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13 de ago. de 2012

Deusa Hécate–a Deusa dos Caminhos

Autoria: Lúcia

Hécate, também chamada de Perséia, era filha dos titãs Astéria - a noite estrelada e Perses - o deus da luxúria e da destruição, mas foi criada por Perséfone - a rainha dos infernos, onde ela vivia. Antes Hécate morava no Olimpo, mas despertou a ira de sua mãe quando roubou-lhe um pote de carmim. Ela fugiu para a terra e tornando-se impura foi levada às trevas para ser purificada. Vivendo no Hades, ela passou a presidir as cerimônias e rituais de purificação e expiação. Hécate em grego significa "a distante".
Tinha características diferentes dos outros deuses mas Zeus atribuiu-lhe prestígio. Após a vitória dos deuses olímpicos contra os titãs, a titânomaquia, Zeus, Poseidon e Hades partilharam entre sí o universo. A Zeus coube o céu e a terra, a Poseidon coube os oceanos e Hades recebeu o mundo das trevas e dos mortos. Hécate manteve os seus domínios sobre a terra, os céus, os mares e sobre o submundo, continuando a ser honrada pelos deuses que a respeitavam e mantiveram seu poder sobre o mundo e o submundo.
Ela é representada ora com três corpos ora com um corpo e três cabeças, levando sobre a testa uma tiara com a crescente lunar, uma ou duas tochas nas mãos e serpentes enroladas em seu pescoço. Suas três faces simbolizam a virgem, a mãe e a velha senhora. Tendo o poder de olhar para três direções ao mesmo tempo, ela podia ver o destino, o passado que interferia no presente e que poderia prejudicar o futuro. As três faces passaram a simbolizar seu poder sobre o mundo subterrâneo, ajudando à deusa Perséfone a julgar os mortos.
Para os romanos era considerada Trívia - a deusa das encruzilhadas. Associada ao cipreste, Hécate se fazia acompanhar de seus cães, lobos e ovelhas negras. Por sua relação com os encantamentos, feitiços e a obscuridade, os magos e bruxas da antiga Grécia lhe faziam oferendas com cães e cordeiros negros no final de cada lua nova. Também combateu Hércules quando ele tentou enfrentar Cérbero, o cão guardião do inferno com três cabeças que sempre lhe acompanhava.
O tríplice poder de Hécate se estendia do inferno, à terra e ao mar. Ela rondava a terra nas noites da lua nova e no mar tinha seus casos de amor. Considerada uma divindade tripla: lunar, infernal e marinha, os marinheiros consideravam-na sua deusa titular e pediam-lhe que lhes assegurasse boas travessias. O próprio Zeus lhe deu o poder de conceder ou negar qualquer desejo aos mortais e aos imortais. Foi Hécate quem ajudou Deméter quando ela peregrinou pelo mundo em busca de sua filha Perséfone.
Quando Perséfone, a amada filha de Deméter foi raptada por Hades - o senhor do submundo - quando colhia flores, sua mãe perambulou em desespero por toda a Terra. Senhora dos cereais e alimento, a grande mãe Deméter mortificada pela tristeza, privou todos os seres de alimento. Nada nascia na terra e Hécate, sendo sábia e observando o que acontecia, contou a Deméter o que havia sucedido a Perséfone.
Zeus decidiu interferir e ordenou que Perséfone regressasse para junto de sua mãe, desde que não tivesse ingerido nenhum alimento nos infernos. Porém, antes de retornar, Perséfone comeu algumas sementes de romã, o fruto associado às travessias do espírito. Assim ele podia passar duas partes do ano na superfície junto da Mãe, era quando a terra florescia. Mas Perséfone devia retornar para junto de Hades uma parte, era quando a terra cessava de florescer.
Hécate espalhava sua benevolência para os homens, concedendo graças a quem as pedia. Dava prosperidade material, o dom da eloquência na política, a vitória nas batalhas e nos jogos. Proporcionava peixe abundante aos pescadores e fazia prosperar ou definhar o gado. Seus privilégios se estendiam a todos os campos e era invocada como a deusa que nutria a juventude, protetora das crianças, enfermeira e curandeira de jovens e mulheres.
Acreditava-se que ela aparecia nas noites de Lua Nova com sua horrível matilha diante dos viajantes que cruzavam as estradas. Ela era considerada a deusa da magia e da noite em suas vertentes mais terríveis e obscuras. Com seu poder de encantamento, também enviava os terrores noturnos e espectros para atormentar os mortais. Frequentava as encruzilhadas, os cemitérios e locais de crimes e orgias, tornando-se assim a senhora dos ritos e da magia negra. Senhora dos portões entre o mundo dos vivos e o mundo subterrâneo das sombras, Hécate é a condutora de almas e as Lâmpades, ninfas do Subterrâneo, são suas companheiras.
Com Eetes, Hécate gerou a feiticeira Circe - a deusa da noite que se tornou uma famosa feiticeira com imenso poder da alquimia. Segundo a lenda, a filha de Hécate elaborava venenos, poções mágicas e podia transformar os homens em animais. Vivendo em um palácio cheio de artifícios na Ilha Ea ou Eana, no litoral da Itália, Circe se tornou a deusa da Lua Nova ou Lua Negra, sendo relacionada à morte horrenda, à feitiçaria, maldições, vinganças, sonhos precognitivos, magia negra e aos encantamentos que ela preparava em seus grandes caldeirões.

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Descendente dos Titãs, Hécate não tem um mito próprio e foi uma das divindades mais ignoradas da mitologia grega, mencionada apenas em outros mitos, tal como o mito de Perséfone e Deméter. Hécate é deusa dos caminhos e seu poder de olhar para três direções ao mesmo tempo sugere que algo no passado pode interferir no presente e prejudicar planos futuros.
A deusa grega nos lembra da importância da mudança, ajudando-nos a libertar do passado, especialmente do que atrapalha nosso crescimento e evolução, para aceitar as mudanças e transições. Às vezes ela nos pede para deixar o que é familiar e seguro para viajarmos para os lugares assustadores da alma. Novos começos, seja espiritual ou mundano, nem sempre são fáceis mas Hécate está lá para apoiar e mostrar o caminho.
Ela empresta sua clarividência para vermos o que está profundamente esquecido ou até mesmo escondido de nós mesmos, ajudando a encontrarmos e escolhermos um caminho na vida. Com suas tochas, ela nos guia e pode nos levar a ver as coisas de forma diferente, inclusive vermos a nós mesmos, ajudando-nos a encontrar uma maior compreensão de nós mesmos e dos outros.
Hécate nos ensina a sermos justos e tolerantes com aqueles que são diferentes e com aqueles que tem menos sorte, mas ela não é demasiadamente vulnerável, pois Hécate dispensa justiça cega e de forma igual. Apesar de seu nome significar "a distante", Hécate está presente nos momentos de necessidade. Quando liberamos o passado e o que nos é familiar, Hécate nos ajuda a encontrar um novo caminho através de novos começos, apesar da confusão das ideias, da flutuação dos nossos humores e às incertezas quando enfrentamos as inevitáveis mudanças de vida.
A poderosa deusa possuía todos aspectos e qualidades femininos, tendo sob seu controle as forças secretas da natureza. Considerada a patrona das sacerdotisas, deusa das feiticeiras e senhora das encruzilhadas, Hécate transita pelos três reinos, a todos conhece mas nenhum domina. Os três reinos são posses de figuras masculinas, mas ela está além da posse ou do ego, ela é a sábia, a anciã. A senhora do visível e do invisível, aguarda na encruzilhada e observa: o passado, o presente e o futuro. Ela não se precipita, aguarda o tempo que for preciso até uma direção ser tomada. Ela não escolhe a direção, nós escolhemos. Ela oferece apenas a sua sabedoria e profunda visão, acima das ilusões.
Os gregos sempre viam Hécate como uma jovem donzela. Acompanhada frequentemente em suas viagens por uma coruja, símbolo da sabedoria, a ela se atribuía a invenção da magia e da feitiçaria, tendo sido incorporada à família das deusas feiticeiras. Dizia-se que Medéia seria a sacerdotisa de Hécate. Ela praticava a bruxaria para manipular com destreza ervas mágicas, venenos e ainda para poder deter o curso dos rios e comprovar as trajetórias da lua e das estrelas.
Como deusa dos encantamentos, acreditava-se que Hécate vagava à noite pela Terra, sempre acompanhada por seu espíritos e fantasmas. Suas lendas contam que ela passava pela Terra ao pôr do Sol, para recolher os mortos daquele dia. Como feiticeira, não podia ser vista e sua presença era anunciada apenas pelos latidos dos cães. Na verdade, as imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes da deusa, protetora da independência feminina, defensora contra a violência e opressão das mulheres, regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.
Em função dessas memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a deusa escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens distorcidas não são reais nem verdadeiras. Elas foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.
Para receber seus dons visionários, criativos ou proféticos, precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da deusa escura dentro de nós, honrando seu poder e lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos sua presença em nós, ela irá nos guiar. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações. Somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo.
A conexão com Hécate representa um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique. Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação.
As Moiras teciam, mediam e cortavam o fio da vida dos mortais, mas Hécate podia intervir nos fios do destino. Muitas vezes foi representada com uma foice ou punhal para cortar as ligações com o mundo dos vivos. O cipreste está associado à imortalidade, intemporalidade e eterna juventude. Sendo a morte encarada como passagem transformadora e não o fim assustador e definitivo, essa significação tem origem na própria terra que dá vida, dá a morte e transforma os frutos em novas sementes que irão renascer.

texto vem daqui: http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2011/10/hecate-deusa-dos-caminhos.html

3 de ago. de 2012

Deusa Brigid

Brigid - A Sobrevivência de uma Deusa

Eu sou Aquela que é a mãe natural de todas as coisas, senhora e governante de todos os elementos, a descendência inicial dos mundos, chefe dos poderes divinos, Rainha de tudo o que há no Outro Mundo, a principal daqueles que habitam as alturas, manifestada sozinha e sob a forma de todos os Deuses e Deusas.

Talvez uma das mais complexas e contraditórias Deusas do panteão celta, Brigid pode ser vista como a mais poderosa figura religiosa em toda a história da Irlanda. Muitas partes de tradições diversas têm se assemelhado, tornando complicados a Sua história e Seu impacto, mas permitindo que Ela sobreviva sem dificuldades pelos dos séculos. Ela tem sido bem sucedida em permanecer intacta por gerações, cumprindo diferentes papéis em tempos divergentes.
Ela foi, e continua sendo, conhecida por muitos nomes. Chamada de Bride, Bridey, Brighid, Brigit, Briggidda, Brigantia, eu estou usando o Seu nome, Brigid, aqui. Há também muitas variantes de pronúncia, todas corretas, mas, na minha mente, eu uso a pronúncia "breet".
Brigid é a padroeira tradicional da cura, poesia e do ofício dos ferreiros, todas elas sabedorias práticas e inspiradas. Sendo uma deidade solar, Seus atributos são a luz, a inspiração e todas as habilidades associadas ao fogo.
Apesar d'Ela não dever ser identificada com o Sol físico, Ela é certamente benfeitora da cura interna e da energia vital.

Também conhecida como A Senhora do Manto, Ela representa o aspecto da Grande Deusa de irmã ou virgem. As deidades do panteão celta não são e nunca foram abstrações ou ficções, mas sim, inseparáveis da vida diária. Os fogos da inspiração, como demonstrado na poesia, e os fogos dos lares e das forjas, são vistos como sendo idênticos. Não há separação entre os mundos internos e externos. A tenacidade com a qual as tradições que gravitam em torno de Brigid têm sobrevivido, mesmo na santa que é a mal disfarçada Deusa, claramente indica a Sua importância.

Como a patrona da poesia, filidhecht, o equivalente à sabedoria bárdica, é a mantenedora primária da cultura e do aprendizado. A bansidhe e os filidh - Mulheres das Colinas das Fadas e a classe dos poetas-profetas, respectivamente, preservam a função poética de Brigid ao manter viva a tradição oral. É largamente acreditado que aqueles poetas que já partiram deste plano habitam os reinos entre os mundos, visitando o nosso, para que as antigas canções e histórias possam ser ouvidas e repetidas. Dessa maneira, Brigid cumpre a função de prover a continuidade, nos inspirando e nos encorajando.

O papel dos ferreiros em qualquer tribo era visto como um trabalho sagrado e era associado com poderes mágicos, desde que envolvia a manipulação do elemento primordial, o Fogo, moldando metais (provenientes da Terra) através da técnica, do conhecimento e da força. Conceitos do ofício dos ferreiros estão conectados a histórias concernentes à criação do mundo, utilizando os Elementos para criar e fundir uma nova forma.

Brigid também é a Deusa dos médicos e dos curandeiros, da divinação e da profecia. Um dos Seus mais antigos nomes é Breo-saighead, que significa "flecha de fogo", e no interior deste nome está o atributo de punição e justiça divina.

Três rios são nomeados em Seu nome - Brigit, Braint e Brent, na Irlanda, Gales e Inglaterra, respectivamente. Na Bretanha moderna, Ela é hoje vista como a  donzela-guerreira Brigantia e venerada não apenas pela sua justiça e autoridade naquele país, mas também como a personificação da Bretanha, como pode ser visto na moeda do reino. Há uma história, que vem do século XII, em que Merlin é inspirado pela figura feminina que representa soberania da Terra da Bretanha.
Ela causa as suas visões para alcançar, através da história da Bretanha, e assim é dito, os confins do sistema solar. Taliesin também descreve uma cosmologia tradicional, inspirado por Brigantia. Ela é o centro de muitos mitos heroicos, especialmente daqueles concernentes com buscas nos mundos inferiores e com o reinado sagrado. Isto parece relacioná-La com o desenvolvimento do potencial humano. No relevo em pedra da Deusa guerreira Brigantia, De Birrens, Dunfrieddhire, um sítio militar romano, Ela carrega uma lança em sua mão direita, um orbe simbolizando a vitória em sua mão esquerda e usa uma coroa. Uma cabeça de górgona adorna seu seio, um símbolo de Minerva. Ela está usando um vestido Romano. Na inscrição se lê: BRIGANTIA SAMAADVS...

Sua importante associação com a vaca, conjugada com a sua extrema necessidade na cultura e história celta, se relaciona com o festival de Imbolc. Esta celebração, que é completamente Dela, envolve fogueiras, purificação com água de fonte e a condução ao ano novo (Primavera) por uma donzela conhecida como a Rainha dos Céus. O significado de Imbolc é tão profundo que merece uma seção completa dentro de qualquer trabalho relativo à Brigid.
Para compreender totalmente o significado de Imbolc é necessário entender a luta de vida-e-morte representada pelo inverno em qualquer sociedade agrária. Em um mundo aquecido apenas pelo fogo, a neve, o frio e o gelo desta estação literalmente te abraçam em seus domínios, apenas suavizando com a chegada da Primavera. Apesar de o equinócio não vir ainda e a primavera ser celebrada em Ostara e Beltane, Imbolc é o seu precursor e a indicação de que melhores tempos estão vindo.

Durante os meses frios, certos assuntos tornam-se angustiantes. Há comida o suficiente para os seres humanos e para os animais? Irá a doença dizimar a tribo, especialmente no caso dos jovens, dos idosos e das mães com crianças de colo? E os animais cujas vidas são tão cruciais para nós mesmos? Uma das questões mais "quentes" diz respeito às vacas grávidas e às ovelhas, já que seu leite é usado para bebida, queijo e coalhada, que podem ser a diferença entre a vida e a morte.
Por Imbolc, estes animais terão parido seus rebentos e seu leite será abundante. Leite, para os celtas, era um alimento sagrado, equivalente à comunhão cristã. Era uma espécie de alimento ideal, devido à sua pureza e aspecto nutritivo. O leite materno era especialmente valioso, detendo poderes curativos. A vaca era o símbolo da sacralidade da maternidade, a força da vida sustentava e nutrida. Este símbolo não era uma vaca passiva dando leite, mas uma mãe ativa lutando pelo bem-estar de seus filhos.
Imbolc divide o inverno no meio; os últimos meses do inverno estão partindo e a promessa da Donzela da Primavera está chegando. Este festival tornou-se nos tempos modernos Candlemas (Candelária) com o Dia de Santa Brígida e a Festa da Purificação de Maria, sendo celebrados durante este período. Esta celebração era definitivamente um festival feminino. Mulheres se reuniam para recepcionar o aspecto virginal da Deusa, encarnada por Brigid. Bolos de milho feitos da primeira e da última colheita eram feitos e distribuídos e esta prática permanece como parte da Sua celebração. Durante estes festivais, Ela era comumente representada por uma boneca, vestida de branco, com um cristal sobre o Seu tórax.
Esta boneca, normalmente uma boneca de milho, era carregada em processão pelas donzelas, também vestidas de branco. Comidas como oferendas eram apresentadas à Deusa com um banquete especial, dado pelas donzelas para elas mesmas. Jovens rapazes eram convidados para este banquete com o objetivo de um acasalamento ritual, para assegurar que novas almas iriam ser trazidas para substituir aquelas perdidas durante os tempos de frio.
O festival tem conexões pastorais devido à associação com a chegada do leite das ovelhas. Apesar de Brigid ser designada como uma deidade extremamente abrangente, durante Imbolc Ela é honrada em Sua capacidade como Grande Mãe.
Ela possui um status não-usual de Deusa do Sol que pendura Seu manto nos raios do Sol e cuja morada irradia luz, como se estivesse pegando fogo. Brigid se apoderou do Culto das Ovelhas, antes dedicado à Deusa Lassas, que é também uma Deusa do Sol e quem fez a transição, nas Ilhas, de Deus para santa. Desta forma, a conexão de Brigid com Imbolc é completa, já que o culto de Lassar se extinguiu, para apenas ser revivido mais tarde no santificado cristão.
Brigid transcendeu desde cedo as considerações territoriais, provendo alguma unidade entre as tribos guerreiras da Europa Ocidental e das Ilhas. Seus três filhos deram seus nomes a soldados da Gália. O culto de Brigid não existe apenas na Irlanda, mas em toda a Europa; Ela possui antiga e internacional ancestralidade, significando o seu nome "alta" ou "exaltada". Como Deusa Mãe, Brigid uniu os celtas que estava espalhados por toda a Europa. Ela era um dos aspectos com os quais todos concordavam, não importante quão díspares eles eram em localidades e tradições.

Além de ser associada aos Seus animais totêmicos, a vaca e a ovelha, Ela é também associada com o galo, arauto do novo dia, e a cobra, símbolo da regeneração. Dessa forma, ela é relacionada à Deusas da fertilidade, muitas das quais são também vistas segurando cobra e dividem com Minerva o escudo, a lança e a coroa de serpentes. Serpentes também são comuns nas joias celtas (outro produto dos ferreiros), com muitos torcs mostrando este sinuoso símbolo de poder e divindade.
Suas histórias retém remanescentes de outras Deusas dos mundos antigos e é dito que o seu culto no local que depois se tornou o Convento de Kildare assemelhava-se ao de Minerva. Alguns dos Seus símbolos são idênticos aos da Deusa Egípcia Ísis. Seus instrumentos ornados, que são também símbolos de Minerva, foram preservados na capela de Glastonbury, junto com a Sua sacola e Seu sino, símbolos da cura. Suas cores - branco, preto e vermelho - são as de Kali e mostram aí uma antiga conexão.


Ela surgiu como uma triplicidade de irmãs, algo usual nas lendas celtas. Ela é a Filha de Dagda e Morrigham e irmã de Ogma, um Deus Solar e Criador do Ogham. Com Bres dos Fomorianos, Ela teve três filhos - Brian (Ruadan), Luchar e Uar - e as ações de Brian na Batalha de Meytura têm grande destaque na Sua evolução como Deusa da Paz e da União.
Para entender o significado dessa batalha é necessário saber um pouco sobre a tradição celta concernente à família. Matrilinear, o que significa que a ancestralidade era traçada através da linhagem da mãe mais do que através da linhagem do pai, o homem mais importante na sua vida seria o parente mais velho da sua mãe, normalmente um tio e não necessariamente um avô, já que a sua linhagem para ela poderia não existir. Todas as relações consanguíneas de importância vieram da linhagem da sua mãe. Esta ligação era tão rigorosa que os filhos das irmãs eram consideradas como irmãos mais do que como primos. A maternidade demandava a máxima reverência. Estupro era um crime da maior severidade, sujeito aos maiores castigos e não perdoável ou sujeito a tolerância. Posteriormente, como uma Deusa que cria leis, Brigid garantiria que certos direitos da mulher fossem mantidos de alguma forma dentro da nova religião.
O casamento de Brigid com Bres foi, essencialmente, uma aliança para trazer a paz entre duas facções inimigas. Ela era dos de Danu e ele dos Fomorianos. Com o casamento, a guerra foi finalmente interrompida. Ruadan, o filho mais velho de Brigid, usou o conhecimento do ofício dos ferreiros dado a ele pela sua parente, Danu, contra os Fomorianos ao matar o seu ferreiro, uma posição sagrada dentro da tribo. Este ferreiro matou Ruadan antes de dele mesmo morrer. Dizem que as aflições e lamentações de Brigid foram as primeiras a serem ouvidas na Irlanda e que não foram apenas uma expressão de luto pela perda do Seu filho, mas também pela animosidade entre as facções maternais e paternais da família. Isto foi visto como o começo do fim para os Antigos Caminhos. E então a história irlandesa do Pecado Original foi mais a do ato contra a família matrifocal do  que a da sexualidade, já que esta traz a visão sagrada da maternidade e era vista como positiva pelos celtas.
Sua evolução de Deusa para santa ligou a tradição pagã celta e a tradição cristã da mesma forma que o Caldeirão de Cerridwen e o Sagrado Graal foram combinados nas lendas arthurianas. Ela atua como uma ponte entre dois mundos e fez a transição de volta para a Deusa com sucesso e com grande parte das Suas tradições preservadas. O culto de Santa Brígida persistiu até o começo do século XX com o Seu culto irlandês quase superando o de Maria. Ela é celebrada tanto na Irlanda quanto na Escócia.

A fim de incorporar Brigid ao culto cristão, e assim assegurar a Sua sobrevivência, Seu envolvimento na vida de Jesus tornou-se conteúdo de lenda. De acordo com as histórias em "The Lives of the Saints", Brigid era a parteira presente no nascimento Dele, derramando três gotas de água na Sua testa. Isto parece ser uma versão cristianizada do antigo mito celta sobre o Filho da Luz sobre cuja cabeça três gotas de água foram derramadas para Lhe conferir sabedoria.
Mais adiante, como uma santa cristianizada, se dizia que Brigid era mãe adotiva de Jesus, sendo que a adoção era uma prática comum entre os celtas. Ela adotou a criança para salvá-La da matança dos outros meninos, supostamente instigados por Herod. Ela vestiu uma coroa de velas para iluminar o Seu caminho para um lugar seguro.
Existe um evangelho apócrifo de Thomas que foi excluído da Bíblia em que ele clama que uma teia foi fiada para proteger o menino Jesus de danos e males. Esta história mantém Seu status como patrona das artes domésticas, fiando lã das Suas ovelhas, alimentando as Suas ligações como uma Deusa pastoral. Devido às diferenças originais entre a Igreja Romana e aquela que um dia foi um tipo extremamente divergente de Cristianismo praticado nas Ilhas Ocidentais, particularmente na Irlanda, muitas das antigas deidades fizeram a transição de Deuses e Deusas para santos e santas, alguns experimentando mudanças sexuais no caminho, causadas pela Igreja.
Frequentemente cultos pagãos mal disfarçados foram perpetuados em monastérios e conventos, os quais foram construídos em locais sagrados para o panteão celta, ou perto deles. Muitos dos grandes monastérios - Clonmacnoise, Durrow e o própria Kildare de Brigid - foram grandes centros de aprendizado e cultura, e muitas informações foram disseminadas destes locais para a Europa Ocidental. (O que é muito parecido com os grandes colégios druídicos e não é surpreendente encontrar lugares sagrados para a nova religião que foram construídos sobre os alicerces da antiga).
Pensa-se que estes mosteiros mantiveram viva e preservada muito da cultura clássica na Europa durante a Idade das Trevas. Durante este período, guerras foram dizimando a população. Maria, sendo a Mãe desta nova religião, foi abraçada por mulheres que sentiam uma experiência similar a de sacrificar os seus filhos para uma maquina política e religiosa.
A Deusa Tríplice foi substituída por uma Trindade, mas os Antigos Caminhos subsistiram em seu culto. O papel de Brigid como Deusa Mãe nunca foi erradicado completamente e reaparece através de toda a Sua carreira como uma santa católica. Como Santa Brígida, há raios de luz do sol vindos da Sua cabeça, assim como é retratada como uma Deusa. Os temas do leite, fogo, Sol e serpentes seguiram-na neste caminho, dando a Ela uma popularidade sempre crescente. Compaixão, generosidade, hospitalidade, fiação e tecelagem, o ofício dos ferreiros, cura e agricultura correram através Dela várias vidas e evoluções.

Seu simbolismo como uma Deusa do Sol permanece, também, na forma da Cruz de Brigid, uma suástica que gira no sentido horário, considerada por todo o mundo como um símbolo profundo, chegando à Irlanda pelo século II a.C. e que ainda hoje é lá usada para proteger a colheita e os animais da fazenda.

Uma das histórias da Sua vida como uma santa suporta o Seu atributo original de deidade solar. Durante a Sua infância, os vizinhos correram até sua casa, pensando que ela estava pegando fogo. Essa radiância vinha da jovem santa, uma demonstração da Sua graça devida ao Espírito Santo. Uma prece à Santa Brígida pede:

Brigit, mulher sempre grandiosa, reluzente chama dourada, guie-nos para o Reino eterno, o deslumbrante sol resplandecente.
Mesmo na Sua nova encarnação como uma santa católica a Sua existência anterior é afirmada. A chama eterna do Seu convento em Kildare sugere sua existência como tendo sido pagã e/ou druídica. Assume-se que o santuário em Kildare é uma sobrevivência cristã de um antigo colégio de sacerdotisas vestais que eram treinadas e depois dispersadas pelo mundo para tomar conta de fontes sagradas, assim como clareiras, cavernas e montes. Estas sacerdotisas eram originalmente comprometidas a prestarem trinta anos de serviço, mas, depois deste período, eram livres para casar e partirem. Os primeiros dez anos eram gastos em treinamento, dez em prática dos seus deveres e os dez finais em ensinar outras, o que é similar aos três graus de iniciação achados em muitas tradições. Estas mulheres preservaram as antigas tradições, estudaram ciências, remédios de cura e, talvez, mesmo as leis do estado. Em Kildare seus deveres devem ter envolvido mais do que meramente vigiar o fogo. Este fogo perpétuo na cidade monástica era vigiado por dezenove noviças por um período de dezenove dias. No vigésimo dia, era dito para a própria Brigid manter o fogo ardendo. O local para o monastério de Kildare foi escolhido pela sua elevação e também por causa do antigo Carvalho lá achado, que se considera tão sagrado que não se permite que haja nenhuma arma perto dali. A palavra Kildare vem de "Cill dara", a Igreja do Carvalho. Toda a área era conhecida como Civitas Brigitae, "A Cidade de Brigid".
A preservação do fogo sagrado tornou-se o foco deste convento. A abadessa era considerada como sendo a reencarnação da santa e cada uma delas automaticamente tomava o nome, Brigid, como investidura. O convento foi ocupado continuamente até 1132 E.C, com cada abadessa tendo uma conexão mística com a santa e retendo o Seu nome. Neste ponto, Demor MacMurrough desejou ter uma parenta sua como abadessa. Apesar da opinião popular ser na época contra ele, suas tropas invadiram o convento e estupraram a abadessa superior com o intuito de lhe tirar o crédito.
Depois disso, Kildare perdeu muito do seu poder e os fogos foram finalmente apagados pelo Rei Henrique VIII, durante a Reforma. Durante o tempo em que o convento foi ocupado pela própria santa, ela foi da posição de Deusa-Mãe para a de Legisladora, paralelamente à Minerva, mais uma vez. Sua habilidade para se mover entre categorias é o segredo do Seu sucesso contínuo. Quando as leis foram escritas e codificadas pelo Cristianismo, Brigid apareceu largamente para assegurar que os direitos da mulher iriam ser lembrados. Essas leis foram confiadas à memória dos bretões como parte da sua extensa tradição oral. Os Antigos Caminhos continuaram a ser praticados, apesar de não sempre abertamente e, com o fim de assegurar que o povo não iria se desviar da nova religião, muitos aspectos da antiga foram incorporadas à ela. Em manterem-se os
Antigos Caminhos, não era permitido aos homens engravidar mulheres contra a sua vontade, contra aconselhamentos médicos ou contra as restrições da tribo dela. A um homem não era permitido negligenciar as necessidades sexuais da sua esposa. A lei irlandesa também favorecia extensivamente os direitos da mulher no casamento, na gravidez fora do casamento e no divórcio. 
Em um incidente, claramente definindo a posição da mulher nesta nova classe guerreira, uma mulher pedia à Brigid por justiça. Suas terras e propriedades estavam para serem confiscadas após a morte dos seus pais. Brigid, entretanto, determinou que era decisão da mulher defender a sua terra como uma guerreira, estando preparada para pegar em armas para proteger a sua propriedade e seu povo. Se ela decidisse não usar desse privilégio metade da sua terra deveria passar para o domínio da sua tribo. Mas, se ela escolhesse manter a terra e defendê-la militarmente, lhe seria permitido manter a terra em sua totalidade para si.
A mudança de Deusa Mãe para Mãe Virgem e daí para Virgem Santa apresentou certa dificuldade. Ainda que isso tenha assegurado a Sua sobrevivência e a emergência do Seu poder no Neo-Paganismo, a ênfase na virgindade é um forte resquício do patriarcado cristão. Ela tirou poder de outras mulheres, removendo a maternidade da sua posição sagrada na sociedade celta. Como a Mãe, Brigid mantém a tradição viva e completa, oferecendo um meio de liderança que se sustenta atravessando quaisquer circunstâncias. Na Sua característica de legisladora, seu empenho em carregar os Antigos Caminhos através de todas as dificuldades para os dias presentes tem sido bem-sucedido. O Paganismo ainda existe e numa forma que irá driblar muito bem as dificuldades presentes neste momento.
Entretanto, vendo Brigid como a donzela intocada, Sua virgindade sendo totalmente simbólica, Sua lealdade não é compromissada por fidelidade a um amante ou marido. Além do controle de qualquer tribo ou nação, Ela pode servir de mediadora para assegurar a união para o bem de todos. Ela nos protege ao andar pelo labirinto, mas também nos faz encarar a realidade por nós mesmos. Seu Fogo é a centelha viva em todos nós.

Por Winter Cymres, 1995, ilustrado por Bill Blank. 12/98

Fonte: site da OBOD (Order of Bard, Ovates and Druids)
Traduzido por Quíron, 2000.

12 de jul. de 2012

Oração à Deusa Anciã

Oração a Deusa (Anciã)
Quem é ela?
ela é a morte
mas também é a vida
Pois sem morte
não há vida
ela é a Anciã
detentora de conhecimentos
Já foi a Donzela
cheia de inspirações,
a caçadora noturna
e inocente menina
Um dia a Grande Mãe
que nutre a terra
semeia a vida
e o amor
Sua sabedoria é infinita
e seus mistérios incontáveis
muito temida
porém também incompreendida
Mãe sábia
muitos não compreendem
que a morte
é só um novo caminho
Que eu possa estar morrendo
para esse mundo
e nascendo para ti
e para a arte
Conceda-me de sua sabedoria
Ensina-me a cada dia
Guia-me na arte
para que meu caminho venha ser de dedicação
Que assim seja e assim se faça.

Fael - autor

26 de jun. de 2012

Deus Rá

A Lança: Rá

por Rosario Camara

Rá, Rei dos Reis, o Deus Sol, o Criador do homem e dos Deuses, do mundo. Representado no Egito por um sol que irradia seus raios para os seus súditos. 

Rá é uma das divindades criadoras dos Egípcio. Ele foi auto criado, surgindo de uma perfeita flor de lótus azul do oceano primordial, Nun. Criou as palavras e com ela criou os Deuses, os elementos e por uma combinação de palavras e lágrimas, 12 raças de homens.

A história conta que Rá todo dia aparecia no horizonte Oriental, como uma criança dourada que engatinha, ao ir andando pelo globo, os homens ao verem a criança se deslumbram e levanta as mãos em adoração. A criança vira homem e Ele visita cada um dos 12 reinos, das 12 raças. Continua sendo adorado pelo povo e por seus sacerdotes. Então, ele começa a descer e sinais de sua decrepitude começam a ser vistos. Alguns homens ainda o veneram, outros perdem a fé e lamentam diante da escuridão que se aproxima. O Deus fica triste, pois também pode ouvir os outros Deuses falando sobre sua obsolescência. Fora da vista de todos, no reino da escuridão ele se endireita e se regozija por poder finalmente visitar o "Nome dos Mortos", seu domínio noturno, onde as pessoas sentem prazer em vê-lo.

Como sua decrepitude tornava-se cada vez mais visível, os Deuses começaram a falar em substituí-lo. Era hora do regime mudar e Hórus assumir. No entanto, para isso acontecer era necessário descobrir o nome mágico Dele, pois era desta forma que ele exercia seu poder sobre homens e Deuses. Ísis cria então uma serpente criada do cuspe de Rá e um pó, ela o morde e por não ter sido criada por Ele, fica impossível para Ele neutralizar o seu veneno. Ele pede ajuda a Ísis, Deusa da Cura.  Ela diz que só poderá fazer isso se souber o seu nome mágico, Ele hesita, mas concorda em dizer apenas a Ela e que Ela poderia dizer apenas a Hórus. E assim dá-se um novo início de ciclo.

Outra lenda reza que Rá descontente com a humanidade pediu para que sua filha Sekhmet fosse até a terra para que destruísse toda a humanidade. Ela era ágil, sangrenta e inexorável em sua tarefa e ao ver toda a destruição que a personificação da sua ira estava fazendo, Ele voltou atrás. Mas já era tarde, inebriada pelo gosto de sangue a Deusa não voltou. Então, seu Pai misturou ocre vermelho com cevada fermentada e colocou no caminho que a filha tomava. Ávida por sangue ela confundiu os dois líquidos e bebeu todo a cerveja criada por seu Pai. Bêbada,caiu por terra em sono profundo e ao acordar já havia esquecido de sua ira.

Outras histórias também contam que ele possui uma arca, com a qual viaja pelos mundos derramando sua luz e calor, em que outros Deuses navegam com ele e as almas dos justos eram carregadas nessa barca, depois de suas mortes para que fossem colocados entre "as estrelas que nunca morrem".

Quando precisar criar ou se reenergizar, medite com Rá. Honre-o. Sinta a luz solar iluminando e estruturando sons para que seu pensamento possa ser dependurado, para que o fogo violeta que cospe pelo seu terceiro olho possa ser limpo.

Beijocas estaladas no coração de todos!

Referências:
- ELLIS, N.; Deusas e Deuses Egípcios: Festivais de Luzes: Celebrações para as estaões da vida baseadas nos mistérios das deusas egípcias. São Paulo: Mandras, 2003;- TROBE, K.; Invocação dos Deuses: explorando o poder dos arquétipos masculinos. São Paulo: Mandras, 2002;

Sobre o autor: Rosario Câmara é psicóloga. Membro do grupo de estudos e práticas Portal 153.

Extraído do Jornal do Bruxo

20 de mai. de 2012

Deidades da Arte:

Deidades da Arte: deus e deusa como polaridades da energia criadora. Todos os deuses são um único deus?

Autoria: Lua Serena

Mais um pouco dos infinitos questionamentos na Arte...

Entendendo a Bruxaria como um gênero com inúmeras espécies, podemos dizer que em todas as vertentes da Bruxaria há culto a um casal divino?

Na Arte, cultuamos uma única força, multifacetada em deuses e deusas dos mais variados panteões? Ou cultuamos deuses e deusas diversos, distintos entre si?

Bem, para tentar responder a este questionamento, devemos mergulhar em uma série de conceitos...

Podemos começar com os “teísmos”, que são diversas formas adotadas pelas religiões para tentar compreender a natureza da força criadora. Vamos aos conceitos:

MONOTEÍSMO: é a crença na existência de apenas um só Deus

POLITEÍSMO: consiste na crença em mais do que uma divindade de gênero masculino, feminino ou indefinido, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente com uma personalidade e vontade próprias, governando sobre diversas atividades, áreas, objetos, instituições, elementos naturais e mesmo relações humanas.

PANTEÍSMO: crença em um Deus que está em tudo, ou a de muitos deuses representados pelos múltiplos elementos divinizados da natureza e do universo.

PANENTEÍSMO: ou krausismo, é uma doutrina que diz que o universo está contido em Deus (ou nos deuses), mas Deus (ou os deuses) é maior do que o universo. É diferente do panteísmo (pan-teísmo), que diz que Deus e o universo coincidem perfeitamente (ou seja, são o mesmo). No panenteísmo, todas as coisas estão na divindade, são abarcadas por ela, identificam-se (ponto em comum com o panteísmo), mas a divindade é, além disso, algo além de todas as coisas, transcendente a elas, sem necessariamente perder sua unidade (ou seja, a mesma divindade é todas as coisas e algo a mais).

HENOTEÍSMO: crença em um deus único, mesmo aceitando a existência possível de outros deuses. Termos equivalentes a essa ideia são "monoteísmo inclusivo" e "politeísmo monárquico". Nesse sentido, um "deus" pode se referir a uma personificação (entre outras) do Deus supremo, mas também pode-se atribuir a esse Deus o poder de assumir múltiplas personalidades.

Bem, já deu para perceber que o tema é longo e profundo, ou seja... vai longe!

Pelo pouco que já vivi, li e ouvi de muitos pagãos, a definição da Arte como isso ou aquilo é tão variada quanto é variada a forma de conceituar Bruxaria. Talvez até mais. Em outras palavras, há visões diversas sobre a natureza da Divindade cultuada na Bruxaria.

Acho muito importante estudar esses conceitos, compreende-los, assim como é bastante importante entender os conceitos de imanência e transcendência da Divindade. Para quem não conhece esses termos, vamos aos conceitos:

IMANÊNCIA: é um conceito religioso e metafísico que defende a existência de um ser supremo e divino (ou força) dentro do mundo físico. Este conceito geralmente contrasta ou coexiste com a ideia de transcendência.

TRANSCENDÊNCIA: Deus está completamente além dos limites do mundo.

Percebam que esses conceitos meio que complementam ou estão inseridos nos conceitos dos “teísmos”.

Bem, como eu disse, é importante estudar, compreender esses conceitos... mas é também importante (bem mais, na minha opinião) perguntar a si mesmo como vc entende a Divindade. Estamos falando do sagrado de cada um... e se é de cada um, entendo que é preciso haver respeito dentro da diversidade.

Vou dar a minha opinião sobre a natureza da Divindade...

Deusa e Deus é uma forma de falar do grande mistério (que envolve questionamentos do tipo "quem somos?" "de onde viemos?" "para que viemos?" "Quem criou a vida?" "Pq?" etc. e tal). Meio que seria a forma que conseguimos encontrar para entender tudo o que envolve essas e outras muitas questões.

Para mim a forma mais próxima de entender o grande mistério é através de um casal divino.

Explico: a vida como conhecemos, nós humanos, só é possível através de um nascimento. Eu só vivo porque nasci... e para eu nascer, um homem e uma mulher tiveram que se unir sexualmente. Duas energias juntas formaram uma terceira energia, no exemplo: eu... que carrego o DNA do meu pai e da minha mãe, e de toda a minha linhagem ancestral.

De alguma forma, por onde eu olho, vejo que a união de duas forças gerando uma terceira força, que por sua vez se unirá a outra energia oposta da sua e fará surgir mais uma energia, que por sua vez... e por aí vai.

Pitágoras, curiosamente, explicando a existência de Deus, nos fala dessa trindade. Para ele, o 1 junto do 2 foram o 3. A famigerada trindade, tão misteriosa, presente em diversas crenças, inclusive, para muitos de nós, pagãos. É uma das formas de compreender e exprimir a nossa limitada compreensão do grande mistério da vida.

Por outro lado, de uma forma que não vou saber dizer muito bem com eu sei e pq sei (pois é um sentimento que nem eu mesma entendo muito bem), embora eu entenda o sentido não há um Deus de Chifres fisicamente na floresta, nenhuma Deusa morando na Lua, devo dizer ao mesmo tempo que sim, eles estão lá. E no físico! Pois Eles são a própria floresta (fisicamente), a própria Lua (fisicamente), as próprias estrelas (fisicamente) também são muito mais que isso.

Ou, para aqueles que não acreditam na matéria (teoria meio Matrix de ser): Nós, presos a esta ilusão (Maya... uma Deusa), acreditamos que existe floresta, Lua, chão, Mac Donalds, corpo e Deuses personificados... mas no fundo, não existe nada disso... o que existe é energia...

E o que é energia? Pois é... sempre acabamos chegando no mesmo lugar, qual seja, o grande mistério.

Todo esse assunto nos leva a falar sobre politeísmo, panteísmo, monoteísmo... E a questionar também a devoção em determinado Deus, determinada Deusa e então entraremos na questão da fé.

Muita gente diz que a afirmação "todos os Deuses são um único Deus e todas as Deusas são uma única Deusa" é errada, é burra e aqueles que ousam afirmar isso são alvejados com uma porção de explicações do tipo: uma Deusa celta e uma Deusa romana são divindades distintas, que esses povos eram inimigos, que essas energias são contrárias (daí a questão do choque de egrégoras). Mas para mim, sim, todos os Deuses e todas as Deusas podem ser compreendidos como uma única força.

Porém, o que se quer dizer com essa frase não é que Eostre é a mesma coisa que Kali ou Nu Kua. Da mesma forma que eu não sou a mesma pessoa que minha amiga Anitsi. Não dá na mesma dizer Lua ou dizer Anitsi... Não dá na mesma dizer Kali ou Nu Kua...

No entanto, numa visão macro, Lua e Anitsi são partes de uma mesma coisa, muito maior... tão maior que a gente não tem como entender ou explicar com exatidão. É um grande mistério... opa! Chegamos ao mesmo ponto novamente.

Talvez a tão proclamada unidade de Deus tenha sido um grande equívoco (ou uma sacada oportunista, dependendo do ângulo) de algumas pessoas que não enxergavam tudo com uma visão holística.

Mais ou menos no mesmo sentido, devemos compreender que as palavras são ainda mais limitadas que a nossa capacidade de compreensão , por isso muitas vezes não conseguimos traduzir em palavras aquilo que estamos sentindo.

Em outras palavras (olha a dificuldade aí), se compreender o grande mistério já não conseguimos plenamente, que dirá explicar isso para alguém (momento em que precisaremos de palavras, não tem escapatória).

É por esse motivo que muita coisa vivida iniciaticamente só pode ser dita àqueles que já são iniciados. E não estou falando de juramento de Tradição. Isso é outro papo. Estou dizendo que certas coisas, certos insights, certas conexões que temos com os Deuses só são compreendidas por aqueles já experienciaram tais situações, sensações. Por isso a Bruxaria é iniciática e mistérica, por isso dizemos que "devemos acessar os mistérios" ou que existem mistérios maiores e mistérios menores...

Contudo... ironicamente quando nos deparamos com alguém que já acessou alguns mistérios, as palavras são dispensáveis, pois a comunicação é no olhar. Você não precisa tentar explicar com um discurso enoooorme, uma ou outra palavra já basta.

Assim, enxergando holisticamente, Kali, Afrodite, Nu Kua, Inanna, Eros, Thor, Dionísio e Zeus... eu, Anitsi, o meu vizinho, o cara que mora na China que eu jamais conhecerei, minha cachorra Shanta, meu gato Tigor... são partes de uma mesma coisa, muuuito mais... tão maior que a gente não tem como entender ou explicar com exatidão. É um grande mistério.

Concluindo, para mim, essa força criadora é dual (Deus e Deusa) e manifesta-se de diferentes formas, com diferentes nomes, mas ainda assim é a mesma força.

E para você?

Uma dica de livro bastante interessante sobre o nosso tema é PAGANISMO, Uma Introdução da Religião Centrada na Terra, de River e Joyce Higginbotham.

As fontes dos conceitos que utilizei aqui são da Wikipédia.

fonte do texto e foto: http://caldeiraodecirce.blogspot.com.br/

Deusa Afrodite

Autoria: Lua Serena

Afrodite talvez seja a Deusa grega mais conhecida pelas massas. Mas será que de fato a conhecemos?

Tentei reunir aqui um pouco do trabalho de pesquisa que fiz em busca das origens do culto e facetas de Afrodite, mas a medida em que minha pesquisa avançada, eu percebia que nenhuma pesquisa, por completa que seja, conseguiria tocar a verdade sobre a conhecida Deusa do Amor.

Há quem considere Afrodite uma variação da Deusa sumeriana do amor e da guerra, Inanna, e isso explicaria o nascimento de Afrodite ter sido no mar, pois somente por essa via o culto à Deusa do amor chegaria do oriente ao ocidente. Talvez seja por esse motivo que Afrodite é também considerada protetora dos viajantes.

De fato, estudando ambas, pude notar muitos pontos em comum. No entanto, a ideia central desse trabalho não é traçar uma comparação entre as duas Deusas, mas compartilhar minhas pesquisas focadas em Afrodite.

Começando pelo seu nascimento, encontrei três versões diferentes.

A primeira versão é segundo Hesíodo – poeta grego da idade arcaica, que escreveu “A gênese dos deuses” e “Os trabalhos e os dias” – para quem Afrodite teria nascido do falo de Urano, extirpado por seu filho Cronos.

Cronos, o filho mais novo de Gaia ou Geia e Urano (Terra e Céu), cortou os genitais do pai porque ele aprisionara seus irmãos nos confins da Terra, no Tártaro.

O falo de Urano foi jogado no mar e das espumas desse nasceu Afrodite. Essa versão explica a origem do nome de Afrodite, “nascida da espuma”.

Logo após seu nascimento, a Deusa nadou até chegar na ilha de Citera. Por isso também é conhecida pelo nome de Citeréia. Segundo a lenda, por onde Afrodite passava, a relva se renovava, as flores nasciam, ela trazia o amor maior, o amor que tudo fertiliza, que embeleza.
Vale, portanto, a associação da Deusa do amor com a primavera, pois está intimamente ligada à vida que se renova, às flores, aos nascimentos. Para corroborar essa associação, encontramos uma outra denominação para a Deusa, Antheia, a Deusa das Flores.

Depois de Citera, Afrodite foi para Chipre, onde foi recebida pelas Horas, guardiãs da porta do céu (o Olimpo) e filhas de Têmis, Deusa da Justiça. Nessa ocasião, Afrodite foi vestida por elas e, em seguida, levada à presença dos Deuses. Encantou a todos, claro!

É dessa versão do nascimento de Afrodite que nasce a chamada Afrodite Urânia, doadora do amor universal, da qual falaremos mais além.

A segunda versão de seu nascimento é encontrada, entre outras fontes, em Homero, poeta grego que viveu por volta de 850 a.C em Jônia, antigo distrito grego onde hoje situa-se a Turquia.

Homero escreveu Ilíada e Odisseia, porém, há sérias controvérsias históricas em razão da diferença de estilo entre as duas obras. A controvérsia é tanta que há quem ponha em dúvida, inclusive, a existência de Homero. Dessa discussão nasceu a expressão “questão homérica” a qual se diz quando estamos diante de um impasse.

Pois bem, segundo essa segunda versão do nascimento de Afrodite, descrita também por Homero, a Deusa teria nascido de Zeus e Dione. Porém, me parece que nessa versão encontramos uma forma de restringir a amplitude e força da Deusa.

Entre as discrepâncias encontradas nessa versão, a que mais me chamou a atenção foi o fato de Afrodite ser também conhecida pelo nome de Dione, que é a forma feminina de Zeus, conhecida como Deusa das águas, das fontes, do carvalho e dos oráculos, sendo essa última característica de Afrodite, pouco mencionada.

A terceira versão do nascimento de Afrodite é pouco conhecida. O que sabemos é que Afrodite teria nascido de um caramujo e desembarcado de uma concha na ilha de Citera.

Em Cnido – costa da Ásia maior – o caramujo é considerado uma criatura sagrada da Deusa.

Outra ligação de Afrodite com o caramujo está na lenda de que Afrodite, antes do Olimpo, viveu no mar, na companhia de um caramujo de extrema beleza chamado Nérites, filho de Nereu, uma das facetas da triplicidade da divindade do mar conhecida como “O Velho do Mar”.
Pouco se sabe dessa terceira versão do nascimento da Deusa, mas é inegável a relação de Afrodite com o caramujo.

Essas três versões da origem de Afrodite nos falam de seu nascimento na água. Afrodite nasce na água, ou da água do mar, o por nós conhecido útero primordial. Nós, seres humanos, também nascemos na água. Talvez nosso passado intra-uterino faça com que tenhamos tanto amor por essa Deusa maravilhosa, e talvez seja também esse nosso passado intra-uterino que nos dê a sensação de retorno às nossas origens quando mergulhamos no mar.

Outro ponto interessante sobre a força de Afrodite é que Ela é o amor que tudo gera.

Nós também somos, ou temos, esse amor que nasceu nas águas. A água é símbolo do nosso inconsciente, do nosso lado feminino, da fertilidade, da emoção.

O oceano primordial de onde creem alguns termos nos originado me lembra muito o nascimento de Afrodite e sua relação com a humanidade.

Quem sabe Afrodite não seja a expressão humana dessa vida, pois tudo que ela toca se torna fértil, pulsante e vivo. Quem sabe Afrodite não seja essa própria força geradora da vida.

Afrodite e a humanidade, que relação impressionante. Mesmo entre os que dizem não cultuar a Deusa, nutre por Ela uma estranha ligação.

Como Deusa do Amor Maior, da beleza e da vida Afrodite também pode ser cruel, destruidora, como veremos. Nesse ponto reside a estreita conexão de Afrodite com a humanidade. Temos em nós esses dois polos, essas duas versões de nós mesmos.

A bem da verdade, não seria correto dizer “dois polos de Afrodite”. Poucos conhecem a versão tríplice da Deusa do Amor. Porém, noto que, cada vez que pesquiso sobre aspectos de determinada divindade, sempre encontro essa característica tríplice que, pasmem, também não para no número três. Mas isso é assunto para outro texto.

Hoje o que conhecemos de Afrodite é reduzido ao quesito amor. Porém, Afrodite se mostra muito além do que se é possível escrever sobre a Deusa.

Afrodite não é somente a Deusa do amor e da beleza. A primeira face de Afrodite, em sua triplicidade, é Afrodite Urânia, distribuidora do amor universal, a doce, a bela, aquela que une os pares com amor, que dá cor e beleza ao mundo. É a Deusa do céu, das estrelas, do amor celestial. Sempre que penso nesse aspecto de Afrodite, me lembro da já mencionada Inanna, a Deusa dos Céus, como provedora, amorosa.

A segunda face é Afrodite Pandemos, que está intimamente ligada a questões carnais, sexuais, físicas, materiais. O amor sensual é domínio dessa faceta da Deusa, é Ela quem nos oferece os prazeres do corpo, que desperta o desejo, que nos faz querer a beleza para conquistar.

O terceiro aspecto é o menos conhecido, Afrodite Apostrófia, que significa “aquela que se afasta”. Esse é o aspecto destruidor da Deusa, o aspecto mais difícil e menos explorado.
É como se quisessem deixar à mostra somente o lado que convém. Vemos muito disso ao estudar essa Deusa.

Afrodite Apostrófia é que deturpa, a que escraviza e a que traz a mazelas, as desgraças. Penso muito nas modelos anoréxicas e bulímicas quando ouço o nome Afrodite Apostrófia.
Como dissemos, em verdade, não se trata de apenas três faces. O culto de Afrodite e suas faces vão variando conforme a época, o local e a ideologia do povo.

Temos, por exemplo, Afrodite Eleêmon, cultuada em Chipre como “A Misericordiosa”, cuja imagem se assemelha muito com a da Virgem Maria, porém, sem o aspecto da castidade.
Afrodite Pasifessa, “A que brilha longe”, conhecida como a Deusa lunar que rege os mistérios do inconsciente.

Afrodite Zeríntia, que muito se assemelha a Hécate. Afrodite Zeríntia é uma face da Deusa que está além do Olimpo, cujos domínios são além da Terra e do céu, assim como Hécate.
Para os atenienses, Afrodite Zeríntia era a mais velha das moiras.

Outro ponto em comum com Hécate era o sacrifício de cachorros, feitos em honra à Afrodite na costa trácia, posto que esse animal era consagrado à Afrodite Zeríntia.

Afrodite Genetílis, outra faceta da Deusa, também recebia sacrifícios. Ficou conhecida como Vênus Genetrix, pelos latinos, a Deusa dos partos.

Temos também conhecimento de um outro aspecto da Deusa, Afrodite Hetaira, que era venerada pelas cortesãs.

Diferentes das prostitutas pobres e não cidadãs, as hetairas eram treinadas desde cedo nas artes do sexo.

Aquele que comprava uma hetaira pagava uma soma muito alta. Tratava-se de um investimento. Muitos pagavam fortunas pelos favores sexuais das hetairas, e investiam também nos dotes artísticos delas.

É fato histórico que algumas hetairas acabaram comprando sua liberdade, tornando-se grandes e conhecidas mulheres.

Em Esparta, Afrodite era adorada como Enóplio, portando armas, e Afrodite Morfo, a acorrentada. Era chamada de “a de corpo bem feito” ou “a de várias formas”.

Afrodite Ambológera era adorada também em Esparta como aquela que adia a velhice, trazendo vigor físico.

Temos também a Afrodite Negra, ou Melena/ Melênis, dominadora dos mistérios da morte e destruição, aspecto relacionado com as Erínias.

Aliás, os aspectos negros de Afrodite são os que menos conhecemos. Podemos citar Afrodite Andrófono, a matadora de homens; Afrodite Anósia, a que peca, e Afrodite Tamborico, a cavadora de túmulos.

Existe também a ligação de Afrodite com Perséfone. Afrodite Persefessa era invocada como Rainha do submundo.

Interessante notar que Eurínome, a Deusa primordial dos pelasgos, também tinha relação com o mar, era a Deusa dos prazeres, governou antes do patriarcado olimpiano e foi rebaixada, deixada de lado.
Como podemos ver, Afrodite é muito mais complexa do que lemos por aí. Não daria para explanar toda a complexidade da Deusa nesse trabalho.

Afrodite não se resume ao amor físico, nem ao amor universal, nem ao sexo, nem à beleza. Ela rege tudo isso e muito mais. Afrodite é o amor entre seres e intra seres, é o amor que cria, mas é também o amor que ceifa.

Afrodite está presente no sexo, no prazer, Ela é o desejo, a vontade entre dois seres. É Ela quem faz com que duas pessoas se desejem e desse desejo mútuo, dessa explosão de energia entre dois corpos, duas mentes e dois espíritos possa ser criado um outro ser, pois Afrodite é doadora da vida também.

Afrodite é a própria beleza da Terra, não diz respeito somente a corpos jovens e esbeltos. Para Afrodite a beleza plástica não vale nada. Afrodite quer a beleza da mente, do corpo e do espírito.
De nada adiantará explorarmos as novidades cosméticas se não explorarmos nossa beleza real, aquela que é dada por Afrodite a todos, sem exceção.

Afrodite abençoou a todos com a beleza, é uma sabedoria que poucos compreendem.

Creio que Afrodite perguntaria às pessoas:

De que adianta a sua beleza, sua perfeição se você vive destrói o seu planeta?

De que adianta a forma física perfeita se é vazio por dentro?

Como pode você desejar a beleza constantemente na sua vida e degradar a sua casa?

Afrodite é doadora da beleza, do viço, porém, Afrodite também deseja que cada um de nós leve a beleza para a vida daqueles que nos cercam.

O que acontece com pessoas bonitas, jovens, que exercem sua sexualidade desmedida?

O que acontece com pessoas que em nome do amor aprisionam outro ser?

O que acontecem com pessoas que buscam a beleza vazia?

Solidão.

Solidão no sentido mais amplo.

Afrodite vai embora e leva consigo a real beleza, o sexo pleno, o amor verdadeiro.

É nessa hora que podemos conhecer a face da qual poucos falam, Afrodite Apostrófia, aquela que se afasta.

Figura: www.dailypainters.com

fonte do texto: http://caldeiraodecirce.blogspot.com.br/

Hino a Pã

Vibra do cio subtil da luz,
Meu homem e afã
Vem turbulento da noite a flux
De Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
E ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim,
A mim, a mim!
Vem com Apolo, nupcial na brisa
(Pegureira e pitonisa),
Vem com Artêmis, leve e estranha,
E a coxa branca, Deus lindo, banha
Ao luar do bosque, em marmóreo monte,
Manhã malhada da àmbrea fonte!
Mergulha o roxo da prece ardente
No ádito rubro, no laço quente,
A alma que aterra em olhos de azul
O ver errar teu capricho exul
No bosque enredo, nos nás que espalma
A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente - do mar sem fim
(Iô Pã! Iô Pã!),
Diabo ou deus, vem a mim, a mim!
Meu homem e afã!
Vem com trombeta estridente e fina
Pela colina!
Vem com tambor a rufar à beira
Da primavera!
Com frautas e avenas vem sem conto!
Não estou eu pronto?
Eu, que espero e me estorço e luto
Com ar sem ramos onde não nutro
Meu corpo, lasso do abraço em vão,
Áspide aguda, forte leão -
Vem, está fazia
Minha carne, fria
Do cio sozinho da demonia.
À espada corta o que ata e dói,
Ó Tudo-Cria, Tudo-Destrói!
Dá-me o sinal do Olho Aberto,
E da coxa áspera o toque erecto,
Ó Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã Pã! Pã.,
Sou homem e afã:
Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande! Meu Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Despertei na dobra
Do aperto da cobra.
A águia rasga com garra e fauce;
Os deuses vão-se;
As feras vêm. Iô Pã! A matado,
Vou no corno levado
Do Unicornado.
Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!
Sou teu, teu homem e teu afã,
Cabra das tuas, ouro, deus, clara
Carne em teu osso, flor na tua vara.
Com patas de aço os rochedos roço
De solstício severo a equinócio.
E raivo, e rasgo, e roussando fremo,
Sempiterno, mundo sem termo,
Homem, homúnculo, ménade, afã,
Na força de Pã.
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!

Fernando Pessoa

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O "Hino a Pã" é uma tradução do Hymn to Pan, do prefácio do livro "Magick in Theory and Practice", de Aleister Crowley. Esta tradução foi publicada em outubro de 1931 em "Presença", de Pessoa.

fonte do texto e foto: http://caldeiraodecirce.blogspot.com.br/

19 de mai. de 2012

Alguns Deuses

AAH : Um dos Deuses da Lua sagrados do antigo Egito. A cor de sua vela sagrada é o prateado.

ADITI: Deusa do Céu hindu. A cor de sua vela sagrada é o azul.

AFRODITE: Deusa grega do amor e da beleza e uma entre os Doze Grandes do Olimpo. Também conhecida como Citeréia, identifica-se com a Deusa romana do Amor, Vênus. As cores de sua vela sagrada são o vermelho e o rosa.

AGNI: Deus hindu que assume três formas: sol, luz e fogo. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

AMATERASU-O-MI-KAMI: Deusa-Solar japonesa. As cores de sua vela sagrada são o amarelo e o dourado.

AMON (ou Amen): Deus egípcio da vida, reprodução e agricultura; é representado como um homem com cabeça de carneiro. A cor de sua vela sagrada é o verde.

ANAITIS: Deusa persa da Fertilidade. A cor de sua vela sagrada é o verde.

ANU: Deusa-Mãe, Deusa do Amanhecer e Deusa da Morte e dos Mortos. As cores de sua vela sagrada são o preto e o branco.

ANÚBIS: Deus egípcio da morte e da magia negra, que aparece em forma de cachorro, ou homem com cabeça de chacal. Na mitologia egípcia, tratava-se do filho de Néftis e às vezes sua importância rivalizava com a do grande deus Osíris. A cor de sua vela sagrada é o preto.

AODH: Deusa-ígnea celta. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

APOLO: Deus grego do sol, fertilidade, profecias e oráculos, assim como uma deidade associada à luz, cura, música e poesia. Na mitologia grega, era o filho de Zeus, irmão gémeo da Deusa da Lua Artêmis e um entre os Doze Grandes do Olimpo. As cores de sua vela sagrada são o dourado e o branco.

ARRIANRHOD: Deusa-Mãe e deusa neopagã galesa da fertilidade. As cores de sua vela sagrada são o verde e o branco.

ARTEMIS: Deusa grega da lua, caça e animais selvagens. Sendo uma deusa lunar, tem sido um arquétipo influente para Bruxas e seguidores do culto contemporâneo à Deusa. Equivale à Deusa romana da Lua, Diana, e se identifica com Luna, Hécate e Selene. As cores sagradas de sua vela são o prateado e o branco.

ASHERALI: Deusa da lua e da fertilidade do cananeu. As cores de sua vela sagrada são o verde, o branco e o prateado.

ASTARTE: Deusa fenícia do amor e da fertilidade. Identifica-se com a lua e é representada com crescentes em forma de chifres. As cores de sua vela sagrada são o rosa, o verde, o vermelho e o prateado.

ASTRÉIA: Deusa grega da inocência e da pureza, filha de Themis, a deusa da Justiça. Conta o mito que, após abandonar a Terra, ela foi colocada entre as estrelas, onde se tornou a constelação de Virgem. A cor de sua vela sagrada é o branco.

ATENA: Deusa grega da sabedoria e das artes, e uma entre os Doze Grandes do Olimpo. Identifica-se com a deusa romana Minerva, e as cores de sua vela sagrada são o roxo e o branco.

ATTIS: Deus da fertilidade e da vegetação para os frígios e consorte da Deusa da Fertilidade, Cibele. A cor de sua vela sagrada é o verde.

BAAL: Deus fenício da natureza e da fertilidade, associado à chuva de inverno. Representado como um guerreiro de capacete com chifres e munido de lança, foi adorado como o principal deus da Terra, por milhares de anos. A cor de sua vela sagrada é o verde.

BACO: Deus romano do vinho e da algazarra; identifica-se com o Deus grego do Vinho, Dionísio. Na mitologia, era filho das deidades Zeus e Semeie e consorte de Ariadne. As cores de sua vela sagrada são o vermelho e o roxo.

BALDER: Deus do Sol escandinavo, filho de Odin, e personificação da sabedoria, bondade e beleza. As cores de sua vela sagrada são o amarelo e o dourado.

BAST: Deusa egípcia da Fertilidade e filha de Isis, também conhecida como Filha da Luz. Confere saúde e simboliza paixão sexual. Nos tempos antigos, era adorada na forma de gato e, mais tarde, como uma mulher com cabeça de gato. Na bruxaria e cultos sexuais mágicos da atualidade, Bast é uma das mais populares entre as antigas Deusas Egípcias. As cores de sua vela sagrada são o vermelho, o verde e o branco.

BENTEN: Deusa do Amor dos budistas japoneses. É também a deusa da feminilidade, da música, da literatura e do mar. A cor de sua vela sagrada é o rosa.

BRIGIT: Deusa celta e neopagã do fogo, da sabedoria, da poesia e dos poços sagrados, além de ser uma deidade associada com profecia, vidência e cura. As cores de sua vela sagrada são o vermelho e o branco.

CE-AEHD: Deusa celta da natureza. A cor de sua vela sagrada é o verde.

CEARA: Antiga deusa pagã da natureza; é a equivalência feminina do deus Cearas. A cor de sua vela sagrada é o verde.

CEARAS: Antigo deus pagão do fogo e equivalente masculino da deusa Ceara. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

CENTEOTLE: Deusa mexicana da fertilidade. A cor de sua vela sagrada é o verde.

CERES: Deusa romana da colheita e fertilidade da Terra e mãe de Prosérpina. Na mitologia grega, ela é Demeter, a deusa da agricultura e mãe de Perséfone. As cores de sua vela sagrada são o verde, o laranja, o marrom e o amarelo.

CERNUNOS: Deus cornífero celta da natureza, dos animais selvagens, da caça e da fertilidade, "Senhor de Todas as Criaturas Vivas", e consorte da Grande Mãe. Ele é representado com cabeça de touro, torso de homem e cauda de peixe. Como deus neo-pagão, é reverenciado principalmente por seguidores da Wicca de tradição gardeniana. A cor de sua vela sagrada é o verde-escuro.

CERRIDWEN: Deusa celta e neo-pagã das montanhas, da fertilidade e da inspiração. A cor de sua vela sagrada é o verde.

CHERNOBOG: Deus eslavo das tempestades e da guerra, também conhecido como Trovão e Lançador de Relâmpagos. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

CHU-JUNG: Deus chinês do fogo. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

CIBELE: Deusa frígia da natureza e da fertilidade, consorte do Deus Attis e equivalente à Deusa-Mãe grega Réia. Cibele está simbolicamente associada aos animais selvagens e montanhas, e no mito é representada dentro de uma carruagem puxada por leões. A cor de sua vela sagrada é o verde.

CLÓRIS: Deusa grega das flores e equivalente da Deusa romana das flores, Flora. As cores de sua vela sagrada são o branco e todas as cores florais.

DAGHDA: Deus principal das tribos pagãs da Irlanda, "Senhor do Grande Conhecimento", e Deus da Fertilidade e da Terra. Acreditava-se que ele controlava a vida e a morte com um porrete e que possuía um caldeirão com magias poderosas As cores de sua vela sagrada são o verde e o marrom.

DAZHBOG: Deus eslavo do Sol e consorte/irmão da Deusa Zhiva. As cores de sua vela sagrada são o amarelo, o dourado e o laranja-avermelhado.

DEMETER: Deusa grega da fertilidade, do cultivo agrícola e da colheita, mãe de Perséfone e uma importante deidade nos mistérios de Elêusis. Identifica-se com a deusa romana Ceres; as cores de sua vela sagrada são o verde e o laranja.

DEUSA TRÍPLICE: Uma trindade de Deusas com três diferentes aspectos e três diferentes nomes. A Mãe Lua é adorada como uma Deusa Tríplice cujo símbolo sagrado é a lua crescente. Os três aspectos de sua deidade correspondem às três fases lunares: em sua fase crescente ela é Selene, a mãe e doadora de luz. A lua cheia é Diana, a caçadora. Em sua fase minguante ela é Hécate, a sábia anciã e Rainha da morte e da escuridão. Nos mitos nórdicos, a trindade da Deusa Tríplice é Freya (deusa do amor e da beleza), Frigga (deusa-mãe) e Hei (rainha da morte e governante do mundo subterrâneo). Os múltiplos aspectos da deusa celta Morrigan são: Macha, Badb e Neman. Até Maria, dos mitos cristãos, é tanto uma trindade como qualquer antiga deusa paga, embora seus seguidores não a descrevam como tal. Ela incorpora os atributos encontrados nas deidades femininas de outras culturas (Virgem, Mãe, Santa), mas, suprimida por uma hierarquia paternal, sua adoração como Deusa é negada até por aqueles que assistem aos seus ritos. As cores da vela sagrada da Deusa Tríplice são o verde (mãe), o vermelho (guerreira) e o preto (anciã). Há também trindades de Deuses masculinos, como a trimurti hindu de Brahma, Vishnu e Shiva; a tríade grega de deuses solares Apolo, Hélio e Febo; e a bem conhecida união cristã das três figuras divinas Pai, Filho e Espírito Santo em uma única deidade. As cores da vela sagrada dos Deuses Tríplices variam, visto que os três aspectos dos deuses nem sempre são os mesmos em cada trindade.

DEW: Deusa grega da fertilidade. A cor de sua vela sagrada é o verde.

DIANA: Deusa da Lua, Deusa-Mãe e virgem caçadora da lua romana e neopagã. Identifica-se com a Deusa da Lua grega Ártemis e é reverenciada principalmente pelos seguidores da tradição Wicca Diânica. As cores de sua vela sagrada são o prateado e o branco.

DIONISO: Deus grego do vinho, êxtase, fertilidade e natureza, era adorado em orgias frenéticas. Simboliza liberdade e impulsos espontâneos, sendo equivalente ao Deus romano do Vinho, Baco. As cores de sua vela sagrada são o vermelho, o roxo e o verde.

DURGA (também Durva): Deusa hindu e consorte do Deus Shiva; era adorada em toda a índia, mas especialmente em Bengala. Durga é representada como feroz assassina de um dragão e tem dez braços, mas é dito que ela é amorosa e gentil para com seus adoradores. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

DYAUS: Deus do Céu indo-europeu, consorte da Deusa da Terra, Prithivi, e pai de Indra. A cor de sua vela sagrada é o azul.

EA: Deus babilônio da água, senhor da sabedoria e patrono da magia, artes e ofícios; identifica-se com o deus sumeriano Enk. Acredita-se que o simbolismo do signo astrológico de Capricórnio derive de Ea, visto que ele é representado com corpo de cabrito e cauda de peixe. A cor de sua vela sagrada é o azul.

EOSTRE: Deusa saxônia e neo-pagã da fertilidade e da primavera, de cujo nome deriva o nome do feriado da Páscoa [Easter]. A cor de sua vela sagrada é o verde.

EPONA: Deusa-Égua celta, cuja vela sagrada tem cor branca.

ERESHKIGAL: Deusa-Cornífera sumeriana e Rainha do Mundo subterrâneo. Identifica-se com a Deusa grega da Lua, Hécate, e é representada com o corpo de um peixe que possui escamas como as de serpente e orelhas de ovelha. A cor de sua vela sagrada é o preto.

EROS: Deus grego do amor e da sexualidade, o mitológico Filho de Zeus e Afrodite é a personificação da paixão humana. Identifica-se com Cupido, o deus romano do amor e filho de Vênus. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

ESMERALDA: Deusa sul-americana do amor. A cor de sua vela sagrada é, logicamente, o verde-esmeralda.

EXU: Deus da magia na macumba. As cores de sua vela sagrada são o branco e o preto.

FAUNO: Deus romano dos bosques, campos e pastores. Representado como meio cabrito e meio humano, é equivalente ao Deus grego da Natureza, Pan. A cor de sua vela sagrada é verde.

FLORA: Deusa romana das flores e de "tudo que floresce". É equivalente à Deusa grega das Flores, Clóris. As cores de sua vela sagrada são o branco e todas as cores florais.

FORTUNA: Deusa romana da felicidade, sorte e oportunidade, que possui o poder de conferir aos mortais tanto riqueza quanto pobreza. É identificada com a Deusa grega, Tício. As cores de sua vela sagrada são o verde, o dourado e o prateado.

FREY: Deus escandinavo da fertilidade, adequadamente representado com um falo ereto indicativo de seu poder fertilizador. É também uma deidade associada com paz e prosperidade. Na mitologia, ele é irmão e consorte da deusa Freya e filho do deus do mar, Njord. A cor de sua vela sagrada é o verde.

FREYA (também Freyja): Deusa escandinava da fertilidade, do amor e da beleza, cujos símbolos sagrados e familiares eram os gatos. No mito encontra-se representada como uma bela mulher andando numa carruagem puxada por gatos. Era também a Rainha do Mundo Subterrâneo e irmã e consorte do Deus Frey. Como deusa neopagã, é reverenciada principalmente por seguidores da Wicca de tradição saxônia. As cores de sua vela sagrada são o verde, o vermelho e o preto.

FRIGGA: Deusa-Mãe escandinava e consorte do Deus Odin. Ela era também patronesse do casamento e da fecundidade. No mito é representada andando numa carruagem puxada por carneiros sagrados. A cor de sua vela sagrada é o branco.

FRIJA: Mãe-da-Terra pagã-germânica e consorte do Deus Tiwaz. O dia da semana a ela consagrado é a sexta-feira. A cor de sua vela sagrada é o marrom.

HADES: Deus grego do Mundo Subterrâneo, governante dos mortos e irmão do todo-poderoso Zeus. Na mitologia romana denomina-se Plutão. A cor de sua vela sagrada é o preto.

HATHOR: Deusa egípcia da beleza e dos céus, patronesse da fecundidade, das criancinhas e da música. Frequentemente é representada como uma mulher de cabeça de vaca, que usa um diadema com duas plumas e um disco solar decorado com estrelas simbolizando seu papel de Deusa celestial. A cor de sua vela sagrada é o azul.

HÉCATE: Deusa grega da Lua, deusa neo-pagã da fertilidade e da magia da lua, Rainha do Mundo subterrâneo e protetora de todas as Bruxas. Conhecida como "Deusa da Escuridão e da Morte", assim como "Rainha dos Fantasmas e das Encruzilhadas", identifica-se com a deusa lunar Diana e com a deusa grega Perséfone. As cores de sua vela sagrada são o preto e o prateado.

HERA: Deusa grega da morte e do renascimento, Deusa da Terra e consorte de Zeus. As cores de sua vela sagrada são o preto e o marrom-escuro.

HÉSTIA: Deusa grega da Lareira. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

HÓRUS:Deus egípcio do céu e filho de Isis e Osíris. E representado como um homem com cabeça de falcão, tendo por olhos o sol e a lua. A cor de sua vela sagrada é o azul-real.

INANNA: Deusa sumeriana tanto do amor quanto da guerra, que se identifica com a deusa babilônia Ishtar. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

ISHTAR: Deusa assíria, babilónia e neo-pagã do amor, da fertilidade e da guerra, que personifica o planeta Vênus. Era uma Deusa-Mãe e consorte de Tamuz, o Deus dos cereais e do pão que morria a cada inverno e renascia na primavera seguinte. Sendo uma deusa tríplice, ela representa nascimento, morte e renascimento. Em seu aspecto de Mãe, é a doadora de toda a vida. Em seu aspecto de Donzela-Guerreira, é aquela que traz a morte. Em seu aspecto de Anciã, traz renascimento e ressurreição. A lua crescente é um de seus símbolos sagrados. Ishtar é representada como uma mulher de feições de pássaro e cabelo trançado, que usa chifres de touro e preciosos colares, braceletes e tornozeleiras como adorno. É associada à deusa sumeriana Inanna e com a deusa fenícia Astarte. As cores de sua vela sagrada são o vermelho e o verde.

ÍSIS: Antiga Deusa-Mãe egípcia da fertilidade e deusa neopagã da magia e encantamento. Era irmã e consorte do Deus solar Osíris e às vezes era identificada com a deusa Hathor. Isis é o símbolo da maternidade divina e, em seus mistérios, era considerada como a única forma de todos os deuses e deusas. Costuma ser chamada de "Deusa dos Dez Mil Nomes". Em Hellespont (agora Dardanelles), era conhecida como Mystis, a Senhora dos Mistérios. A cor de sua vela sagrada é o verde.

JANO: Deus romano dos portões e portas, é a deidade associada com viagens e o começo das coisas. É representado como tendo dois rostos, cada um olhando em direções opostas. Seu festival acontecia em janeiro, e a cor de sua vela sagrada é o branco.

KALI: Deusa hindu da Morte, personifica as forças escuras e aterradoras da natureza. É representada como uma mulher de aspecto guerreiro, de pele escura e dentes caninos salientes, que usa um colar de caveiras humanas em torno do pescoço. A cor de sua vela sagrada é o preto.

KHONS: Um dos sagrados Deuses da Lua do antigo Egito. Era também conhecido como um deus de cura, e as cores de sua vela sagrada são o prateado e o branco.

KILYA: Deusa inca da Lua. As cores de sua vela sagrada são o prateado e o branco.

KUAN YIN: Deusa chinesa da fertilidade, do parto e da compaixão. A cor de sua vela sagrada é o verde.

KUPALA: Deusa eslava da vida, do sexo e da vitalidade. É reverenciada no Dia do Meio do Verão, e a cor de sua vela sagrada é o vermelho.

LOKI: Deus escandinavo do fogo. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

LUCINA: Deusa romana da Lua, associada ao parto. As cores de sua vela sagrada são prateado e branco.

LUGH: Primitivo Deus celta do Sol, adorado pelos antigos druidas como o Doador Abundante da Colheita. O festival do Sabbat pagão de Lughnasadh (que significa "Comemoração de Lugh") originou-se com os druidas para prestar homenagem ao Deus-Sol. As cores de sua vela sagrada são o amarelo, o dourado e o bronze.

LUNA: Deusa da Lua romana e neo-pagã, cujo nome é o termo em latim para "lua". Identifica-se com Selene e Artemis, e as cores de sua vela sagrada são o branco e o prateado.

LUPERCUS: Deus romano da fertilidade, identifica-se com os deuses da natureza Pan e Fauno. Na antiga Roma, seu festival da fertilidade era conhecido como Lupercalia, no dia 15 de fevereiro. A cor de sua vela sagrada é o verde.

MAAT: Deusa egípcia da verdade, justiça e ordem do universo, cujo símbolo era uma pena. A cor de sua vela sagrada é o branco.

MIN: Deus egípcio da fertilidade e protetor dos viajantes. As cores de sua vela sagrada são o verde e o branco.

MORRIGAN: Deusa celta da Guerra, morte e destruição, e mãe de todos os deuses irlandeses. Dizem que ela aparece em forma de corvo (um pássaro de mau augúrio na tradição celta) antes e durante as batalhas. E também conhecida como "Rainha Espectro" e "Grande Rainha Morgana". Como Deusa Trindade, chamava-se Macha, quando fazia magia com o sangue dos assassinados; Badb, quando aparecia na forma de uma gigante, às vésperas da guerra, para avisar os soldados de seu destino; e Neman, quando aparecia como anciã. As cores de sua vela sagrada são o escarlate e o preto.

MUT: Deusa egípcia da fertilidade. A cor de sua vela sagrada é o verde.

MYLITTA: Deusa babilônia da fertilidade. A cor de sua vela sagrada é o verde.

NÉMESIS: Deusa grega da ira e da vingança e filha mitológica de Erebo e Nyx. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

NETUNO: Deus romano do mar, irmão de Zeus e equivalente ao Deus grego do Mar, Poseidon. A cor de sua vela sagrada é o azul.

NINHURSAG: Deusa mesopotâmia da Terra e consorte de Ea. A cor de sua vela sagrada é o marrom-escuro.

ISIJORD: Deus escandinavo do mar e patrono dos pescadores. Também conhecido como deus da prosperidade. A cor de sua vela sagrada é a água-marinha.

NUT (também Nuit)

Deusa egípcia do Céu e mãe de Osíris, Isis, Set e Néftis. A cor de sua vela sagrada é o azul-real.

NYX: Deusa grega da noite, irmã e consorte de Erebo, o senhor das trevas. Identifica-se com a deusa romana Nox. A cor de sua vela sagrada é o preto.

ODIN: Deus escandinavo e neopagão da sabedoria, magia, arte e poesia. É também o Senhor dos Mortos e o consorte da deusa Frigga. Segundo a mitologia nórdica, Odin lutava contra gigantes, seduzia mortais e despertava os mortos em sua busca pela sabedoria do oculto e poder absoluto. Representam-no como um velho de um só olho, usando um anel mágico e montando um cavalo de oito pernas. É equivalente ao deus pagão-germânico Woden. As cores de sua vela sagrada são o roxo, o vermelho e o preto.

OSÍRIS: Antigo deus egípcio da vegetação e da fertilidade, cuja morte e renascimento, a cada ano, personificavam a vitalidade e a fertilidade auto-renovadora da natureza. Ele também era um governante da morte e tanto irmão quanto consorte da deusa Isis. Segundo a mitologia egípcia, Osíris foi afogado e desmembrado em quatorze pedaços por seu irmão ciumento, Set, mas depois recobrou a vida graças aos poderes mágicos de Isis. As cores de sua vela sagrada são o verde e o preto.

PAN: Deus Cornífero grego e neo-pagão dos bosques, dos campos, dos pastores e da fertilidade; muitas vezes é associado ao culto de Dionísio. É representado como um homem de barbas, tendo pernas, chifres e orelhas de cabrito, e equivale à deidade romana da natureza, Fauno. A cor de sua vela sagrada é o verde.

PARVATI: Deusa hindu das montanhas e consorte do deus Shiva. Conhecida como a governante dos elfos e espíritos da natureza, é filha dos himalaias e uma personificação da energia cósmica. As cores de sua vela sagrada são o branco e o marrom.

PELE: Deusa polinésia dos vulcões que, acredita-se, reside atualmente em Kilauea na principal ilha de Mauna Loa, Havaí, onde é adorada como sendo a essência do fogo da Terra. Até hoje, várias ofertas, como flores, cana-de-açúcar, pássaros brancos, dinheiro e conhaque, são feitas a ela, sempre que as erupções vulcânicas ameaçam as ilhas havaianas. As cores de sua vela sagrada são o vermelho e o laranja.

PERSÉFONE: Deusa grega conhecida como a Rainha do Mundo subterrâneo. Equivale à deusa romana Prosérpina. A cor de sua vela sagrada é o preto.

POMONA: Deusa romana das frutas e da fertilidade. É a consorte do deus Vertumno (o modificador), e seu festival da Pomonália era celebrado na antiga Roma no primeiro dia de novembro, marcando o fim da colheita. A cor de sua vela sagrada é o verde.

POSEIDON: Deus grego do mar e um dos Doze Grandes do Olimpo, cujo equivalente romano é Netuno. A cor de sua vela sagrada é o azul-claro.

PTAH: Deus do antigo Egito, tido como o criador do universo e o patrono dos arquitetos, escultores e artesãos. Era consorte da deusa cabeça de leão Sekhmet, e seu culto concentrava-se em Mênfis, no Egito, onde tanto ele quanto a esposa eram adorados. A cor de sua vela sagrada é o branco.

QUETZALCOATL: Deus asteca da fertilidade, vento e sabedoria, personificado como uma serpente emplumada e associado à Estrela da Manhã. As cores de sua vela sagrada são o bronze e o verde. Segundo o mito, o irmão gêmeo de Quetzalcoatl era Xolotl, deus patrono dos magos. Ele personificava o planeta Vênus como a Estrela do Anoitecer. A cor de sua vela sagrada é o preto.

RA: Deus-Sol egípcio; identificado como um deus do nascimento e renascimento. Era adorado em Heliópolis e a principal deidade no Ennead. A cor de sua vela sagrada é o dourado.

RHIANNON: Deusa-Mãe celta/galesa, originalmente chamada Rigatona (Grande Rainha) e identificada com a deusa-égua gaulesa, Epona. É retratada montando um pálido cavalo branco e carregando uma bolsa mágica de abundância. A cor de sua vela sagrada é o branco.

SATURNO: Deus romano da agricultura e da colheita, cujo festival, a Saturnália, acontecia anualmente na antiga Roma em meados de dezembro. Identifica-se com o deus grego Cromo, e a cor de sua vela sagrada é o laranja.

SEKHMET: Deusa da Guerra do antigo Egito e consorte do deus Ptah. Representada como uma mulher com cabeça de leão, é a equivalência egípcia da deusa hindu Shakti. A cor de sua vela sagrada é o carmim.

SELENE: Deusa grega da Lua em seu aspecto crescente. Em seu aspecto minguante, chama-se Hécate. As cores de sua vela sagrada são o prateado e o branco.

SET (também Seth): Deus egípcio da escuridão e da magia negra, é a personificação do mal. E o equivalente egípcio do deus grego Tífon. A cor de sua vela sagrada é o preto.

SHAMASH: Deus-Sol babilônio, irmão da deusa Ishtar e uma deidade associada aos oráculos e profecias. Identifica-se com o deus sumeriano Utu e com o deus grego Apoio. A cor de sua vela sagrada é o amarelo.

SILVANO: Deus romano das florestas, campos e rebanhos, representado como um sátiro de barbas. A cor de sua vela sagrada é o verde-escuro.

SIN: Deus babilônio da lua; identifica-se com o deus sumeriano Nanna. A cor de sua vela sagrada é o branco.

SVAROG: Deus eslavo do fogo e da metalurgia, cujo símbolo é o martelo e a pinça de prata. E o consorte da Grande Mãe, e as cores de sua vela sagrada são o vermelho e o prateado.

TANE: Deus do Céu polinésio e Senhor da Fertilidade, considerado o criador do primeiro homem a partir do barro vermelho. O amuleto tiki (uma figura humana feita de madeira e madre-pérola) é o símbolo do poder criador de Tane. As cores de sua vela sagrada são o azul e o verde.

THANATOS: Deus grego da morte, cujo equivalente romano é o deus Mors. A cor de sua vela sagrada é o preto.

THOR: Deus do Céu escandinavo, Mestre dos Raios, filho de Odin e patrono dos fazendeiros e dos marinheiros. Representado como um homem forte, mas simpático, com cabelo desalinhado e longa barba ruiva. O martelo é seu símbolo, e o azul-escuro, a cor de sua vela sagrada.

THOTH: Deus egípcio da lua, sabedoria, magia, artes e ciência. Era também conhecido como o escriba dos deuses. E representado como uma íbis, um homem com cabeça de íbis e também como um macaco. A deusa da verdade, Maat, era sua consorte, e o primeiro mês do ano egípcio levava seu nome. As cores de sua vela sagrada são o branco, o prateado e o roxo.

THUNOR (também Donar): Deus pagão-germânico do Trovão e do Relâmpago e deidade associada à fertilidade. Seu dia sagrado da semana é quinta-feira, e o azul-escuro, o preto e o verde são as cores de sua vela sagrada.

TIWAZ: Deus pagão-germânico do Céu e consorte da deusa Frija. A cor de sua vela sagrada é o azul.

TLAZOLTEOTL: Deusa da Terra da América Central associada à fertilidade e ao amor. É também conhecida como "Mãe de Todos os Deuses". As cores de sua vela sagrada são o marrom e o verde.

URANO (também Ouranos): Antigo deus grego conhecido como Pai do Céu. Era o consorte da deusa Géia e personificava os céus. A cor de sua vela sagrada é o azul.

VÊNUS: Deusa romana e neo-pagã do amor e da beleza que personificava sexualidade, fertilidade, prosperidade e sorte. É a contraparte romana da Deusa grega do Amor, Afrodite. A cor de sua vela sagrada é o rosa.

VESTA: Deusa romana da Lareira, cujo templo era aceso pelo fogo sagrado vigiado por seis sacerdotisas virgens conhecidas como Vestais. A cor de sua vela sagrada é o vermelho.

WODEN: Deus pagão-germânico da guerra, artes do bardo (poesia), profecia e magia, cujo dia sagrado da semana é a quarta-feira. Era conhecido também como o Senhor dos Mortos, o primordial mestre das runas e o deus da mudança de forma. A mitologia mostra Woden como a mais elevada deidade do panteão germânico. O nome "Woden" é a forma inglesa do nome que deriva de uma forma de protogermânico Wodhan-az, que significa "mestre da atividade psíquica inspirada". Como deus neopagão, é adorado principalmente por seguidores da Wicca de tradição saxônia e frequentemente identificado com o deus escandinavo Odin, a mais poderosa das deidades teutônicas. As cores de sua vela sagrada são o vermelho e o roxo.

XOCHIQUETZAL: Deusa centro-americana das flores. As cores de sua vela sagrada são o branco e todas as cores florais.

YARILO: Deus eslavo da Fertilidade e consorte da Deusa Lunar Marina. A cor de sua vela sagrada é o verde.

ZEUS: O mais poderoso dos deuses gregos, governante do céu e da terra, filho de Cronos e Réia. Era conhecido também como o Apanhador de Nuvens, Senhor dos Raios e mestre da mudança de forma. O carvalho era sua árvore sagrada; a águia, o pássaro; e o dourado, a cor de sua vela sagrada.

fonte do texto: http://www.astrologosastrologia.com.pt/velas_CoresVelas&Deuses+Deusas.htm