemisfério Norte, e 1º de agosto, no Hemisfério Sul. É também chamado de Festival da Noiva, é a época de início do processo de aragem da terra e do plantio.
BRIGIT Deusa celta e neopagã do fogo, da sabedoria, da poesia e dos poços sagrados, além de ser uma deidade associada com profecia, vidência e cura.

Brigid nos diz que uma vida sem o calor de sua chama de inspiração é totalmente insípida. Abra seu coração e permita que a inspiração seja o alimento de sua alma, para que você possa se tornar mais segura(o) e energética.
Seja qual for a verdade sobre a vida privada Brigit, o que é interessante é a sua universalidade e da forma que as pessoas são movidas a especular sobre ela e, talvez, de ler as coisas em histórias sobre ela com o qual eles podem identificar. Desta forma, ela é trazida mais perto de nós, e é capaz de servir, em muitos aspectos como um papel-modelo. Um amante da mulher, uma mulher forte única, uma mulher no relacionamento feliz e frutífera com um homem - ela se torna todas as coisas para todas as mulheres.

Oração a Deusa Brigit

“Senhora dos cabelos trançados!

Guardiã do fogo sagrado!

Venha meus caminhos iluminar!

Meu lar abençoar!

Brigit! Filha do Grande Dagda!

Senhora das fontes sagradas!

Concede-me saúde e paz!

E todo amor de que és capaz!

Que eu saiba honrar tua bênção,

Entregando-te meu coração!

Que eu saiba curar e abençoar

E espalhe amor por onde eu passar!

Assim se faça para sempre.”

fonte do texto e fotos: http://www.flyordie.com/games/sites/chrome/backgammon.html

21 de out de 2011

Deusa Brigid

Mirella Faur

Não há como duvidar do extenso culto – antigo e atual – dedicado a Brigid. Ela é um arquétipo poderoso no mundo contemporâneo, que ultrapassa barreiras religiosas ou filosóficas. Seu poder alcança tanto os adeptos do neo-paganismo (druidismo, Wicca, seguidores da Tradição da Deusa) – que a cultuam no Sabbat Imbolc como uma Deusa Tríplice, padroeira das artes, cura e magia – quanto os cristãos, que a reconhecem como uma mulher real, santificada, cujos milagres continuam acontecendo até hoje.

A data exata do início de seu culto pagão é desconhecida. Acredita-se que foi há milênios, sendo uma das deusas mais antigas, “contemporânea” de Inanna, Ishtar, Ísis, Hera, Gaia e Freyja. Suas lendas se desenvolveram ao longo de várias gerações e, mesmo truncadas ou distorcidas pelos monges e historiadores cristãos, acabam por preservar fragmentos de sua esquecida sabedoria e poder. Muitas das lendas da Santa são compilações dos mitos da Deusa, mescladas a elementos cristãos, com o propósito de atrair pagãos celtas para o cristianismo. Referências escritas surgiram apenas vários séculos depois da sua morte e reúnem histórias confusas sobre sua suposta identidade, sendo considerada ora a parteira e madrinha de Jesus (mesmo tendo nascido séculos após), ora a própria Maria.

Os inúmeros nomes da Deusa originaram-se nos vários locais de seu culto, assim como suas representações: Breo Saighit, a Flecha Ardente celta (o nome que melhor representa o poder da sua chama sagrada), a escocesa Bride, a irlandesa Brigid ou Bhrid, a inglesa Brigantia (Guerreira, mas também mediadora da paz), Brigandu na Gália, Bridget na Suécia e Ffaid no País de Gales. Independentemente da origem, seu culto floresceu na Irlanda e Grã-Bretanha e seu nome foi imortalizado em várias fontes também na França, Espanha, Suécia. Tão diversos quanto seus nomes, são seus títulos, que descrevem seus atributos: Brigid, a Vitoriosa, Guerreira imortal, Rainha do Povo das Fadas, Mãe da canções e poesias, Senhora das fontes, Chama do coração das mulheres, Fogo que arde sem cinzas, Mãe da sabedoria, Deusa da cura com manto verde e voz doce.

Em algumas lendas, ela aparece como filha dos deuses da terra Dagda e Danu, fazendo parte do povo sagrado Tuatha de Dannan. Em outros mitos, é considerada consorte de Dagda ou de Bres, o Lindo Guerreiro, ou como Senhora do mar, filha do deus do oceano Lir. Na maioria dos mitos, no entanto, prevalecem suas características de deusa virgem, guardiã da lareira, das mulheres e dos caminhos. Às vezes, é vista como a face jovem da Deusa, Danu ou Cerridwen, sendo a Mãe, e Cailleach, a Anciã, que cede seu lugar para Brigid no Sabbat Imbolc, substituindo o inverno pela primavera. Seu aspecto de regente das fontes permaneceu no culto da deusa Sulis, adotada pelos romanos como Sulis Minerva e cultuada nas termas de Aquae Sulis, atual cidade inglesa de Bath.

O arquétipo complexo de Brigid – a mais cultuada das deusas celtas – amalgamou vários aspectos das antigas deusas irlandesas (como Danu, Macha, Morrigan). Entretanto, ela é uma divindade tão intensamente relacionada à sacralidade feminina que a nenhum homem era permitido ultrapassar a cerca ao redor do seu santuário. Deusa soberana da terra, do fogo celeste e telúrico, das fontes (cura, fertilidade, prosperidade), ela ficou mais conhecida como Deusa Tríplice das artes (poesia, canto, tecelagem), cura (mistérios das ervas, purificação e renovação pela água), magia e profecia, ou como a Senhora do fogo tríplice: da inspiração (como Musa), forja (padroeira da metalurgia) e lareira (protetora das casas, mulheres e família).

Uma composição de personagens irlandeses e galeses deu origem à Santa, cujo principal título era ”Brigid do manto verde e dos cabelos de ouro (ou fogo)”, traços marcantes das imagens da Deusa. Ela supostamente nasceu entre os anos de 439 e 452 e morreu entre 518 e 525 de nossa era, sendo filha de um druida e de uma escrava pagã. Era uma moça generosa, sem interesse em namoros, apenas na vida religiosa.

Tornou-se freira, depois abadessa e criou uma comunidade com outras sete virgens em Cill Dara (atual Kildare), Irlanda, que cresceu até se transformar em um grande mosteiro, primeiro centro irlandês de estudos e artes. Sua vida foi repleta de milagres, que reproduziam os atributos da Deusa (fertilidade, abundância, cura, o dom de falar com animais, a chama eterna no seu altar cuidado por 19 freiras), com especial ênfase no auxílio a mulheres, pobres e doentes. Sua representação como Santa tem elementos reais e míticos, mas foi através dela que a igreja cristã celta permitiu a perpetuação – de maneira velada e adaptada – da reverência e culto da deusa Brigid.

fonte do texto: http://www.teiadethea.org/?q=node/158

fonte da foto: celticanamcara.blogspot.com

18 de jul de 2011

Deusa Brigit

autoria: Mundos da Mi (http://mirhyamcanto.blogspot.com)
A Deusa tríplice do Fogo
















Essa bonitinha bonequinha foi feita pela Mirhyam.

Brigit é uma antiga Deusa Triplice do Fogo e foi venerada por toda Bretanha e Europa.
Ela está particularmente associada ao Imbolc (sabat de 1º de Agosto - hemisfério sul) , o primeiro dos 4 grandes festivais célticos do ano.
Ela preside o fogo, a beleza e todas as Artes.
Na forma irlandesa significa "Alta" ou "exaltada".
Brigit vem de breo-saigit - que significa flecha flamejante.
Ela também é chamada de Bride, Brigit e Brighde, simbolizando os 3 diferentes tipos de fogo.
Ela é o Fogo da Inspiração, a Musa - a Deusa da poesia falada pela fonte sagrada.
Nos tempos antigos os poetas estavam sobre a proteção de Brigit.
Seus sacerdotes carregavam um bastão dourado com pequenos sinos, em sua honra.
Outros nomes que lhe foram conferidos foram Brigidu, Brigantia e Briginda.
Brigit é a Deusa das Fontes Curadoras.
Há muitas fontes de Brigit por toda a Bretanha onde suas águas ainda podem ser bebidas.
As pessoas podem mergulhar nas águas curadoras que contém minerais e a vibração ígnea.
As águas termais expressam o encontro da fogo com água e por isso são especialmente consagradas a  Brigit.
Brigit é a Deusa da Lareira da casa e dos ferreiros.
Nos tempos antigos a lareira era o coração das casas, a fonte de luz, calor e alimentação.
Uma nova casa não era considerada um lar até que a chama de Brigit fosse acesa na lareira.
Brigit também é a Deusa da Forjaria, a arte alquímica de moldar metais brutos através do fogo, criando belezas.
Dizem que por meio da forja Brigit construiu o primeiro apito que tornou possível chamar alguém a distância e durante a noite.
Ela também é a Deusa simbolizada pela Vaca Branca reverenciada nos tempos antigos como a Senhora capaz de dar e sustentar a vida.
Ela é comumente representada como uma mulher ordenhando uma vaca com longas túnicas feitas com lã de ovelha, um de seus muitos animais sagrados.
A forma latinizada do nome de Brigit é Brigantia, encontrado por toda Bretanha e Europa.
Brigantia foi também o antigo reino que incluía a antiga Inglaterra, Bretanha e norte da Espanha. 
Brigit foi reverenciada em Roma, na Bretanaha e País de Gales, mas é indubitavelmente uma Deusa muito mais antiga.
Ela foi transformada em Santa Brígida pela Igreja Católica em meados de 453 D.C.
Assim como a Deusa Brigit, Santa Brígida era conhecida como a padroeira dos trabalhos agrícolas e do gado, protetora da casa contra o fogo e calamidade.
Brigit também é uma Deusa do Sol, conhecida na Irlanda como Bride dos Cabelos Dourados, Bride das Colinas Brancas, e na Escócia como Bride das  Palmas Claras  e Maria dos Galeses.
Como Noiva (note que Bride é a palavra inglesa para noiva) ela é a Deusa original que todos os noivos honram quando desejam se casar.
Brigit possui 4 animais sagrados: a cobra, a vaca, o lobo e o abutre.
A Cobra é a "Serpente Criadora" que era guardada em seus santuários onde oráculos eram revelados aos homens.
O seu segundo animal é a Vaca Sagrada.
Seu abundante leite nutre humanos e crianças.
Ela é conectada com o lobo, pois ele é um dos animais totem das Ilhas britânicas.
E em seu aspecto de Deusa da Morte, ela está associada com o Abutre ou outras aves de rapina.
Igualmente lhe é sagrado o cisne, tanto o branco quanto o negro.
Os antigos povos europeus acreditavam que o cisne era o resultado da união da serpente com o pato, simbolizando o fogo e a água respectivamente, ambos sagrados para Brigit.
A festa de Brigit se inicia no começo de Fevereiro no hemisfério norte e no início de Agosto no hemisfério sul, entre o Inverno e a Primavera.
Esta festa é chamada de Imbolc e significa "no leite", uma vez que esta celebração ocorre no período onde as ovelhas e vacas encontram-se em seu período de lactação.
Nesta data, os primeiros raios de sol de Brigit iluminam os dias escuros do inverno.
Este é o momento quando Brigit espalha o seu manto sobre a Terra uma vez mais, abençoado toda a vida.
Dizia-se antigamente que "Brigit é aquela que sopra a vida na boca do Inverno morto".
Nos tempos antigos a perpétua Chama de Brigit queimava em seu santuário em Kildare.
Este fogo era guardado por 19 Virgens em um Ciclo de 20 dias, um para cada Virgem.
No vigésimo dia, Brigit cuidava sozinha da chama.
Brigit assumiu inúmeros aspectos e atributos através dos tempos.
Suas três cores sagradas são o vermelho, laranja e verde; cada uma desta cores representam um dos atributos de Brigit.
O vermelho simboliza o fogo da forja.
O laranja representa a luz solar, pois antes da ascensão patriarcal de Deuses como Bel e Lugh ao patamar de Deuses solares, era à Brigit que o Sol era consagrado.
O verde representa as fontes e ervas que curam, no papel de Brigit como Curandeira.

fonte: Irmandade de Brigit

Divina Deusa,
que traz o Sol da Vida para acalentar nossos corações
na esperança da Primavera.
Faça em cada um de nós sua morada de Luz
que em cada coração a Sua Centelha possa Brilhar
em LUZ e PAZ!!

20 de jun de 2011

Deusa Brigith

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Bridge of Wings – Where He Waits
Art by. Stephanie Pui-Mun Law

Antes de falar da Deusa Brigith, quero aqui falar da complexidade existente acerca das deusas Célticas, para ser uma Deusa na antiga tradição celta, a mulher deveria ser Mãe, protetora de seus filhos, preocupada com todos os membros de sua tribo e acima de tudo, ser capaz de ensinar e transmitir sabedoria…

Algo totalmente diferente por exemplo, das Deusas Romanas, Gregas ou Egípcias – as Deusas Celtas são parte integrante da vida comum deles, estão representadas pelos elementos naturais: terra, água, fogo e ar – não são imortais, cometem erros e são humanas…

Brigith também conhecida por Brigith, Bríde, Bridget, Briid é uma Deusa muito popular na Irlanda, cultuada em todos os territórios onde os celtas se instalaram.

A palavra "Brig", em irlandês arcaico, significa força, poder. Segundo, alguns filósofos, tal correlação pode estar por detrás da existência de guerreiros chamados Brigands ou "soldados de Brighid".

Os brigantes eram uma confederação de tribos celtas que se instalou na Armórica (França) Grã-Bretanha e no sul da Irlanda… O nome dessa tribo deriva da Deusa Brigantia, que é aparentemente mais uma variação do nome Brighid. Na Gália, a Deusa Brigindo é outra faceta desta deidade, enquanto que Brigantia é o nome original das cidades de Bragança em Portugal e de La Coruña na Galícia (Espanha).

Mas é na Irlanda que encontramos os mais importantes elementos da Deusa Brigith.

*******************************

Brighith, que significa "luminosa"é uma Deusa tríplice do fogo da inspiração, da ferraria, da poesia, da cura e da adivinhação.

As funções atribuídas a ela são triplas, correspondentes às três classes da sociedade indo-europeia:

- Deusa da inspiração e da poesia – Classe Sacerdotal.

- Protetora dos reis e dos guerreiros – Classe Guerreira

- Deusa das técnicas – Classe de artesãos, pastores e agricultores

Brighith pertence a famosa tribo dos Tuatha De Danann, sendo filha de Dagda que é líder e o grande Pai conhecido como o Poderoso do Conhecimento. Ele é o mestre da vida e da morte.

Há diversas lendas acerca de Brigith, em uma delas Brigith é a esposa de Tuireann, com quem teve três filhos (Brian, Iuchar e Iucharba), que posteriormente matam Cían, o pai de Lugh.

Outra lenda nos diz que Brigith tinha como marido Bres, o malfadado líder dos Tuatha De Danann. Dessa união nasce Rúadan, o qual morre em combate na Segunda Batalha de Moytura. Ao encontrá-lo sem vida, ela lamenta sua morte em uma tradição que viria a ser conhecida como "keening” (irlandês-caoineach), e que ainda hoje é preservada nas áreas rurais da Irlanda.

Os "keenings’ eram lamentos emitidos por mulheres face ao falecimento de um membro da família ou da comunidade. Se constituíam em choros pungentes, quase bestiais, descritos por observadores como o som de "um grande número de demônios infernais".

Como Deusa, Brigith esta vinculada com a inspiração e a criatividade – na tradição Britânica dos Druidas ela é conhecida como a "Deusa dos Bardos", por ser quem inspirava os grandes sacerdotes.

Brigith também é considerada a guardiã do "Awen", o sopro de seu pai (Dagda), ou a "consciência da inspiração" a qual poucos tem acesso.

Brigith esta associada a cura e as ervas, por isso é considerada uma bruxa, uma vez que as bruxas sempre possuíram tal conhecimento. Enquanto guerreira, ela afugentava as tropas inimigas de qualquer exército quando era invocada. Os Celtas, antes de suas batalhas lançavam gritos selvagens e ininteligíveis com o propósito de amedrontar os adversários que pensavam estar diante de Brigith.

Lady Gregogy, em "Gods an Fighting Men", diz dela:

" Brigith… Era uma poeta, e os poetas a adoravam, pois seu domínio era muito grande e muito nobre. E, era assim mesmo, uma curadora, e realiza trabalhos de ferreiro. Foi ela quem deu o primeiro assobio para chamar-se uns aos outros no meio da noite. Um lado de seu rosto era feio, porém o outro muito belo. E, o significado de seu nome era Breo-saighit: “flecha de fogo".

Seus símbolos são a haste e a roca de fiar, a chama sagrada, a espiral, o triskle, o torc, o pote de fogo e seus sapatos de latão.

No ano de 450, Brigith foi transformada em Santa Brígida pelo cristianismo que não conseguia impedir o culto a Deusa pagã. A biografia dessa santa foi escrita por Cogitosus – que credita a data da morte da santa cristã ao dia 01 de fevereiro, data está em que era comemorado o Festival do Fogo em homenagem a Deusa pagã.

A história da Santa Brigida é na verdade cheia de contradições, uma vez que boa parte de sua biografia é baseada na história da Deusa e alguns elementos que são facilmente compreendidos a partir do paganismo, torna-se estranhos para os fundamentos cristão…

Texto e fonte: Sacerdotisa Lu Guedes; www.meninanosotao.wordpress.com

16 de abr de 2011

Deusa Brigith

Por Ioldanach (2007); fonte: Templo do Conhecimento

A Deusa do Fogo

As lendas mais antigas dão conta que num distante dia primaveril dois sóis despontaram no horizonte para iluminar o mundo. Um deles era o velho Astro-Rei que como sempre emergiu do Leste para iniciar sua caminhada costumeira pelo céu até encontrar seu descanso no Oeste, enquanto o outro anunciava o nascimento de uma filha dos Tuatha Dé Danann.
Como fosse uma revelação do que seria o destino daquela menina no mundo e marca de sua força a casa onde nasceu ardeu até alcançar o céu numa chama de brilho imperecível nunca desfeita em pó , competindo em pé de igualdade com a luz do Sol durante o dia e até mesmo vencendo as trevas na noite .
Os que presenciaram o nascimento deste bebê de mística beleza puderam relatar de que no lugar de cabelos saiam de sua cabeça um pilar de fogo perpétuo solidificado em uma massa pétrea de cor vibrante que era como uma coroa de rubis a enfeitar ainda mais a face daquela criatura de ares sobrenaturais. Ela foi chamada de Brigindo pelos gauleses, Brigantia pelos britânicos e Brigith pelos gaélicos, sendo consagrada o seu culto pelos celtas principalmente como deusa do fogo.
Contudo, não era apenas fogo como elemento físico que representava arquetipicamente a imagem daquela divindade na medida em que os celtas tinham uma interpretação toda peculiar a respeito dos elementos da natureza. Assim, por exemplo, encaravam o fogo como uma energia espiritual latente a todas as coisas e inerente a certos processos cognitivos do intelecto humano bem como também a alguns estados emocionais como paixão, caridade, amor e etc . Nesta perspectiva , não por outra razão Brigith como ´´deusa do fogo´´ era vista também como uma espécie de patrona das Artes e da Poesia.

A Vida de Brigith

Uma aliança inusitada surge
Ao final da guerra com os Fir Bolgs os Tuatha Dé Danann finalmente tinham conquistado um espaço para firmar seu reino, porém, pairando sobre suas cabeças havia tanto a ameaça dos Fomorianos de virem em socorro de seu aliados (os Fir Bolgs) quanto passavam por sérios problemas ligados a buscar um sucessor ao Rei Nuada que estava segundo as tradições dananianas impossibilitado em continuar como monarca daquele povo por conta de seu grave ferimento em combate que rendeu a amputação da mão.
A solução para este grave problema surgiu das mãos de Dagma, regente por tantos anos dos dananianos antes de passar o poder para o jovem guerreiro Nuada, onde o velho rei sugeriu forjar uma aliança com os Fomorianos a partir do casamento de sua filha Brigith com o guerreiro Bress ( filho do Rei Elethan ) onde seria oferecido como dote o direito dele ser o monarca dos Tuatha Dé Danann em sucessão de Nuada.
De outro lado com este casamento é certo que Dagma garantiu de certa maneira o retorno de sua família ao poder, o que não poderia ter conseguido de outro modo seja por conta de sua idade avançada quanto não ter filhos varões ao trono. Sem esquecer o não menos importante fato que Bress abdicasse ou morresse seria Dagma a assumir a posição de regente até quando seus netos crescessem.
Ao final o que era para ser uma aliança de mera conveniência política entre dois povos inimigos terminou se revelando um amor verdadeiro entre Bress e Brigith , nascendo desta união como fruto Rúadan, Brian , Iuchar e Iurbarba. Porém, nem tudo eram flores como veremos a seguir....


Bress revela sua verdadeira face
Apesar de ter com Brigith quatros filhos, Bress fez questão de ´´expurgar´´ deles qualquer sinal de mácula de fraqueza por terem nascidos ´´ mestiços´´ pelo fato de parte do seu sangue fomoriano ter sido ´´misturano´´ aos dos dananianos. Assim, Rúadan, Brian , Iuchar e Iurbarba foram desde cedo afastados da mãe e mesmo dos seus parentes do lado materno, sendo criados como se fossem Fomorianos.
De todos seus filhos Brigith manteve pouco contato com exceção de Rúadan que nascido fraco e franzino ficou mais tempo ao lado da mãe, desfrutando do convívio com os Tuatha Dé Danann de um modo que nunca conseguiram seus outros irmãos. Apenas na adolescência é que finalmente Rúadan finalmente passou a conviver com seus parentes paternos.
Muita embora esta tamanha hostilidade de Bress com Brigith , o fato é que ele era apaixonado por sua esposa bem como se revelou nos primeiros anos como sendo um monarca razoável dos Tuatha Dé Danann neste tempo todo que estava casado. Infelizmente com passar do tempo Bress se revelou um tirano, apenas interessado em retirar toda a riqueza de seus súditos com altos tributos cobrados em favor dos Formorianos e nem de longe preocupado com o bem estar dos Dananianos.
Como é óbvio deduzir foi uma questão de tempo para esta situação deteriorar em direção de gerar finalmente uma guerra entre os Formorianos e os Tuatha Dé Danann. Agora entre tantas morte ocorridas neste conflito houve apenas uma que foi lamentada tanto por Formorianos como os Tuatha Dé Danann, a saber o falecimento de Rúadan . Contam as lendas que a deusa traduziu em prosa e verso toda sua dor pelo filho perdido, entoando um canto fúnebre em seu enterro que além de ser considerada a mais bela poesia já escrita também era de trazer lágrimas e obscurecer o coração do mais insensível entre o seres.

Brigith, uma Deusa que virou Santa?

Com a expansão do cristianismo entre os celtas suas antigas crenças sofreram um grande baque, porém, aquilo que não foi suprimido pelo descrédito ou eliminado brutalmente sob inspiração da intolerância religiosa dos recém-convertidos a nova fé persistiu residualmente na forma de sincretismo onde muitos deuses e deusas do panteão céltico terminam por se transformar em santos da Igreja Católica Apostólica Romana.
Neste processo de ´´cristianização´´ das divindades célticas um bom exemplo foi o que aconteceu com Brigith cujo o culto era muito popular que passou com a ascensão do cristianismo a ser venerada como Santa Brígida de Kildare cuja a hagiografia dá conta ter ela nascido na Irlanda por volta do ano de 450 no vilarejo de Leister em Faughart perto de Dundarlk de onde partiu muito depois para fundar o monastério de Cill-Dara em Kildare onde veiu a falecer em 25/02/ 525. (sendo enterrada em Downpatrick ao lado de São Colombus e São Patrick , vindo posteriormente a compartilhar a condição de co-padroeira da Irlanda com estes santos).
Há a claro a possibilidade de longe de ser uma mera personagem fictícia ter sido a Santa Brígida uma homônima da Brigith deusa , porém, vemos que existem semelhanças entre a vida das duas que supera qualquer coincidência e levanta a devida suspeita de que mesmo tendo existido a Santa Brígida não resta dúvida que seus biógrafos forçaram uma barra para que as duas fossem confundidas de modo que o culto a Brigith pelos celtas fosse pelo sincretismo substituído sem problema numa forma mais ´´aceitável´´ de devoção pelos recém-convertidos ao cristianismo.
Assim, por exemplo, se bem a Brigith como deusa era filha de um rei (Dagma) vemos que Brígida como santa tinha como pai aquele que era o chefe do vilarejo (Dubhthach) , a Santa era uma mulher dedicada a arte (chegou a fundar uma escola sob os auspícios da Igreja para o estudo da arte) e literatura (famosa especialmente como autora do ´´ O Livro de Kildare ´´) enquanto a divindade céltica era considerada patrona das Artes e Poesia, o emblema da santa era uma vela acesa porquanto da deusa fosse considerada uma divindade do fogo e finalmente o dia santo da Santa Brígida é o 01° de fevereiro que justamente recai na mesma data quando era no passado celebrado pelos celtas um festival sagrado em honra a Brigith (Imbole)
Curioso notar ainda que uma outra santa com o mesmo nome só que de procedência sueca, a saber Santa Brígida que figura como padroeira da Suécia e co-padroeira da Europa ao lado da Santa Catarina de Siena e Santa Teresa Benedita da Cruz, também guarda suas semelhanças. Vemos, por exemplo, que ela era filha do governador da Uplândia na Suécia tal como a Santa Brígida de Kildare tinha como pai o chefe de uma vila enquanto a deusa detinha um rei como figura paterna, fundou um monastério tal como a santa irlandesa e por aí vai.

Deusa Brighid

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

(Redirecionado de Brigid)

Brighid, também grafada Brigid ou Brigit, é uma deusa celta muito popular na Irlanda.

Brighid era representada por três mulheres, Brighid, a poetisa, Brighid, a médica, e Brighid, a ferreira, sendo conhecida com a deusa da Tríplice Chama, pois o fogo alimenta as forjas, esquenta os experimentos dos alquimistas, e incendeia a mente dos poetas.

Brighid é uma das deusas chamadas de pan-célticas, pois fora cultuada por todos os diferentes povos celtas.

Brighid era filha do deus supremo Dagda, e um dos Tuatha Dé Danann. Ela era esposa de Bres, rei dos Tuatha Dé Danann, com quem teve um filho, Ruadán.

26 de mar de 2011

Deusa Brigith

Imbolc vem chegando no hemisfério norte e com ele a presença de Brigith em nossas vidas. Mas quem é ela? Vejamos.

As lendas mais antigas dão conta que num distante dia primaveril dois sóis despontaram no horizonte para iluminar o mundo. Um deles era o velho Astro-Rei que como sempre emergiu do Leste para iniciar sua caminhada costumeira pelo céu até encontrar seu descanso no Oeste, enquanto o outro anunciava o nascimento de uma filha dos Tuatha Dé Danann.
Como fosse uma revelação do que seria o destino daquela menina no mundo e marca de sua força a casa onde nasceu ardeu até alcançar o céu numa chama de brilho imperecível nunca desfeita em pó , competindo em pé de igualdade com a luz do Sol durante o dia e até mesmo vencendo as trevas na noite .
Os que presenciaram o nascimento deste bebê de mística beleza puderam relatar de que no lugar de cabelos saiam de sua cabeça um pilar de fogo perpétuo solidificado em uma massa pétrea de cor vibrante que era como uma coroa de rubis a enfeitar ainda mais a face daquela criatura de ares sobrenaturais. Ela foi chamada de Brigindo pelos gauleses, Brigantia pelos britânicos e Brigith pelos gaélicos, sendo consagrada o seu culto pelos celtas principalmente como deusa do fogo.
Contudo, não era apenas fogo como elemento físico que representava arquetipicamente a imagem daquela divindade na medida em que os celtas tinham uma interpretação toda peculiar a respeito dos elementos da natureza. Assim, por exemplo, encaravam o fogo como uma energia espiritual latente a todas as coisas e inerente a certos processos cognitivos do intelecto humano bem como também a alguns estados emocionais como paixão, caridade, amor etc.. Nesta perspectiva, não por outra razão Brigith como ´´deusa do fogo´´ era vista também como uma espécie de patrona das Artes e da Poesia.

fonte: http://deusesrusticos.blogspot.com

20 de mar de 2011

Deusa Brigit

A Deusa tríplice do Fogo

 

 

 

 

 

 

 

 

Brigit é uma antiga Deusa Tríplice do Fogo e foi venerada por toda Bretanha e Europa.

Ela está particularmente associada ao Imbolc (sabat de 1º de Agosto - hemisfério sul) , o primeiro dos 4 grandes festivais célticos do ano.

Ela preside o fogo, a beleza e todas as Artes.

Na forma irlandesa significa "Alta" ou "exaltada".

Brigit vem de breo-saigit - que significa flecha flamejante.
Ela também é chamada de Bride, Brigit e Brighde, simbolizando os 3 diferentes tipos de fogo.

Ela é o Fogo da Inspiração, a Musa - a Deusa da poesia falada pela fonte sagrada.

Nos tempos antigos os poetas estavam sobre a proteção de Brigit.

Seus sacerdotes carregavam um bastão dourado com pequenos sinos, em sua honra.

Outros nomes que lhe foram conferidos foram Brigidu, Brigantia e Briginda.
Brigit é a Deusa das Fontes Curadoras.

Há muitas fontes de Brigit por toda a Bretanha onde suas águas ainda podem ser bebidas.

As pessoas podem mergulhar nas águas curadoras que contém minerais e a vibração ígnea.

As águas termais expressam o encontro da fogo com água e por isso são especialmente consagradas a  Brigit.

Brigit é a Deusa da Lareira da casa e dos ferreiros.

Nos tempos antigos a lareira era o coração das casas, a fonte de luz, calor e alimentação.

Uma nova casa não era considerada um lar até que a chama de Brigit fosse acesa na lareira.
Brigit também é a Deusa da Forjaria, a arte alquímica de moldar metais brutos através do fogo, criando belezas.

Dizem que por meio da forja Brigit construiu o primeiro apito que tornou possível chamar alguém a distância e durante a noite.
Ela também é a Deusa simbolizada pela Vaca Branca reverenciada nos tempos antigos como a Senhora capaz de dar e sustentar a vida.

Ela é comumente representada como uma mulher ordenhando uma vaca com longas túnicas feitas com lã de ovelha, um de seus muitos animais sagrados.
A forma latinizada do nome de Brigit é Brigantia, encontrado por toda Bretanha e Europa.

Brigantia foi também o antigo reino que incluía a antiga Inglaterra, Bretanha e norte da Espanha. 

Brigit foi reverenciada em Roma, na Bretanaha e País de Gales, mas é indubitavelmente uma Deusa muito mais antiga.
Ela foi transformada em Santa Brígida pela Igreja Católica em meados de 453 D.C.

Assim como a Deusa Brigit, Santa Brígida era conhecida como a padroeira dos trabalhos agrícolas e do gado, protetora da casa contra o fogo e calamidade.
Brigit também é uma Deusa do Sol, conhecida na Irlanda como Bride dos Cabelos Dourados, Bride das Colinas Brancas, e na Escócia como Bride das  Palmas Claras  e Maria dos Galeses.

Como Noiva (note que Bride é a palavra inglesa para noiva) ela é a Deusa original que todos os noivos honram quando desejam se casar.
Brigit possui 4 animais sagrados: a cobra, a vaca, o lobo e o abutre.
A Cobra é a "Serpente Criadora" que era guardada em seus santuários onde oráculos eram revelados aos homens.
O seu segundo animal é a Vaca Sagrada.

Seu abundante leite nutre humanos e crianças.
Ela é conectada com o lobo, pois ele é um dos animais totem das Ilhas britânicas.
E em seu aspecto de Deusa da Morte, ela está associada com o Abutre ou outras aves de rapina.
Igualmente lhe é sagrado o cisne, tanto o branco quanto o negro.

Os antigos povos europeus acreditavam que o cisne era o resultado da união da serpente com o pato, simbolizando o fogo e a água respectivamente, ambos sagrados para Brigit.
A festa de Brigit se inicia no começo de Fevereiro no hemisfério norte e no início de Agosto no hemisfério sul, entre o Inverno e a Primavera.
Esta festa é chamada de Imbolc e significa "no leite", uma vez que esta celebração ocorre no período onde as ovelhas e vacas encontram-se em seu período de lactação.

Nesta data, os primeiros raios de sol de Brigit iluminam os dias escuros do inverno.

Este é o momento quando Brigit espalha o seu manto sobre a Terra uma vez mais, abençoado toda a vida.

Dizia-se antigamente que "Brigit é aquela que sopra a vida na boca do Inverno morto".
Nos tempos antigos a perpétua Chama de Brigit queimava em seu santuário em Kildare.

Este fogo era guardado por 19 Virgens em um Ciclo de 20 dias, um para cada Virgem.

No vigésimo dia, Brigit cuidava sozinha da chama.
Brigit assumiu inúmeros aspectos e atributos através dos tempos.

Suas três cores sagradas são o vermelho, laranja e verde; cada uma desta cores representam um dos atributos de Brigit.

O vermelho simboliza o fogo da forja.

O laranja representa a luz solar, pois antes da ascensão patriarcal de Deuses como Bel e Lugh ao patamar de Deuses solares, era à Brigit que o Sol era consagrado.

O verde representa as fontes e ervas que curam, no papel de Brigit como Curandeira.

fonte: Irmandade de Brigit

Divina Deusa, que traz o Sol da Vida para acalentar nossos corações na esperança da Primavera.

Faça em cada um de nós sua morada de Luz que em cada coração a Sua Centelha possa Brilhar em LUZ e PAZ!!

4 de mar de 2011

Deusa Brighid

Deusa Briga, Brigit, Brígida, Brigantia …

(autoria desconhecida)

- Filha de Dagda , Briga é conhecida por diversos nomes e em diversas localidades da Europa :Bride (Noiva), Bridey, Brighid, Brigit ("A Exaltada", "A Luminosa", "Raça Pronunciada"), briggidda e Brigid."
Sendo uma divindade solar, seus atributos são a Luz, a inspiração e todas as habilidades associadas ao fogo, ela é a benfeitora da cura interna, fertilidade e da energia vital.
Briga também é retratada com três faces e isso reflete a trindade de ofício ou três poderes, sendo:

* A sabedoria, poesia e inspiração divina (Awen).
* A Cura, as artes divinatórias e a profecia.
* O ofício dos ferreiros e atividades ligadas ao sagrado fogo da forja.

Um dos seus nomes mais antigos é Breo-Saighead (que significa "Flecha de Fogo", "Flecha Certeira", "Seta Brilhante", "Seta Impetuosa") e nisso está contido o seu atributo de Justiça Divina, pois Brigit também está ligada às Leis.
Ela também está relacionada à União, pois se casou com um Fomorian (Tribo inimiga da Tribo de Dannan) e por algum tempo a paz foi presente entre esses povos. Quando seu filho foi morto em batalha, ela foi até o campo lamentar a sua morte. Este fato ficou conhecido como o primeiro caoine (keening = grito desesperador) que segundo as tradições foi um lamento terrível ouvido por toda a Irlanda, algo carregado de tamanha tristeza que seu som era por demais doloroso e assustador para ser ouvido. Seu culto é conhecido em toda a Europa, unindo várias tribos que muitas vezes eram inimigas em adoração a ela.
Como patrona da poesia, filidhecht, ela é a fonte da inspiração e sabedoria ao qual os bardos acessam. Ela é a própria Chama (fogo inspirador), que acende a luz na alma para que a centelha divina se manifeste, e dessa forma as Artes se manifestavam, tanto para a arte artesanal como para a arte poética, as tão temidas poesias que detinham poder, como encantamentos. Sabiam como, quando e de que forma usar as palavras e as moldavam, como uma escultura, uma essência que ganhava forma e tanto poderia ser uma forma de afago ou uma arma. É a mantenedora da cultura, do aprendizado e da sabedoria.
O Festival que presta honrarias a ela é Imbolc (oi-melc: lactação ou leite de cabra), estando associado à Lactação das ovelhas e cabras (alimento sagrado para os celtas, pois representa a pureza), a purificação por água de fonte (os poços, nascentes e rios também lhe são sagrados), ao nascer, ao início e à chegada da primavera. Portanto ela também é reconhecida como uma Deusa Iniciadora, pois esse é o período em que o inverno se vai e a vida novamente começa a brotar. Apesar dela ser uma deidade extremamente abrangente, nesse festival ela é honrada enquanto Mãe, aquela que provê o alimento para a Tribo.
Existem inúmeras histórias que citam poemas escritos pelo Bardo Taliesin e inspirados por Briga, inclusive uma história do século XII sobre uma Cosmologia Tradicional.
Hoje ela é vista na Bretanha como uma Guerreira, e seus soldados são chamados de Brigantes.
Existem inúmeros textos sobre ela, mas a grande maioria com dados católicos, e que tornam obscuros os abrangentes aspectos que ela possui.

fonte: Árvore Sagrada

- * -

(autoria desconhecida)

Abriga nos ventres a vida

Abriga o lar e o berço

Abriga e nunca é vencida

Senhora que é una em terço

Rútila face, semblante d'alvor

Brilho que o espírito acende

Eleva o olhar ao Singelo Fulgor

Cintila no Alto e entende

Láctea corrente virtude

À pala, grei e saúde

Visão de cristal rompe o véu

Do tempo debaixo do céu

Brigit
com uma auréola na qual se vê o Seu símbolo, em forma de suástica

Ouve, Brigit,

Sopro de luz hiperbórea

Vibrante chama marmórea

Primeira nos baluartes

Rainha da Forja e das Artes

Do Castro Celeste que guarda tesouros

Riquezas da alma mais ferros e oiros

Mestria do verso e do aço

Conduz aquilo que faço...

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Brighid

Funções: Deusa da poesia, guardiã do caldeirão do conhecimento

Responsabilidade: Conhecimento

Pais: Dagda

Foi adaptada pela Igreja como Santa Brigida de Kildare e ainda hoje é uma das entidades mais veneradas pelos religiosos irlandeses. Inicialmente, ela era uma filha do deus Dagda, especialista em poesia, que possuía conhecimentos secretos e relacionada com a soberania. Suas vacas produziam um lago de leite e proporcionavam alimentos inesgotáveis. Com uma só medida de malte Brighid era capaz de produzir cerveja a todos os que a pedissem. Suas duas irmãs estavam relacionadas com o dom da cura e com o artesanato. Muitas vezes, as três eram tratadas como uma única divindade.

Sua festa em 1º de fevereiro, conhecida como Imbolc, estava ligada ao período de amamentação das ovelhas. Hoje, Santa Brigida é considerada protetora dos rebanhos, das casas de família e dos partos, além de gozar da categoria de mãe adotiva de Cristo.

Foi considerada pelos celtas como a protetora das artes declamatórias e líricas. Encomendou-se-lhe o patrocínio da cidade e, entre os galos, era a que guardava o caldeirão do conhecimento, a sabedoria e a ciência.

fonte: Templo de Apolo (não consta autoria)

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O nome
Brigid também conhecida por Brigit, Bríde, Briget, Briid é uma Deusa muito popular na Irlanda, cultuada em todos os territórios onde os celtas se instalaram.
A palavra "Brig", em irlandês arcaico, significa força, poder. Segundo, alguns filósofos, tal correlação pode estar por detrás da existência de guerreiros chamados Brigands ou "soldados de Brigid".
Os brigantes, uma confederação de tribos celtas que se instalou em pontos tão diversos quanto a Armórica (França), a Grã-Bretanha e o sul da Irlanda, derivam seu nome da Deusa Brigantia, aparentemente mais uma variação de Brigid. Na Gália, a Deusa Brigindo é outra faceta desta deidade, enquanto que Brigantia é o nome original das cidades de Bragança em Portugal e de La Coruña na Galícia (Espanha). Mas é na Irlanda que encontraremos os elementos dessa Deusa melhor preservados.

Deusa Tríplice
Brigid, que significa "luminosa" é uma Deusa tríplice do fogo da inspiração, da ferraria, da poesia, da cura e da adivinhação. Isto é, as funções que lhe atribuem são triplas, correspondentes às três classes da sociedade indo-européia:
- Deusa da inspiração e da poesia - Classe Sacerdotal.
- Protetora dos reis e dos guerreiros - Classe Guerreira
- Deusa das técnicas - Classe de artesãos, pastores e agricultores.

Brigid como Deusa
Brigid é filha de Dagda, o Bom Deus, pertencendo assim, aos Tuatha De Danann. Dagda é o líder e o Grande Pai conhecido como o Poderoso do Conhecimento. Um rei da sabedoria Dagda é a Boa Mão, um mestre da vida e da morte, e aquele que traz prosperidade e abundância. Gêmeo de Sucellos como o regente da luz durante a metade do ano. O poder e o conhecimento de Dagda é dado por um sopro, chamado "AWEN" através de um beijo no escolhido como sucessor para Chefe Trovador dos Duidas. O "AWEN" é o sopro de Deus (Dagda) que guia e instrui, tornando um trovador diferente dos outros.
Há lendas que alegam ser ela a esposa de Tuireann, com quem teve três filhos (Brian, Iuchar e Iucharba), que posteriormente matam Cían, o pai de Lugh.
Uma outra versão, nos diz que Brigid tinha como marido Bres, o malfadado líder dos Tuatha De Danann. Dessa união nasce Rúadan, o qual morre em combate na Segunda Batalha de Moytura. Ao encontrá-lo sem vida, lamenta sua morte em uma tradição que viria a ser conhecida como "keening" (irlandês-caoineach), e que ainda hoje é preservada nas áreas rurais da Irlanda. os "keenings" eram lamentos emitidos por mulheres face ao falecimento de um membro da família ou da comunidade. Se constituíam em choros pungentes, quase bestiais, descritos por observadores como o som de "um grande número de demônios infernais".
Como Deusa, Brigid, é uma entidade fortemente vinculada com a inspiração e a criatividade, tanto que na tradição Britânica dos Druidas foi assimilada como a "Deusa dos Bardos", por ser a "musa" que inspirava àqueles grandes sacerdotes similares aos Brahamanes da Índia. Atualmente se diz que Brigid é o veículo e guardiã do "Awen", o sopro de seu pai (Dagda), ou a "consciência da inspiração", um estado muito variado de magnitude e cujos mistérios mais profundos parecem indicar um estado elevadíssimo de consciência, parecido ao ao Shamadi ou transe Yóguico. "AWEN" é a força mental que inspira à criatividade.
Brigid também foi uma Deusa muito vinculada à curas (com ervas) e lhe eram atribuídos mágicos conhecimentos das propriedades curativas das plantas. Como conhecedora desses mistérios é uma Divindade vinculada à Bruxaria, já que as bruxas sempre foram, na antiguidade, mulheres de avançada idade que possuíam um vasto conhecimento sobre as propriedades naturais e intrínsecas das plantas para todo o tipo de uso medicinal.
A Deusa era ainda uma grande guerreira que afugentava as tropas inimigas de qualquer exército quando era invocada, e também, infundia valor ao exército que apadrinhava. Brigid aparecia frequentemente de maneira imensa e feroz lançando gritos de raiva frente aos exércitos que pretendia afugentar. Desse mesmo modo, os Celtas antes das batalhas lançavam gritos selvagens e ininteligíveis com o único propósito de amedrontar à seus adversários.
Algumas vezes, Brigid é identificada com Danann (Deusa principal, Mãe dos Deuses da Tradição Celta) e é considerada como a Mãe de todas as coisas.
Lady Gregogy, em "Gods an Fighting Men", diz dela:
" Brigid...era uma poetisa, e os poetas a adoravam, pois seu domínio era muito grande e muito nobre. E, era assim mesmo, uma curadora, e realiza trabalhos de ferreiro, fui ela quem deu o primeiro assobio para chamar-se uns aos outros no meio da noite. E, um lado de seu rosto era feio, porém o outro muito belo. E, o significado de seu nome era Breo-saighit, flecha de fogo".
Brigid assumiu inúmeros aspectos e atributos através dos tempos. Suas cores sagradas são o vermelho, o laranja e o verde. Cada uma dessas cores representa um atributo de Brigid. O vermelho simboliza o fogo da forja, da lareira que aquece e alimenta. O laranja representa a luz solar, pois antes da ascensão patriarcal de Deuses como Bel e Lugh o patamar de Deuses solares, era a Brigid que o Sol era consagrado. O verde representa as fontes e ervas que curam, no papel de Brigid como Curandeira.

(Por Rosane Volpatto)

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QUEM SÃO AS DEUSAS?

A palavra "Deusa"se refere ao Divino Feminino. Durante milênios, no mundo todo, nossos ancestrais veneraram uma Divina e Poderosa Mãe-Deusa. Ela foi honrada e celebrada como a Mãe de Toda a Vida. Mas de onde provêm a ideia de Deusa? Em tempos longínquos, o homem dependia da Terra para todas as coisas: como o seu sustento, assim como para abrigo e proteção. Ela era provedora de tudo que era necessário para perpetuar a vida e também era a vida em si mesma.

Estes povos observavam que toda vida era concebida a partir dos corpos femininos (tanto animais, quanto mulheres), de modo que era totalmente natural que acreditassem que deveria existir uma Toda Poderosa Criadora Feminina também.

Hoje apreciamos o ressurgir da cultura da Deusa que tem sido reverenciada por homens e mulheres, que celebram e respeitam as energias femininas dela emanadas.

A TRÍPLICE DEUSA CELTA

A água era considerada princípio e fonte de toda a vida para aqueles que habitam a terra e dependiam de sua generosidade para conseguir seu alimento. Isto se reflete no fato de os celtas terem dedicado os principais rios da Europa Ocidental à deusa da fertilidade. O rio Marne deve seu nome às Matronas, as três Mães Divinas e o Sena, a Sequana, deusa de seu manancial. O nome do Reno é celta e seus afluentes também têm nomes celtas: Necjar, Main, Ruhr e Lippe. Na Grã-Bretanha, o Severn deve-se a Sabrina e o Clyde, à deusa Clota, recordando a lenda da Divina Lavadeira, Bruxa do Rio e Deusa da Morte que, conta-se, encontrava o guerreiro predestinado, que ficava sabendo que seu fim se aproximava ao vê-la lavar suas roupas de guerra manchadas de sangue.

O rio ou o arroio são expressões vivas da Mãe-Terra, o que os santifica e os dota de poderes curativos, que são emanados a certas horas do dia ou em dados momentos da fase lunar. Todos os lugares sagrados , para os celtas, tinham um espírito guardião, que podia transformar-se em gato, pássaro ou peixe, segundo as preferências da deusa. Tais lugares eram considerados partes do útero da Terra Mãe, a qual se invocava sob diversos vocativos e aparências. Existem numerosas inscrições galo-romanas da deusa Matronae, a Mãe representada como uma tríade levando crianças, cornucópias e cestas de frutas.

Outra conhecida manifestação era Epona, que em geral mostrava-se a cavalo, por vezes com um potro, o que poderia ter dado origem à história da lady Godiva e outras lendas populares relacionadas a cavalos.

A deusa é generosa, mas também desapiedada. A Lua controladora das marés e do fluxo menstrual, é o centro de um conjunto de símbolos universais: ele preside os rituais noturnos relacionados com animais tais como gato, a serpente e o lobo. Os emblemas de animais rodeando a deusa e seus santuários serviam para lembrar seus aspectos selvagens.

A característica representação da deusa como Mãe-devoradora no simbolismo celta, análoga à sanguinária Kali dos hindus ou Cihuateteo dos astecas, tem sua encarnação nas esfinges de pedra conhecidas com o nome de Sheela-na-gig, que se encontram em igrejas e castelos medievais. Ela apresenta rosto horrível com faces cadavéricas, boca enorme de semblante mau humorado, peito esquelético, um grande órgão genital à mostra e braços e mãos dobrados.

Em dias bastantes primitivos, o instinto feminino era percebido como intensamente animal. Com o avanço da civilização a deusa vai gradualmente erigindo-se desta natureza.

A complexidade das deusas Célticas é realmente explicada quando nós entendemos que para ser uma Deusa nesta tradição antiga deve ser uma Mãe, para ser uma Mãe, deve ser uma protetora e para ser uma protetora deve ser preocupada com a soberania da sua tribo.

É, diferente das Deusas dos Romanos e Gregos, as Deusas dos Celtas são todas as coisas: elas são a terra, a vida, a morte, o trigo que nós comemos e a água que nós bebemos; a água que vem do céu.

BRIGHID, SANTA E DEUSA

Gostaria de esclarecer inicialmente que na mitologia celta, não existem deuses lunares ou solares, o que existe é deidades protetoras de certas artes. Os deuses celtas são uma raça divina, uma série de indivíduos "angélicos" e portadores de variadas capacidades e conhecimentos, mas que se comportam como os mortais e vivem junto com eles. Podemos encontrar grandes arquétipos à nos encorajar e alguns destes personagens são míticos, reis, druidas e heróis.

Brighid, que significa "luminosa"é uma Deusa tríplice do fogo da inspiração, da ferraria, da poesia, da cura e da adivinhação. Isto é, as funções que lhe atribuem são triplas, correspondentes às três classes da sociedade indo-europeia:

- Deusa da inspiração e da poesia - Classe Sacerdotal.

- Protetora dos reis e dos guerreiros - Classe Guerreira

- Deusa das técnicas - Classe de artesãos, pastores e agricultores.

A lenda diz que ela nasceu com uma chama que saía do alto de sua cabeça, ligando-a com o universo.

Pesquisando fontes mitológicas remotas, encontramos Brighid como sendo filha de Dagda, o Bom Deus, pertencendo assim, aos Tuatha De Danann. Há lendas que alegam ser ela a esposa de Tuireann, com quem teve três filhos (Brian, Iuchar e Iucharba), que posteriormente matam Cían, o pai de Lugh.

Já outra lenda, nos diz que Brighid tinha como marido Bres, o malfadado líder dos Tuatha De Danann. Dessa união nasce Rúadan, o qual morre em combate na Segunda Batalha de Moytura. Ao encontrá-lo sem vida, lamenta sua morte em uma tradição que viria a ser conhecida como "keening) (irlandês-caoineach), e que ainda hoje é preservada nas áreas rurais da Irlanda. os "keenings' eram lamentos emitidos por mulheres face ao falecimento de um membro da família ou da comunidade. Se constituíam em choros pungentes, quase bestiais, descritos por observadores como o som de "um grande número de demônios infernais".

A Nova Cristã e Antiga Pagã, Brighid, fundiram-se na figura de Santa Brígida no ano de 450. Em algumas histórias, foi o próprio São Patrício que a batizou e ela foi elevada à condição da figura galesa de Maria, sendo muitas vezes considerada como a parteira de Maria ou até como a ama do Menino Jesus. Aqui reconhecemos a deusa como protetora do parto. E, Brighid como santa, possui até biografia, que é de autoria de Cogitosus. Segundo ele, ela teria nascido em 452, no vilarejo de Faughart (próximo a Dundalk, Co. Lough), ao romper da aurora, hora de máxima importância para a filosofia celta. Era filha do nobre Dubhtach, chfe da Província de Leinster, e Broicsech, uma escrava. Em uma das versões da lenda, conta-se que, ao nascer, a casa em que estava ficou totalmente envolta por um fogo mágico, que assustou à todos que presenciaram à cena. Entretanto, ninguém queimou-se. Vários textos afirmam que tal fogo surgiu do centro da cabeça da criança, talvez para identificá-la como uma santa portadora de um poder criador.

Brigida foi educada por um druida e desde muito cedo manifestou o dom da profecia. Mas certo dia ela adoece gravemente e, o druida consegue salvá-la alimentando-a com o leite de uma vaca branca de orelhas vermelhas.

Os cristãos, gerando uma estranha contradição, afirmam que apesar de muito bela, Brigida permanece virgem. Contam, que para não casar, ela vasou seu próprio olho, tornando-se desinteressante para seus pretendentes.

Cogitosus nos esclarece, que no ano de 490, ela funda um convento na localidade de Kildare, local de perigrinação dos seguidores da religião celta pré-cristã.

Neste convento havia uma chama sagrada que devia sempre arder. Dezenove sacerdotisas-freiras guardavam a sua pira sagrada, alimentando o fogo. Conta-se que, no vigésimo dia de cada mês, ela aparece e vigia o fogo pessoalmente. Aos homens não eram permitida a entrada. Segundo as lendas, aqueles que tentassem se aproximar da fogueira eram acometidos de estranhos surtos de loucura e podiam até perder a vida.

Além de estar diretamente ligada ao elemento fogo, associa-se também a água e à cura. Muitas fontes da Irlanda são a ela dedicadas. A absorção deste elemento pela fé cristã, só comprova a sobrevivência de Brighid, na forma de deusa e não tão somente como santa.

Suas vacas produziam um lago de leite e proporcionavam alimentos inesgotáveis. Mas ela punia com muito rigor quem as roubasse, geralmente através de afogamento ou escaldamento. Através da magia, Brigida multiplicava anualmente a sua produção de manteiga.

Ela também estava ligada à produção e consumo da cerveja.

Reza a lenda que, com uma só medida de malte, Brígida era capaz de produzir cerveja a todos os que a pedissem. Um milagre associado à Cristo, aqui vemos adaptado à realidade celta.

A "Vita Brigitae" afirma que a Santa Brigida morreu em 1 de fevereiro de 525, dia de celebração da Deusa Brighid.

DIA DE BRIGHID - "IMBOLC"

BRIGID também foi vista como uma deusa ligada ao ciclo anual. Ela presidia o começo da primavera, que, no ciclo dos antigos festivais do fogo, começava na véspera de primeiro de fevereiro, Imbolc, ou o Dia de Brigid.

A palavra Imbolc significa literalmente "dentro do ventre" (da Mãe). A semente que foi plantada no Solstício de Inverno está se desenvolvendo. Esta festa é chamada de "Dia de Brigid" em honra a Deusa irlandesa Brigid.

Suas festas eram repletas de fogos sagrados, simbolizando o fogo do nascimento e da cura, o fogo da força e o fogo da inspiração poética.

Brigid é a noiva sagrada, e seu templo é o santuário do fogo divino, o qual representa o fogo do sol. Seguindo a tradição celta, deixe o fogo de sua lareira queimar completamente na véspera do dia de Brigid. Na manhã seguinte, prepare uma fogueira com cuidado especial. Pegue nove (ou sete) pequenos galhos, tradicionalmente de tipos diferentes de árvores e os acenda. Então, prepare a fogueira com os galhos acesos, enquanto decama três vezes:

Brigid, Brigid, Brigid, a chama mais brilhante!

Brigid, Brigid, Brigid, nome sagrado!

Um outro costume do dia de Brigid é plantar uma árvore frutífera.

A Igreja incorporou este o dia de Brigid como sendo a Festa da Purificação da Virgem Maria.

No paganismo esta é a época em que a Grande Mãe volta a ser novamente a Jovem Deusa Solteira.

Uma lenda escocesa, relaciona Brighid com Caileach. Esta última, era também conhecida como a Carline ou Mag-Moullach e era o aspecto da velha deusa no ciclo anual. Estava ligada às trevas e ao frio do inverno e assumia a direção no ciclo das estações em Samhaim, a véspera do primeiro de novembro. Ela portava o bastão negro do inverno e castigava a terra com frias forças contrativas que ressecavam a vegetação.

Com o fim do inverno, ela passava o bastão do poder para Brighid, em cujas mãos ele se tornava um bastão branco que estimulava a germinação das sementes plantadas na terra negra. As forças expansivas da natureza começavam então a se manifestar. Por vezes, essas duas deusas eram retratadas em batalha pelo controle das forças da natureza. Dizia-se até que Cailleach aprisionava Brighid sob as montanhas no inverno. Mas o melhor modo de reconhecê-las é vê-las e considerá-las como duas facetas de uma deusa tríplice das estações: a Velha Cailleach do Inverno, a Donzela Brighid da Primavera e a Mãe-deusa do viço do Verão e da frutificação do Outono.

No Festival de Imbolc é costume, no final da tarde de véspera, se colocar velas (laranja), em todas as janelas da casa e deixá-las acesas até o amanhecer. Também deve anteceder às festividades, um ritual de purificação e limpeza da casa. A celebração também envolvia a feitura de uma Boneca Noiva com as últimas gavelas de milho do ano anterior. Podemos conceber aqui a deusa Brigid com atributos da deusa do milho.

Por meio do ciclo dos Festivais do Fogo (Samhain, Imbolc, Beltane e Lammas), os antigos povos celtas celebravam as diferentes energias da roda do ano. Isso era vivido especialmente como o poder do fogo manifestando-se em diferentes níveis.

Brigid chega em nossas vidas portando a chama da inspiração. Você está sem energia? Falta-lhe motivação? Está tão perdido que não sabe que rumo tomar? Você sonha com algo, mas não se sente com coragem de realizá-lo? Esta é a hora e a vez de alimentar sua totalidade e interioridade com a centelha energética da Deusa Brigid.

Ela nos diz que uma vida sem o calor de sua chama de inspiração é totalmente insípida. Abra seu coração e permita que a inspiração seja o alimento de sua alma, para que você possa se tornar mais segura(o) e energética.

Ritual para Brigit e a família.

Precisará de:
Uma vela vermelha.
(Deve ser nova e feita de cera vermelha pura. Não use uma vela
branca coberta por cera vermelha. Use esta vela somente para Brigid)
Quatro pães.
Um copo grande de leite.
Um xale branco, feito de lã
Dois copos. Um com o leite, o outro vazio.
Dois pratos. Um com os quatro pães.
Fósforos.

Este ritual deve ser feito pela mulher da casa, mas pode ser feito por qualquer um que é o "chefe" da sua casa. Se você sente-se confortável, tente falar as palavras em Irlandês. Estas invocações e rezas foram escritas por Robert Kaucher mas são baseadas em rezas e poemas tradicionais e fazem parte da tradição celta desde a época pagã.

Ajoelhe-se em frente a vela com suas mão abertas no gesto de invocação. Imagine o espirito brilhante de Brigid em seu aspecto triplo. A Brigid no centro é uma guerreira. Ela é a defensora da casa e a lareira. Está escrito que na batalha de Allen (Irlanda - 772) ela apareceu sobre os guerreiros de Linster como uma Deusa da Guerra e destruiu as forças inimigas. Em sua mão esquerda ela está segurando uma lança, na outra ela tem uma chama. Fale:
Tógfaidh mé mo thinne inniu
i láthair na nDéithe naofa neimhe,
i láthair Bríd is áille cruth,
i láthair Lugh na n-uile scéimh,
gan fuath, gan tnúth gan formad,
gan eagla gan uamhan neach faoin ngréin,
agus NaohmMháthair dom thearmann.
A Dhéithe, adaígí féin i mo chroí istigh aibhleog an
ghrá
Dom namhaid, do mo ghaol, dom chairde,
don saoi, don daoi, don tráill,
ón ní ísle crannchuire
go dtí an t-ainm is airde.

Tradução:
Eu construo meu fogo hoje na presença dos Deuses Sagrados do Céu. na presença de Brigid da forma bonita na presença de Lugh de todas as belezas sem ódio, sem inveja, sem ciúmes, sem medo ou horror de ninguém sob o sol porque meu refugio é a Mãe Sagrada.
Ó Deuses, acendam o fogo de amor dentro do meu coração, por meus inimigos, por meus parentes, por meus amigos pelo sábio, o ignorante, e o escravo da coisa mais humilde até o nome mais alto.
(Baseado num poema tradicional; é possível achar o original em An Duanaire)

Acenda o fogo, levante o fósforo, como se fosse o fogo divino dos Deuses, baixe o fósforo e acenda a vela.
Invocação de Brigid:
O povo fala:
A Bhríd bheannaithe
's a Mháthair Déithe
's a Mháthair Daoine.
Go sábhála tú mé
ar gach uile olc,
Go sábhál tú mé
idir anam is chorp.

Tradução:
Ó Brigid abençoada,
Mãe de Deuses,
Mãe dos Homens,
Me salva de cada mal,
Me salva, alma e corpo.

A sacerdotisa coloca seu xale sobre a cabeça e fala:
A Bríd bhuach, Glaoim (Glaomaid) thú, a Bhandia Mhór, ó
do áit leis
na Tuatha Dé Dannan.
Banfhile na nDéithe,
Cosantóir an Teallaigh,
Banbhreitheamh na bheatha

Tradução:
Ó Brigid vitoriosa, Chamo (Chamamos) você, Grande Deusa, de seu lugar com as Tuatha Dé Dannan.
Poetisa dos Deuses
Defensora da Lareira
Juíza da Vida
A sacerdotisa oferece o leite, colocando-o no copo vazio perto da vela.

Agora ela coloca três pães no prato para o pão e coloca o prato perto da vela. Ela fala uma simples reza pedindo à Deusa a aceitar a oferta do leite e pão. Depois ela fala uma reza para abençoar o resto do pão e leite que os participantes vão dividir. Com seus braços cruzados sobre o peito ela fala:
Ó Deusa Brigid,
Prepara nossas corações
Para que amor possa viver.
No mundo escuro
Deixa-nos sempre ter tua Luz.
Deixa tua capa
cobrir essa família,
No meio do inverno
Deixa teu fogo esquentar.
Nossas vidas são uma vida
Nossos sonhos, um sonho só.
Deixa meu povo dividir na vida
e sempre conhecer tua bondade.
(Ó Mãe de Deuses)
Defenda-nos com teu escudo
Vigia-nos com teu olhos.
Deixa meu povo ser teu povo,
Seja no mar ou na terra.
O cordeiro sempre correrá para a ovelha,
O passarinho sempre chorará por comida,
O bezerro sempre procurará a vaca,
A Brigid sempre será conosco.

A sacerdote toma um pouco do leite e pão, e passa-o para os outros participantes. Eles bebem e comem o pão. Deixe a vela acesa por algum tempo. Depois, a sacerdotisa ajoelha-se em frente a vela com as mão abertas. Ela faz uma reza de agradecimento para Brigid. Depois fala assim:
Coiglím an tine seo leis na fearta a fuair na Draoithe.
Na Déithe á conlach, nár spiúna aon námhaid í.
Go ndéana Bríd díon dár dtigh,
dá bhfuil ann istigh,
dá bhfuil as amuigh.
Claímh Nuadha ar an doras
go dtí solas an lae amárach.

Eu apago este fogo com os poderes dos Druidas
Os deuses guardam-no, nenhum inimigo disperse-o.
Brigid seja o teto sobre nossa casa
Para todos dentro
E para todos fora.
A espada de Nuadha na porta,
Até a luz da manha.
Extinga o fogo.

Todos falam:
Slán leat, a Bhríd!

O ritual acabou. Todos se abraçam e falam:
na Déithe dhuit ou Beannacht na nDéithe ort.
Retirado de Creideamh- um caminho Celta

TEXTO PESQUISADO E DESENVOLVIDO POR ROSANE VOLPATTO

Bibliografia consultada (Para todas as deusas celtas postadas neste site)

Explorando o Druidismo Celta - Sirona Knight

Os Mitos Celtas - Pedro Pablo G. May

O Livro da Mitologia Celta - Claudio Crow Quintino

O Livro Mágico da Lua - D. J.Conway

O Oráculo da Deusa - Amy Sophia Marashinsky

Os Mistérios Wiccanos - Raven Grimassi

Todas as Deusas do Mundo - Claudiney Prieto

O Anuário da Grande Mãe - Mirella Fauer

A Grande Mãe - Eric Neumann