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Abençoados sejam todos!

1 de dez. de 2011

Deusa Yacy

Yacy - Mãe Terra

lenda

Yacy era a própria Mãe Natureza, seu nome sendo composto de Ya (senhora) e Cy (mãe), a senhora Mãe, fonte de tudo, manifestada nos atributos da Lua, da água, da natureza , das mulheres e das fêmeas.
Cy ou Ci representa, portanto, a origem de todas as criaturas, animadas ou não, pois tudo o que existe foi gerado por uma mãe que cuida da sua preservação, do nascimento até a morte. Sem Cy (mãe), não há nem perdura a vida, pois ela é a Mãe Natureza, o principio gerador e nutridor da vida.
Na língua tupi existem vários nomes que especificam as qualidades maternas – Yacy = a Mãe Lua, Amanacy = a Mãe da chuva, Aracy = a Mãe do dia, a origem dos pássaros, Iracy = a Mãe do mel, Yara = a Mãe da água, Yacyara = a Mãe do luar, Yaucacy = a Mãe do céu, Acima Ci = a Mãe dos peixes, Ceiuci = a Mãe das estrelas, Amanayara = a senhora da chuva, Itaycy = Mãe do rio da pedra, e tantas outras Mães – do frio e do calor, do fogo e do ouro, do mato, do mangue e da praia, das canções e do silêncio.
As tribos indígenas conheciam e honravam todas as mães e acreditavam que elas geravam seus filhos sozinhas, sem a necessidade do elemento masculino, atribuindo-lhes a virgindade, o que também em outras culturas simbolizava sua independência e auto-suficiência. Em alguns mitos e lendas as virgens eram fecundadas por energias numinosas em forma de animais (serpente, pássaros, boto), forças da natureza (chuva, vento, raios), seres ancestrais ou divindades.
Na língua tupi existem váris nomes que especificam as qualidades maternas:
Yacy, a Mãe Lua;
Amanacy, a mãe da chuva;
Aracy, a mãe do dia, a origem dos pássaros;
Iracy, a mãe do mel;
Yara, a mãe da água;
Yacyara, a mãe do luar;
Yaucacy, a mãe do céu;
Acima Ci, a mãe dos peixes;
Ceiuci, a mãe das estrelas;
Amanayara, a senhora da chuva;
Itaycy, mãe do rio da pedra, e tantas outras mães – do frio e do calor, do fogo e do ouro, do mato, do mangue e da praia, das canções e do silêncio.
"Nós éramos um povo sem leis, mas vivíamos em harmonia com o Grande Espirito,
Criador e Mestre de todas as coisas.
Eramos acusados de sermos "selvagens".
O branco não compreendia nossas preces, nem ao menos tentava compreendê-las...
Quando cantávamos nossos cânticos de louvor ao Sol, à Lua, ou ao Vento, éramos chamados de idólatras.
Sem nada compreender, o branco, nos condenou, como se fossemos "Almas perdidas".
Isto apenas por não entenderem que nossa religião era diferente da deles."
(Taganta Mani, Indio Stoney)

indio1

fonte do texto e fotos: http://www.luzemhisterio.com.br

Deusa Isthar

Isthar, a Rainha das Estrelas
Ishtar

Como Rainha-do-céu era concebida como a condutora das estrelas. Ela própria tinha uma vez sido estrela, a estrela da manhã e a estrela da tarde, que acompanhava Sinn, o então deus da Lua, como sua esposa. Posteriormente ela o substitui, passando a reinar e tornando-se Rainha-das-estrelas e Rainha-do-céu. Percorria o céu todas as noites em uma carruagem puxada por leões ou bodes.
Ishtar regia o planeta Vênus, quando se apresentava como guerreira destemida (na forma de estrela matutina) ou a cortesã sedutora (na forma de estrela vespertina). Por vezes, as duas formas se fundiam emergia a Senhora da Vida e da Morte. Invoque sempre Isthar ao cair da tarde e conecte-se com o planeta Vênus. Medite e peça à Deusa suas bênçãos e reforce sua feminilidade e fertilidade.
As constelações zodiacais eram conhecidas pelos antigos árabes como as Casas-da-Lua, enquanto que o cinto zodiacal inteiro era chamado de "Cinto de Ishtar", um termo que se refere ao calendário da Lua dos antigos, para os quais os meses do ano eram as doze luas do ano solar. Assim, Ishtar era a Deusa-do-tempo, cujos movimentos governavam a semeadura e a colheita, e controlavam o ciclo anual das atividades agrícolas. Era conhecida como governante moral dos homens.
O nome do deus Sinn, é familiar para nós, se pensarmos no monte Sinai, que significa "Montanha-da-Lua". Esse fato lança uma luz interessante sobre a história judaica, pois foi no monte Sinai que Moisés recebeu as Tábuas da Lei. Sinn, como deus da Lua, era o antigo legislador, antecedendo de muito a Moisés. Foi portanto em um lugar muito apropriado que este procurou e encontrou as tábuas enviadas pelo poder divino.
Como Rainha-do-submundo, Ishtar entretanto, tornava-se inimiga do homem e destruía tudo aquilo que havia criado durante sua atividade no mundo superior. Era, então, cognominada a Destruidora-da-vida, a Deusa-dos-terrores-da-noite, a Mãe Terrível, deusa das tempestades e da guerra. Era também a provedora de sonhos e presságios, da revelação e compreensão das coisas que estão escondidas.
O submundo dos antigos representava, as profundezas escondidas e desconhecidas do inconsciente. Mas, quando nós reconhecemos que o inconsciente está dentro de nós, sendo a parte escondida de nosso psique, ele torna-se um lugar geográfico real, para o qual alguém poderia ir em uma jornada de barco ou carruagem.
A afirmação de que a Deusa-do-submundo possuía poderes mágicos, equivale a dizer que o inconsciente funciona de maneira secreta e desconhecido, isto é, mágica. Este fato é prontamente admitido por qualquer pessoa que dele tenha pelo menos um leve conhecimento.
Já que sofremos as consequências de seu poder inexplicável, seria interessante se pudéssemos manter uma boa relação com ele. Pois, para os antigos, a deusa da Lua era a rainha deste reino. Tinha ali tanto poder quanto no mundo superior. Uma relação segura e útil com os poderes do submundo podia ser obtida através de uma aproximação adequada com ela.Em suas forma mutantes, Ishtar desempenha todos os papéis femininos possíveis. É chamada de filha como também de irmã do deus Lua, que é ao mesmo tempo seu próprio filho (Tamuz). É mulher, a personificação do Yin, do princípio feminino e do Eros. Para as mulheres ela é o próprio princípio de ser. Para os homens é a mediadora entre eles mesmos e a fonte secreta da vida, escondida nas profundezas do inconsciente.
Como seu filho, Tamuz, Ishtar era chamada Urikittu ou a Verde, a produtora de toda a vegetação. Seu símbolo era uma árvore convencional, chamada Asera, que era venerada como se fosse a própria deusa.
O poder e significação desta grande Deusa da Lua, Rainha-do-céu, que caiu nas águas do Eufrates e foi trazida à praia por um cardume de peixes servos, se encontram explicados num hino que encontra-se em uma das "Sete tábuas da Criação", que datam do século VII a. C, embora o próprio hino seja muito mais antigo.
Ishtar foi conhecida ainda como Grande Deusa Har, Mãe das Prostitutas. Sua alta sacerdotisa, Harina, era considerada a soberana espiritual "da cidade de Isthar". Antigo entalhe em uma parede de mármore retrata Isthar sentada à beira de uma janela. Nessa típica pose da prostituta, ela é conhecida como "Kilili Mushriti", ou "Kilili que se inclina para fora." Diz ela: "Uma compassiva prostituta eu sou".
Ishtar é "Diva Astarte, Hominum deorumque via, vita, salus: rusus eadam quae est pernicies, mors, interitus." (Divina Astarte, o poder, a vida, a saúde dos homens e o oposto disso que é o mal, a morte e a destruição).

- * -

Celebração de Ishtar, Rainha das Estrelas, a personificação da complexidade feminina.

Ritual: A "taça" representa a qualidade feminina de receber.
Por isso hoje abençoe uma taça como o seu Sagrado Graal. Depois coloque água pura e peça para que Isthar a emante com vibrações de saúde e equilíbrio. Guarde o seu "Sagrado Graal"(taça) e o utilize para reequilibrar-se sempre que necessário.

fonte do texto e foto: http://www.luzemhisterio.com.br

Deusas: Sehmet e Hathor

Sekhmet e Hathor são, na verdade, duas dimensões da mesma Deusa. Embora Sekhmet e Hathor sejam ambas grandes Deusas de poder dignas de respeito e admiração, desejo desmistificar algum do medo que rodeia, particularmente, Sekhmet, resultante do seu mito.
Alguns poderão estar familiarizados com o mito dos filhos de Rá que se tornaram imorais e desrespeitosos para com o Deus Rá. Diz-se que Ele enviou Sekhmet, o “Olho de Rá”, de forma a erradicar este elemento corrupto instalado entre os filhos de Rá. A história desenrola-se com Sekhmet procedendo a uma matança, dizimando populações inteiras. Diz-se que, para horror dos Deuses, incluindo Rá, o apetite de Sekhmet não pôde ser saciado até que Rá invocou o Senhor (Lord no original) Thoth ou Tehuti para intervir. Misturaram tinta vermelha com cerveja e espalharam esta mistura pelo deserto, perto da [zona de] mais recente atividade de Sekhmet. À medida que bebia a cerveja vermelha, ia ficando inebriada e desmaiou. Como resultado deste estado alterado, quando voltou a si, estava transformada em Hathor, a Deusa Solar da Alegria; uma Deusa cheia de paixão, também expressada na sua manifestação como Deusa Cobra, que protege a coroa e a visão do Faraó.
Contudo, o que me parece que este mito nos indica não é a história da ira selvagem e imprevisível da divindade feminina que deve ser apaziguada de alguma forma. Sandra Ingerman, autora de “Medicina para a Terra” ["Medicine for the Earth" no original] discute no seu livro um estado xamânico reminiscente dos elementos destrutivos de Sekhmet neste mito. Este fenómeno é experimentado inter-culturalmente naquilo a que Ingerman se refere como a viagem xamânica de “Desmembramento”. A autora dedica um capítulo inteiro às suas experiências com estas formas de cura e transformação xamânicas e como muitos dos seus alunos experimentaram isto de forma espontânea mesmo antes de qualquer treino formal ou estudo de cura xâmanica.
É isto que creio que Sekhmet nos tenta dizer e demonstrar no seu mito como uma e a mesma no desmembramento xamânico. Ingerman explica que, nas viagens de “desmembramento”, as pessoas experimentam, frequentemente, a sensação de ter os seus membros separados do resto do corpo por um animal, por exemplo, ou de se sentirem de alguma forma reduzidos apenas a esqueleto. O processo de desmembramento simboliza a nossa necessidade de nos desprendermos e de nos aliviarmos de todas e quaisquer limitações em nós mesmos, nas nossas vidas e na nossa psique para experimentarmos e unirmo-nos com a luz do Criador, no sentido mais puro. Trata-se de uma viagem de rendição dos nossos medos de forma a experimentar uma total ligação e união com o divino. Carregamos apegos e fardos a tantos níveis: físico, mental, emocional e espiritual. De acordo com a egiptóloga Rosemary Clark, Sekhmet é a Deusa da Purificação e, mantendo a mesma linha de pensamento da interculturalidade da experiência de desmembramento xamânico, Sekhmet facilita a aniquilação total das energias, comportamentos e consciências auto-sabotadoras que carregamos consciente ou inconscientemente. Estas percepções e falsas crenças sobre quem somos distraem-nos da ligação consciente com a nossa parte divina, a Luz tal como simbolizada no Deus Rá, ou Isis, o feminino de Rá. Este esplendor poderoso, penetrante é o que Diane Stein chama no seu livro Confiança na Luz, a “Luz para além da Deusa”; é a luz pura da criação. Quando aí nos unimos, os rótulos e percepções do ego desaparecem. Em tal esplendor não são mais necessários. Tornamo-nos de novo puros como crianças, no que diz respeito a não nos preocuparmos com o que os outros pensam de nós, estamos apenas fundidos na consciência e estado do “ser” do Divino Feminino.
A transição de Sekhmet para a personagem de Hathor no mito, exemplifica o que nós, como indivíduos, atingimos quando pomos de lado os nossos fardos e toda a bagagem de desprezo do ego negativo. Hathor não nos permitirá tornarmo-nos “Júbilo” ou “Luz”, enquanto não deixarmos para trás de lado todos esses fardos, energias impuras e crenças incorretas do ser e nos rendermos totalmente. Contudo, isto não é um processo simples. Alguns referem uma agitação interior como “lutar contra os seus demónios” e “a noite escura da alma”. Isto é a Deusa Sekhmet a levar-nos através de um processo de purificação para que possamos voltar para a verdade de quem somos. É isto que a Luz de Rá e o Júbilo de Hathor simbolizam; a verdade da nossa natureza divina da qual de alguma forma nos afastámos e esquecemos.

fonte: http://www.sintoniasaintgermain.com.br/Sekhmet_Hathor.htm

Catxerê - a Mulher Estrela

Esta é a história de Catxerê, a mulher estrela, que desceu do céu, dormiu com o índio e ensinou os Craó a plantar e preparar o milho, batata, inhame, mandioca e amendoim.

Foi assim:
O último rapaz solteiro da tribo dormia sozinho, sobre a sua esteira, no pátio da aldeia. Uma estrela o viu lá de cima, e, condoída, resolveu casar com ele. Para isso, transformou-se em um sapo e, pula que pula, subiu em seu peito. O dorminhoco acordou assustado e, com um tapa, atirou-o no chão. Mas então o sapo virou formosa mulher e dormiu com o jovem.
Pela manhã, a cunhantã diminuiu de tamanho. Ficou tão pequenininha que pediu ao noivo que a guardasse na cumbuca que estava pendurada no fumeiro. Durante o dia, o índio tirou a cumbuca de lugar, destampou-a e sorriu para a moça que lá estava encerrada.
Quando saiu para caçar, recomendou que ninguém mexesse naquilo, mas a irmã dele, cheia de curiosidade, abriu-o e descobriu lá dentro a minúscula mulher.
Ao voltar, examinou o nó tradicional da sua tribo e compreendeu que alguém havia violado seu segredo. Zangado, declarou que viveria com Catxerê, como marido e mulher. Arrumou as suas camas dentro de casa. À noite, ele tirou a moça da cumbuca e Catxerê cresceu, tornando-se alta e bonita. Pela manhã foram banhar-se juntos no rio, e ela viu uma árvore grande, cheia de espigas, que os periquitos beliscavam. Catxerê ensinou então, aos Craó como se planta, colhe e prepara o milho, assim como a mandioca, o inhame e o amendoim, que até então não eram conhecidos, pelos indígenas que alimentavam-se de pau puba.
Mandou o rapaz fazer uma roça. Ensinou-lhe a derrubar com o facão, a carpir, a plantar. Depois disse: “Agora volto ao céu, onde vivem meus parentes, e trarei mudas de batata, inhame, mandioca, amendoim, para plantar na roça”. Logo depois voltou. Tudo foi plantado e os índios adotaram para sempre as plantas ali cultivadas.
Uma noite, porém, quando o índio andava a caça, apareceram em sua casa cinco homens que, sabendo de sua ausência, violentaram a mulher-estrela. Depois deitaram-se à dormir. Ela aproveitou o seu sono e cuspiu na boca de todos eles, matando-os. Os Craó davam grande importância mágica ao cuspe. Quando o marido voltou, contou-lhe tudo e subiu para o céu. E nunca mais voltou....

Inúmeras são as Deusas-Estrelas por nós conhecidas na mitologia. Nossa brasileirinha deusa Catxerê é uma divindade estrelar que nos desperta a criatividade e nos ajuda a perder o medo das mudanças.

fonte do texto: http://seres-encantados.blogspot.com/2008/10/catxer-mulher-estrela.html

29 de nov. de 2011

Deus Ganesha

Uma Introdução a Magias Oníricas

OM SRI GANESHAYA NAMAH

Lord Ganesha

Lord Ganesha

“Please do not offer my god a peanut.”-Apu

Lord Ganesha o Removedor de Obstaculos e Deus do Conhecimento

Ao olharmos a imagem de Ganesha, semideus hindu, devemos procurar compreender a simbologia que ele representa, ou seja, a evolução do homem no caminho da divindade. Os hindus foram os que mais desenvolveram a arte do simbolismo sem o qual as estórias se transformam em absurdos sem sentido.

Segundo o mito, Ganesha é filho de Shiva (representante na trindade divina da destruição e da regeneração) e foi gerado por Parvati (sua esposa) para que ele impedisse a entrada de qualquer um dentro de sua casa, sempre que Shiva se encontrasse em meditação no Himalaia. Como esses períodos de meditação duravam milênios, quando Shiva retornou, não foi reconhecido por Ganesha que não deixou que ele entrasse em casa.

Após longo combate, Shiva cortou a cabeça do filho com seu tridente. Neste momento, Parvati se aproximou e, revoltada, resolveu se afastar da existência. Shiva assustou-se porque Parvati representava a matéria, parte fundamental da criação, e propôs que faria qualquer coisa para reabilitar-se perante ela. Parvati exigiu então que Ganesha, dali em diante, fosse venerado antes de qualquer ritual. Shiva ordenou a seus guardas que lhe trouxessem a cabeça do primeiro animal que encontrassem na floresta. Ao entregarem a cabeça de um elefante, Shiva fez com que Ganesha revivesse.

Simbolicamente o elefante é bastante propício para demonstrar o caminho da evolução do homem na busca da espiritualidade e da imortalidade.

O cortar a cabeça simboliza cortar as velhas ideias em busca de novos valores. As orelhas grandes do animal representam a capacidade de escutar o conhecimento, condição básica de um sábio. Sua enorme cabeça reflete a possibilidade de analisar este conhecimento. A tromba representa a discriminação entre o sutil e o mais grosseiro, a diferenciação entre o mundo material e o transcendental, pois, com ela, o elefante é capaz de arrancar uma árvore ou pegar um pequeno objeto.

Uma de suas presas quebradas demonstra a imperfeição e o fato de já ter superado a luta dos opostos, tão presente na vida do homem, a dialética do bem e do mal, da alegria e da tristeza, da vida e da morte. A barriga grande indica que Ganesha já digeriu o conhecimento e os obstáculos. Por isso ele é conhecido como o removedor de obstáculos. Afinal, o maior entrave do homem é sua ignorância.

Ele também tem sempre um dos pés levantados e o outro no chão, pois ao sábio é necessária a elevação, mas sem perder a humanidade. Aos seus pés sempre há um rato, símbolo de descontrole e da voracidade, que muitas vezes lhe serve de montaria, significando a capacidade do homem de dominar seus desejos, pois o verdadeiro sábio também tem desejos, porém eles estão sob seu controle.

A machadinha em suas mãos não pode ser esquecida, pois simboliza não só o desapego, mas também a capacidade de fazer justiça. Afinal de contas, ele é filho de Shiva (representante da destruição e da regeneração na trindade hindu) e irmão de Kartikeya (semi-deus da guerra).¹

A mão superior esquerda leva um laço e ou um lótus – Com o laço ele prende a atenção na verdade, na realidade suprema, ou seja no Eu absoluto. O Lotus é a natureza pura, absoluta e imaculada.

A mão inferior direita abençoa com Abhãya Mudrã – Estra mudrã abençoa com prosperidade e destemor. Frequentemente encontramos um Japa-mala.

, mostrando que esta prosperidade está na forma de Japa (repetição de um mantra) a mais eficaz técnica de preparação da mente.

A mão inferior esquerda oferece Modaka – Modaka é um doce de leite e arroz tostado que representa a satisfação, a plenitude que se alcança com um caminho de disciplina e auto conhecimento.

Seu mantra é o OM SRI GANESHAYA NAMAH e recitando vc muda seu estado vibracional com isso você se prepara para a remoção de obstáculos, sucesso e tudo mais ja dito.

Sendo o removedor de obstáculos prestar reverência a Lord Ganesha é querer começar qualquer tipo de trabalho com o pé direito. E eu vou nessa trilha também.

Ps: por seu aspecto iniciador seu numero é o 9.

OM SRI GANESHAYA NAMAH!

fonte: http://www.ganesha.jor.br/deus.html

http://www.yogalotus.com.br/ganesha.htm

 

outra versão do mito.

A história de GaneshaGanesha, Shiva e Parvati

Ganesha pertence à família dos deuses mais populares do Hinduísmo. Ele é o primogênito de Shiva e Parvati. Shiva é a terceira pessoa da trindade hindu. É o Deus da renovação, destrói para construir algo novo (transformação). Ele é o criador da Yoga. Parvati é a filha dos Himalayas. Deusa da beleza, mãe bondosa e mulher devotada. Shiva tem alma aventureira e adora viajar montado em sua vaca branca Nandi. Infelizmente, os lugares que ele mais gosta são as montanhas inacessíveis e perigosas. Adora também os crematórios, mas sua paixão é a meditação e a Yoga. Quando pratica a Yoga, nem mesmo um terremoto o perturba.

Por algum tempo depois de seu casamento com a bela Parvati, vivendo em um bangalô no Himalaya, longe da civilização, Shiva começava a sentir falta de suas viagens; foi quando Parvati, já desconfiada, pergunta-lhe:
— Shiva, por que não viaja por uns tempos? Não sente saudades dos seus companheiros?
— É que quando estou perto de você, não sinto falta de nada. E, na verdade, todos os meus companheiros estão em torno da casa, eles nunca se afastam de mim. Eu não quero assustá-la, mas todos os fantasmas, demônios e gnomos, apesar de estarem invisíveis e quietos, estão presentes. Espero apenas que não peça para mandá-los embora, pois são como crianças e sabem o quanto lhe amo.
— Claro que não Shiva, podem ficar. Mas e a sua meditação? Ela era sua maior ocupação.
Shiva, no fundo, sabia que ela estava certa e que tinha muita saudade das montanhas, onde sentava para meditar. E sabia que fora pela meditação que conseguiu se transformar em um Deus tão poderoso. Shiva então, depois de uma longa conversa, decidiu sair para meditar. Feliz, coloca sua pele de tigre na cintura, enrola suas cobras favoritas no pescoço, apanha seu tridente e sai montado em sua vaca, Nandi, seguido de seus estranhos companheiros. Mas não podemos nos esquecer de que quando Shiva medita, é impossível despertá-lo. E foi isso que aconteceu. Muito tempo se passou quando, finalmente, Shiva levantou-se da posição de lótus, lembrou-se de sua Parvati e correu de volta para ela. Nesse ínterim, Parvati transformara aquela simples choupana num lugar muito confortável e bonito. E não ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia, mas a tinha deixado grávida. E, no tempo certo, deu à luz um lindo bebê, Ganapati. Os anos passaram-se, o deus bebê cresceu e se transformou num rapazinho muito inteligente. Numa manhã de primavera, Parvati estava tomando banho enquanto Ganapati se mantinha perto do portão, aguardando sua mãe. Nesse instante, um homem alto, com cabelos longos, um monte de cobras enroladas em seu pescoço e vestido com uma pele de tigre e uma aparência selvagem, aproxima-se do portão.
Shiva parou e olhou com estranheza para o bangalô. “Será que esta casa linda era mesmo a sua? E quem seria aquele rapaz parado no portão?”
— Deixe-me entrar! — disse Shiva, impaciente e descortês.
— Não — respondeu Ganapati — você não pode entrar!
Empurrando o rapaz para o lado, Shiva atravessou o jardim e foi direto para casa. Ganapati sabia que sua mãe estava tomando banho, e aquele homem rude não poderia entrar em sua casa. Ele correu e se postou à porta, de espada em punho. Pobre menino! Que hora mais infeliz para provocar a ira do pai! E Shiva, nesse momento, perdeu completamente as estribeiras, e seu terceiro olho, o do poder, apareceu no meio de sua testa, brilhando como fogo, e em segundos o corpo do rapaz jazia sem cabeça no chão. Ouvindo vozes e gritos, Parvati apressou-se e saiu correndo do banho. Ao abrir a porta, viu horrorizada o corpo do filho estendido sem cabeça; e em sua frente, o marido, que há tanto se fazia ausente. Shiva corre para abraçá-la; e ela, desviando-se do abraço, chora amargamente.
— Mas o que você fez? O que você fez? — Ela repetia, torcendo as mãos em desespero. — Este era o seu filho, e você o destruiu!
Só então Shiva caiu em si e se entristeceu de verdade. Logo tentou confortá-la:
— Nosso filho é um Deus; portanto, não pode estar morto. Encontra-se apenas desmaiado. Mas Parvati não queria ouvir nada daquilo e lhe disse:
— Você o destruiu! De que serve um Deus sem cabeça?
Shiva tentou da melhor forma que podia dizer-lhe que não tinha feito nenhum mal ao rapaz. Parvati insistia com Shiva para que ele colocasse a cabeça de seu filho no lugar, mas Shiva dizia que não podia desfazer o que já estava feito. E Parvati chorava muito… Então Shiva teve uma ideia: capturar o primeiro animal que encontrasse e tirar sua cabeça para colocá-la sobre os ombros de seu filho. Foi quando encontrou um elefantinho bebê, tirou sua cabeça e a colocou em Ganapati; e naquele momento, o nome do rapaz passou a ser Ganesha. Parvati tentou de diversas formas mudar o acontecido e pedia para outros Deuses que dessem ao seu filho uma cabeça decente.
Então os deuses pediram à linda Parvati que secasse suas lágrimas e tudo se resolveria. Brahma, que adora as crianças, Vishnu e Indra pediram a Parvati que perdoasse Shiva, pois ele não sabia o que estava fazendo e deixaram bem claro que Ganesha não perderia nada com isso. Apesar de não ser mais tão atraente, todos o reconheceriam pela sua bondade e o amariam pelo que ele era. Brahma prosseguiu:
— Ganesha será o Deus da sabedoria, será o Escrivão dos céus e o Deus da literatura.
Acrescenta, Vishnu: — Será o Deus que removerá todos os obstáculos, e será para Ganesha que todos rezarão em primeiro lugar, antes de invocar qualquer outro Deus. Será o Deus que sorrirá com boa fortuna para todas as novas empresas.
E foi assim que tudo aconteceu…

A Simbologia do deus Ganesha

Ganesha significa “Senhor de Todos os Seres”. É filho do Senhor Shiva, a “Realidade Suprema”, e de Parvati, a “Mãe do Cosmo”. Seus sinais sobre a testa representam as três dimensões: a região inferior, a Terra e o Paraíso. Suas orelhas simbolizam a grande sapiência da educação espiritual. Seus olhos enxergam além da dualidade, o espírito de Deus em cada um. Sua tromba indica capacidade intelectiva. Suas presas representam os mundos material e espiritual, negativo e positivo, Yin e Yang, forte e fraco. Sua enorme barriga indica capacidade de “ingerir” qualquer experiência, representando também a abundância. Seus braços representam os quatro atributos do ser: mente, corpo, intelecto e consciência. Em sua mão direita (acima), carrega uma machadinha, que decepa os apegos do mundo material; na outra (abaixo), o sinal do OM, que abençoa com prosperidade e destemor; na mão esquerda (acima), o laço significa a fertilidade, a própria natureza; na outra (abaixo), gadu, um doce feito de grão-de-bico com açúcar granulado ou doce-de-leite com arroz, que representa a satisfação e a plenitude do conhecimento. O rato significa que devemos ser astutos e diligentes em nossas ações. A serpente é o símbolo da energia física, guardiã dos segredos da Terra. Assim, Ganesha é o Mestre do Conhecimento, da Inteligência e da Sapiência. É aquele que proporciona a potência espiritual e a inteligência suprema. É o grande Removedor dos obstáculos, Guardião da Riqueza, da Beleza, da Saúde, do Sucesso, da Prosperidade, da Graça, da Compaixão, da Força e do Equilíbrio.

GANESHA SHARANAN, SHARANAN GANESHA
GANESHA SHARANAN, SHARANAN GANESHA

Por Wagner Veneziani Costa
http://www.madras.com.br

24 de nov. de 2011

Deusa Branwen


Brandwen é a Deusa galesa do amor e da beleza, similar a nossa tão conhecida Afrodite. É considerada a Vênus dos mares do norte. Ela é uma das três matriarcas da Grã-Bretanha, junto com Rhiannon e Arianrhod e a principal deusa de Avalon. Em algumas lendas arturianas, Branwen é considerada a Dama do Lago.
Também chamada de "seios brancos" ou "vaca prateada"está associada à Lua e à Noite. Foi cristianizada como Santa Brynwyn e é a Padroeira dos Namorados. Seus atributos mágicos são a inspiração, as novas ideias. a energia, a vitalidade e a liberdade. Na tradição Avalônica, Branwen corresponde ao espírito dos Elementais e é a incorporação da Terra.
Branwen era filha de Pennardunn e Llyr, deus galês do mar. Tinha como irmãos Manawydan, o Manannan Mac Lir irlandês, e Bran o Bendito (rei de Gales).

O PESADELO DE BRANWEN

Foi concedida a mão de Branwen, por seu irmão Bran ao rei da Ywerddon, Irlanda, Matholwch, com o intuito de propor uma aliança entre os países. Uma grande festa foi organizada para celebrar tão grandioso acontecimento. Mas eis que surge Efnisien, um meio-irmão de Bran, que irritado por não ter sido consultado, mutila os cavalos de Matholwch. Este último, toma a atitude como um insulto grave e manda seus homens prepararem os navios para regressar à Irlanda. Bran intercede à tempo, oferecendo-lhe ricos presentes em prata e ouro para acalmá-lo. O novo casal parte então para Ywerddon e um ano após nasce Gwern. Porém, a pesar de tudo o rei permanecia irritado e verifica-se que a crise não tinha sido superada. A união do casal sempre ficou estremecida em virtude de vestígios de ressentimento.
Rumores do acontecido foi ouvido por seus súditos, que desaprovaram a atitude do rei. Cedendo aos seus conselhos, Matholwch resolveu vingar-se de Bran através de sua irmã. Sendo assim, expulsou-a do leito nupcial real mandando-a para a cozinha, onde além de ser obrigada a realizar duras tarefas era periodicamente maltratada a mando do marido.
Isto durou três anos. Neste período Branwen treinou um estorninho a falar e enviou-o à Gales. Desta forma, seu irmão Bran foi avisado de que ela corria perigo e necessitava de ajuda. O rei de Gales enfurecido, prepara seu exército e cruza o mar em direção de Ywerddon.
Na Irlanda uma aparição incomum: uma floresta materializou-se no mar. Matholwch, estarrecido com tal visão, chama Branwen. Ela lhe explica que tratava-se da Esquadra de seu irmão.
Em meio a um grande banquete onde Matholwch abdica seu trono ao seu filho Gwern, ainda criança. Neste exato momento, Efnisien e Bran junto com toda sua guarda chegam. Amigavelmente Efnisien, pede ao rei da Irlanda para abraçar o menino e obtêm o seu consentimento. Quando Gwern vai ao seu encontro, ele joga-o no

fogo. Imediatamente o grande banquete torna-se uma batalha sangrenta. Após três dias o exército de Gales é
vitorioso, mas o custo é altíssimo, pois seu exército fica reduzido à sete sobreviventes, entre os quais estava o irmão de Bran, Manawydan. Antes de morrer Bran ordena que seja decapitado e sua cabeça seja enterrada na Montanha Branca, em Londres, onde ficaria olhando em direção ao continente e protegeria seu país de invasões futuras.
Ao retornar, Branwen entra em profunda depressão e considera-se maldita por ter provocado tão horrendo conflito. Ela morre e seu corpo é enterrado às margens do rio Alaw, segundo a tradição, em Bedd Branwen, ou Tumba de Branwen. Os sobreviventes restantes seguem a esmo durante vários anos até conseguirem enterrar a cabeça mágica.
A Deusa Branwen deve ser invocada quando você necessitar começar um projeto novo, procura inspiração ou até se está para enfrentar alguma perda (separação, perda de emprego, morte de familiar).
Seus símbolos incluem o caldeirão, a Lua Prateada, o corvo branco, a pomba e o estorninho. O branco é a cor sagrada desta deusa por ser considerada a Deusa do Coração Puro que possui a capacidade de promover reinícios.
Branwen, a Vênus dos Celtas, regressa de seu exílio para reclamar uma sabedoria que foi relegada por muitos milênios.
Esta Deusa aparece em nossas vidas para fortalecer a conexão com a nossa própria essência. A busca desta deusa nos ajuda a apreciar nosso próprio poder, habilidade e beleza. Honrar
Branwen é celebrar com amor todos os momentos da nossa vida.
Reverenciar Branwen e seus princípios femininos nos põe em contato direto com a magia da natureza e de todas as criaturas.

O CORVO BRANCO

...se , ousem nossas almas visíveis aos olhos, se veria distintamente unia coisa estranha, cada tini aos indivíduos du espécie humana corresponderia a alguma espécie do reino animal.... os animais são as_faguras de nossas virtudes e nossos vícios, errantes diante dos nossos olhos; os fantasmas visíveis de nossas almas. " (Os Miseráveis- Victor Hugo).
Na mitologia grega, os corvos eram originalmente brancos e eram os mensageiros de Apolo. Até que certo dia, trouxeram-lhe más notícias e a fúria deste deus os chamuscou de preto.
Para os celtas, o corvo também era inicialmente branco. Pássaro associado ao deus Lugh, que tinha a missão de vigiar para que nenhum mortal se aproximasse do leito da amante grávida deste deus. Mas, como toda mulher consegue o que quer quando é determinada, fez com que o corvo silenciasse sobre uma noite que havia passado nos braços de um pastor. Quando interrogado, o pobre corvo mentiu e o deus da adivinhação, furioso, condenou-o a ter a plumagem negra e a lhe obedecer cegamente daquele dia em diante. Esta lenda é representativa de quando mal pode acarretar uma mentira, pois neste momento a consciência se separa da divindade que existe nela. A consciência pode ser iluminada com a luz da verdade, ou sombria com a plumagem negra da mentira.
O corvo na tradição celta também tem papel profético. Era considerado animal sagrado entre os gauleses, bretões, gauleses e gaélicos. Considerado um pássaro celeste, do Sol e da luz, mas também tem lugar preponderante no lado sombrio de todos nós. A "sabedoria do corvo", para os irlandeses significava o conhecimento supremo.
Tanto a deusa da guerra, Bodb, como também a deusa tríplice Morrigan, eram representadas na forma de uma gralha. Branwen era igualmente associada a um corvo branco.
O corvo foi personagem principal na narrativa "O Sonho de Ronabwy". Os corvos guerreiros do Owein, depois de serem massacrados pelos soldados de Artur, reagem com violência e atacam para partir os soldados em pedaços.
Na mitologia germânica, o corvo é o pássaro companheiro do deus Vatã. Na mitologia escandinava, Odim tinha dois corvos. Seus nomes eram: Hugin (a Reflexão) e Munin (a Memória). Os dois deixam seu senhor pela manhã para sobrevoar o mundo e retornam à noite para contar o que viram e ouviram. Odin possuía também dois lobos, o Geri (o Glutão) e Freki (o Voraz). Os corvos representavam o princípio da criação e os lobos o princípio da destruição.
Os licualas do Congo (África), consideram o corvo como um pássaro que os previne de algum infortúnio.

No mundo indígena o corvo tem papel preponderante. Na América do Norte o corvo é a personificação mítica do trovão e do vento. O bater de suas asas é um ato simbólico do vento e sua língua é o raio.
A sua semelhança com a família das águias o tornaram manifestação do Grande Espírito. Ele é figura central do panteão dos índios tlingit (noroeste do Pacífico).
O corvo é protagonista de muitas lendas de tribos norte-americanas e ocupa um lugar fundamental na mitologia e rituais destes povos. É conhecido pelos tainainas, os kutchins, os kaskas, que o chamavam de "Wisakedjak" e também os ojibwa, que o denominavam "Nanasbusch" e os naskapi, que o conheciam como "Djokabish". Para todos estes povos, foi o corvo que criou o homem, organizou e estruturou o mundo, e criou e libertou o Sol e a Lua.
Na Colômbia é um animal celeste e criador. O deus criador, Shai-lana fundou um reino que se estendia a uma grande altura e embaixo, havia um oceano imenso totalmente vazio. Cansado do seus serviços, o deus criador, acabou por expulsar o Grande Corvo do paraíso e o colocou dentro de um saco. Á princípio o corvo não sabia o que fazer, mas assustado e desesperado começou a bater asas no intuito de livrar-se da prisão. Agitou-se tanto, que do oceano primordial erigiu rochas que vieram a constituir as primeiras terras emersas. Depois através de seu canto melodioso criou o primeiro homem que surgiu de dentro de um gigantesco marisco. Usando então sua magia, criou a mulher, pois a sexualidade é o jogo predileto do corvo. Depois roubou dos céus o Sol e ofereceu ao homem o fogo.
Mas o corvo, igual sua cor, tem seu lado negro, sombrio, e sendo assim em algumas tradições ele é ligado a morte e mau-agouro. Segundo algumas ideias populares, quando Deus criou a galinha, o Diabo criou o corvo.
"Quando um corvo vem grasnar em cima de um telhado de uma casa na qual alguém doente, é sinal certo que morrerá dessa doença". Na Normandia, as gralhas eram sinal de fome e, pela direção de seu voo ou conforme seus grasnos, pressagiavam carestia ou abundância. A maioria das vezes o canto desses pássaros era temido, principalmente se houvesse algum doente por perto.
O corvo de nossos dias é figura arquetípica que já alcançou fama internacional e que foi estigmatizado como a "morte" em um filme, cujo o protagonista principal era Brandon Lee. O ator morreu sem ter podido concluir as filmagens.
Como se pode observar, este pássaro negro é tipo como anunciador da morte, que plana sobre os campos de batalha para alimentar-se da carne dos mortos. O corvo leva aqui a fama de uma marginalidade trágica de monstro desapiedado e devorador de corpos. Mas em algumas crenças ele também é um herói solar. Algumas vezes demiurgo, mensageiro e guia divino. E guia das almas na sua última viagem e conhece os terríveis segredos das trevas.

Acredito que o texto seja da Rosane Volpatto.

fonte das fotos: (1) caldeiraoencantadodeanwamane.blogspot.com; (2) fotologando.com

23 de nov. de 2011

Deusa Ísis

Eu concebi

Carreguei

E dei à luz a toda vida

Depois de dar-lhe todo meu amor

Dei-lhe também meu amado Osíris

Senhor da vegetação

Deus dos cereais

Para ser ceifado

E nascer outra vez

Cuidei de você na doença

Fiz suas roupas

Observei seus primeiros passos

Estive com você até mesmo no final

Segurando sua mão

Para guiá-lo para a imortalidade

Você para mim é TUDO

E eu lhe dei TUDO

E para você eu fui TUDO

Eu sou sua Grande-Mãe, ÍSIS.


Ísis foi cultuada e adorada em inúmeros lugares, no Egito, no Império Romano, na Grécia e na Alemanha. Quando seu amado Osíris foi assassinado e desmembrado pelo seu irmão Set, que espalhou seus pedaços por todo o Egito, Ísis procurou-os e os juntou novamente. Ela achou todos eles, menos seu órgão sexual, que substitui por um membro de ouro. Através de magia e das artes de cura, Osíris volta à vida. Em seguida, ela concebe seu filho solar Hórus.

Os egípcios ainda mantêm um festival conhecido como a Noite da Lágrima. Tal festival tem sido preservado pelos árabes como o festival junino de Lelat-al-Nuktah.

Ísis, deusa da lua, também é Mãe da Natureza. Ela nos diz que para este mundo continuar a existir tudo que é criado um dia precisa ser destruído. Ísis determina que não deva haver harmonia perpétua, com o bem sempre no ascendente. Ao contrário, deseja que sempre exista o conflito entre os poderes do crescimento e da destruição. O processa da vida, caminha sobre estes opostos. O que chamamos de "processo da vida", não é idêntico ao bem-estar da forma na qual a vida está neste momento manifesta, mas pertence ao reino espiritual no qual se baseia a manifestação material.

Com certeza, se a morte e a decadência não tivessem dotado de poderes tão grandes quanto às forças da criação, nosso mundo inteiro já teria alcançado o estado de estagnação. Se tudo permanecesse para sempre como foi primeiramente feito todas as capacidades de "fazer" teriam sido esgotadas há séculos. A vida hoje estaria hoje totalmente paralisada. E, assim, inesperadamente, o excesso de bem, acabaria em seu oposto e tornar-se-ia excesso de mal.

Ísis, tanto na forma da natureza, como na forma de Lua, tinha dois aspectos. Era criadora, mãe, enfermeira de todos e também destruidora.

O nome Ísis significa "Antiga" e era também chamada de "Maat", a sabedoria antiga. Isto corresponde à sabedoria das coisas como são e como foram, a capacidade inata inerente, de seguir a natureza das coisas, tanto na forma presente como em seu desenvolvimento inevitável, uma relação à outra.

ÍSIS E OSÍRIS

(por Plutarco)


No Egito, assim como na Babilônia, o culto da lua precedeu o do sol. Osíris, deus da lua, e Ísis, a deusa da lua, irmã e esposa de Osíris, a mãe de Hórus, o jovem deus da lua, aparecem nos textos religiosos antes da quinta dinastia (+ ou - a 3000 da era cristã).

É difícil fazer um estudo conciso sobre o significado do culto de Ísis e Osíris, pois, durante muitos séculos nos quais esta religião floresceu, aconteceram mudanças na compreensão dos homens em relação a ele. 

Nos primeiros registros, Osíris, parece ser um espírito da natureza, concebido como o Nilo ou como a lua, o qual se pensava, controlava as enchentes periódicas do rio. Era o deus da umidade, da fertilidade e da agricultura. Durante o período da lua minguante, Sey, seu irmão e inimigo, um demônio de um vermelho fulvo incandescente, devorava-o. Dizia-se que Set tinha se unido a uma rainha etíope negra para ajudá-lo na sua revolta contra Osíris, provavelmente uma alusão à seca e ao calor, que periodicamente vinham do Sudão, assolavam e destruíam as colheitas da região do Nilo.

Set era o Senhor do Submundo, no sentido de Tártaro e não de Hades, usando-se termos gregos. Hades era o lugar onde as sombras dos mortos aguardavam a ressurreição, correspondendo, talvez, à ideia católica do purgatório. Osíris era o deus do Submundo neste sentido, Tártaro é o inferno dos condenados, e era deste mundo que Set era o Senhor.

Nas primeiras formas do mito, Osíris era a lua e Ísis a natureza, Urikitu, a Verde da história Caldéia. Mas, posteriormente, ela tornou-se a lua-irmã, mãe e esposa do deus da lua. É neste ciclo que este mito primitivo da natureza começou a tomar um significado religioso mais profundo. Os homens começaram a ver na história de Osíris, que morreu e foi para o submundo, sendo depois restituído à vida pelo poder de Ísis, uma parábola da vida interior do homem que iria transcender a vida do corpo na terra.

Os egípcios eram um povo de mente muito concreta, e concebiam que a imortalidade poderia ser atingida através do poder de Osíris de maneira completamente materialista. Era por essa razão que conservavam os corpos daqueles que tinham sido levados para Osíris, através da iniciação, como conta o "Livro dos Mortos"; com efeito, acreditavam que, enquanto o corpo físico persistisse, a alma, ou Ka, também teria um corpo no qual poderia viver na Terra-dos-bem-aventurados, como Osíris que, no texto de uma pirâmide  da quinta dinastia, é chamado de "Chefe daqueles que estão no Oeste", isto é, no outro mundo.

Ísis e Osíris eram irmãos gêmeos, que mantinham relações sexuais ainda no ventre da mãe e desta união nasceu o Hórus-mais-velho. No Egito, nesta época, era hábito entre os faraós e as divindades a celebração de núpcias entre irmãos, para não contaminar o sangue.

A história continua contando que quando Osíris tornou-se rei, livrou os egípcios de uma existência muito primitiva. Ensinou-lhes a agricultura e a feitura do vinho, formulou leis e instruiu como honrar seus deuses. Depois partir para uma viagem por todo o país, educando o povo e encantando-o com sua persuasão e razão, com a música, e "toda a arte que as mesas oferecem".

Enquanto ele estava longe sua esposa Ísis governou, e tudo correu bem, mas tão logo ele retornou, Set, que simbolizava o calor do deserto e da luxúria desenfreada, forjou um plano para apanhar Osíris e afastá-lo. Confeccionou um barril do tamanho de Osíris. Então convidou todos os deuses para uma grande festa, tendo escondido seus setenta e dois seguidores por perto. Durante a festividade, mostrou seu barril que foi admirado por todos. Prometeu dá-lo de presente àquele que coubesse nele. Então todos entraram nele, mas ele se ajustou somente a Osíris. Neste momento, os homens escondidos apareceram e, rapidamente lacraram a tampa do barril. Levaram-no e jogaram no rio Nilo. Ele boiou para longe e alcançou o mar pela "passagem que é conhecida por um nome abominável".

Este evento ocorreu no décimo sétimo dia de Hator, isto é, novembro, no décimo oitavo ano de reinado de Osíris. Ele viveu e reinou por um ciclo de vinte e oito períodos ou dias, porque ele era a lua, cujo ciclo completa-se a cada vinte e oito dias.

Quando Ísis foi sabedora dos acontecimentos fatídicos, cortou uma mecha de seu cabelo e vestiu roupas de luto e vagou por todos os lugares, chorando e procurando pelo barril. Foi seu cachorro Anúbis, que era filho de Neftis e Osíris, que a levou até o lugar onde o caixão tinha parado na praia, no país de Biblos. Ele havia ficado perto de uma moita de urzes, que cresceram tanto com sua presença, que se tornou uma árvore que envolveu o barril. O rei daquele país mandou cortar a tal árvore e de seu tronco fez uma viga para a cumeeira de seu palácio, sem sequer imaginar que o mesmo continha o barril.

Ísis para reaver seu marido, fez amizade com as damas de companhia da rainha daquele país e acabou como enfermeira do príncipe. Ísis criou o menino dando-lhe o dedo ao invés de seu peito para mamar.

Os nomes do rei e da rainha são: Malec e Astarté, ou Istar. Bem sugestivo, pois nos faz ver que Ísis teve que recuperar o corpo de Osíris de sua predecessora da Arábia.

Acabou tendo que se revelar para a rainha e implorou pelo tronco da árvore que continha o corpo de Osíris. Ísis retirou o barril da árvore e levou-o consigo em sua barcaça de volta para casa.  Ao chegar, escondeu o caixão e foi procurar seu filho Hórus, para ajudá-la  a trazer Osíris de volta à vida.

Set que havia saído para caçar com seus cachorros, encontra o barril. Abriu-o e cortou o corpo de Osíris em catorze pedaços espalhando-os. Aqui temos a fragmentação, os catorze pedaços que obviamente referem-se aos catorze dias da lua.

Ísis soube do ocorrido e saiu à procura das partes do corpo. Viajou para longe em sua barcaça e onde quer que achasse uma das partes fazia um santuário naquele lugar. Conseguiu reunir treze das peças unindo-as por mágica, mas faltava o falo. Então fez uma imagem desta parte e "consagrou o falo, em honra do qual os egípcios ainda hoje conservam uma festa chamada de ”Faloforia“, que significa carregar o falo.

Ísis concebeu por meio dessa imagem e gerou uma criança, o Hórus-mais-jovem.

Osíris surgiu do submundo e apareceu para o Hórus-mais-velho. Treinou-o então para vingar-se de Set. A luta foi longa, mas finalmente Hórus trouxe Set amarrado para sua mãe.

Este é o resumo do mito.

Os cerimoniais do Egito eram relacionados com esses acontecimentos. A morte de Osíris, interpretada todos os anos, bem como as perambulações de Ísis e suas lamentações, tinham um papel conspícuo. Os mistérios finais de sua ressurreição e a demonstração pública, em procissão, do emblema de seu poder, a imagem do falo, completavam o ritual. Era uma religião na qual a participação emocional da tristeza e alegria de Ísis tinha lugar proeminente. Posteriormente, tornou-se de fato uma das religiões nas quais a redenção era atingida através do êxtase emocional pelo qual o adorador sentia-se um com deus.

É pelo poder de Ísis, através de seu amor, que o homem afogado na luxúria e na paixão, eleva-se a uma vida espiritual. Ísis, antes de tudo, é provedora da vida. Comumente é representada amamentando seu filho Hórus, pois ela é a mãe que nutri e alimenta tudo que gera. Ísis com seu bebê no colo acabou transformada na virgem maria com o menino jesus.

Embora Isis fosse considerada como mãe universal ela era venerada como protetora das mulheres em particular. Sendo aquela que dá a vida, que presidia sobre vida e morte, ela era protetora das mulheres durante o parto e confortava aquelas que perdiam seus entes queridos. Em Ísis, as mulheres encontravam o apoio e a inspiração para prosseguirem com suas vidas. Ísis proclamava ser, em hinos antigos, a deusa das mulheres e dotava suas seguidoras de poderes iguais aos do homem.

Esta deusa é também frequentemente representada como uma deusa negra. Este fato está diretamente associado ao período de luto de Ísis (morte de Osíris), quando ela vestia-se de preto ou ela própria era preta.

As estátuas pretas de Ísis tinham também outro sentido. Plutarco declara que "suas estátuas com chifres são representações da Lua Crescente, enquanto que as estátuas com roupa preta significavam as ocultações e as obscuridades nas quais ela segue o Sol (Osíris), almejando por ele. Consequentemente, invocam a Lua para casos de amor e Eudoxo diz que Ísis é quem os decide".

No Solstício de Inverno, a deusa, na forma de vaca dourada, coberta por um traje negro, era carregada sete vezes em torno do Santuário de Osíris morto, representando as perambulações de Ísis, que viajou através do mundo pranteando sua morte e procurando pelas partes espalhadas de seu corpo. Este ritual era um procedimento mágico, que tencionava prevenir que a seca invadisse as regiões férteis do Nilo, pois a ressurreição de Osíris era, naquela época, um símbolo da enchente anual do Nilo, da qual a fertilidade da terra dependia.

ÍSIS E HÓRUS

Muita conhecida de todos os nós é a história de Hórus, o filho de Ísis, a deusa do Egito, tanto quanto os também tão estimados e conhecidos Maria e o menino Jesus no cristianismo. Entretanto, existem algumas diferenças entre os dois: a Ísis é adorada como uma divindade maternal muito antiga. Algumas vezes é representada com um disco do sol (ou lua) na cabeça, flanqueada à direita e à esquerda por dois chifres de vaca. A vaca era e é por seu úbere dispensador de leite o animal-mãe, usado em muitas culturas como símbolo materno. Outra diferença fundamental entre Ísis e Maria é também o fato de Ísis ter sido venerada como a grande amada. Ainda no ventre materno ela se casou com seu irmão gêmeo Osíris, que ela amava acima de tudo.

Nos rituais antigos egípcios, executados para obter a ressurreição, o olho de Hórus tinha papel muito importante e era usado para animar o corpo do morto cujos membros tinham sido reunidos.  Hórus, filho e herdeiro por excelência, é invocado também, para que impeça a ação do répteis que estão no céu, na terra e na água, os leões do deserto, os crocodilos do rio.

Protetor da realeza, Hórus desempenha ainda, o papel capital do deus da cura. A magia de Hórus desvia as flechas do arco, apazigua a cólera do coração do ser angustiado.

Ísis era invocada nas antigas escrituras como à senhora da cura, restauradora da vida e fonte de ervas curativas. Ela era venerada como à senhora das palavras de poder, cujos encantamentos faziam desaparecer as doenças.

À noção de magia liga-se também, imediatamente ao nome de Ísis, que conhece o nome secreto do deus supremo. Ísis dispõe do poder mágico que Geb, o deus da Terra, lhe ofereceu para poder proteger o filho Hórus. Ela pode fechar a boca de cada serpente, afastar do filho qualquer leão do deserto, todos os crocodilos do rio, qualquer réptil que morda. Ela pode desviar o efeito do veneno, pode fazer recuar o seu fogo destruidor por meio da palavra, fornecer ar a quem dele necessite. Os humores malignos que perturbam o corpo humano obedecem a Ísis. Qualquer pessoa picada, mordida, agredida, apela a Ísis, a da boca hábil, identificando com Hórus, que chama a mãe em seu socorro. Ela virá, fará gestos mágicos, mostrar-se-á tranquilizadora ao cuidar do filho. Nada de grave irá lesar o filho da grande deusa.

Ísis aparece em na nossa vida para dizer que é hora de meditar. Você tem desperdiçado sua energia maternal sem guardar um pouco para si mesma? Sua mãe lhe deu todo o amor que você precisou? Pois agora é tempo de você se dar "um colo" para curar as mágoas do passado. Todos nós precisamos de cuidados maternos, independente de sermos donzela, mãe ou mulher madura.

O VÉU DE ÍSIS

O traje de Ísis só era obtido através da iniciação, era multicolorido e usado em muitos cerimoniais religiosos.

O véu multicolorido de Ísis é o mesmo véu de Maias, que nos é familiar no pensamento hindu. Ele representa a forma sempre mutante da natureza, cuja beleza e tragédia ocultam o espírito aos nosso olhos. A ideia é a de que o Espírito Criativo vestia-se de formas materiais de grande divindade e que todo o universo que conhecemos era feito daquela maneira, como a manifestação do Espírito do Criador.

Plutarco expressa essa ideia quando diz: "Pois Ísis é o princípio feminino da natureza e aquela que é capaz de receber a inteireza da gênese; em virtude disso ela tem sido chamada de enfermeira e a que tudo recebe por Platão e, pelo multidão, a dos dez mil nomes, por ser transformada pela Razão e receber todas as formas e ideias".
Um hino dirigido a Ísis-Net exprime essa mesma ideia de véu da natureza que esconde a verdade do mistério dos olhos humanos. Net era uma forma de Ísis, e era considerada como Mãe-de-todos, sendo de natureza tanto masculina como feminina. O texto em que esse hino está registrado data de cerca de 550 a.C., mas é provavelmente muito mais antigo.

Salve, grande mãe, não foi descoberto teu nascimento!

Salve, grande deusa, dentro do submundo que é duplamente escondido, tu, a desconhecida!

Salve, grande divina, não foste aberta!

Ó abre teu traje.

Salve, coberta, nada nos é dado como acesso a ela.

Venha receber a alma de Osíris, protege-adentro de tuas duas mãos.

O véu de Ísis tem também significados derivados. Diz-se que o ser vivo é pego na teia ou véu de Ísis, significando que no nascimento o espírito, a centelha divina, que está em todos nós é preso ou incorporado na carne. Significa dizer, que todos nós ficamos emaranhados ou presos na teia da natureza. Essa teia é a trama do destino ou circunstâncias. É inevitável que devamos ser presos pelo destino, mas frequentemente consideramos este enredamento como infortúnio e queremos nos libertar dele. Se aceitarmos esta situação de o ser vivo estar preso à teia de Ísis, acabaremos  encarando a trama de nossa vida de maneira diferente, pois é somente deste modo que o espírito divino pode ser resgatado. Se não fosse aprisionado desta forma, vagaria livremente e nunca teria oportunidade de transformar-se. Portanto, o espírito do homem precisa estar preso à rede de Ísis, caso contrário, não poderá ser levado em seu barco para a próxima fase de experiência. 

DANÇA DOS SETE VÉUS

A Dança dos Sete Véus tem sua origem em tempos remotos, onde as sacerdotisas dançavam no templo de Ísis. É uma dança forte, bela e enigmática. Ela também reverencia a vida, os elementos da natureza, imita os passos dos animais e das divindades numa total integração com o universo. O coração da bailarina é tão leve quanto à pluma da Deusa Maat e é exatamente por isso que os véus são necessários, pois é deles que os deuses se servem para sutilizar o corpo da mulher. Os véus de Ísis, ao serem retirados, nos transmitem ensinamentos. Quando a bailarina usa dois véus, ao retirá-los nos diz que o corpo e espírito devem estar harmonizados. A Dança do Templo, que é usado três véus, homenageia a Trindade dos deuses do Antigo Egito: Ísis, Osíris e Hórus. A Dança do Palácio, com quatro véus representa a busca da segurança e estabilidade e ao retirá-los a bailarina nos demonstra o quanto nos é benéfico o desapego das coisas materiais. Na Dança dos Sete Véus, cada véu corresponde a um grau de iniciação.

Os sete véus representam os sete chakras em equilíbrio e harmonia, sete cores e sete planetas. Cada planeta possui qualidades e defeitos que influenciam no temperamento das pessoas e a retirada de cada véu representa a dissolução dos aspectos mais nefastos e a exaltação de suas qualidades.

Significado das cores:

Vermelho: libertação das paixões e vitória do amor.

Laranja: libertação da raiva e dos sentimentos de ira

Amarelo: libertação da ambição e do materialismo.

Verde: saúde e equilíbrio do corpo físico.

Azul: encontro da serenidade.

Lilás: transmutação da alma, libertação da negatividade.

Branco: pureza, encontro da Luz. 

Toda mulher deixa transbordar seu essência através da dança. Todas aquelas emoções reprimidas, sentimentos esquecidos, afloram. Toda e qualquer mulher que consegue penetrar nos mistérios e ensinamentos dessa prática, se revelará de forma pura e sublime e alcançará o êxtase ao dançar.

Dançar é minha prece mais pura.
Momento em que meu corpo vislumbra o divino,
Em que meus pés tocam o real.
Religiosidade despida de exageros,
Desejo lascivo, bordado de plenitude.
Através de meus movimentos posso chegar ao inatingível.
Posso sentir por todos os corpos,

Abraçar com todo
o coração,
E amar com os olhos.
Cada gesto significativo desenha no espaço o infinito,
Pairando no ar, compreensão e admiração.
Iniciar uma prece é como abrir uma porta
Um convite a você, para entrar em meu universo.
O mágico contorna minha silhueta, ao mesmo tempo.
Que lhe toco sem tocar.
Nada a observar, só a participar.
Esta prece ausente de palavras.
É codificada pela alma.
E faz-nos interagir, de maneira sublime e hipnótica.
Quando eu terminar esta dança,
Estarei certa de que não seremos os mesmos.

fonte do texto e fotos: http://bruxaguinevere.blogspot.com/2011/08/isis.html

Deusa Hera

Hera para os gregos, Juno para os romanos, a Rainha do Olimpo, governava junto ao seu marido Zeus. Ela era filha de Cronos e Réia, a Grande Mãe deusa titã e foi criada na Arcádia. Teve como ama as Horas, ou as Três Estações.
O pouco que sabemos, vem da "Ilíada" de Homero, onde ganha fama de esposa ciumenta. É que em culturas patriarcais antigas, os homens tinham por regra, satirizar toda e qualquer mulher que alcançava algum poder.

Se Hera foi uma mulher disposta a contendas conjugais, realmente é porque ela estava coberta de motivos. Zeus era um homem libertino, promíscuo e infiel. Praticamente nenhum de seus filhos foi concebidos dentro dos limites de seu casamento oficial. O único deus que nasceu da união legítima de Zeus e Hera foi Ares, o deus da guerra, o mais medíocre dos deuses gregos. Visualiza-se aqui uma sociedade contemporânea, configurada em uma família patriarcal. Zeus é o pai, o chefe, o "cabeça do casal". Muito embora os conflitos persistentes, a supremacia de Zeus é escancarada.

Zeus, pai dos deuses e dos homens era um nórdico. Ele e sua paternidade de Wotan (Odim), vieram do norte junto com demais tribos, cujo sistema social era patrilinear. Já Hera, representa um sistema matrilinear. Ela era a Rainha de Argos, em Samos e possuía no Olimpo um templo distinto de Zeus e anterior a este. Seu primeiro consorte foi Heracles. Quando os nórdicos conquistadores chegam a Olímpia, massacram a população e concedem às mulheres a lúgubre escolha entre a morte ou a submissão à nova ordem. Hera reflete, portanto, uma princesa nativa que foi coagida, mas não subjugada por este povo guerreiro. Assim, sabe-se agora o devido motivo porque o único filho de Zeus e Hera tenha sido Ares, o deus da guerra. Realmente Zeus e Hera viviam em "pé de guerra” dentro do Olimpo.

Hera foi extremamente humilhada com as aventuras de Zeus. Ele desonrou o que ela considerava de mais sagrado: o casamento. Favoreceu seus filhos bastados em detrimento de seu legítimo e pisoteou seu lado feminino quando ele mesmo deu à luz a sua filha Atenas, demonstrando que não precisava dela nem para conceber.
Nos dias atuais, embora a mulher através de árduas penas tenha conquistado seu espaço, os casamentos não se modificaram tanto assim. Permanecemos em uma sociedade patriarcal e o casamento ainda é considerado como uma instituição de procriação.

As mulheres continuam a sofrer violências domésticas e profissionais e a busca do tão almejado casamento por amor com satisfação sexual plena é castrado pelas concepções obsoletas cristãs. Mas, muito embora todas estas limitações e deficiências do casamento, a mulher sente-se profundamente atraída por ele. Romanticamente todas sonham em compartilhar a tarefa de criar seus filhos e estabelecer uma unidade chamada "família".
Na Arcádia, ao ser celebrada como a Grande Deusa dos tempos pré-homéricos, Hera possuía três nomes. Na primavera era Hera "Parthenos" (Virgem). No verão e no outono tomava o nome de Hera "Teleia" (Perfeita ou Plena) e no inverno chamava-se Hera "Chela" (viúva). Hera, a antiga deusa tríplice não tinha filhos, de modo que, os mistérios da maternidade não estão aqui simbolizados, mas sim os mistérios das fases da mulher "antes" do casamento, na "plenitude" do casamento e "depois" na viuvez. As três facetas de Hera também se ligam às três estações e às três fases da Lua.

Hera renovava anualmente a sua virgindade banhando-se na fonte Cânata, perto de Argos, local consagrado especialmente a ela. Assim, vemos que ela traz em si o arquétipo da eterna renovação, semelhante ao ciclo da Lua em suas fases. Através deste ato, ela une o ciclo lunar, o ciclo menstrual e o ciclo anual da vegetação.
O seu mito era associado à vaca, o que revela o seu vínculo com a fecundidade e com o nascimento. Seus outros símbolos são a via-láctea, o lírio e a iridescente pena da cauda do pavão, que continha olhos, simbolizando a cautela de Hera.

A vaca sempre foi associada a deusas da Grande-Mãe como provedoras e nutridoras, enquanto a via-láctea, em grego gala significa "leite da mãe", reflete uma crença anterior às divindades olímpicas, de que ela surgiu dos seios da Grande Mãe. Isso depois se torna parte da mitologia de Hera, que conta que o leite que jorrou de seus seios formou a via-láctea. As gotas que caíram sobre a Terra tornaram-se lírios, símbolo do poder de autofertilização feminino da deusa.

fonte do texto e fotos: http://bruxaguinevere.blogspot.com/2011/06/hera.html