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28 de mar. de 2011

Deusa Ishtar

(autoria desconhecida)

Como Deusa Tripla, Ishtar representa nascimento, morte e renascimento.
Ishtar é a deusa mãe dos acádios, herança dos seus antecessores sumérios, cognata da deusa Asterote dos filisteus, de Isis dos egípcios, Inanna dos sumérios e da Astarte dos fenícios.
Mais tarde esta deusa foi assumida também na mitologia Nórdica como Easter - a deusa da fertilidade e da primavera.
Esta deusa era irmã gêmea de Shamash (que era o deus solar) e filha do deus Sin, o deus lunar .
Assim como Inanna, Ishtar também é representada pelo planeta Vênus.
O mais importante festival em honra a Ishtar consistia na Celebração do Equinócio da Primavera.
Neste ritual, os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam nos campos.Estes ovos continham runas e magias de Sigilos pintadas cuidadosamente sobre eles. Estes ovos eram enterrados nos campos e, quando os ovos eram destruídos pelos arados, os desejos escritos nos ovos se realizavam. Esta é a origem dos ovos “coloridos” de “Páscoa” (na verdade, eles não eram apenas “pintados”, mas escritos com runas e sigilos de várias cores, representando cada cor e símbolo dos desejos a serem realizados).

Deusa Sedna

Texto: Lara Moncay

Sedna, uma das encarnações da deusa eterna do mar, é o outro dos grandes mitos esquimós, o mito sobre a superfície do mundo onde vivem. Trata-se da lenda de uma virgem que tutela as águas do mar e todos os seres que nelas vivem. Sedna ouviu da margem a doce voz de um muito atraente e desconhecido jovem, que a chamava da sua embarcação.

Sedna se afeiçoou imediatamente por ele, jogando-se ao mar, enlouquecida pelo seu encanto; mas o jovem não era real, era apenas um espírito perturbador que queria apoderar-se, através da suposta forma humana, do amor e da vontade da ingênua donzela. Ao conhecer Sedna o engano, tentou safar-se daquele espírito que ela julgava malvado, dado que tinha torcido o seu desejo de permanecer toda a sua vida sem desposar homem algum; também o pai da donzela tentou libertá-la daquela posse e lançou-se à sua procura através do mar, até dar com ela e conseguir o seu resgate; mas o raptor também lutou para prevalecer sobre a vontade de pai e filha, lançando-os no meio de um mar que se levantava tempestuoso. Tão perdido se encontrava o pai que preferiu morrer junto da sua Sedna para salvar a honra familiar, mas a filha negava-se a morrer e tratava desesperadamente de agarrar-se à barca, enquanto o pai forçava Sedna, cortando-lhe uma e outra vez os dedos da mão com que tentava aferrar-se à vida, até conseguir afundar a sua infeliz e querida Sedna, para libertá-la -com a morte- do engano daquele espírito. Desses dedos sacrificados para preservar a virgindade de Sedna contam os esquimós que nasceram as espécies marinhas que lhes forneçam a carne e a gordura para o seu alimento, a pele para o seu vestido e os tendões para armar as suas construções; também se diz que no fundo desse mar vivem para sempre pai e filha, velando pelo mar e por todos os animais que nele se multiplicam para dar vida ao seu povo.

Divindades Aztecas

Texto: Lara Moncay

Tlaloc, seguidor de uma das divindades pré-clássicas da chuva, o deus da serpente e, muito especialmente, do deus Chac dos maias, é uma das divindades mais antigas do panteão azteca. Tlaloc, como antes tinham feito Cocijo ou Tzahui, é o ser que se ocupa da tutela da água, o deus que pode fazer com que os campos floresçam e a vida possa continuar eternamente. Tlaloc, como antes Chac, era associado com os quatro pontos cardeais e com as quatro cores que os representavam, morava nas alturas das montanhas, velando pelas nuvens que nelas se formavam e nos templos estava no mesmo nível que o grande Huitzilopochtl. Como é natural, o ritual religioso de Tlaloc exigia o sacrifício de vítimas humanas, mas, talvez pela tremenda necessidade que a povoação tinha de aceder a essa água tão necessária, a exigência multiplicava-se, dado que eram os meninos recém-nascidos os que deviam servir de veículo de satisfação para o deus da chuva.

Ao lado de Tlaloc estava Chalchihuitlicue, a deusa do jade e da turquesa, cores das águas, era geralmente considerada sua esposa, e ela velava pelos rios e arroios, pelos poços e lagoas, sendo outra divindade agrícola da fertilidade. Chicomecoalt, a irmã de Tlaloc, outra divindade dos campos, amparava o milho, tendo uma especial personificação como deusa do milho que floresce, sob a denominação de Xílonen. Mas não era a única divindade do milho, o alimento mais importante dos aztecas, dado que junto dela está o casal formado por Cinteotl e a sua esposa Xochiquetzal, com os quais velava, por extensão, pelo bom fim de todos os cultivos. Finalmente, a deusa Tlazolteotl, por ter sido esposa de Tlaloc ao princípio, e depois do temível Tezcatlipoca, era a complexa divindade que presidia o amor entre os humanos, a deusa do amor carnal, por uma parte, e que depois se encarregava de ouvir as confissões que os fiéis faziam das suas faltas, para vigiar o cumprimento das correspondentes expiações correspondentes a essas faltas.

Deus Quetzalcóatl

Texto: Lara Moncay

A figura de Quetzalcóatl também aparece muita destacada no mito Azteca, porque se trata do deus que se sacrifica pelos humanos para devolver-lhes a terra, entregando-se ele e o seu duplo, o seu nahual, ao reino dos mortos. Quetzalcóatl gozava da simpatia dos seus fiéis, dado que ele era o criador das artes e das indústrias, a divindade encarregada de fazer chegar tudo o que o ser humano tinha a seu favor, embora também fosse tratado como uma divindade temível, dado que se lhe devia sacrificar um belo escravo, comprado quarenta dias antes da festa do deus; do seu corpo se apoderavam os mais ricos comerciantes, dado que essa carne santificada também era manjar ritual. Mas, à parte dos sacrifícios de sangue, tão intimamente unidos com a religião azteca, o bom deus Quetzalcóatl, enfrentado a Tezcatlipoca, que tinha introduzido entre os habitantes da cidade de Tula a maldade e o vício, termina por ter que abandonar a sua própria terra, na qual os povoadores já tinham sofrido o castigo à sua desobediência, para sair para o mar, não sem antes prometer regressar algum dia glorioso, dia que se esperava ativamente, com uma sentinela constante das costas por onde se sabia que Quetzalcóatl regressaria para trazer só o bem ao seu povo. Tal foi o mito, e Hernan Cortês, informado da sua existência, aproveitou a firme crença da povoação azteca para apresentar-se, no seu esplendor de cavalheiro conquistador, armado e engalanado, como o navegante mitológico que regressava aos seus domínios, anulando com astúcia qualquer a possível resistência que o imponente império podia ter-lhe apresentado.

Deus Tezcatlipoca

Texto: Lara Moncay

Também Tezcatlipoca era uma divindade solar e lunar, o sol cálido do estio e a divindade noturna invisível. Agora falamos de um deus singular, um dos rivais Tezcatlipoca, dado que foram quatro os filhos de Ometeotl, cada um com uma das quatro cores simbólicas: branco, vermelho, preto e azul. Para maior complicação da figura divina de Tezcatlipoca, muitas vezes aparece o seu oponente Quetzalcóatl com a mesma caracterização que ele. Tezcatlipoca andava na noite, aterrando os infelizes ou contribuindo para cimentar a fama dos corajosos que mantinham a sua honra perante a terrível presença do deus, que era tão temido como respeitado, dado que a ele também lhe ofereciam abundantes sacrifícios humanos. Uma dessas festividades dedicadas a Tezcatlipoca era a do Toxcatl, para a qual se preparava um prisioneiro, sempre um homem jovem e bonito, durante todo um ano. Três semanas antes do seu sacrifício ritual, o prisioneiro considerado como a própria personificação do deus, era unido em casamento a quatro virgens escolhidas e estava com elas até que chegava o dia da cerimônia. Então, acompanhado pela nobreza era levado ao templo do sacrifício; lá, solitário, ascendia a longa escadaria com toda a majestade do deus encarnado.

Na cimo, esperavam-no os sacerdotes e a faca de obsidiana que teria que abrir-lhe o peito de um único golpe, para que o seu coração pudesse ser levantado ao céu e jogado depois, com o corpo, pelas bancadas abaixo, de maneira similar como se fazia para satisfazer Quetzalcóatl e o grande Huitzilopoctl.

Deus Huitzilopochtl–O Deus Supremo

Texto: Lara Moncay

Como é natural, o deus mais importante do panteão azteca, Huitzilopochtl, era também o deus da guerra, dado que este era o ofício por excelência da casta superior. Huitzilopochtl, filho da virgem Coatlicue e irmão de uma única mulher e dos quatrocentos do Sul, era a primeira divindade, a quem se atribuía a guia do povo azteca de Aztlan, no norte (a terra das gralhas), à margem do lago Texcoco, onde assentaram a capital do seu império. O deus supremo era, naturalmente, filho de uma virgem, como costuma fazer-se em todas as mitologias com os primeiros deuses, e diz-se, para centrar a razão dessa virgindade, que Coatlicue ficou grávida por obra do céu, dado que pôs no seu seio uma grinalda de penas de colibri, da qual nasceria a divindade suprema. Mas não se pensou que fosse possível tal gravidez, e os quatrocentos do Sul, guiados por uma das filhas, trataram de evitar a pretendida desonra da sua mãe, assassinando-a antes de poder dar a luz aquela criatura. Coatlicue conseguiu esquivar-ser do ataque dos seus anteriores filhos (logicamente também filhos de virgem), dando à luz o seu filho em forma de um homem adulto e completamente armado, como corresponde ao deus que tem que personificar a guerra e que luta com os seus quatrocentos irmãos que duvidaram da virgindade da sua mãe e quiseram matá-lo. Mas também é Huitzilopochtl quem, além disso, seria mais tarde o próprio Sol e nada menos que a águia, o astro por excelência e o animal mais poderoso da heráldica azteca. Huitzilopochtl, senhor de Sol e do Sul, com o seu vestido de penas e armado com o escudo na esquerda e a lança na direita, recebia o sacrifício ritual dos corações, ainda palpitantes, arrancados do peito daqueles que lhe serviam de oferenda.

Mitologia Azteca

Texto: Lara Moncay

Começamos por tentar resumir a mitologia mais barroca de América do Norte, a azteca, centrando-nos unicamente na descrição dos grandes deuses do seu panteão, dada a grande variedade de divindades menores, inclusive de outras muitas importadas de religiões que foram assimiladas juntamente com as vitórias territoriais. Em princípio, segundo o mito geral de América Central, e em particular o azteca, a criação do Universo se deve ao sacrifício de um deus, Ometeotl ("deus duplo"), ou Nanahuatzin, que, nessa constante sacralização do sacrifício, se transforma (Nanahuatzin está vinculado ao fogo) para dar-nos a construção do nosso mundo. Um mundo que também se constrói, por vontade de Ometeotl, a partir do seu sacrifício, engendrando na sua desaparição os quatros Tezcatlipocas. Com eles se vão sucedendo as quatro idades.

Ometeotl

A primeira, quando o primeiro Tezcatlipoca se converte no Sol e faz nascer à humanidade; mas esse mundo termina, devido ao confronto entre os quatros Tezcatlipoca, com a destruição do Universo por Quetzalcóatl, através do dilúvio, com uma humanidade transformada nos peixes que habitaram nas águas vindas do céu. Depois se estabelece a idade dos gigantes, mas esta era termina com a queda do céu; na terceira idade, o fogo celestial arrasou a superfície do mundo; na quarta e última idade, o vento arrasou de novo a superfície terrestre e os humanos se transformam em símios. Após essa quarta idade, no mito nauatl, nascem de novo os homens numa terra também renovada, ao mesmo tempo em que os deuses saem do nosso mundo para ir para o dos mortos e deixar-nos viver sem o perigo das suas rivalidades. Naturalmente, há diversas versões do mito da criação, alguma delas com três idades (os homens de argila, os de madeira e os de milho) e outra com cinco idades, mas todas elas coincidem em apontar que o nosso mundo conheceu muitas mutações e que outras nos esperam no final de cada tempo, sob o olhar atento do deus principal, Huitzilopochtl.

Um Pouco de História

Para situar melhor o contexto histórico da cultura Azteca, digamos que os aztecas, um povo nahua, tinham chegado ao vale de México vindo do norte, mas sem que se possa precisar a sua origem, e fundam México em 1.324, a sua capital, sendo, pois, a última das grandes civilizações que se instalam na zona e posteriores aos toltecas, que desalojam no poder, e os milenários maias, embora o seu império se desmorone completamente em 1.521, enquanto os maias continuariam em pé durante outros cento e oitenta anos, depois de terem existido durante mais de dois mil e quinhentos anos. A sociedade Azteca estava estratificada em classes, duas superiores (sacerdotes e guerreiros), intermédias (comerciantes, dos camponeses e povo) e a inferior (os escravos).

A terra era propriedade de todos, embora os teocalli ou templos tivessem as suas próprias terras, as teotlalpan (terras dos deuses) e os clãs eram a única forma de se transmitir e manter o poder, embora a grande maioria residisse na imensa legião de sacerdotes (um milhão, segundo os cronistas) que se ocupavam dos quarenta mil templos abertos em todo o império Azteca, e aos quais havia que pagar tributo, entregar as primícias da terra e prestar trabalho obrigatório. Além de servir as necessidades de tão vasta igreja, os produtos guardados nos celeiros e nos silos também serviam para ajudar a povoação em épocas de escassez. Por sua parte, os reis aztecas procuravam que a maior parte destas obrigações para com a religião e para com a sua própria corte fosse por conta dos povos conquistados, aliviando assim a sua gente, ao mesmo tempo em que se favoreceria o militarismo da casta guerreira, apresentado como uma vantagem para o povo devido à permanente conquista de territórios e à aliança com os povos fronteiriços.

A Morte no Centro da Vida

O mito Azteca, como todos os mitos da América Central, girava ao redor da morte; a sua religião exigia sacrifícios de sangue e se movia ao redor de uma plêiade de divindades da morte e de muitas outras entidades menores e terríveis. Sobre todas essas criaturas do tenebroso mito infernal regiam, a partir do nono círculo, o mais recôndito do universo escuro de Chicnaujmichtla, os esposos Mictlantecuhli e Mictecacihualtl.

O Universo estava composto por uma série de planos paralelos, que iam dos nove, ou treze, exteriores, onde residiam os deuses (nos planos superiores) de planetas e astros que se veem no firmamento, passando pelos céus e suas cores.

Sob o plano do nosso mundo, debaixo desse disco que está no centro do Universo (rodeado por água em toda a sua periferia), se sucediam os planos paralelos, que aqui somavam nove, terminando no inferno para o qual iam as almas dos seres anônimos. Esse caminho durava quatro anos através de duras provas às quais eram submetidas às almas que não foram escolhidas por Huitzilopochtl, o grande deus supremo e divindade do Sol, que só se preocupava da morte dos seus escolhidos, os guerreiros. Ou ainda, aqueles que não foram escolhidos por Tlaloc, o deus das chuvas e a água, a quem correspondia os que tinham morrido pelas águas exteriores do céu e da terra, pelas tempestades e pelos raios, e por causa de doenças relacionadas com as "águas" interiores do corpo humano, numa estranha assimilação da gota e da hidropisia à água das nuvens, dos mares e dos rios.

O nosso mundo, como os céus situados sob os deuses, tem quatro cores que situam nas suas quatro partes componentes: diante do preto do país da morte, situado ao Norte, está o azul, que corresponde ao país do Sul; diante do levante de cor branca, está o poente de cor vermelha.

Maniqueísmo–Religião de Mani

Texto: Lara Moncay

Mani (o Manes dos gregos) nasceu em 14 de Abril do ano 216 no sul da Babilônia, numa família arsácida. O seu pai, Patik, ouviu a chamada divina e retirou-se dos prazeres da mesa, odiando a carne e o vinho, como odiou o sexo, para unir-se à seita dos baptistai, como lhes chamavam os gregos, ou Al, como lhes chamavam os árabes. Com o seu pai Patik Mani viveu até à idade de vinte e um anos, para depois separar-se dele e dos baptistai; a explicação da sua separação dessa seita é dada pelo mesmo Mani, ao narrar que o seu anjo gêmeo, ou da guarda, lhe veio comunicar, em 7 de Abril de 228, que devia sair dela aos vinte e quatro anos de idade, coisa que ele fez um dia desse mês de Abril que marca constantemente os fatos da sua vida, exatamente o 19 de Abril do 240. Imediatamente, Mani converte-se no Apóstolo da Luz, no Paracleto dos gregos, anunciando a nova religião revelada, da qual ele é o seu profeta, como o foram Adão, Zaratustra, Buda e Jesus. Vai de um lado para o outro do império sassânida e a sua religião alcança tal magnitude que se estende da Pérsia ao limite ocidental da Espanha e da Gália por Ocidente, e ao limite oriental de China no ano 675, e conhecendo lá a sua consagração como religião oficial ao ser decretada pelo mesmo imperador, ao mesmo tempo que ordena o primeiro bispo maniqueu. Depois, com o decurso do tempo, voltam as tradicionais religiões chinesas a impor-se à que chegou da Pérsia e o maniqueísmo acaba no ano 843, quando se proíbe na China, mas fica assentada com força em regiões como Fukiem e Formosa até o século XIV.

Noutras zonas da Ásia, como no Turquestão, o maniqueísmo continua vivo durante séculos e só termina a sua presença quando Gengis Kan o invade nos princípios do século XIII.

Dualidade de Mani

Com a inegável base da dualidade entre Ahura e Ahriman, com as aportações dos hereges Marção e Bardesanes, com a herança gnóstica da iluminação interior, Mani constrói a sua teoria religiosa dos dois princípios e os três momentos, na qual se funda todo o seu credo. Mani diz que há duas substâncias antagônicas, a Luz e a Escuridão, os dois princípios que nunca foram criados e que sempre existiram, eternos e iguais, que vivem em duas regiões separadas do infinito. O reino de Deus, o da Luz, se encontra no Norte, no Este e no Oeste; o reino do mal está no sul, talvez porque ao sul de Pérsia esteja somente o deserto da Arábia e a solidão do mar, e que nas outras três direções, pelo contrário, se encontre o mundo habitado e habitável. Deus, a Luz, é o Pai de Grandeza; o mal é o Príncipe das Trevas. No mundo do Pai de Grandeza reinam as quatro notas harmoniosas da paz, a pureza, a doçura e a compreensão; no mundo do Príncipe das Trevas só há os quatro vícios da desordem, a estupidez, a abominação e a hediondez. Por sua vez, o mundo do Pai de Grandeza compreende cinco moradas: entendimento, razão, pensamento, reflexão e vontade, habitadas por inumeráveis leões, criaturas do bem. Antagônico em tudo, o mundo do Príncipe das Trevas é um poço onde se encontram, um sobre outro, os seguintes estratos de fumo, de fogo que consome, de vento destrutivo, de lodo e de escuridão, nos quais se encontram os cinco Arcões, chefes de cinco classes de repulsivas criaturas infernais. Pois bem, estes dois mundos separados foram no PASSADO, quando estavam bem afastados, na sua estrita dualidade, as substâncias: Espírito e Matéria, Bem e Mal, Luz e Escuridão. No tempo MÉDIO, misturaram-se as substâncias numa confusa amalgama, mas o Pai de Grandeza não abandonou a sua obra e lutou pelo resgate da verdade, por isso nos resta a grande esperança do FUTURO, quando a força do Pai de Grandeza restabelece a dualidade primordial e se voltam a separar as substâncias nos seus respectivos domínios; estes são, pois, os três momentos que aponta a doutrina do maniqueísmo, os três momentos que, junto com os dois princípios, são o dogma único no que tem que acreditar aquele que queira, de verdade, a salvação eterna da sua alma.