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Abençoados sejam todos!

31 de mai. de 2011

Deusa Ilmatar

Acredito que a autoria seja da Rosana Volpatto.

ILMATAR DA FINLÂNDIA

A maioria das lendas finlandesas estão contidas no Kalevala.

O Kalevala é a obra literária mais traduzida no mundo. A primeira tradução foi publicada em sueco já no ano de 1841. A primeira tradução da nova versão do Kalevala foi em alemão, publicada em 1852. Após sua publicação, houve uma grande revolução na língua e na cultura finlandesa interna e, além de suas fronteiras, levou um pequeno povo até então, quase desconhecido, à consciência de muitos outros povos.
Kalevala, tornou-se o estatuto da epopeia nacional e ainda hoje, continua a ser alvo de uma investigação ativa no país.
Nesta maravilhosa obra, encontramos a estória da Ilmatar, a Deusa do Mar da Finlândia.
Ilmatar, a princípio, vivia no céu e durante muito tempo permaneceu em absoluta castidade, pois tinha a sorte de habitar os planos celestes.
Chegou certo dia, que Ilmatar se aborreceu com a vida que estava levando, sempre vagando só pelo espaço e decidiu então, visitar um outro mundo. Desceu ao mar e flutuou nas ondas gigantes do oceano. Enquanto ela se divertia na água, um golpe de ar que veio do Oriente agitou seu corpo e desencadeou uma tormenta. Em poucos instantes, o mar se viu coberto de espumas e ondas gigantescas se elevavam ao céu.
O vento a desejava e ondas serviram para transportar a Deusa virgem por imensos vales do oceano. Contasse que o vento conseguindo seu intento, penetrou em seu corpo e a engravidou.
A virgem, entretanto, foi obrigada a permanecer no balanço das ondas por sete séculos, impossibilitada de dar à luz porque não havia terra firme. A pobre llmatar, nadava para Oeste, depois para Leste, Norte e Sul, mas não encontrava nenhum ponto seguro, para que seu filho divino pudesse vir ao mundo. Ela orava constantemente ao deus Ukko, o maior dos deuses, para que a ajudasse, dizendo:
-Oh poderoso Ukko, deus supremo! Tu, que sustentas os firmamento, vem em minha ajuda, eu te suplico. Livra-me destas dores que me consomem. Venha salvar-me, do contrário morrerei!
Ukko escutou suas preces e se compadeceu dela. Em meio a tempestade que sacudia o mar, um clarão abriu-se e surgiu uma bela pata. Voava pelo ar cansada, como se buscasse um lugar seguro para fazer seu ninho, construir sua casa, para que pudesse assim, dar continuidade a sua espécie.
A Deusa, observava o voo e pensava para onde iria se dirigir. A pata então voou mais baixo e Ilmatar ofereceu seu joelho para que pudesse construir seu ninho. A ave agradeceu e sob os cuidados e a proteção da Deusa, colocou oito ovos. Os sete primeiros eram de ouro e o último de ferro. Sem fazer distinção a pata cobriu todos eles com seu corpo. Mas, era tanto o calor, que a Deusa, sentia arder sua pele virginal. Temendo queimar-se, Ilmatar submergiu nas profundezas das águas. Foi então, que os ovos da pata caíram ao mar. Ao tocar a superfície fria da água, se romperam em pedaços e se transformaram em mil coisas úteis.
A metade da casca de um ovo, formou a base da terra e a outra metade o firmamento que contemplamos. A gema, passou a ser o Sol que ilumina nosso Universo e a clara converte-se na Lua prateada. O ovo de ferro não se partiu, mas transformou-se em uma estrondosa nuvem negra de tempestade.
Ilmatar agora, finalmente pode levantar-se das águas e iniciar a criação do mundo. Onde pousava sua mão algo se criava e a cada movimento gerou tudo que existe na terra.
Todo este trabalho levou trinta anos e seu filho Vainamoinen ainda não havia nascido, sendo assim, o ser humano não existia. O futuro homem ainda sonhava dentro do ventre de sua mãe. Um certo dia, entretanto, sua vida iniciou-se em uma pequena morada onde o brilho da Lua jamais chegava e o Sol nunca lançava seus raios. Sozinho e triste, dizia:
- Oh Lua, Oh Sol, acuda-me e guia-me para fora desta escuridão, tira-me deste claustro estreito e leva-me para a Terra, pois o filho do homem aspira conhecer o dia! Quero ver a Lua no céu, quero sentir o calor do Sol, quero conhecer todas as estrelas!
Mas a Lua não veio em sua ajuda e o Sol nem tomou conhecimento de sua existência. Foi ele mesmo que conseguiu libertar-se de seu cárcere, empurrando a porta com um de seus pés. Mas quando conseguiu sair, caiu entre as ondas do mar e lá permaneceu por trinta e um anos, a mercê das correntes marinhas.
Quando conseguiu alcançar a terra, esta era árida e seca. Feliz, sentou-se, para contemplar a Lua, aquecer-se nos auríferos raios do Sol e a buscar a Ursa Maior, para conhecer todas as estrelas. Foi assim que nasceu Vainamoinen (deus da música), o primeiro homem.
A mitologia da Finlândia é matriarcal e Ilmatar é considerada a Mãe Criadora e a Deusa do vento e da água. Ela é também conhecida como Luonnotar, Filha da Natureza.
llmatar é uma Deusa amável e é muito popular entre todos os povos de Kalevalan. Foi ela também que gerou o primeiro ser humano, Vainamoinen, gerado da união do vento e da água. Foi ele que inventou a cítara e era um músico tão soberbo que suas melodias dominavam os animais selvagens.

A Deusa Ilmatar chega até nossas vidas para nos dizer que mesmo nos tornando adultos, a nossa criança interior, sempre permanecerá criança. Portanto, não importa a idade que hoje temos, pois sempre conservaremos a alegria infantil que a vida nos proporcional. Mas não se trata de lembranças e sim de sentir a qualidade essencial das crianças. Na criança interior encontramos o "mar da plenitude", onde ainda estamos ligados, pelo cordão umbilical celeste à nossa Mãe primordial.
Todas as mulheres do mundo que alcançaram sucesso, via de regra, são "filhas do pai" e estão bem adaptadas à sociedade orientada pelo masculino, mas para tanto, tiveram de sacrificar seus próprios instintos femininos.
O retorno à Deusa é a reconexão com o "si mesma", o arquétipo da totalidade e o centro regulador da nossa personalidade. "Sou quem Sou", esta é a questão!
Infelizmente, as mulheres da atualidade, já nascem órfãos de suas verdadeiras mães. São ainda criadas em lares difíceis, cortadas do contado direto com a terra e por isso, acabam por identificar-se com o pai e a cultura patriarcal, alienando-se de sua essência feminina. Para estas mulheres, o contato com a Deusa é fundamental para que possam se sentir completas. Cair nas águas frias do "mar da plenitude" da Deusa Ilmatar é a única forma de acordar a força e a paixão do feminino que está há milênios adormecida dentro de nós.
Comemora-se esta Deusa no dia em 26 de agosto. A Deusa Ilmatar pode ser invocada para melhorar a nossa criatividade e quando há dificuldade para concepção.

RITUAL (Eclipse Total Solar ou Lua Cheia)
A época ideal para realização deste ritual deveria coincidir com o eclipse total do Sol, evento em que se celebra a criação espiritual universal. Com o eclipse forma-se o "olho cósmico", que possui um simbolismo mágico e poderoso para inúmeras culturas.

Material:
Sete ovos pintados de dourado 7 velas douradas
1 ovo pintado de prata 1 vela da cor prata
1 cálice com água salgada
Decore seu altar com flores e ao lado de cada ovo, coloque sua vela correspondente. Trace o círculo e chame os quatro elementos. Acenda as velas.

Visualize um círculo de poder que circundará seu corpo e depois torna-se-a cada vez maior, até circundar toda a Terra, trazendo luz e proteção à todos os seres que aqui habitam. Depois clame pela Deusa, convidando-a à participar da celebração que realiza em sua homenagem. Com certeza ela não demorará a aparecer como uma mulher linda renascida das águas para conversar com você.
Convide-a para sentar no chão e conecte-se com a terra pela planta dos pés. Converse com a Deusa e diga que lhe oferece oito ovos para que ela lhe ajude a dar mais criatividade a sua vida. Se você está tendo problemas para engravidar, exponha suas angústias. Depois de conversarem bastante, despeça-se agradecendo sua divina presença.
Apague as velas, enterre os ovos e caminhe no sentido anti-horário para desfazer o círculo.

Deusa Tiamat

Acredito que seja da Rosana Volpatto

 A DEUSA DRAGÃO

O reino da Babilônia se desenvolveu ao sul da Mesopotâmia durante 2200 até 538 a. C., quando os persas conquistaram a cidade. Os babilônios eram os herdeiros do grande legado cultural dos antigos sumérios.
Para os babilônios como para o sumérios, o rei obtinha sua autoridade diretamente dos Deuses. Por exemplo, o rei Hammurabi afirmava que havia recebido as leis de seu Código diretamente da mão do Deus Sol Shamash. Os reis eram tão importantes que, em anos recentes, o agora condenado ditador Saddam Hussein (nascido em 1937), justificava em parte sua soberania sobre o Iraque atual, comparando-se com o rei Nabucodonosor, que governou desde o ano de 606 até 562 a. C.

A história de Tiamat pode ser encontrada no épico babilônico Enuma Elish, data do século XIX-XVI a. C., que foi cantada ante a estátua de Marduk, Deus principal babilônico, celebrando a fundação do mundo e da própria Babilônia que era o centro do mundo.
Tudo inicia-se com o caos aquático. Apsu a água doce que origina rios e riachos, e Tiamat, o mar ou as águas salgadas (representada na forma de um dragão), combinam seus poderes para criar o universo e os Deuses. Os primeiros dois Deuses chamaram-se: Lachmu e Lachamu. A primeira prole se reproduziu e formou-se outra prole. Esses Deuses irritavam profundamente Apsu que convocou seu auxiliar Mummu e foram juntos a Tiamat, a quem disseram que a descendência de ambos deveria ser eliminada para que regressasse a tranqüilidade. Tiamat, entretanto, enfureceu-se rechaçou a idéia, pois embora estivesse perturbada com os ruídos dos deuses, os perdoava.
As crianças-Deuses acabam descobrindo que Apsu tinha plano de matá-las e enviam o Deus Ea para matá-lo primeiro.
Tiamat não apoiava os planos de Apsu de destruir seus filhos mas, diante da morte de seu esposo, passa a lutar contra eles. A Deusa encontra outro companheiro, Kingu, com quem gera vários monstros: serpentes de garras venenosas, homens-escorpiões, leões-demônios, monstros-tempestade, centauros e dragões voadores. Depois, partiu para a retaliação.
Antes designou Kingu como chefe de seu exército dizendo:
-"Exaltando-te na assembleia dos Deuses, eu te dou o poder para dirigir todos eles. Tu és magnífico e meu único esposo. Que os Anunnaki exaltem teu nome." Entregou-lhe então as Tábuas do Destino.
As crianças-Deuses temiam lutar contra Tiamat até que Marduk, filho de Ea, decidi lutar contra ela. O restante dos deuses rebentos prometeram a Marduk que, em caso de vitória, ele seria coroado como rei dos Deuses.
Marduk teceu uma rede e apanhou Kingu e todos os monstros. Ele os acorrentou e os atirou no Submundo. Partiu então para matar Tiamat. Primeiro Marduk cegou o dragão com seu disco mágico, possivelmente representado pelo próprio sol, pois o Deus era também um herói-solar. Depois feriu mortalmente Tiamat com uma lança, símbolo da vontade criativa e procriação. O herói teve ainda o auxílio dos sete ventos para destruir Tiamat. Com metade do corpo dela ele fez o céu, e com a outra metade a Terra. Tomou sua saliva e formou as nuvens e de seus olhos fez fluir o Tigre e o Eufrates. Finalmente de seus seios criou grandes montanhas.
Os humanos foram criados a partir do sangue de Kingu misturado com terra. Marduk, de posse das Tábuas do Destino, criou em seguida. uma habitação para os Deuses no céu, fixou as estrelas e regulou a duração do ano e fundou a cidade da Babilônia para que fosse sua residência terrestre.
Outros mitos, descrevem o processo de criação como um fluxo contínuo de energias originadas do sangue menstrual de Tiamat, armazenado no Mar Vermelho ou Tiamat, em árabe. Foi essa a razão pela qual, mesmo após a interpretação patriarcal do mito, na qual foi acrescentada a figura de Marduk, que teria matado Tiamat, o Dragão do Caos e criado o mundo com seu corpo, foi mantido na Babilônia, durante muito tempo, o calendário menstrual, celebrando os Abbats e nomeando os meses do ano de acordo com as fases da Lua.
O mistério de Tiamat e de Marduk era comemorado anualmente na Babilônia durante o Ano Novo ou no festival de Akitu.
Pouco resta da magnífica cidade da Babilônia, somente uns quatro bancos de barro às margens do rio Eufrates, sul da atual Bagdá, Iraque. Porém um dia, a cidade da Babilônia foi famosa por seus "jardins suspensos", uma das maravilhas do antigo mundo. No coração da cidade estava o templo de Marduk, a Casa da Fundação do Céu e da Terra.
Como em incontáveis mitos, a origem de toda a vida teria vindo do mar primordial, quer na terra, ou no céu, mas o que existe de comum em todas estas possíveis procedências são as trevas primordiais. São delas que se origina a luz, sob a forma de luz ou estrelas e do dia acompanhado pelo sol. É esse fator comum, a escuridão da noite primordial como símbolo do inconsciente que explica a identidade entre o céu noturno, terra, mundo inferior e água primordial anterior à luz. Com efeito, o inconsciente é a mãe de todas as coisas, e tudo o que surgiu depois e permanece na luz da consciência está em uma relação filial com a escuridão. Designamos como urobórica, essa situação psíquica primordial, que abrange os opostos e, ma qual os elementos masculinos e femininos, os inerentes à consciência e os hostis a ela, confundem-se uns com os outros.
Na Babilônia, a unidade masculino-feminina dos uroboros era constituída por Tiamat e Apsu, que representavam o caos primordial da água. Mas é Tiamat, o verdadeiro elemento de origem, a mãe de todos os deuses, e a possuidora das tábuas do destino.

Deusa Mictlancihuatl

(não consta a autoria, mas acredito que seja da Rosana Volpatto)

DEUSA MICTLANCIHUATL

A deusa Mãe da Morte é conhecida pelos astecas pelo nome de Mictlancihuatl e ela é chefe suprema dos anjos da morte. É a única que nos liberta da dor e da amargura. Ela nos retira deste vale de lágrimas, com seu imenso amor maternal, cheia de caridade, adorável e bondosa. Os astecas a representam com uma diadema de 9 crânios, o 9 é o número da iniciação.
A importância do culto a Mictlancihuatl, a Senhora de Mictlan, recai na esfera de ação da morte. Ela devora o homem como se observa na lâmina cinco do Códice Borgia, aqui a deusa veste sua fantasia de morta desencarnada, inclusive em seu dorso podemos observar suas costelas. Seu "cueitl com prega na borda é branco, possivelmente de papel, com a estamparia simbolizando a Terra. Seus brincos são de ouro com adorno de papel. Atrás de seu corpo distingue-se quatro bandeiras de papel com franjas largas e compridas na cor vermelha que qualificam seu aspecto mortuário. A deusa se mostra na atitude e posição para receber o corpo do homem em seu seio.
Nenhuma deidade como a Mãe-Terra pode ter o poder absoluto da vida, da realidade absoluta. Tudo que sai de seu seio está dotado de vida e tudo que regressa à terra, produzirá vida novamente. O destino da terra é engendrar sem cessar, dar forma a vida a tudo que regressa à ela inerte e estéril. A terra é o começo e o fim de toda a vida. As mulheres, como a terra, também geram a vida humana, a devolvem para sua origem e possuem a capacidade de fazê-la surgir de novo. A força destrutiva e desintegradora, busca a todo o momento, destruir para dar origem a uma nova vida.
Mesmo no México contemporâneo, ainda existe um sentimento especial ante ao fenômeno natural da morte e da dor que ela possa produzir. Para eles a morte é um espelho, para o qual devemos olhar e nele se refletirá tudo o que fizemos durante a vida. Se a sua morte carece de sentido, é porque sua vida foi vivida sem sentido, pois a morte nada mais é do que o reflexo da vida, o outro lado do espelho.
Para os mexicanos, a morte não é a vingança da vida, mas sim a sua libertação para os tesouros mais profundos da nossa natureza.

A MORTE É O SABER DO "NADA"

O nada está a nossa volta
Tudo que fazemos é
circunscrito e inscrito do nada
Não tenha medo do nada da morte
Pois não há nada a temer
Nada se cria se
Não houver um espaço vazio para tanto
E este espaço é o nada

E se não houver este espaço

A alma não pode despertar
Portanto não há motivo
Para se temer o nada

Pois o nada faz parte tanto
Da vida quanto da morte
Aceite o nada como um presente
Que ao abri-lo,
Terá a surpresa de uma nova vida
É o nada que transformou-se em tudo
Ao se entregar ao nada Você ganhará a plenitude.

O Reino dos Mortos

MICTLÁN

Para entendermos sobre Mictlán (Lugar dos Mortos) e de Mitctlantecutli e Mictlancihuatl (Senhor e Senhora da Morte), temos que nos desprender das concepções ocidentais da morte.

Para nossos distantes ancestrais a relação da vida era unida à da morte. Segundo esta concepção, não se têm consciência plena da vida, se não tivermos consciência plena da morte. Desta forma o Quinto Sol (em que vivemos), foi produto do sacrifício e morte de Telauciztécatl e Nanahuatzin, deuses que se jogaram ao fogo cósmico que ardia em Teotihuacán, para a partir de sua morte, converterem-se em Lua e Sol.
Morrer para renascer. Este ensinamento nos é propiciado pelo Sol, que nasce, incansavelmente no Oriente (oeste) e se extingue, moribundo, no útero devorador do mundo no Ocidente (leste). Da mesma forma que a natureza, o homem está condenado a morte eterna. Morte e vida são portanto, aspectos de uma mesma realidade. A vida brota da morte, como a planta do grão, que se decompõe no seio da terra. A morte se justifica como um bem coletivo e dá continuidade à criação. Os mortos desaparecem para voltar ao mundo das sombras e para fundir-se ao ar, ao fogo e a terra. A morte é o regresso à essência do universo.
Para os astecas, havia uma crença que os guerreiros mortos em combate ou na pedra de sacrifício, morriam sob o signo de "Uitzilopochtli" e se convertiam em "companheiros da águia", eleitos para "acompanhar o Sol" do nascimento até o meio-dia. E, as mulheres mortas de parto, consideradas como guerreiras pela luta e sofrimento ao dar à luz, eram eleitas para acompanhar o astro do meio-dia ao entardecer. Mas, somente os homens, ao término de 4 anos desta caminhada se convertiam em aves de rica plumagem e regressavam a vida terrena.
Ao observarmos os mistérios da iniciação do final do Antiguidade, verifica-se que o candidato deveria suportar o perigoso caminho através do mundo inferior a fim de conquistar o renascimento, verificamos que este segue o mesmo caminho do sol dos astecas. Assim, os iniciados nos mistérios de Ísis, deveriam atravessar as doze horas noturnas, as quais correspondem na concepção egípcia ao caminho da barca solar do mundo inferior.
A verdadeira vida, para os astecas não era aqui na terra e tinham que se sacrificar para se fazer dignos da próxima existência. É, portanto, somente depois de uma vida de impecável virtude, ao chegar à morte, o guerreiro poderia acompanhar o astro-rei em sua deslumbrante caminhada. O asteca tinha como verdadeiro objetivo chegar purificado a morte, que não era outra coisa senão a vida luminosa da consciência. Viver para morrer, sofrer para viver eternamente. Pensando desta forma, a vida se apresenta como um verdadeiro desafio, como também uma maravilhosa oportunidade, um corredor que conduz à porta da imortalidade.
Mas, nem todos os homens possuem a força espiritual, o domínio da vontade e a mesma maneira de encarar a vida e a morte. Por isso, existiam quatro lugares para onde iam os mortos.
O primeiro era o Ilhuicatltonatiuh, o lugar prometido para os guerreiros, àqueles que lograram o florescer de seu coração e doavam-se como alimento.
• Chichihuacuahco, o segundo lugar, era para onde iam as crianças mortas, elas se alimentavam em uma bela e frondosa árvore de cujos galhos brotavam gotas de leite. Estes pequeninos voltarão ao mundo quando este se destruir, dando término a época denominada de Quinto Sol (época atual).
• terceiro lugar era Tlalócan, a "Mansão da Lua", para onde iam os que morriam de raios, afogados, ou de doenças como: gota, sarna e lepra. Este local era como uma casa de veraneio, agradável e fresca onde nada faltava.
Finalmente existia o Mictlán, para onde iam todos aqueles que não haviam alcançado a morte luminosa do guerreiro, nem a morte terna da criança, nem uma morte associada à água.
Mictlán era um lugar terrível, porque significava o "nada", a morte estéril produto de uma vida estéril, a morte-por nada. Esta região era governada por Mictantecutli e Mictlancihuatl, Senhor e Senhora do Mundo dos Mortos. Simbolicamente este local era considerado o intestino da terra.
• morto para chegar a Mictlán tinha que atravessar um longo caminho cheio de perigos e passar primeiro por um caudoso rio chamado Apanahuaya, para tal feito, necessitaria da ajuda de um cão chamado techichi. Posteriormente teria que cruzar entre duas montanhas que sempre estavam se chocando uma com a outra (Tépetlmonamicitia). Devia ainda enfrentar uma terrível lagartixa de nome Xalchitonal e escapar de um crocodilo. Também deveria cruzar 8 desertos e subir 8 colinas e suportar um vento gélido que cortava como urna navalha e o jogava sobre as pedras. Depois destes terríveis sofrimentos se encontrava com Teocoyleualoyan, um imenso tigre que lhe comia a coração. Então, após ter concluído sua terrível e dolorosa viagem, apresentava-se ante o Senhor Mictlantecutli que lhe dizia: "Agora que concluístes tuas penas, podes dormir teu sono mortal". Depois de 4 anos de viagem, o viajante chegava a Mictlán, onde simplesmente deixava de existir, desaparecia.
Mictlán era pois, um ponto de contato entre a terra e o inframundo, porta de entrada ao terrível mundo do NADA.

Deusa Juno

 


Mês de JUNHO
Mês da união entre os opostos, de equilíbrio e amor.
Este mês é dedicado à Deusa Juno, a Grande Mãe da mitologia romana (representada por Hera na mitologia grega) e a todos os deuses e deusas que regem o Amor, a Paixão e a Beleza.
As pedras-amuleto tradicionais desse mês são a alexandrita, pedra-da-Lua e pérola.
A flor tradicional é a Rosa.
Uma curiosidade sobre este mês é que a ele é consagrada a borboleta, símbolo de transformação. Acredita-se que se alguém conseguir ver ao menos uma borboleta por dia durante este mês, será contemplado com muita boa sorte.
Originalmente, o nome deste mês era Junonius, em homenagem a Juno, a deusa romana padroeira dos casamentos e das mulheres.
Juno era invocada nos casamentos para garantir a felicidade duradoura por seu aspecto de padroeira e protetora das funções e atributos femininos.
Por isso antigamente as mulheres procuravam casar neste mês, tradição mudada pela Igreja Católica para o mês de Maio, apesar da antiga crença de que casar neste mês traria azar.
Como governante e da estação mais clara e quente do ano, Juno era a contraparte luminosa de Janus, o regente do mês de janeiro.
No hemisfério norte, durante este mês, percebia-se um acréscimo de energia de energia psíquica, favorecendo a aproximação e o intercâmbio com o seres elementais e os espíritos da natureza, que poderiam se tornar acessíveis e visíveis desde que devidamente agradados e invocados.
Os antigos nomes deste mês eram Meitheamh para os irlandeses, Aerra Litha para os anglo-saxões, e Brachmonath para os nórdicos.
No calendário sagrado druidico, a letra Ogham correspondente é Tinne e a planta sagrada é o azevinho.
Os nativos norte-americanos chamavam este mês de Lua dos Amantes, Lua de Mel, Lua dos Morangos, Lua da Rosa, Lua dos Prados, Lua do Sol Forte, Lua dos Cavalos, Lua da Engorda, e Mês do Intervalo, entre outros.
Neste mês, os povos europeus celebravam o solstício de verão com vários rituais, encantamentos, práticas oraculares, festas, fogueiras, danças e feiras. Nos países eslavos, o nome dos festivais variava (Kupalo, Jarilo, Kostroma, Sabotka, Kreonice ou Vajano), mas sua tônica era a mesma.
No Egito durante a Lua Cheia, homenageava-se a deusa Hathor com o festival de Edfu.
A procissão com a estátua da deusa, retirada de seu templo de Dendera durante a lua nova, culminava com sua chegada no templo de Hórus, em Edfu, para o casamento sagrado destas divindades.
Durante as faustosas celebrações, muitos casais aproveitavam os influxos auspiciosos do evento para imitar o exemplo dos deuses e se casar.
A deusa lunar Hathor regia o amor, a beleza, a união e a fertilidade e, casar-se durante sua celebração na Lua Cheia, garantia sua bênçãos para o casal.
Também no Egito, celebravam-se as deusas Ísis e Neith, com o Festival das Lanternas, enquanto que na Índia, um festival exclusivo de mulheres homenageava a deusa Parvati.
Na Grécia antiga, durante a Lua Nova, celebrava-se Ártemis - a deusa lunar padroeira das florestas e dos animais -, as Horas - deusas menores das estações - , e as Dríades - as ninfas das árvores.
Em Roma comemoravam-se as deusas Carna - da saúde -, Cardea - a protetora das casas - e Hera e Vênus - as padroeiras das mulheres e do amor.
Os povos nativos norte-americanos festejam, neste mês, o retorno das Kachinas, os espíritos ancestrais da natureza para a sua morada subterrânea, após terem proporcionado o crescimento da vegetação.
Os incas celebravam Inti Raymi, a Grande Festa do Sol e a gratidão pela colheita do milho.

à deusa Juno
em ti, bendita Juno,
a consagração do mês das regas e das colheitas,
a que concedeste a nobreza do teu sacro nome.
um mês de solstício, de casamentos e namorados,
de suculentos frutos e legumes,
de santos populares e fogueiras,
mês da foice em punho e do flavo trigo nas eiras.
é este o teu mês,divina Juno,
e nele quero relembrar e honrar o teu bom-nome
e deixar o meu testemunho.
belas e rociadas de plenitude
as noites e as antemanhãs
que nos concedes na quietude dos dias.
na beleza dos teus olhos,
a embriaguez azul
da infinitude dos céus,
a mesma luz que ofusca e inebria
os humanos e os deuses.
em teus purpurinos lábios
o incitamento ao beijo.
no teu corpo divino
o amor, o desejo, a beleza,
a força feminina
que gera a vida
e canta a natureza.
zelosa em teu himeneu com Júpiter,
único no Olimpo,
proteges, na tua graça,
como se fora teu,
o casamento de todas as mulheres,
que acolhes e amparas no teu coração.
a ti, deusa da maternidade,
elevo a minha voz e o meu olhar e ofereço,
na modéstia dos simples,
o meu humilde verbo.
a ti, Luno - ou Hera -
rainha dos deuses
que cintilante nos surges
na tua clâmide de oiro e estrelas,
ergo a minha taça de vinho romano
- ou grego, tanto faz!–
e brindo à tua pureza,
à tua sensualidade,
à tua excelsa beleza,
na infinidade do Olimpo arcano
de onde sopram os ventos da paz
e onde tudo é claro e exato
e imponente e não efémero,
porque divino, e não humano.

poesia publicada por peregrino copiado do blog: peregrino21.blogspot.com

Deusa Sedna

(não consta a autoria, mas acredito que seja da Rosane Volpatto)


Meus dedos foram decepados bateram em mim fui ferida machucada mentiram para  mim fui traída fui abandonada
Meu sofrimento era imenso mas lá embaixo nas profundezas no coração do oceano onde me deixaram para morrer compreendi minha impotência o modo como vivi minha vida
desamparada e com medo sempre numa atitude passiva em vez de ativa e percebi o que fiz

A medida que a compreensão expandiu minha consciência peixes e mamíferos aquáticos
cresciam dos meus dedos cortados Transformei-me num "velho parto de comida" Aquela que sustentou sua gente
Não mais uma vítima.

As terras do Círculo Polar Ártico são estéreis e congeladas. Cultivar é praticamente impossível e até recentemente os povos que lá habitam, dependiam da caça e da pesca como única fonte de sobrevivência. Não de surpreender então, que tanto os animais como o mar, desempenham um papel importante em sua mitologia.
Não há nenhum deus supremo na mitologia dos Inuit (esquimós), mas sim diversos espíritos que controlam as forças da natureza. O mais importante deles é Sedna.
Sedna, com seus cabelos da algas, considerada a deusa do mar e das baleias, era uma bela mulher que vivia em companhia de seu pai, enfrentando muitas dificuldades. Sua vida não era realmente nada boa, pois a caça e a pesca, estavam escassas e além disso. encontrava-se muito insatisfeita com os muitos admiradores que a cortejavam. Enfeitiçada por uma gaivota que lhe prometeu muito alimento e servas, ela foi viver com o povo dos pássaros. Em vez do prometido, Sedna foi forçada a viver no meio de muita sujeira e miséria. Quando seu pai veio visitá-la, lamentou-se e pediu que ele a levasse de volta através das águas. O povo dos pássaros perseguiu os dois e, para salvar a vida da filha, o pai de Sedna derrubou-a no mar. Ela apavorou-se e tentou subir novamente ao barco, foi quando então seu pai cortou-lhe os dedos, que imediatamente se transformaram em peixes e mamíferos marinhos.
Sedna submergiu e alcançou o Adlivum, o infra mundo esquimó, onde agora governa os mortos. É no Adlivum que as almas se purificam para depois seguirem sua jornada à terra da lua (Quidlivun), onde encontrarão descanso e paz eterna. Quando um inuit morre, ele é envolvido em uma pele de caribu e enterrado. Os corpos dos idosos têm seus pés apontado para oeste ou sudoeste, os pés das crianças devem apontar para leste, dos adultos para sudoeste e dos adolescentes para o sul. Os mortos são velados pelos parentes por três dias com as narinas fechadas com pele de caribu.
Para assegurar-se da garantia de boas caçadas e fartas pescarias, os xamãs-esquimós descem para visitá-la, pintando-se e mutilando as mãos. Entretanto, esta viagem é arriscada, com muitos pedregulhos e espíritos maus

pelo caminho. Chegando até o castelo de Sedna, o xamã tem a obrigação de pentear seus cabelos e deixá-los
limpos para que ela liberte as criaturas do mar para os seres humanos.
Na Groenlândia é chamada de Arnakuagsak e no Alasca de Nerrivik. Esta deusa é a protetora dos mares profundos, senhora da vida e da morte, nutridora e guardiã de seu povo, desde que ele respeite as suas leis. Acredita-se que ela tenha o supremo controle dos destinos da humanidade, e quase todos os ritos observados pelas tribos esquimós, têm por objetivo apaziguar-lhe a ira. Sua morada é no mundo inferior, onde vive em uma casa construída de pedra e costelas de baleia. As almas das focas e das baleias procedem, ao que acreditam os esquimós, da sua morada. Quando um desses animais é morto, a alma fica com o corpo durante três dias, retornando em seguida à morada de Sedna, para que esta a mande de volta novamente. Se, durante os três dias em que a alma fica com o corpo, qualquer tabu ou lei é violada, a violação (pitssete) atinge a alma do animal, provocando-lhe dor. A alma luta, em vão, para libertar-se dessa influência, mas é obrigada a levá-la para Sedna. A violação que se prendeu à alma do animal morto provoca, de uma forma que não é explicada, feridas nas mãos de Sedna, e ela castiga as pessoas que são a causa de suas dores, mandando-lhes doenças, mau tempo e fome. Se, por outro lado, os tabus forem respeitados, os animais marinhos se deixarão pegar, e irão até mesmo de encontro ao caçador. O objetivo dos numerosos tabus em vigor depois de abatido um desses animais do mar é, portanto, impedir que a alma sofra consequências que também iriam magoar Sedna.
Os esquimós não eram um povo ambicioso, pelo contrário, acreditavam que possuir bens em demasia podia trazer azar para a comunidade. Por isso, no dia de comemoração à deusa Sedna, jovens com rostos pintados iam de casa em casa recolhendo comida e peles. No final do dia, as provisões eram distribuídas para aqueles que não tinham o necessário para sobreviver durante o inverno.
Para o olhar que receia, tudo é ameaçador, mas Sedna chega até nós para nos lembrar que em lugares profundos e esquecidos podem ser encontrados preciosos tesouros. É mergulhando em no nosso íntimo que descobriremos o senso de nossa própria beleza.
A deusa Sedna está dando também seu nome ao décimo planeta recém descoberto em nosso sistema solar. Seus símbolos: a água, o olho e os peixes.
Dentre todos os povos "primitivos" que sobreviveram na terra, os inut são os que mais fascinação continuam provocando por sua extraordinária maneira com que enfrentam as duríssimas condições de vida e também por sua peculiar cultura.

DANCE SUA VÍTIMA

Reserve um horário e um lugar em que não seja interrompida. Coloque uma música e a acompanhe com um tambor ou chocalho. Escolha um lugar bem espaçoso onde possa ter bastante liberdade para se movimentar.
Visualize a deusa Sedna e peça para que ela se faça presente. Respire fundo e relaxe. Quando estiver pronta, ligue a música e toque o tambor ou chocalho. Comece dizendo em voz alta:
"Eu sou uma vítima!"
E continue afirmando isso várias vezes. Deixe que o canto a leve para onde você precisa ir. Grite, lamente e fale tudo que lhe vier na cabeça. Deixe vir à tona o que for necessário vir. Deixe que seu corpo expresse através da dança todos os seus sentimentos. Libere total! Bata os pés com força no chão para extravasar toda a sua raiva. Não hesite em colocar para fora tudo o que está sentindo e continue dançando até se sentir liberta destes sentimentos.
Agora entoe as palavras:
Tu sou forte!" e acompanhe a música com movimentos até sentir-se totalmente poderosa, forte e segura. Respire fundo e solte o ar lentamente. Agradeça a Sedna pela sua companhia e ajuda. Seja bem vinda, agora você é uma mulher de poder!

29 de mai. de 2011

Deusa Prosérpina

FESTIVAL DE PROSÉRPINA
Este festival romano homenageia a Rainha do Submundo.
Esta deusa ajuda a despertar um tesouro oculto nas profundezas do espírito.
Acenda uma vela e cerque-a com pedras negras, fazendo um círculo.
Peça a Prosérpina para trazer à tona essa parte luminosa e adormecida de sua alma. Enquanto faz o pedido, vá retirando as pedras uma a uma.
Deusa da agricultura, na mitologia romana, filha de Júpiter e de Ceres, foi raptada por Plutão, enquanto colhia flores.
Plutão, deus do mundo dos mortos, levou-a para os infernos, de que veio a ser rainha, fazendo dela sua mulher, de quem teve as Fúrias:
Fúrias eram divindades infernais, do ódio, da vingança e da justiça.
Monstros da vingança dos deuses,eram virgens caçadoras, de asas rápidas e fisionomia terrível.
Eram três: Megera, Tisífone e Alecto.
A primeira, personificava a inveja e o ódio, perseguia os culpados e semeava a discórdia entre eles; a segunda, armada de um chicote, açoitava-os; e a terceira, a mais terrível, personificava a cruel vingança.
São elas o símbolo do remorso, que corrói o coração dos culpados.

28 de mai. de 2011

Deusa Ran

Deusa Marinha.

De extrema beleza e talento musical, Ran tinha o dom da sedução, da magia e da transmutação. A forma que mais gostava de assumir era a de uma bela sereia.
O mar era chamado O Caminho de Ran pois os navegantes sabiam que nas profundezas dele esta Deusa era quem abrigava os que se afogavam. E estes ficavam para sempre sob os seus domínios.
Seus cabelos eram compridas algas marinhas banhadas num perfume sedutor. Era sempre representada coberta de muitas joias. Com uma de suas mãos segurava o leme do barco e com a outra, recolhia em sua rede os afogados para seu reino escuro e encantado no fundo do mar.
Era comum os marinheiros escandinavos levarem consigo moedas de ouro nas viagens pois dizia a lenda que se os afogados resgatados por ela portassem ouro, a Deusa magicamente os devolvia à vida, mas nos reino submerso. E onde também seriam tratados com regalias. A eles lhes seria permitido assistirem a seus enterros. E se alguém de sua família os vissem, acreditaria que estavam em boas mãos, aos cuidados da Deusa.
Os navios daquela época ostentavam em suas proas a figura de Ran entalhada em madeira como sinal de proteção e reverência à Deusa.
Ran era casada com o deus Aegir com quem teve 9 filhas, as donzelas das ondas. Elas também tinham o dom da transmutação. Se transformavam em sereias e costumavam no inverno se aproximar das fogueiras que os pescadores faziam nos acampamentos. Assumiam corpos e trajes de mulheres para seduzi-los. Depois de fazer amor com eles, os deixavam e estes, definhavam de tristeza e de saudades até a morte.
Ran também era chamada de Deusa Marinha das Tempestades pois zangava-se quando algum marinheiro não tratava bem seu marido ou filhas. Era considerada protetora das moças e mulheres solteiras e também dos afogados.

fonte: Agenda Esotérica

27 de mai. de 2011

Deusa Ereshkigal

(autoria desconhecida)

A DEUSA DO SUBMUNDO

Ereshkigal é a Deusa Suméria, Rainha dos Mortos e do Mundo Subterrâneo. Seu nome significa "Senhora da Grande Habitação Inferior". Entretanto antes de ser relegada ao "kur" (palavra que significa Mundo Inferior), era uma Deusa dos grãos e morava na parte superior da terra. Caracterizava portanto, o crescimento dos cereais. Como Deusa dos grãos, era conhecida como Ninlil, sendo esposa de Enlil, um Deus Sol de segunda ordem. Como mulher deste Deus, foi violentada por marido diversas vezes, oculto em vários disfarces. Mas acabou sendo castigado pela violência perpetrada e mandado para o mundo inferior, onde toma o nome de Gugalana. A Deusa, entretanto, amava muito seu marido e seguiu-o, tornando-se então, Ereshkigal.
Sua violentação é análoga com a história de Perséfone, mas mostra a potência primitiva e paradoxal de forma mais crua, havendo em Ereshkigal muita das Gógonas e da Deméter Negra: o poder, o terror, as sanguessugas sobre a cabeça, o olhar terrível congelando a vida, a ligação íntima com o não-se e o destino. A Deusa contém e personifica as regras do mundo inferior, ao sentar-se frente aos sete juízes para receber aqueles que vêm até ela através dos sete portões de sua casa de lápis-lazúli. Em alguns mitos seu consorte era Ninazu (deus da cura) e em outros, Nergal (deus da peste, da guerra e da morte).
A violentação da Deusa, estabelece ainda, o domínio do masculino sobre a vida em sociedade, relegando o poder feminino e a fertilidade ao mundo inferior.
Em uma das primeiras violentações Ninlil-Ereshkigal por Enlil, nasceu Nana-Sin, o Deus Lua, nascido no mundo inferior antes de levantar-se para iluminar o Céu e medir o tempo com seus ciclos. Nana-Sin é o pai de Inanna, sendo portanto, Ereshkigal sua avó nessa genealogia. Ereshkigal tornou-se um símbolo da morte aterrorizada para o mundo patriarcal e foi banida para o subterrâneo. Como Kali, Ereshkigal, através do tempo e do sofrimento, dos quais, entretanto, jorra avida. Ela simboliza o abismo, que é a fonte e o fim, a base de todos os seres.

Os domínios de Ereshkigal representam uma única certeza: de que todos nós um dia morreremos. Mas devido esta certeza, esse reino é a manifestação do desconhecido, onde a vida consciente se encontra em estado de adormecimento.
O vizir de Ereshkigal chamava-se Namtar, "destino". O reino da Deusa tinha legalidade própria, à qual os Deuses da Suméria se curvavam. É a lei do grande subterrâneo, lei da realidade, das coisas como elas são, uma lei natural pré-ética e frequentemente aterrorizadora, que sempre precede os julgamentos do superego patriarcal e daquilo que gostaríamos que acontecesse. Mas Ereshkigal nunca aflorava em seu aspecto terrível. Quando os Deuses realizavam suas festas, pediam que alguém fosse buscar sua comida. Mas ela não é antagônica ao masculino, pois vivia rodeada de juízes, consortes e criados são homens e ela gera e dá à luz a meninos. Portanto, contrariando tudo o que já foi escrito, esta Deusa nos sugere que a consciência das camadas profundas do psique não é uma adversária da consciência patriarcal.

INANNA E ERESHKIGAL

Ereshkigal era irmã-avó de Inanna, que desce até seu território para assistir os funerais Gugalana (marido de Ereshkigal). Mas ela se enfurece e exige que a Deusa do Mundo Superior seja tratada de acordo com as leis e ritos destinados a todos que entram em seu reino: deverá ser trazida até sua presença nua e curvada.
Seu vizir acolhe suas ordens e a cada uma das setes portas de entrada, ele remova uma das vestes de Inanna. Agachada e nua, como os sumérios eram colocados em seus túmulos, ela é julgada por sete juízes. Em seguida, Ereshkigal mata-a e enfia seu corpo em um poste, onde se transforma em uma carne esverdeada pela putrefação. Só depois de três dias é que sua assistente Ninshubur coloca em execução suas instruções para resgatá-la. Mas é somente Enki, o Deus das águas e da sabedoria que se dispõe a ajudá-la. Resgata a Deusa se utilizando para isso dois carpidores que ele modela com a sujeira que se acumulou debaixo de sua unha. Esses entram no Mundo Inferior sem serem notados, levando o alimento e a água da vida que Enki lhes dera. Mas só asseguraram a libertação de Inanna quando compadeceram-se de Ereshkigal, que estava gemendo de dores de parto. Extremamente grata pela empatia dos carpidores, entrega o corpo de Inanna.
Depois Inanna precisará enviar alguém ao Mundo Inferior para ocupar seu lugar. O escolhido será Dumuzi, seu consorte que teria usurpado seu trono. Mas ele será protegido por sua irmã Gehstinana. Inanna decide então que ambos devem dividir a condenação, e passar seis meses cada um no mundo subterrâneo.
Esta história nos serve de modelo cósmico, sazonal, transformativo e psicológico. Este é o filme cuja projeção cura as feridas de todas nós mulheres que crescemos sob o patriarcalismo e lutamos com problemas semelhantes.

ERESHKIGAL COMO ARQUÉTIPO

Ereslilcigal é a Deusa que enfurece se for desrespeitada, mas ela não constrói um sistema de ataque, nem seus próprios limites. Vemos sua projeção na figura da mãe que se torna inimiga, se houver recusa no reconhecimento de sua sabedoria. Esta atitude equivale a anular a sua própria origem, pois Ereshkigal é a avó do Sol e das Estrelas. De seu ventre surgem as luzes celestes e os filhos da peste e da morte. É a fonte da consciência trazida pelas luzes orientadas do céu e pelas dores e medos mortais.
Há afeto, energia e legitimidade em Ereshkigal, mas há também seus olhos de morte. Arquetipicamente, esses olhos de morte são implacáveis e profundos, enfocando uma objetividade imediata que considera as pretensões, os ideais e mesmo a individualidade e o relacionamento como coisas irrelevantes. Eles também encerram e possibilitam o mistério de uma percepção radicalmente diferente e pré-cultural. Corno os olhos das caveiras em volta da casa da bruxa e deusa russa da natureza, a Baba Yaga, eles percebem com a objetividade própria da natureza e de nossos sonhos, escavando alma a dentro, para encontrar a verdade nua, e ver a realidade por trás de sua miríade de formas, ilusões e defesas.
Quando não reverenciadas, as forças de Ereshkigal são sentidas como depressão e uma abissal agonia de desamparo e futilidade, desejo inaceitável e energia destrutivo-transformadora, autonomia inaceitável, que desintegram, resolvem e devoram o senso individual de capacidade e valor. Uma mulher sob o domínio de Ereshkigal, acaba cortada de seus afetos primais, perdendo a consciência em relação a eles. Pode sentir-se presa em uma estase sem fim, incapaz de mover-se, sentindo o desespero pesado e o vazio de quem é violentada pelo seu "animus".

Ereshkigal não aceita ser reverenciada pelos modos convencionais, pois ela exige a morte, a destruição completa das diferenças, a transformação total. Somente um ato de rendição completa e voluntária poderá transformar o lado sombrio desta Deusa Escura.
Só quando formos reduzidas à dor de uma profunda depressão que adormece os sentidos e nos reduz ao caos é que nos encontraremos com a Deusa Ereshkigal. O contato com ela enraíza a mulher e aglutina sua potencialidade para confrontar o masculino e o patriarcado de igual para igual. As descidas mais profundas levam à reorganização e transformação radicais da personalidade consciente.
Todas as mulheres devem ter a ousadia de saltar para a escuridão. No alento frio do domínio espiritual, podemos experimentar nossa própria frieza, à fim de nos livrarmos da compulsão de relacionamentos que nos escravizam. Também para engrenarmos uma vida sobrecarregada e ir contra ela, a morte surge como um valor supremo.
Nós mulheres, temos uma longa história que está se tornando consciente. Não há modelos que se adaptem perfeitamente à nossa situação atual, mas por meio das lendas antigas, saberemos quais as forças deveremos servir. Está ainda para ser vivido ou até escrito a forma pela qual alcançaremos o equilíbrio e desenvolvimento individual, enquanto descemos e subimos, para novamente iniciarmos um novo ciclo.
Somos todos nós um pequeninho fragmento da história, mas contemos a promessa dela inteira. Como viajantes de um tempo que enterrou nossas Deusas, nossa tarefa de individualização é uma nota que se destaca como uma grande canção que vem sido cantada desde os primórdios.

RITUAL

Coloque uma vela preta no ponto sul de seu altar, uma vela branca ao norte e um cálice no centro. Trace o círculo.

Invocação:
Acenda a vela preta e diga:
Oh Grande Deusa Ereshkiga,
Junte-se a mim neste local sagrado.
Ajude-me a crescer,
Para que eu possa fazer diferença neste mundo.
Ensina-me a responder com amor e bondade,
Toda a crueldade que me é dirigida.
Passe o seu atame três vezes através o fogo da vela preta e diga:
Oh Deusa do Subterrâneo,
Com o fogo desta vela preta,
Ajuda-me a queimar e afastar de minha vida
Toda a obscuridade.

Visualize todas as coisas ruins saírem de você e fundirem-se com a chama da vela. Depois apage-a.
Tome um outro gole do cálice e diga:
Que esta bebida da purificação, Me deixe livre de qualquer mal.
Agora acenda a vela branca. Olhe para sua chama, observe sua cor demoradamente e diga
Ereshkigal, busco minha renovação interior. Ajuda-me a curar as feridas deixadas Do mundo que agora saiu de mim.
Faça com que volte a rejuvenescer meu interior, Para que eu possa ler mais compaixão e paciência Com aqueles que tentam me prejudicar.

Reflita sobre o processo desta renovação. Sinta que cada parte de seu corpo se torna mais forte, mais saudável, mais puro.
Diga então:

Oh Grande Deusa Ereshkigal,

Ajuda-me a levar este crescimento e renovação

Comigo para minha vida cotidiana

Apague a vela branca

Abra o círculo