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29 de nov. de 2012

Tara Verde

Tara (tibetano: Drol Ma) é a designação de uma deidade feminina do budismo vajrayana. Literalmente, o termo significa salvadora.

Tara é a mãe da compaixão, o aspecto feminino do Buda, indissociável do estado desperto iluminado. Todas as deidades femininas são aspectos de Tara. É a divindade nacional do Tibete.

A princesa Yeshe Dawa: origem do mito

Conta-se que a princesa Yeshe Dawa (Lua de Sabedoria), que recebeu ensinamentos de um Buda, acumulou méritos e sabedoria, tendo sido aconselhada a rezar por um renascimento masculino, pois como homem alcançaria a iluminação. Reconhecendo nisso a ignorância de que a dualidade é relativa, fez o compromisso de sempre renascer em forma feminina, como mulher. Por esse gesto de sabedoria e compaixão, é a manifestação de Avalokiteshvara. É também considerada a consorte de Avalokiteshvara, outras vezes surge como consorte de Amoghasidi.

Nomes de Tara

De acordo com as várias linhagens do budismo tibetano, a lista dos nomes de Tara podem apresentar variações. Dos cento e oito nomes e vinte e uma formas de Tara, duas formas são mais populares:

Tara Branca, Sitatara, , identificada com a Princesa da China, esposa do primeiro rei budista do Tibet. Em geral associada a Kwan Yin, sempre representada na cor branca.

Tara Verde, Syamatara, , identificada com a Princesa do Nepal, segunda esposa do primeiro rei budista do Tibet.

No Brasil, por influência de Chagdud Tulku Rinpoche, também tornou-se conhecida, a Tara Vermelha, Rigdjed Lamo (em tibetano), que evoca nosso estado desperto natural (denominado rigpa).

A prática da deusa TARA VERDE

Por H.E. Chogye Trichen Rinpoche

Introdução

Relativo à prática de Tara, ela é um ser iluminado no décimo segundo bhumi, ou fase de iluminação, capaz de cumprir todos os desejos dos seres. 

Tara é a manifestação da compaixão de todos os Buddhas dos três tempos. Ela também é a deusa que leva a cabo e realiza as atividades iluminadas dos Buddhas. 

Houve incontáveis Buddhas de outros aeons e eras. 

No princípio de nosso aeon, havia um Buddha particular, o Buddha daquela era, conhecido como Mahavairochana. 

No tempo daquele Buddha, havia um grande rei que teve uma filha pelo nome de Princesa Metok Zay, Princesa Bela Flor. 

A Princesa Bela Flor era devota em oração, e levou a cabo atividades maravilhosas para beneficiar outros seres. Quanto ainda era menina, Princesa Bela Flor fez oferecimentos vastos e dedicações,  executando atividades generosas, corajosas, pacientes e compassivas da maior virtude em nome dos seres sensíveis. 

Quando o Buddha Mahavairochana perguntou para a Princesa o que era que ela desejava, qual era a intenção do seu coração dela, ela respondeu, "eu permanecerei neste mundo até que todo e último único ser seja liberado completamente ". 

Esta era uma nova surpresa ao Buddha, que nunca tinha ouvido qualquer um oferecer tal nobre aspiração, abnegada e corajosa. Com respeito aos sacrifícios pessoais dela, à virtude dela e suas aspirações, e inspirado pelos desejos dela em nome dos seres, Buddha Vairochana proferiu espontaneamente a oração dos vinte e um elogios com Tara, um elogio para cada uma das vinte e uma qualidades de Tara. 

Como resultado destes elogios falados por Buddha Vairochana, veio a ser conhecido que a Princesa Bela Flor era a emanação da deusa Tara, que tinha vindo originalmente das lágrimas do abrigo da compaixão, ou Chenrezig. 

Avalokiteshvara Bodhisattva [Chenrezig] teve imensa compaixão pelos outros seres vivos. 

Embora ele se esforçou incessantemente para ajudar os outros seres, sentia grande tristeza que tantos seres continuavam caindo sem socorro nos mais baixos reinos de existência como os infernos. Ele viu que muito poucos seres estavam fazendo progresso no caminho para iluminação. 

Em desespero absoluto, por compaixão insuportável, Avalokiteshvara chorou em angústia, enquanto rezava que seria melhor que o corpo dele fosse destroçado em pedaços, desde que ele não podia cumprir a sua tarefa dele de salvar os seres vivos de sofrer. 

Das lágrimas de compaixão dele, surgiu a deusa. 

Ao aparecer milagrosamente deste modo, Tara falou com Avalokiteshvara,  dizendo: "Ó nobre, não abandone a tarefa sublime de beneficiar os seres sensíveis. Eu estive inspirada por eles e me alegrei em tudo com suas ações desinteressadas. Eu entendo os grandes sofrimentos que você sofreu. Mas talvez, se eu assumir a forma de um bodhisattva feminino, com o nome de Tara, como uma contraparte de você,  então isso poderia ajudá-lo em seus mais merecedores empenhos. 

Ouvindo esta aspiração por Tara, Avalokiteshvara ficou cheio de uma coragem renovada de continuar os seus esforços dele em nome de seres, e ele e Tara foram santificados por Amitabha Buddha para os seus compromissos para o caminho de bodhisattva neste momento. 

Na ocasião, quando Avalokiteshvara tinha clamado em desespero, o corpo dele se partiu em mil pedaços. Amitabha Buddha então abençoou o corpo dele, de forma que Avalokiteshvara surgiu em uma forma nova com onze cabeças, e com mil braços, com um olho na palma de cada mão. E deste modo nós podemos ver a conexão íntima entre Avalokiteshvara e Tara. 

É dito que desde aquele tempo, quem recitar este elogio às vinte e um Taras proferidos por Buddha Mahavairochana está seguro de receber benefícios incríveis. 

Buddha Vairochana pôde cumprir tudo dos desejos dele. Até mesmo para os Buddhas, há tempos em que eles não podem satisfazer às necessidades de alguns seres sensíveis. Porém, dando origem a este elogio para as vinte e uma Taras, Buddha Vairochana buscou não só cumprir tudo dos próprios desejos dele, mas ele também pôde geralmente cumprir tudo dos desejos de todos que chegaram a ele. 

Uma vez uma mulher velha veio ao Buddha Vairochana. Ela era bastante pobre, e teve uma filha que era extraordinariamente bonita. Esta filha tinha um admirador real que desejava a mão dela em matrimônio. Na Índia antiga, se uma menina camponesa fosse-se casar na realeza, era o costume que a família da menina deveria tentar prover pelo menos a joia a ser usada pela noiva. A mulher velha empobrecida não tinha nenhum meios com que obter a joia para a filha dela que se estava casando. 

Esta mulher tinha ouvido que aquele Buddha Vairochana poderia conceder qualquer desejo, e assim ela se chegou a ele. Ela veio diante do Buddha e perguntou se ele poderia lhe dar alguma joia, de forma que a filha dela pudesse-se casar com o rei, e cumprir os desejos de muitas pessoas. Naquele momento, o Buddha Vairochana estava no templo de Bodhi, em Bodhgaya. 

No templo de Bodhi havia muitas imagens de Tara Verde. Como ele não tinha nenhuma jóia própria dele para dar, o Buddha pediu de uma das imagens especiais de Tara Verde no templo de Bodhi que ela desse a sua coroa dela a ele, de forma que ele pudesse agradar à mãe velha, e que a filha dela pudesse tornar-se uma rainha. 

Então a estátua de Tara removeu a própria coroa dela, e apresentou isto ao Buddha Vairochana, que pôde oferecê-la então à mulher para o matrimônio da filha dela. 

Tara Verde diz que não só ela vai dar aos seres tudo o que eles podem precisar, mas também que ela pode acalmar cada um dos medos principais dos seres, como os oito ou dezesseis medos comuns dos seres que incluem: medo de ladrões, medo das águas, de cobras, de veneno, de prisão, e assim por diante, como também todos os medos internos. 

Qualquer temor que os seres sofrem, sempre que eles recitam os vinte e um elogios a Tara, ou somente  recitando o mantra de dez sílabas dela, OM TARA TUTTARE TURE SVAHA, os seus medos deles/delas seriam pacificados, e as suas necessidades deles/delas seriam cumpridas. 

O Buddha Mahavairochana apareceu em um tempo antigo, muito longe antes do tempo de Shakyamuni Buddha. Também é dito que depois, em nossa própria era, o próprio Buddha Shakyamuni falou a exata mesma oração, enquanto repetia as palavras do Buddha Vairochana. Isto é recontado na coleção de Kangyur das palavras do Buddha. 

Assim, Tara também foi elogiada grandemente pelo próprio Buddha Shakyamuni. 

Deste modo, a oração para as vinte e uma Taras traz imensa bênção e poder. 

Incontáveis Budistas Mahayana cantam este elogio diariamente; sejam eles monges ordenados, sejam leigos praticantes, sejam jovens ou velhos, esta oração ressoa como um murmúrio constante nas bocas dos crentes, desde longo tempo antes do nosso presente aeon. 

Em muitos tempos mais recentes, a deusa Tara aparece como deidade meditacional para muitos dos maiores mestres da história budista, para grandes filósofos budistas Mahayana da Índia, para Mahasiddhas, como em particular os estimados Nagarjuna e Aryadeva.

O praticante e pandita Chandragomin teve visões de Tara e recebeu transmissão direta de Tara. Muitos desses mestres foram praticantes dedicados de Tara. O Mahasiddha indiano Virupa, fundador da linhagem Lam Dre do Buddha Hevajra, recebeu bênçãos de Tara. 

Um dos maiores mestres indianos que tiveram papel muito importante, introduzindo a prática de Tara no Tibet, foi o praticante pandita bengali Atisha. Atisha tinha sido convidado muitas vezes a visitar o Tibet, mas ele sempre tinha recusado, depois de ter ouvido falar da altitude alta e do clima severo do Tibet, como também do caráter incontrolável e rude das pessoas Tibetanas. Ele duvidou que pudesse ir lá e realmente mudar as mentes delas no caminho do dharma. 

O mestre indiano Atisha, sendo grande devoto de Tara Verde, antes de viajar ao Tibet, um dia recebeu uma profecia de Tara. 

A própria Tara contou para Atisha que ele deveria ir para a terra das neves, pois lá ele seria como o sol, iluminando os seres com os ensinamentos do Buddha, dispersando toda a escuridão. 

Deste modo ele traria grande benefício aos seres sensíveis nos países do norte. Tara contou a Atisha que lá ele conheceria um grande discípulo seu, um que seria na realidade uma emanação do bodhisattva Avalokiteshvara. Ela profetizou que as atividades combinadas de Atisha e deste discípulo causariam que os ensinamentos  floresceriam em todos os lugares por milhares de anos em expansão. 

Só depois de ouvir essas palavras proféticas faladas por Tara foi que Atisha cedeu nos julgamentos dele relativo ao Tibet e aos Tibetanos, e  resolveu ir para o Tibet. Embora Atisha enfrentasse algumas dificuldades iniciais no Tibet, como não achar os tradutores qualificados e se encontrar em condições severas, no entanto a tempo ele se reuniu com o discípulo profetizado dele, Dromtonpa. Dromtonpa foi-se tornar o fundador da escola Kadampa, que se tornou a fonte da qual as encarnações dos Dalai Lamas surgiram. 

É da influência de Atisha que os ensinamentos de Tara Verde vieram a florescer no Tibet. Embora a tradição Nyingmapa mais cedo adorava a deusa em várias formas, isto não era tão amplamente difundido até que Atisha veio ao Tibet e propagou o elogio às vinte e uma Taras. 

Estes são algumas das bênçãos e presentes de Tara. 

Chandragomin era outro dos grandes mestres indianos que tiveram um papel significante na propagação das tradições de Tara. Ele não era um monge, mas um upasaka, um praticante secular que mantém oito votos. 

Devido a isto, o elogio para as vinte e uma Taras, o mantra dela, e rituais, se espalhou a todas as escolas de Budismo do Tibet todas as quais continuam confiando na prática de meditação em Tara. Há muitas histórias de grandes mestres espirituais no Tibet que confiaram em Tara como  sua deidade de meditação. 

No décimo sexto século no Tibet havia um muito grande mestre chamado Jonang Taranatha. "Tara" quer dizer "sábio", e "Natha" quer dizer  "protetor" em Sanskrito. 

Era dito que ele estava em uma comunhão direta quase contínua com a própria Tara. Ele procurou tradições budistas indianas quando não havia quase nada do Buddhadharma na Índia, e era dito que tinha achado e recuperado muitas fontes de ensinamento de dharma. 

Taranatha escreveu uma elaborada história de Tara e das práticas dela. Ele teve muito cuidado sobre datas e identificar os diferentes mestres indianos que eram associados com a prática de Tara. Os escritos de Taranatha sobre Tara sobrevivem nos trabalhos colecionados dele, e há traduções inglesas deste trabalho que incluem explicações dos vinte e um elogios a Tara. 

Há mantras específicos para cada uma das vinte e uma formas de Tara. Podem ser invocadas formas específicas de Tara para obstáculos particulares ou medos, e a pessoa pode praticar deste modo uma vez que a pessoa recebeu autorização e transmissão dos vinte e um elogios a Tara. 

Para fixar o benefício dessas bênçãos dos Buddhas, de Tara, e de todos estes mestres, dizem que depois de receber a transmissão dos vinte e um elogios a Tara, a pessoa pode escolher recitar este elogio, ou recitar o dharani longo do mantra de Tara, ou até mesmo só recitar o mantra de dez sílabas de Tara. 

A pessoa pode recitar qualquer um ou todos esses três, de manhã cedo, ou no meio do dia, ou pela noite, ou no meio da noite. É dito que é especialmente importante e útil recitar estes sempre que a mente da pessoa estiver preocupada e não pode ser pacificada através de outros meios. 

Uma pessoa cuja mente está muito preocupada pode falar sobre os seus problemas com alguns amigos, mas eles só permanecerão transtornados. Os amigos podem apoiar nosso ponto de vista e podem entender nossos medos, contudo nossos desejos não são cumpridos. Até mesmo se eles são encorajadores e concordam conosco, nossos problemas ainda permanecem; só porque eles estão de acordo conosco não significa que eles podem nos ajudar verdadeiramente. 

Acontece até mesmo que pode ser pior que antes como resultado de tais consultas amigáveis! 

Por outro lado, qualquer um devoto fiel recitando os vinte e um elogios a Tara, ou recitando o mantra de dharani longo ou até mesmo o mantra curto de dez sílabas, OM TARA TUTTARE TURE SVAHA, sempre que estiver em crise, quando estiver sendo negadas as necessidades deles/delas e seus desejos estão sendo frustrados e não podem ser cumprido, sentindo-se confusos, se neste tempo eles pedirem a ela, ela irá curar os medos deles/delas e suas tribulações. 

Esta nos apresenta uma alternativa para nossa resposta ordinária para as dificuldades. Quando nós estivermos preocupados, normalmente nós procuraríamos um amigo ou conselheiro imediatamente para validar nossa miséria. Desejando achar conforto e pacificar nosso tumulto, nós podemos incitar coisas e ao invés do fato podemos os fazer pior. Outra aproximação de valor é que nós poderíamos recitar o elogio às vinte e uma Taras, ou recitar o mantra dela, e deste modo achar o conforto e solução para o que nós estamos buscando. 

A prática de Tara também é muito benéfica e efetiva para centros de dharma. Esses centros que fazem pujas ou rituais de oração de Tara conseguem sucesso, como os desejos deles para que a expansão dos ensinamentos de Buddha seja cumprido! 

Profundo e sincero desejo que nós distribuímos para inspiração e devoção é cumprido muito mais facilmente, especialmente quando eles estão por causa dos outros! 

Virtualmente todo monastério Tibetano executa oração de rituais de Tara Verde todas as manhãs, se eles têm cinco monges ou mil. 

O elogio para as vinte e uma Taras foi cantado continuamente por seres incontáveis que existiram muito tempo atrás, de todo o modo desde o Buddha Vairochana em uma idade muito antiga, longo tempo antes de nossa era presente. O fato de que esta oração é tão antiga e foi tão popular e amplamente praticada em muitas eras contribui para seu grande poder e efetividade. 

Todas as bênçãos acumuladas disso surgem devido às orações dos praticantes ao longo das muitas  eras acumuladas. Todas as bênçãos nos desce e são recebidas por nós quando nós rezarmos com fé e devoção a Tara. Por prática regular do elogio para as vinte e um Taras e o mantras de Tara, são cultivadas estas bênçãos e podem amadurecer em nossa corrente mental, em nossa experiência. É por isto que a adoração de Tara faz tal prática diária excelente. 

Este elogio para as vinte e uma Taras também é muito importante nas tradições chinesas do Budismo Mahayana que tem conexões com o Budismo  Vajrayana.

Meditação em Tara Verde

Na base de treinamentos e práticas preliminares, como também baseado em receber as bênçãos do Bodhisattva Tara, a pessoa pode executar a meditação em Tara e recitar o mantra dela. 

A entrada na meditação budista na tradição de Mahayana começa com lojong: ou treinando a mente. De importância extrema é o desenvolvimento e treinamento da compaixão. 

Como nós desenvolvemos esse treinamento? 

Primeiro, nós meditamos na bondade mostrada a nós por nossas mães. Nossa mãe nos tomou no útero dela e nos deu à luz. Ela nos alimentou,  nos limpou quando nós éramos bebês desamparados. Lembrando-se da bondade dela, visualize sua própria mãe. 

Como você medita desse modo em sua mãe, gere amor e gratidão para ela. Uma vez que você deu origem a este sentimento,  pode começar a estendê-lo a outros, até que gradualmente pode estender o sentimento de amor e gratidão a todos os seres vivos no curso de sua meditação. 

Isto é possível porque no passado, desde um tempo sem começo, todo ser foi na realidade sua própria amável mãe. Como é dito em muitas orações de refúgio, "Para todos os seres sensíveis que foram minha mãe, eu tomo refúgio". 

Outra possibilidade é que você também pode meditar no amor que uma mãe tem para sua única criança, e da mesma maneira estende este sentimento a todos os seres sensíveis. 

Uma vez que você fez isto, o próximo passo é começar a dar origem à compaixão. Entendendo a bondade mostrada a você por sua mãe, você nunca desejaria ver sua mãe sofrimento de qualquer forma. Este desejo de remover todo o sofrimento de sua mãe é compaixão.

Ponha-se no lugar dela, sentindo as suas dificuldades dela e qualquer sofrimento que ela tem que sofrer. Uma vez que este sentimento de compaixão surge em seu coração, então  pode estender isto a outros até que vem a abraçar a todos os seres vivos. 

A pessoa entende o sofrimento dos outros, e genuína e verdadeiramente aspira remover os seus sofrimentos. 

Nesse estado, a pessoa está pronta a tomar refúgio. 

Aqui é importante entender que você só pode tomar refúgio verdadeiro em um ser verdadeiramente livre. Não o ajudará tomar refúgio em todos os diferentes deuses mundanos no final das contas, da mesma maneira que um senhor insignificante não o pode proteger verdadeiramente da espada do rei. 

Também há outros treinamentos da mente que você também pode fazer para preparar-se em meditação para a tomada de refúgio. É muito útil refletir nos benefícios do altruísmo ao invés dos aparentes benefícios do egoísmo. Todo o infortúnio e sofrimentos de fato vem diretamente de procurar o próprio interesse da pessoa às custas do que poderia ser melhor para os outros. 

É igualmente verdade que todo o benefício e fortuna boa deriva na realidade de pôr o bem-estar dos outros primeiro. Se você só trabalha para seu próprio benefício, você no fim vai trazer dificuldade para você. Trabalhando para os outros garante que você entrará bem no futuro. 

Igualmente, a prática da virtude é uma parte essencial de treinar a mente da pessoa no dharma. 

Por exemplo, se você for generoso no passado, você estará recebendo prosperidade e abundância no presente. Se nós fomos pacientes no passado, então quem nos vê será atraído automaticamente por nós, e sente positivamente por nós, nos dando poder e influência. 

De importância particular é o treinamento em conduta ética. 

Se a pessoa não praticar disciplina ética nesta vida, é difícil de ganhar nascimentos humanos futuros. Nosso nascimento como seres humanos neste momento existe devido a alguma prática prévia de disciplina moral. Tal disciplina é a verdadeira fundação para qualquer e todas as reais qualidades surgirem. 

A base para esta disciplina é a prática da virtude. Na prática, isto significa renunciar às dez ações não-virtuosas, que são: (1) matar, (2) roubar, e (3) má conduta sexual [para o corpo]; (4) mentir, (5) caluniar, (6) falar palavras severas, e (7) fofoca inútil ou fala sem sentido para as ações da fala da pessoa; e (8) pensamentos de avareza e cobiça, (9) pensamento malicioso que deseja prejudicar os outros, e (10) convicções enganadas, ou visões injustas, para as ações da mente da pessoa. 

As dez ações virtuosas de corpo, fala e mente surgem naturalmente quando a pessoa se contiver dos dez tipos de ações negativas. Consequentemente nós podemos ver que, abraçando disciplina virtuosa, também é outra base para a tomada de refúgio. Nesta aproximação, quaisquer ações que você faz, elas são todas oferecimentos e corretas aos Buddhas. 

Agora que nós discutimos alguns dos treinamentos que são a base de  tomar refúgio, quais são os objetos em quem nós tomamos refúgio? Elas são as três joias. A primeira joia é o Buddha, que possui os três kayas, ou o corpo, fala e mente iluminados. 

É dito que o Buddha possui três kayas ou "corpos de iluminação". 

O Dharmakaya do Buddha é como a imensidade do espaço do céu . O Sambhogakaya do Buddha se manifesta sem que o Buddha sempre vagueie. O Dharmakaya é como a lua no céu. O aparecimento do Buddha como o Nirmanakaya de carne e sangue é como a lua refletida em uma piscina de água. 

A segunda joia é o Dharma. Esta é o tripitaka, as três cestas de escrituras. Nós tomamos refúgio no Dharma porque a realização que surge nas mentes dos praticantes está baseada na compreensão das escrituras. A terceira jóia é a Sangha, a comunidade iluminada, os Arhats, Bodhisattvas, e Deidades.

Quem tomou refúgio e segue o caminho que conduz à iluminação mantém a mente de iluminação continuamente. Nós tomamos refúgio para todos os seres sensíveis. Isto traz nosso refúgio ao nível do Mahayana, ou grande veículo, que deseja salvar todo ser vivo. 

A Buddhahood, ou iluminação, é atingida pela realização de abnegação, que inclui a realização da vacuidade de todos os fenômenos. O treinamento, passo a passo, e o acúmulo de mérito, nos ajudam a poder perceber a vacuidade. 

Para isto, a pessoa precisa cultivar a resolução firme de atingir o estado de iluminação. Também é necessário gerar a preciosa bodhichitta. Para poder gerar bodhichitta, é necessário apreciar o bem-estar de outros. 

Os ensinamentos dizem frequentemente que todo o sofrimento se origina do egoísmo, enquanto toda a felicidade vem de avaliar e buscar o bem-estar dos outros. Apreciar o bem-estar dos outros pode conduzir então à bodhichitta, à motivação altruística de livrar todos os seres dos sofrimentos e os estabelecer no estado de iluminação. 

É dito mais adiante que todos os ensinamentos do Buddha podem ser entendidos em termos da lei de karma, a lei de causa e efeito. Se você semear sementes de virtude, isto manterá os frutos dos resultados afortunados e circunstâncias positivas. Se você cultivar comportamento não-virtuoso, conduzirá à infelicidade. 

Em Budismo, nós falamos da importância da lei de causa e efeito. Em Cristianismo, a ênfase está em fé em deus. Mas esta fé é ainda uma causa, uma causa virtuosa, assim pode dela realmente ser derivada felicidade como seu efeito, ou pode ser resultado de uma causa do que está cultivando fé. Na realidade, assim os cristãos também estão falando da lei de causa e efeito. 

Estes dois ensinamentos religiosos podem usar conceitos diferentes, mas podem compartilhar algumas ideias bem parecidas. 

Quando a pessoa recebe autorização [iniciação] e faz a prática de Tara Verde, ela deveria ser vista com a fé que ela é a incorporação de todas as atividades iluminadas de todos os Buddhas. Assim, a pessoa pode aprender a rezar à Deusa Bodhisattva Tara. Acima de qualquer dúvida, ela pode acalmar e pacificar todos os medos. 

Tara e o Buddha feminino Vajrayogini são a mesma pessoa em essência, desde que ambos são deusas de sabedoria iluminada. Até mesmo se a pessoa não puder praticar todos os detalhes das onze iogas de Vajrayogini, um que sabe como realmente rezar profundamente à deusa Tara receberá os mesmos benefícios. 

Frequentemente junto com refúgio e geração do desejo para também salvar a todos os seres o que recita a oração de sete ramos que é achada perto do começo de muitas sadhanas. Os sete ramos são: prestando homenagem, fazendo confissão, alegrando-se nas virtudes de outros, decidindo-se pelo  pensamento de iluminação de bodhichitta, pedindo para virar a roda de dharma, pedindo para não passar em nirvana, e dedicação de mérito. Cada destes ramos revela um componente importante do caminho. 

Tendo tomado refúgio e feito a homenagem, a pessoa vê Tara como o objeto exclusivo de refúgio para quem você confia sua fé. Este é o primeiro dos quatro poderes de confissão que é o segundo ramo. O primeiro poder de confissão é o poder do altar. Agora a pessoa está pronto confessar os maus-feitos com remorso forte, como quem erradamente tomou veneno e assim tem genuínos pesares. Você vê como foi prejudicial ter cometido tal erro, e, com remorso e contrição, confessa você. 

Este é o segundo dos poderes de confissão, o poder do arrependimento. 

O terceiro poder de confissão é o poder do antídoto; em resumo, isto significa prometer com sinceridade nunca repetir a conduta negativa novamente. Como resultado disto, serão consertados todos as negatividades completamente, e a virtude será restabelecida e será reavivada. Este é o quarto dos poderes, o poder da renovação ou restauração. A menos que nós confessemos as ações negativas, nós continuamos acumulando as causas de sofrimentos continuamente. 

Um exemplo do terceiro dos sete ramos, o ramo de alegrar-se com a virtude, é ilustrado pela história de um mendigo que se alegrou com o mérito de um rei que apresentava um banquete pródigo para o Buddha. Pela alegria dele, o mendigo ganhou até maior mérito que o próprio rei. Semelhantemente, se você conhece alguém que completou a recitação de muitos milhões de mantras, então se você se alegrar na prática deles/delas, você pode compartilhar do grande mérito deles/delas. 

Isto ilustra aquele até mesmo que, sem grande esforço da parte da própria pessoa, por alegrar-se no mérito de outros, a pessoa pode ganhar vastas quantidades de mérito.

Outro dos sete ramos é o pedido aos Buddhas de virar a roda do Dharma. Sem tal pedido, os ensinamentos não localizam os seres sensíveis. Isto é ilustrado na vida de Shakyamuni Buddha.   

Quando o Buddha foi iluminado, ele fez uma declaração famosa que é registrada no sutras:   

" Eu achei um Dharma que é como néctar; é indecomponível luz clara, profundo e calmo, além da elaboração conceitual. Se eu fosse explicar isto, os outros não entenderiam, e assim eu permanecerei na floresta sem falar ".   

Com respeito a isto, o deus que Brahma, o criador, pediu que o Buddha virasse a roda do Dharma de acordo com as necessidades particulares das variedades dos seres sensíveis.   

O final dos sete ramos é a dedicação de mérito. Dedicação de mérito é o mais importante de todos os sete ramos. 

Qualquer meditação, qualquer prática ou ações virtuosas que a pessoa executa, nós sempre deveríamos dedicar o mérito de forma que nossa virtude não seja dissipada.   

A menos que você dedique o mérito, grande que possa ser, não será de muito benefício comparado a merecer o que foi dedicado, e o resultado de nossas ações pode conduzir até mesmo a outro lugar! Por outro lado, porém pequena uma virtude ou ação meritória que a pessoa possa ter executado, dedicando seu mérito,  os benefícios irão  aumentar e aumentar.   

Por exemplo, um pequeno ato de generosidade, como dar  um pouco  de água a uma pessoa sedenta, se seguir-se por dedicação de mérito, irá em aumentar a quantidade da pessoa de virtude. Sem dedicação, até mesmo a virtude ganha por grandes ações é facilmente exausta.   

As escrituras budista ensinam  como um momento de raiva pode destruir grandes quantidades de virtude não dedicada. 

A raiva é a mais destrutiva das emoções  aflitivas. Nós dedicamos qualquer mérito que nós geramos imediatamente de forma que isto não pode ser destruído por nossos pensamentos negativos, palavras e ações.   

É ensinado que a paciência serve como o antídoto para enfurecer-se. A virtude da prática de paciência é imensa. Qualquer palavras abusivas podem ser faladas com você, simplesmente pela prática da paciência.   

Considerando que isto é tão importante, nos deixe de considerar as virtudes de praticar paciência. A paciência é  uma das seis ou dez paramitas, as perfeições dos Bodhisattvas. 

Há três tipos de paciência. A melhor das três é saber a vacuidade de todas as coisas. Depois é a paciência não-retaliativa,  onde a pessoa não retalia ou leva vingança em outros que abusaram ou se comportaram mal para a si mesmo. Isto significa voluntariamente aceitar qualquer sofrimento ou dano em a si mesmo.   

A prática da Paciência é uma das formas mais altas de asceticismo. Por esta prática, será pacificada toda a agressividade por si só. Quando duas comunidades estiverem em conflito, se uma destas puder exercitar a paciência, a discussão entre elas pode diminuir e gradualmente pode baixar todo junto.   

A Paciência é pensada como a mais alto de todas as virtudes; é muito sagrada. Se a pessoa praticar paciência, conduz diretamente a nascer com uma forma bonita. Embora nós pensemos nascer bonito é devido a alguma amável realidade de hereditariedade de nossos pais,  em grande parte devido ao mérito de praticar paciência nas vidas prévias da pessoa.   

Realmente, a fortuna boa de nascer como um ser humano está devido ao desempenho de éticas, de ações morais, nas vidas prévias da pessoa. Mas não todos os humanos nascem com uma forma bonita; é só esses que praticaram paciência que são enfeitados com tal  aparecimento.   

Os que são pacientes geralmente são admirados por todo o mundo; dos reis e dignitários até a pessoa mais ordinária, todos o respeitarão o que é paciente. Isto é porque a paciência consome a raiva da pessoa, a causa do pior sofrimento. Não há nenhuma não-virtude maior que a raiva e ódio; destrói todas as sementes de virtude. Em contraste, a paciência  destrói raiva e ódio.

Realmente não há nenhuma virtude que se pode emparelhar com a virtude da paciência.   

Outras das seis ou dez paramitas ou perfeições dos Bodhisattvas é a perfeição de diligência. 

Tudo que você empreende, você tem que aplicar diligência à tarefa. Se você tiver diligência, você pode até mesmo fazer um buraco em uma pedra usando suas mãos. A prática da diligência nesta vida permitirá a pessoa a fazer coisas depressa e prosperamente em vidas do futuro, sem enfrentar muitos obstáculos.   

Ainda outras das paramitas ou perfeições são a perfeição da concentração. 

Os benefícios do treinamento em concentração são que aquele fica contente e calmo e tudo fica fácil. A pessoa acha a mente da pessoa fácil domesticar, e as coisas estão bem e como deveriam ser. Estas são algumas das virtudes do karma positivo que surge pela perfeição da concentração.   

Especialmente importante é o prajnaparamita, a perfeição de sabedoria. Dá para alguém a habilidade para discernir assuntos com claridade mental e raciocínio claro.   

A lei de karma, de causa e efeito, é infalível; nunca o decepcionará. Não-virtudes definitivamente criam infelicidade. Até mesmo se a pessoa tiver a boa fortuna para nascer como um ser humano, se causas não-virtuosas estiverem presentes em  si mesmo, isto perpetuará um testamento de sofrimento, até mesmo se a pessoa ganhe renascimento mais alto, como de um ser humano.   

Os reinos de sofrimentos como os infernos são o resultado dos próprios pensamentos e ações errados da pessoa. Não há nenhum  lugar como os infernos. 

Os fogos infernais dos infernos quentes são a manifestação da raiva não resolvida e negatividade armazenada na mente. Estas acumulações  karmicas se manifestam como o que parece ser um mundo real ou reino para aquele que tem que experimentar. Devido ao karma negativo, a pessoa tem uma percepção distorcida de tudo da realidade,  não percebendo que qualquer realidade que a pessoa parece estar experimentando é criada na realidade pela própria mente da pessoa.   

Todas as práticas de meditação devem ser estruturadas de acordo com as três excelências: o que é no princípio virtuoso, que é virtuoso no meio, e  que é virtuoso no fim.   

Em meditação, a coisa mais importante é meditação em vacuidade. Todos os conseguimentos do Buddhas são o resultado de meditação em vacuidade. Nós  mesmos não nos tornamos Buddhas porque nós não meditamos efetivamente em vacuidade.   

O que é no princípio virtuoso é refúgio. O que é virtuoso no meio é a parte principal da prática. O que é virtuoso no fim é a dedicação de mérito. Consequentemente nós podemos ver que a tomada de refúgio é a base de toda a prática adicional.   

Na escola da Primeira Tradução eles falam de nove veículos de Budismo que incluem seis veículos de tantra, enquanto nas escolas da Tradução Posterior eles falam de quatro veículos ou classes de tantra: kriya ou tantra de ação; charya ou tantra de desempenho; tantra de ioga; e anuttarayogatantra ou tantra de ioga insuperável.   

Na prática de Kriyatantra, a pessoa visualiza a deidade, como a deusa Tara, no espaço sobre e na frente, e pensa de si mesmo como um sujeito leal que suplica a um rei ou rainha,  esperando receber a sua bondade. Esta é a natureza da relação do meditador com a deidade em Kriyatantra.

Em Charyatantra, você considera a deusa como um amigo, a quem você pede algum favor ou ajuda ou bênçãos. Em Charya ou tantra de desempenho, a relação entre o meditador e a deidade é igual a de um amigo para um amigo.   

Em Yogatantra, a pessoa está unificando a sua própria natureza da pessoa com a natureza da deidade, unificando o próprio aparecimento da pessoa com o aparecimento de Tara. Em Anuttarayogatantra, a pessoa não vê a si mesmo e a deidade como separado em natureza. 

Baseado nisto, a pessoa transforma o corpo ordinário da pessoa, fala, e mente no corpo, fala e mente sagrada de Tara.

Para fazer isto, você deve ter recebido a permissão-iniciação. Isto é o que o permite a transformar seu corpo ordinário no corpo divino, transformar sua fala ordinária em fala iluminada, e transformar seus pensamentos mundanos na sabedoria da deusa Tara por meditar em vacuidade. 

fonte: http://www.kslm.org.br/

24 de nov. de 2012

Arquétipos: Deuses do Céu

Autoria: Samildanach

Tomando por base o conceito de arquétipo, busco observar e discorrer um pouco sobre as faces do Deus e os pontos de convergência que fazem com que deidades das mais diferentes culturas e dos mais diversos recortes temporais resguardem semelhanças entre si. Muitas outras divindades podem ser observadas, e outros tantos aspectos, citados e trabalhados, mas estes foram os que eu encontrei em maior profusão, dentro dos meus estudos, e creio que poderão dar norte para maiores estudos. Por agora, iremos iniciar pelos deuses ligados ao céu.


Podendo ser chamados de uranopolitas, ou seja, que habitam o céu, eles são os Senhores do Céu. Seus Domínios incluem o vento, trovão, raio, chuva, granizo, tempestades e padrões climáticos. Muitas vezes, o Deus do Céu é o principal Deus do Panteão, já que o céu abarca tudo, está sempre presente e contém os recursos primários necessários a todas as vidas, a saber, o sol e a chuva.


Alguns Deuses do Céu, como Zeus, Jeová e Júpiter, fazem de sua morada o alto das montanhas ou um determinado pico de um monte próximo ao céu e às forças climáticas, pontos favoráveis para observar a vida terrena. Associados a essas deidades estão os raios, estrelas, planetas, galáxias, meteoros, carvalhos atingidos por raios e suas folhas, o martelo e a águia. Alguns dos Deuses do Céu mais proeminentes são Zeus, Jeová, Júpiter, Thor, Odin, Hórus, Nwyvre, Taranis e Nuada.


Eles são senhores do Poder, vivem em função do controle e do poder. Geralmente destronam os seus antecessores, comumente seus pais, o que historicamente foi observado que eram formas de mitologicamente registrar a derrota de um antigo povo que reinava sobre os outros, sendo seus deuses substituídos pelos dos vencedores. Ainda que estejam ligados a ordem e à estruturação das mitologias das quais fazem parte, esses Deuses, por vezes, se colocam acima das próprias leis que estabeleceu, sendo por vezes prepotentes, ciumentos e infiéis, como Zeus, que tinha incontáveis relações e casos amorosos com deuses e mortais.


São os grandes líderes, senhores que detinham o poder e se comprometiam em gerir e defender a Terra e o povo com o qual tinham se comprometido.


Bênçãos do Senhor da Abóbada Celeste.

texto e imagem vem daqui: http://alemdofalo.blogspot.com.br/2012/02/arquetipos-do-deus-deuses-do-ceu.html

As Três Faces de Afrodite

 

Afrodite talvez seja a Deusa grega mais conhecida pelas massas. Mas será que de fato a conhecemos?
Tentei reunir aqui um pouco do trabalho de pesquisa que fiz em busca das origens do culto e facetas de Afrodite, mas a medida em que minha pesquisa avançada, eu percebia que nenhuma pesquisa, por completa que seja, conseguiria tocar a verdade sobre a conhecida Deusa do Amor.
Há quem considere Afrodite uma variação da Deusa sumeriana do amor e da guerra, Inanna, e isso explicaria o nascimento de Afrodite ter sido no mar, pois somente por essa via o culto à Deusa do amor chegaria do oriente ao ocidente. Talvez seja por esse motivo que Afrodite é também considerada protetora dos viajantes.
De fato, estudando ambas, pude notar muitos pontos em comum. No entanto, a ideia central desse trabalho não é traçar uma comparação entre as duas Deusas, mas compartilhar minhas pesquisas focadas em Afrodite.
Começando pelo seu nascimento, encontrei três versões diferentes.

A primeira versão é segundo Hesíodo – poeta grego da idade arcaica, que escreveu “A gênese dos deuses” e “Os trabalhos e os dias” – para quem Afrodite teria nascido do falo de Urano, extirpado por seu filho Cronos.
Cronos, o filho mais novo de Gaia ou Geia e Urano (Terra e Céu), cortou os genitais do pai porque ele aprisionara seus irmãos nos confins da Terra, no Tártaro.
O falo de Urano foi jogado no mar e das espumas desse nasceu Afrodite. Essa versão explica a origem do nome de Afrodite, “nascida da espuma”.
Logo após seu nascimento, a Deusa nadou até chegar na ilha de Citera. Por isso também é conhecida pelo nome de Citeréia. Segundo a lenda, por onde Afrodite passava, a relva se renovava, as flores nasciam, ela trazia o amor maior, o amor que tudo fertiliza, que embeleza.
Vale, portanto, a associação da Deusa do amor com a primavera, pois está intimamente ligada à vida que se renova, às flores, aos nascimentos. Para corroborar essa associação, encontramos uma outra denominação para a Deusa, Antheia, a Deusa das Flores.
Depois de Citera, Afrodite foi para Chipre, onde foi recebida pelas Horas, guardiãs da porta do céu (o Olimpo) e filhas de Têmis, Deusa da Justiça. Nessa ocasião, Afrodite foi vestida por elas e, em seguida, levada à presença dos Deuses. Encantou a todos, claro!
É dessa versão do nascimento de Afrodite que nasce a chamada Afrodite Urânia, doadora do amor universal, da qual falaremos mais além.
A segunda versão de seu nascimento é encontrada, entre outras fontes, em Homero, poeta grego que viveu por volta de 850 a.C em Jônia, antigo distrito grego onde hoje situa-se a Turquia.
Homero escreveu Ilíada e Odisseia, porém, há sérias controvérsias históricas em razão da diferença de estilo entre as duas obras. A controvérsia é tanta que há quem ponha em dúvida, inclusive, a existência de Homero. Dessa discussão nasceu a expressão “questão homérica” a qual se diz quando estamos diante de um impasse.
Pois bem, segundo essa segunda versão do nascimento de Afrodite, descrita também por Homero, a Deusa teria nascido de Zeus e Dione. Porém, me parece que nessa versão encontramos uma forma de restringir a amplitude e força da Deusa.
Entre as discrepâncias encontradas nessa versão, a que mais me chamou a atenção foi o fato de Afrodite ser também conhecida pelo nome de Dione, que é a forma feminina de Zeus, conhecida como Deusa das águas, das fontes, do carvalho e dos oráculos, sendo essa última característica de Afrodite, pouco mencionada.
A terceira versão do nascimento de Afrodite é pouco conhecida. O que sabemos é que Afrodite teria nascido de um caramujo e desembarcado de uma concha na ilha de Citera.
Em Cnido – costa da Ásia maior – o caramujo é considerado uma criatura sagrada da Deusa.
Outra ligação de Afrodite com o caramujo está na lenda de que Afrodite, antes do Olimpo, viveu no mar, na companhia de um caramujo de extrema beleza chamado Nérites, filho de Nereu, uma das facetas da triplicidade da divindade do mar conhecida como “O Velho do Mar”.
Pouco se sabe dessa terceira versão do nascimento da Deusa, mas é inegável a relação de Afrodite com o caramujo.
Essas três versões da origem de Afrodite nos falam de seu nascimento na água. Afrodite nasce na água, ou da água do mar, o por nós conhecido útero primordial. Nós, seres humanos, também nascemos na água. Talvez nosso passado intra-uterino faça com que tenhamos tanto amor por essa Deusa maravilhosa, e talvez seja também esse nosso passado intra-uterino que nos dê a sensação de retorno às nossas origens quando mergulhamos no mar.
Outro ponto interessante sobre a força de Afrodite é que Ela é o amor que tudo gera.
Nós também somos, ou temos, esse amor que nasceu nas águas. A água é símbolo do nosso inconsciente, do nosso lado feminino, da fertilidade, da emoção.
O oceano primordial de onde creem alguns termos nos originado me lembra muito o nascimento de Afrodite e sua relação com a humanidade.
Quem sabe Afrodite não seja a expressão humana dessa vida, pois tudo que ela toca se torna fértil, pulsante e vivo. Quem sabe Afrodite não seja essa própria força geradora da vida.
Afrodite e a humanidade, que relação impressionante. Mesmo entre os que dizem não cultuar a Deusa, nutre por Ela uma estranha ligação.
Como Deusa do Amor Maior, da beleza e da vida Afrodite também pode ser cruel, destruidora, como veremos. Nesse ponto reside a estreita conexão de Afrodite com a humanidade. Temos em nós esses dois polos, essas duas versões de nós mesmos.
A bem da verdade, não seria correto dizer “dois polos de Afrodite”. Poucos conhecem a versão tríplice da Deusa do Amor. Porém, noto que, cada vez que pesquiso sobre aspectos de determinada divindade, sempre encontro essa característica tríplice que, pasmem, também não para no número três. Mas isso é assunto para outro texto.
Hoje o que conhecemos de Afrodite é reduzido ao quesito amor. Porém, Afrodite se mostra muito além do que se é possível escrever sobre a Deusa.
Afrodite não é somente a Deusa do amor e da beleza. A primeira face de Afrodite, em sua triplicidade, é Afrodite Urânia, distribuidora do amor universal, a doce, a bela, aquela que une os pares com amor, que dá cor e beleza ao mundo. É a Deusa do céu, das estrelas, do amor celestial. Sempre que penso nesse aspecto de Afrodite, me lembro da já mencionada Inanna, a Deusa dos Céus, como provedora, amorosa.
A segunda face é Afrodite Pandemos, que está intimamente ligada a questões carnais, sexuais, físicas, materiais. O amor sensual é domínio dessa faceta da Deusa, é Ela quem nos oferece os prazeres do corpo, que desperta o desejo, que nos faz querer a beleza para conquistar.
O terceiro aspecto é o menos conhecido, Afrodite Apostrófia, que significa “aquela que se afasta”. Esse é o aspecto destruidor da Deusa, o aspecto mais difícil e menos explorado.
É como se quisessem deixar à mostra somente o lado que convém. Vemos muito disso ao estudar essa Deusa.
Afrodite Apostrófia é que deturpa, a que escraviza e a que traz a mazelas, as desgraças. Penso muito nas modelos anoréxicas e bulímicas quando ouço o nome Afrodite Apostrófia.
Como dissemos, em verdade, não se trata de apenas três faces. O culto de Afrodite e suas faces vão variando conforme a época, o local e a ideologia do povo.
Temos, por exemplo, Afrodite Eleêmon, cultuada em Chipre como “A Misericordiosa”, cuja imagem se assemelha muito com a da Virgem Maria, porém, sem o aspecto da castidade.
Afrodite Pasifessa, “A que brilha longe”, conhecida como a Deusa lunar que rege os mistérios do inconsciente.
Afrodite Zeríntia, que muito se assemelha a Hécate. Afrodite Zeríntia é uma face da Deusa que está além do Olimpo, cujos domínios são além da Terra e do céu, assim como Hécate.
Para os atenienses, Afrodite Zeríntia era a mais velha das moiras.
Outro ponto em comum com Hécate era o sacrifício de cachorros, feitos em honra à Afrodite na costa trácia, posto que esse animal era consagrado à Afrodite Zeríntia.
Afrodite Genetílis, outra faceta da Deusa, também recebia sacrifícios. Ficou conhecida como Vênus Genetrix, pelos latinos, a Deusa dos partos.
Temos também conhecimento de um outro aspecto da Deusa, Afrodite Hetaira, que era venerada pelas cortesãs.
Diferentes das prostitutas pobres e não cidadãs, as hetairas eram treinadas desde cedo nas artes do sexo.
Aquele que comprava uma hetaira pagava uma soma muito alta. Tratava-se de um investimento. Muitos pagavam fortunas pelos favores sexuais das hetairas, e investiam também nos dotes artísticos delas.
É fato histórico que algumas hetairas acabaram comprando sua liberdade, tornando-se grandes e conhecidas mulheres.
Em Esparta, Afrodite era adorada como Enóplio, portando armas, e Afrodite Morfo, a acorrentada. Era chamada de “a de corpo bem feito” ou “a de várias formas”.
Afrodite Ambológera era adorada também em Esparta como aquela que adia a velhice, trazendo vigor físico.
Temos também a Afrodite Negra, ou Melena/ Melênis, dominadora dos mistérios da morte e destruição, aspecto relacionado com as Erínias.
Aliás, os aspectos negros de Afrodite são os que menos conhecemos. Podemos citar Afrodite Andrófono, a matadora de homens; Afrodite Anósia, a que peca, e Afrodite Tamborico, a cavadora de túmulos.
Existe também a ligação de Afrodite com Perséfone. Afrodite Persefessa era invocada como Rainha do submundo.
Interessante notar que Eurínome, a Deusa primordial dos pelasgos, também tinha relação com o mar, era a Deusa dos prazeres, governou antes do patriarcado olimpiano e foi rebaixada, deixada de lado.
Como podemos ver, Afrodite é muito mais complexa do que lemos por aí. Não daria para explanar toda a complexidade da Deusa nesse trabalho.
Afrodite não se resume ao amor físico, nem ao amor universal, nem ao sexo, nem à beleza. Ela rege tudo isso e muito mais. Afrodite é o amor entre seres e intra seres, é o amor que cria, mas é também o amor que ceifa.
Afrodite está presente no sexo, no prazer, Ela é o desejo, a vontade entre dois seres. É Ela quem faz com que duas pessoas se desejem e desse desejo mútuo, dessa explosão de energia entre dois corpos, duas mentes e dois espíritos possa ser criado um outro ser, pois Afrodite é doadora da vida também.
Afrodite é a própria beleza da Terra, não diz respeito somente a corpos jovens e esbeltos. Para Afrodite a beleza plástica não vale nada. Afrodite quer a beleza da mente, do corpo e do espírito.
De nada adiantará explorarmos as novidades cosméticas se não explorarmos nossa beleza real, aquela que é dada por Afrodite a todos, sem exceção.
Afrodite abençoou a todos com a beleza, é uma sabedoria que poucos compreendem.
Creio que Afrodite perguntaria às pessoas:
De que adianta a sua beleza, sua perfeição se você vive destrói o seu planeta?
De que adianta a forma física perfeita se é vazio por dentro?
Como pode você desejar a beleza constantemente na sua vida e degradar a sua casa?
Afrodite é doadora da beleza, do viço, porém, Afrodite também deseja que cada um de nós leve a beleza para a vida daqueles que nos cercam.
O que acontece com pessoas bonitas, jovens, que exercem sua sexualidade desmedida?
O que acontece com pessoas que em nome do amor aprisionam outro ser?
O que acontecem com pessoas que buscam a beleza vazia?
Solidão.
Solidão no sentido mais amplo.
Afrodite vai embora e leva consigo a real beleza, o sexo pleno, o amor verdadeiro.
É nessa hora que podemos conhecer a face da qual poucos falam, Afrodite Apostrófia, aquela que se afasta.

Por: Lua Serena
(Extraído da página do Facebook Espiral das Bacantes)

A Função do Deus no Paganismo

Autoria: Samildanach

Ainda que um tema muito falado entre os pagãos, sobretudo os homens, ainda se descortina à nossa frente perguntas sobre qual a função do Deus no Paganismo. Buscarei tentar refletir um pouco sobre como o Deus se apresenta dentro dos cultos pagãos. Ainda que a minha experiência seja com a prática wiccaniana, tenho certeza que em alguns outros níveis do paganismo a experiência pode ser observada de maneira análoga.

A maioria das publicações sobre Wicca disponíveis têm um senso comum sobre o Deus: o Consorte da Deusa. Sem dúvidas, ele o é, e na sua união com a Deusa se encontra o grande mistério da criação universal, onde as formas complementares do masculino e do feminino possibilita a geração da vida, mas às vezes pensamentos como este pode levar a interpretação de que o Deus é uma figura preterível na prática ritual pagã. O culto ao Deus sempre esteve presente, de forma que, em alguns momentos, teve grande importância, em algumas civilizações. Seu poder era o poder da vida que se manifesta ininterruptamente.

Se observarmos a Roda do Ano, o Deus se apresenta, a cada Sabbat, como centro de uma mensagem a cada um dos cultuadores, sendo ele o símbolo da vida que nasce, cresce, vive, amadurece e morre, e no morrer, renasce.

No Yule, ele é a promessa do Sol que retorna trazendo o calor à Terra envolta pela aura de morte, pelo gélido véu do inverno que abate a natureza, mas que ao passar o Solstício se torna o Filho da Deusa, parido na Noite mais escura do ano, negra como o Universo, o grande útero donde tudo advém, o Caldeirão onde a vida é dada e renovada ao girar da Roda do Ano. No hiato deixado pelos dias em que o astro rei se ocultava, os antigos clamavam pelo retorno dele, e seu nascimento era sinal de que a vida persistia, dormente.

No Regaço da Deusa, em seu aspecto maternal, ele é alimentado, envolvido em leite. Imbolc celebra o pequeno Deus, em sua face infantil, promessa do calor que retorna. A natureza insiste em renascer, e em meio à neve que ainda existe as primeiras plantas quebram o gelo. É o sonho do impossível que começa a se realizar na natureza. Ao nosso entorno, a lactação dos animais iniciavam e tochas eram acesas para purificar os campos, finalizando o tempo da escassez.

A Deusa rejuvenesce e o Deus se torna um jovem imberbe ao florescer da terra em Ostara. Ele é o belo mancebo que passeia pelos bosques floridos e encontra a jovem Deusa, e em seus corações é despertado um amor de forma pura, ao mirar nos olhos do ser amado. A Beleza e a juventude exulta por toda parte e a virilidade do Deus começa a transparecer nos seres vivos, reflexos da divindade da qual eles fazem parte.

Ao calor dos fogos acesos para celebrar a plenitude da natureza que desabrocha, em Beltane o Deus é o Jovem Gamo, aquele que corre em total liberdade pelos campos, liberdade essa na qual ele encontra a Deusa, agora não mais sua mãe, mas sua companheira, sua amante, jovem e bela, plena de fertilidade. Ele é o cornífero, adornado de chifres, símbolos da virilidade e do poder que ele representa, que une-se à Deusa, e deposita no ventre Dela a sua semente. Essa união é o momento da completude criadora, tão misteriosa e tão bela, onde são resguardados os mistérios antigos. Ele é a fagulha lançada ao ventre da Mãe que tudo gera. É a força propulsora de existências.

No apogeu do Sol, que marca também o início da sua jornada para o outro mundo, encontramos o Deus com a Face do jovem homem, aquele que rege, governa, que prepara a terra para a sua descendência. Ele é aquele que espera o grão crescer, já que sua semente boa é promessa de colheita farta, mesa próspera, ainda que o grão não tenha, ainda, amadurecido. Ele é o calor que aninha os animais, que fertiliza a terra, que traz ânimo às pessoas. Ele é quem ilumina, esclarece, tira das sombras e do desconhecimento a todo o oculto, empodera com magia a natureza e os indivíduos. Senhor de Litha, Ele brilha e faz amarelecer o trigo a ser ceifado tão prontamente.

Na massa dos pães, no grão pisado, o Deus se torna o senhor dos campos semeados. Lammas celebra os primeiros frutos da Terra, a colheita que primeiro vingou. Ele é o homem maduro, que observa os frutos de sua vida. Desobriga-se de fertilizar, se encarrega de colher. É o momento do Deus se doar em forma de sustento aos seus filhos. Simbólica e ritualmente, isto se perpetuou na tradição dos Homens de Vime, queimados em forma de oferenda propiciatória às divindades. Ele doa-se, e neste ato se perpetua, através do grão plantado, morto e renascido.

Mabon mostra o segredo da vida na eterna espiral dupla: Vida e Morte. Uma conduz à outra, uma se carrega de significado na sua contraparte, se sucedendo e assim perpetuando o ciclo sem início nem fim. É o momento de ser grato por toda uma jornada. O Deus é maduro, entrando na ancianidade, seu corpo já pende de cansaço por todas as empresas levadas à cabo. É o tempo de agradecer, de mirar a Cornucópia como um símbolo de finitude. Do seu interior, ao passo que jorra a fartura e os produtos do trabalho de cada ser, se vislumbra a escuridão que irá nos abraçar, escuridão esta para onde parte o Deus.

É o cair das folhas, o resfriar do tempo, o silenciar da natureza. No hibernar dos animais, no esconder-se do verde, no acinzentar do tempo, o Deus parte para a Terra do Eterno Verão. A escassez apavora, e a vida começa a minorar. Os últimos frutos são colhidos, e junto com eles, a colheita do Sangue. Embutidos e conservas são preparados a partir do que não sobreviveria muito, enquanto os resquícios mais resistentes da natureza permanecem vivos como perspectiva de um novo verão. Nisto, o Deus doa a sua vida por amor a Terra, e mitologicamente passa a ser a morte do Gamo Rei, que para não trazer desgraça ao seu povo e à sua terra, cede lugar a outro que possa abençoá-la com fertilidade e Juventude. Ele se aninha no ventre da Deusa no Samhain, e espera, pacientemente, que um novo tempo sobrevenha, e torne-o, mais uma vez, promessa de vida.

Perceber a importância do Deus dentro do paganismo está para além da Roda do Ano. Essa importância pode ser observada nos Ritos de Passagem, na Prática Mágica, nos mistérios, e até mesmo no nosso cotidiano, quando sabemos lançar olhar sobre as coisas e observar o sagrado oculto no profano. Extrair do ordinário o fenômeno é algo que se aprende aos poucos, na vivência com o Sagrado Masculino, que integra o Sagrado de forma mais completa. Veremos isto logo a seguir.

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Adendo (comentário): Não é em toda Tradição que Deus fica do lado direito do altar. Entre os alexandrinos, por exemplo, Deus fica no lado esquerdo, porque ele governa a parte escura da Roda do ano. A visão de Deus no lado direito, e todas as suas implicações, se tornou popular porque é praticamente a única veiculada nos meios wiccanos brasileiros de grande repercussão. Isso acontece porque, infelizmente, ainda temos um problema de "monopólio Wicca" em nosso país, que acaba impondo certas visões particulares a uma grande gama de pessoas, como se fosse a única, ou a mais "correta". Aconselho que você leia o livro "Ritos e mistérios do Wicca", de um escritor português chamado Gilberto Lascariz. É um material bem acessível e que possui muitas informações sobre o Deus, para além de uma visão exclusivista e cada vez mais repetida de blog em blog sobre Deus. BB. Mark

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O Deus se manifesta de diversas formas. Fazendo-se presente em todos os momentos, não apenas nos momentos de poder da Roda do Ano, ele permeia toda a ritualística e a vida dos que se propõem trilhar os caminhos dos antigos.

Ele, a cada Esbat, quando celebramos a Deusa, é aquele que se ajoelha frente ao luar, e imbuído do poder que tem, invoca que a Senhora da Roda Prateada esteja sobre seus filhos, ajudando-os com seu poder. É ele que entoa o cântico de amor e conduz a Deusa em sua dança sagrada pelo céu. Seus passos levam a Deusa a bailar, enquanto Ela espalha o pó das estrelas, conferindo poder mágico e luz aos que buscam os mistérios pela arcana noite.

Ele também é a própria Lua. Convencionou-se dizer que a Lua é um símbolo exclusivamente feminino, ao passo que o Sol é exclusivamente masculino. Mas assim como podemos observar divindades femininas ligadas ao Sol (Como as Deusas Grian, Grainne, Amaterasu, Sigel e outras), existem Deuses ligados ao Poder Lunar e seus mistérios, como Gwydion, Chandra, Thoth, Mani e outros tantos das mais diversas culturas. Relembramos que as sociedades de outrora ligavam o luar à concepção, e assim a Lua, a priori, foi tida como um Deus, um fecundador. A lua está também ligada ao tempo. Os babilônicos tiveram um dos mais importantes calendários, sendo ele lunar, o qual teria sido feito por Sin, Deus da Lua, Sabedoria e Proteção contra os inimigos.

Aos que escolheram trilhar a senda do sacerdócio, o Deus é aquele que nos toma pela mão, e guia-nos pela noite escura da alma. Ele é aquele que abre as moradas secretas do nosso ser, que nos leva a olhar para dentro de nós mesmos, e encarar aquilo que mais tememos, ou que menos aceitamos. Ele é aquele que mostra as feridas abertas e faz-nos buscar saná-las por nós mesmos, como um guerreiro solitário. Ele nos incentiva e nos mostra como tratar das dores mais agudas, as mazelas mais profundas, buscando a cura mais eficaz. É ele que nos conduz ao submundo e dele nos faz emergir. Ao fim, ele nos capacita e faz com que, tal qual nos campos de batalha, tenhamos compaixão, amor, amizade, companheirismo, confiança e disposição para ajudar na cura dos companheiros de caminho, feridos pelas armadilhas e percursos do viver.

Ele se posta nos umbrais do mundo entre os mundos, nos desafia a se entregar totalmente ao caminho que não tem volta, nos prova como a lâmina provada no fogo. É ele quem nos aponta o fio mortal na hora da resposta mais importante, do passo mais relevante, no voto indissolúvel. Ao dar a resposta, é ele também quem nos entroniza, ou não, em seu círculo de força e magia, poder e alegria, amor e confiança. Mostrar a responsabilidade, apontar os caminhos, apresentar os perigos são atribuições dele, como também conscientizar-nos de nosso poder pessoal, incentivar-nos em nossas buscas, lembrarmo-nos do respeito que devemos a nós mesmos e ao outro.

Na sexualidade, ele é exemplo de uma vida plena e sadia. Ele é livre, e sua liberdade permite encarar sua vida sexual como algo que está entranhado no seu cotidiano. Não existe motivos para vergonha de seu corpo, não existe reserva para com a pessoa que ele escolhe para ter seus momentos de prazer, e não existe culpa no prazer desfrutado, pois ele compreende que todo ato de amor e prazer são rituais. Ensina isso aos seus filhos, mostrando que a diversidade de corpos, cores, opiniões e opções são algumas das muitas faces que resguarda a divindade. O desnudar-se é mais que meramente o livrar-se das roupas, é o ato de auto aceitação que nos faz nos religar ao Eu Superior que em nós habita.

Aos garotos, ele é o pai que ensina, que é companheiro, que compreende, que ama. Ele não é o homem que meramente participou da sua geração, que por convenções sociais e pressões de gênero o relega aos cuidados da mãe, deixando uma lacuna sentimental em seu ser. Ele é aquele que estabelece leis, parâmetros, que ensina, que o ajuda a transpor obstáculos, que o desafia frente às dificuldades, buscando que ele possa ser submetido a verdadeiros ritos de passagem, que o eleve a uma nova condição, que o coloque na condição de homem. Ele nos abraça quando temos frios, nos acarinha quanto estamos tristes, nos protege quando estamos indefesos, nos beija quando precisamos de amor, e nada disso diminui nossa masculinidade, seja qual for a nossa idade.

Às garotas, ele é o que protege, mas que também sabe que uma proteção exacerbada é opressora, diminuidora, tolhedora de liberdades. O Deus sabe que a Deusa tem a sua individualidade, e é sábia o suficiente para todos os assuntos. Para homens sagrados, o Deus tem como papel ser um espelho no qual possamos exercer nosso sacerdócio de forma digna e honrada, uma masculinidade respeitosa e libertadora, sendo instrumento de liberdade para si e para as mulheres que conosco vivem. O Deus conduz os passos que a Deusa em liberdade cria.

Honre a divindade que vive em você, dando preferência à abordagem prática, cotidiana dela. Traga o Deus para uma convivência íntima e ininterrupta consigo todos os dias. Você também pode querer erigir um altar para ele, como forma de fazer um instrumento de conexão constante, um local de encontro permanente com Ele. Irei sugerir uma forma simples de fazê-lo:

Você pode escolher um local. Você pode ter uma pequena prateleira, uma mesa de centro, sua mesa de cabeceira, e escolhê-la para ser o altar consagrado ao Deus. Siga a sua intuição. Use uma toalha de cor branca, uma vela de cor branca, verde, marrom ou laranja, ou da cor de uma divindade preferida. Você pode adicionar uma imagem ou estátua comprada ou confeccionada por você mesmo de seu Deus preferido ou de culto pessoal. Adicione outros símbolos, tais como Pedras pontudas, Bastões, Adagas, Chifres, símbolos solares e de animais tais como touros, cervos, águias. Penas de Falcão são ótimas também para enfeitar o altar. Coloque uma tigela para oferendas também. Se você não dispõe de um espaço a mais para criar um local particular de adoração ao Deus, você pode colocar as mesmas coisas À Direita do Altar que você já fez em casa, dando mais atenção ao espaço sagrado do Deus no seu altar.

Monte o seu altar da forma desejada, e todos os dias saúde o seu altar com uma pequena oração ao Deus e faça oferendas periódicas, como de incensos (Cedro, Canela, Girassol, Musgo de Carvalho), bebidas (Como cerveja, vinho, leite, água) e comidas (Pães, Grãos, de preferência algo feito por você). Deixe um dia, e depois oferte à natureza, enterrando em um lugar arborizado, ou se não, em um vaso de planta.

Tome um óleo perfumado (De preferência Almíscar, Cedro, Cravo ou Junípero, ou uma combinação deles) e o consagre para que você possa se ungir e abençoar com ele. Pelo menos uma vez por semana, tire um momento do dia para meditar um pouco com Deus. Faça um rito de conexão com ele, buscando conversar, e ao fim, abençoe-se com o óleo, ungindo o Chacra do Terceiro Olho, Laríngeo, Cardíaco, Sexual e o seu falo.

Agradeço nesta postagem especialmente ao Bruno Herzog, pela sugestão dada em uma de nossas conversas sobre Masculinidade Sagrada, na qual ele se questionava e acabou me incentivando a escrever algo que viesse a refletir sobre o papel do Deus dentro do Paganismo, de forma mais completa possível. Sei que ficaram lacunas, o que é de se esperar, mas espero que este texto seja o ensejo para que possamos refletir e vivenciar de forma mais efetiva o Deus.

Bênçãos do Senhor que Suscita a Vida!

textos e fotos vem daqui: http://alemdofalo.blogspot.com.br/2012_01_01_archive.html

21 de set. de 2012

Deusa Eostre

Oração à Deusa Eostre

Grande Mãe Saxônica
Deusa da alvorada, da luz crescente
Irradia por onde passa

Amor e alegria na gente.
Deusa do renascimento, da vegetação
Banha-se no orvalho
Traz pureza, beleza e emoção.
Deusa da juventude
Desperta em mim toda magia
E me traga tua plenitude
Em todas horas do meu dia.
Que se mova pela minha alma
Tão inquieta e milenar
Que em cada lua cheia
O fascínio e o brilho
Venha comigo ficar…
Deusa dos ovos decorados
Ovos de fertilidade e de vida
Que as flores da tua primavera
Floresçam também na minha vida.
Então abro meu coração e meu espírito
Com toda harmonia e força de vida
Com os ventos que sopram na minha direção.
Assim seja!

fonte: Recanto da Bruxas – Facebook

16 de ago. de 2012

Conceito de Mitologia

Autoria desconhecida

Mitologia - conceito

Aristóteles, em sua Poética, referindo-se ao teatro e à poesia, diz que o homem se compraz em imitar: "Ao que parece, duas causas, e ambas naturais, geraram a poesia. O imitar é congênito no homem ... e os homens se comprazem no imitado." (p 243). Com acerto, o mestre grego também poderia dizer que ao homem é próprio o desejo de registrar; registrar o que vê, o que ouve, o que sente, o que vive. A pré-história é muito mais longa que a história porém o homem começou a elaborar seus registros muito antes de ter inventado a escrita e o primeiro dos livros, certamente, foi a memória, esta faculdade psíquica, livro compartilhado pela fala em linguagem articulada, código transmissor de lembranças, conhecimento que assim transita entre as mentes e atravessa gerações. A forma mais primitiva de expressão e manutenção deste conhecimento é a elaboração do MITO.

O vocábulo grego mythos significa narrativa, relato. Ainda em Aristóteles, o mito é definido como "uma trama de fatos". Outros autores referem-se a mito e fábula como sinônimos e, neste caso, fábula é "narração alegórica, lenda, enredo" (Dicionário Aurélio). O filósofo renascentista italiano, Giambatista Vico, acredita que a composição dos mitos foi o primeiro instrumento intelectual posto à serviço do conhecimento cumulativo, que permitiu à humanidade transpor os limites de uma existência animal e evoluir para a racionalidade e para a civilização. Vico defende a hipótese de que os primeiros falantes foram poetas e "cantantes"; que o verso surgiu antes da prosa, o canto, antes do discurso e que todo conhecimento, toda ciência passa por um tratamento poético que resulta em narrativas exemplares denominadas "MITOS". Os mitos contêm ensinamentos e explicações. Em seu código alegórico, linguagem repleta de símbolos que ocultam múltiplos significados, os mitos, especialmente os arcaicos, oferecem respostas para numerosas inquietações do ser humano.

TEMAS UNIVERSAIS

A verdade poética é uma verdade metafísica - Vico

Através dos mitos, as concepções mais antigas sobre questões metafísicas tradicionais foram preservadas ao longo da história: quem somos, onde estamos, de onde viemos, a origem de todas as coisas, da Terra, do Universo. Estas perguntas, que até hoje não encontram resposta segura, verdadeiros mistérios para a ciência objetiva, estão entre os primeiros temas que despertaram o interesse do pensamento mítico (pensamento elaborador de narrativas). Todos os povos do mundo possuem relatos sobre a origem do mundo, do homem, de sua tribo. São os mitos astrofísicos e antropológicos. Existem também os mitos psicossociológicos protagonizados pelos heróis de todos os tempos. Estes, oferecem modelos de comportamento, paradigmas (padrões) éticos e morais.

Um dos aspectos mais curiosos da mitologia antiga é o seu caráter universal, ou seja, a repetição dos temas, dos enredos, em todo o mundo, com pequenas variações, como nomes trocados. As semelhanças são evidentes não obstante as enormes distâncias que separam as nações no espaço e no tempo. É um fato incontestável, comprovado por numerosos estudos. Essa universalidade do mito é um fenômeno que intriga a ciência acadêmica. A questão é saber como povos que jamais mantiveram contato entre si podem partilhar de mitos tão parecidos, quando não são estruturalmente (poeticamente) iguais. A pesquisa comparada das cosmo gêneses, antropogêneses e lendas heroicas são bons exemplos dessa convergência cultural. Como assinala Vico, em seus Princípios para uma ciência nova:"... cada uma das nações gentílicas teve o seu Júpiter. ... Cada nação gentílica contou com seu Hércules. Varrão, entendidíssimo das coisas das antiguidades, chegou a enumerar quarenta deles." (VICO, p 43).

Nos trechos transcritos abaixo é possível verificar esta coincidência mitológica. Comparando o Livro do Gênesis judaico-cristão com tradições das mais diferentes culturas é fácil constatar as semelhanças. Diz o Genesis: "No princípio Deus criou os céus e a terra. E a terra era informe e vazia e havia trevas sobre a face do abismo: e o Espírito de Deus pairava sobre as águas." (Gênesis, 1). Nos Livros de Dzyan, registros da sabedoria esotérica da Índia antiga, conforme a Doutrina Secreta de H.P.Blavatsky, o despertar do Universo começa assim:

"O Eterno Pai, envolto em suas Sempre Invisíveis Vestes, havia adormecido uma vez mais durante Sete Eternidades. ... O Tempo não existia ... A Mente Universal não existia ... Só as trevas enchiam o Todo Sem Limites. ... A última vibração da Sétima Eternidade palpita através do Infinito. ... A Vibração se propaga ... as Trevas sopram sobre as adormecidas Águas da Vida. ... As Trevas irradiam a Luz e a Luz emite um Raio. ... O Raio atravessa o Ovo Virgem ... e desprende o Germe Não Eterno que se condensa no Ovo do Mundo." (BLAVATSKY, p 95)

Entre os povos dos arquipélagos do oceano Pacífico, nativos das ilhas Sociedade também falam da solidão de seu Deus imerso nas trevas:

"Ta'roa estava sentado em sua concha, na escuridão perene. A concha assemelhava-se a um ovo que vagueava pelo espaço infinito. Não existiam nem o céu, nem a Terra, nem o mar, nem a Lua, nem o Sol, nem as estrelas."

Nas ilhas Samoa o "Deus" é Tagaloa:

"O deus Tagaloa pairava no vazio, ele que tudo criou, ele só. Antes dele não havia nem céu nem Terra, ele estava completamente só, dormindo na imensidão do espaço.... Seu nome era Tagaloa-fa'atutupu-nu'u, o que quer dizer causa do crescimento." (DANIKEN, p 57).

Muitos outros enredos, mais específicos, são notavelmente recorrentes: as "guerras dos anjos" , as "guerras nos céus", as teogonias e o eterno conflito entre criador e criatura, entre filhos e pais, os castigos dos deuses, os dilúvios e seus "Noés", as aventuras ancestrais dos "Iniciadores" de onde provém o conhecimento de todas as técnicas, o advento dos Salvadores da humanidade, os Apocalipses, fim do mundo, as crenças em Paraísos, Infernos e demônios.


Buda do século V d.C. e a lápide do rei Pacal, cultura maia também do século V, encontrada em Palenque, América Central.

O Toth egípcio, patrono das ciências e das artes, encontra correspondentes na Mesopotâmia, na Judéia, na Grécia, na Europa setentrional dos Vikings, na América dos pré-colombianos entre outras civilizações que floresceram na Antiguidade. Na Babilônia, há mais de trezentos anos antes de Cristo, o sacerdote Berosso documentou em sua obra histórica, Babylônika:

"Oriundo do mar da Eritréia (hoje mar da Arábia), onde beira a Babilônia, no primeiro ano apareceu um ser vivo dotado de inteligência, chamado Oannes. Tinha corpo de peixe. Debaixo da cabeça de peixe, porém, cresceu outra cabeça, esta, de ser humano; em seguida, pés humanos cresceram de sua cauda. O ser possuía voz humana. ... Este ser não se alimentava e durante o dia se relacionava com os homens. Assim lhes transmitiu o conhecimento da escrita, das ciências e das múltiplas artes; ensinou-lhes como se construíam cidades e se erguiam templos, como se introduziam as leis e se media a terra; mostrou-lhes a semeadura e a colheita de frutos (BEROSSO Apud DANIKEN, 1992 - p 123)

... o livro sagrado dos parses (persas), intitulado Avesta, registra que do mar surgiu um instrutor chamado Ima ... o qual ensinou os homens ... Para os fenícios, o ser de idênticas origens e capacidades chama-se Taut, e na velha China se relata que, à época do imperador Fuk-Hi, das águas do Meng-ho surgiu um monstro com corpo de cavalo e cabeça de dragão, cujo dorso ostentava uma chapa que possuía sinais de escrita." (DANIKEN, 1992 - p 125)

Lendas ou registros históricos, os mitos se repetem, tramas e personagens mudam de nomes e roupas, mas o significado da totalidade expressiva é o mesmo. A ideia de um raciocínio poética (recriador, imitador) como patrimônio intelectual comum a toda humanidade encontra apoio não somente nas semelhanças de mitos e lendas mas também nas artes plásticas e na arquitetura. Um bom exemplo pode ser encontrado na confrontação das culturas egípcia, indiana e pré-colombiana, que parecem irmãs com suas pirâmides e figuras humanas retratadas de perfil ou cercadas de simbologia esotérica.

Uma das três pirâmides de Gizé. Egito
EGITO

Templo do Sol, arquitetura maia, América Central
AMÉRICA CENTRAL

HIPÓTESES

Estudiosos de várias áreas do conhecimento têm se empenhado em explicar estas coincidências. Uma das mais destacadas teorias é a concepção do inconsciente coletivo, formulada pelo psicanalista pesquisador, K.G.Jung. O inconsciente coletivo seria como uma dimensão outra de existência, não física, porém real apesar de impalpável, abstrata, puramente mental. Neste plano ontológico do SER estariam preservadas lembranças ancestrais que a escrita não registrou. Livres de barreiras de tempo e espaço, os indivíduos poderiam acessar tal acervo de conhecimentos em estados psíquicos semelhantes ao sono e ao transe hipnótico - estado este que a psiquiatria de Jung e para além de Jung afirma mas não consegue descrever em termos científicos.

Nos anos de 1990, o bioquímico Rupert Sheldrake retomou a hipótese de Jung e vem reformulando seus fundamentos com base em pesquisas laboratoriais. Sheldrake concebe o inconsciente coletivo de uma forma mais específica e presume que essa "dimensão" é um campo energético de natureza ainda desconhecida onde as informações transitam através de ondas de ressonância. Homens e animais poderiam ser influenciados por estas ondas que interferem, através de percepção-recepção inconsciente, em amplo espectro da vida: da forma e funcionamento dos organismos até os seus gostos, seus comportamentos, suas estratégias de sobrevivência.

Antes de Jung e da bioquímica avançada, o renascentista Vico, já citado neste ensaio, acreditava que a humanidade partilha de uma linguagem mental universal:

"O senso comum é um juízo despido de qualquer reflexão, comumente experimentado por toda uma ordem, por todo um povo, por toda uma nação ou por todo o gênero humano. (...) Indispensável é que exista na natureza das coisas humanas uma língua mental comum a todas as nações."

Mais antiga ainda, a antropogênese hindu de tradição ocultista afirma que todos mitos de origem arcaica são relatos corrompidos da história completa e real da espécie humana sobre a Terra de tal modo que personagens como Júpiter, Hermes, Osíris, Adão, Nóe, Abraão, Rama, Khrisna, Buda e até mesmo Jesus, teriam existido de fato e fariam parte de uma legião de espíritos elevados que, em diferentes Ciclos ou Idades (Yugas), desempenharam o papel de civilizadores e mestres da ética e da moral para o progresso cármico da humanidade. Sendo a mesma, em todo lugar, a fonte da sabedoria, aqueles espíritos elevados, os mitos são necessariamente semelhantes porque nada mais são que uma herança cultural, uma bússola de orientação deixada pelos mestres em proveito de futuras gerações.

Os grandes personagens da história espiritual da humanidade, de fato, deixaram legados frutíferos. Os seguidores das principais religiões do mundo repetem seus ensinamentos, que são a fórmula básica da boa convivência social. A força da religiões é inquestionável e, mesmo que as teocracias tenham sido formalmente enterradas, inevitavelmente, os padrões de correção comportamental recomendados pelas Igrejas inspiram fortemente a ideologia das leis. Não matar, não roubar, não caluniar, são mandamentos das Tábuas das Leis do hinduísmo-budismo, do judaísmo, do cristianismo e do islamismo.

Isto confere ao mito uma função sócio-educativa:

"... poetas, que, no grego significa "criadores". Eis ... as três tarefas que deve cumprir a grande poesia: inventar sublimes fábulas, adequadas ao entendimento popular, e comovê-lo [o entendimento popular] ao máximo para ao fim... atingir o fim que si próprio prefixou, qual o de ensinar o povo a agir virtuosamente..." (VICO, 1979)

Esta ideia de Vico não pode ser facilmente negada. Os mitos realmente são "educativos", "ensinam" coisas ao povo e este não é um atributo exclusivo das narrativas da antiguidade. Os mitos se refazem apropriando-se dos signos de identidade do presente que os convoca. Heróis e vilões estão sempre em confronto, a trama é a mesma; o que se renova são as formas práticas do heroísmo e da vilania. O guerreiro do passado, o filho dos deuses, hoje é um atleta, um cantor, um ator de sucesso, um político carismático. A cultura oral está quase morta no espaço público porque não há velhinhos contando histórias na praça; em compensação, a oralidade resiste entre as paredes da vida privada e vai alcançar indivíduos dentro de casa, a qualquer hora do dia, mostrando as sagas dos mitos que protagonizam os programas de TV, que ilustram as capas das revistas semanais e que, esperamos, junto com Vico, sejam capazes de "ensinar o povo a agir virtuosamente".

BIBLIOGRAFIA

ARISTÓTELES. Poética. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

Bíblia Sagrada. São Paulo: Edigraf, 1960.

BLAVATSKY, Helena Petrovna. A doutrina secreta, v. I. São Paulo: Pensamento, 2001.

DANIKEN, Eric von. Viagem a Kiribati. São Paulo: Melhoramentos, 1993.

______________ Será que eu estava errado? São Paulo: Melhoramentos, 1992

Mitologia grega, v I. [coleção] São Paulo: Abril Cultural, 1973.

VICO, Giambatista. Princípios de uma ciência nova. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

13 de ago. de 2012

Deusa Hécate

Templo de Hecate - A Anciã

Mitologia e arquétipo

Rosane Volpatto - As três faces da Deusa

Hécate é o arquétipo mais incompreendido da mitologia grega. Ela é uma Deusa Tríplice Lunar vinculada com o aspecto sombrio do disco lunar, ou seja, o lado inconsciente do feminino. E, representa ainda, o lado feminino ligado ao destino. Seu domínio se dá em três dimensões: no Céu, na Terra e no Submundo.
Hécate é, portanto, uma Deusa lunar por excelência e sua presença é sentida nas três fases lunares.
A Lua Nova pressupõe a face oculta de Hécate, a Lua Cheia vai sendo aos poucos sombreada pelo seu lado escuro, revelando o aspecto negativo da Mãe. E a Lua Minguante revela seu aspecto luminoso. É preciso morrer para renascer.
Esta Deusa ainda permanece com o estigma de ser uma figura do mal. Essa percepção foi particularmente consolidada na psique ocidental durante o período medieval, quando a igreja organizada projetou este arquétipo em simplórias pessoas pagãs do campo que seguiam seus antigos costumes e habilidades populares ligados a fertilidade. Estes indivíduos eram considerados malévolos adoradores do “demônio”. Hécate era então, a Deusa das bruxas, Padroeira do aspecto virago, mas nos é impossível termos uma imagem clara do que realmente acontecia devido às projeções distorcidas, aos medos íntimos e inseguranças espirituais destes sacerdotes e confessores cristãos.
Hoje, mais do que nunca o homem têm consciência que a Lua é um astro que estimula o nosso inconsciente. Isso é verdadeiro para todas as pessoas, pois todos somos dependentes da atividade do inconsciente para a inspiração e a intuição, bem como para o funcionamento dos instintos, e para prover a consciência de "libido". Tudo isso é governado pela Lua, e por essa razão, é necessário permanecer em harmonia coma Lua e manter seu culto.
Foi através dos ciclos da Lua que o homem primitivo tomou consciência do tempo, mas onde a Lua e sua periodicidade mais se manifesta é na Mulher e no Feminino. A mulher não somente está ligada à periodicidade da Lua em suas transformações mentais, muito embora a sua periodicidade interior lunar tenha se tornado independente da lua exterior, como também sua mentalidade é determinada pela lua, e o comportamento de seu espírito é moldado pelo arquétipo da lua como a essência da consciência matriarcal.
A periodicidade da Lua, com seu pano de fundo noturno é símbolo de um espírito que cresce e se transforma em conexão com os processos obscuros do inconsciente. Do mesmo modo, o corpo da mulher passa por fases correspondentes. A partir da primeira menstruação, a mulher está automaticamente iniciada nos mistérios da consciência lunar, que também poderia ser chamada de consciência matriarcal, que jamais está separada do inconsciente, pois é uma fase, uma fase espiritual, do próprio inconsciente. Apta, a mulher poderá passar para segunda fase de sua cronologia que é ser mãe.

texto vem daqui: http://femininoessencial.ning.com/group/templodehecate

Deusa Hécate–a Deusa dos Caminhos

Autoria: Lúcia

Hécate, também chamada de Perséia, era filha dos titãs Astéria - a noite estrelada e Perses - o deus da luxúria e da destruição, mas foi criada por Perséfone - a rainha dos infernos, onde ela vivia. Antes Hécate morava no Olimpo, mas despertou a ira de sua mãe quando roubou-lhe um pote de carmim. Ela fugiu para a terra e tornando-se impura foi levada às trevas para ser purificada. Vivendo no Hades, ela passou a presidir as cerimônias e rituais de purificação e expiação. Hécate em grego significa "a distante".
Tinha características diferentes dos outros deuses mas Zeus atribuiu-lhe prestígio. Após a vitória dos deuses olímpicos contra os titãs, a titânomaquia, Zeus, Poseidon e Hades partilharam entre sí o universo. A Zeus coube o céu e a terra, a Poseidon coube os oceanos e Hades recebeu o mundo das trevas e dos mortos. Hécate manteve os seus domínios sobre a terra, os céus, os mares e sobre o submundo, continuando a ser honrada pelos deuses que a respeitavam e mantiveram seu poder sobre o mundo e o submundo.
Ela é representada ora com três corpos ora com um corpo e três cabeças, levando sobre a testa uma tiara com a crescente lunar, uma ou duas tochas nas mãos e serpentes enroladas em seu pescoço. Suas três faces simbolizam a virgem, a mãe e a velha senhora. Tendo o poder de olhar para três direções ao mesmo tempo, ela podia ver o destino, o passado que interferia no presente e que poderia prejudicar o futuro. As três faces passaram a simbolizar seu poder sobre o mundo subterrâneo, ajudando à deusa Perséfone a julgar os mortos.
Para os romanos era considerada Trívia - a deusa das encruzilhadas. Associada ao cipreste, Hécate se fazia acompanhar de seus cães, lobos e ovelhas negras. Por sua relação com os encantamentos, feitiços e a obscuridade, os magos e bruxas da antiga Grécia lhe faziam oferendas com cães e cordeiros negros no final de cada lua nova. Também combateu Hércules quando ele tentou enfrentar Cérbero, o cão guardião do inferno com três cabeças que sempre lhe acompanhava.
O tríplice poder de Hécate se estendia do inferno, à terra e ao mar. Ela rondava a terra nas noites da lua nova e no mar tinha seus casos de amor. Considerada uma divindade tripla: lunar, infernal e marinha, os marinheiros consideravam-na sua deusa titular e pediam-lhe que lhes assegurasse boas travessias. O próprio Zeus lhe deu o poder de conceder ou negar qualquer desejo aos mortais e aos imortais. Foi Hécate quem ajudou Deméter quando ela peregrinou pelo mundo em busca de sua filha Perséfone.
Quando Perséfone, a amada filha de Deméter foi raptada por Hades - o senhor do submundo - quando colhia flores, sua mãe perambulou em desespero por toda a Terra. Senhora dos cereais e alimento, a grande mãe Deméter mortificada pela tristeza, privou todos os seres de alimento. Nada nascia na terra e Hécate, sendo sábia e observando o que acontecia, contou a Deméter o que havia sucedido a Perséfone.
Zeus decidiu interferir e ordenou que Perséfone regressasse para junto de sua mãe, desde que não tivesse ingerido nenhum alimento nos infernos. Porém, antes de retornar, Perséfone comeu algumas sementes de romã, o fruto associado às travessias do espírito. Assim ele podia passar duas partes do ano na superfície junto da Mãe, era quando a terra florescia. Mas Perséfone devia retornar para junto de Hades uma parte, era quando a terra cessava de florescer.
Hécate espalhava sua benevolência para os homens, concedendo graças a quem as pedia. Dava prosperidade material, o dom da eloquência na política, a vitória nas batalhas e nos jogos. Proporcionava peixe abundante aos pescadores e fazia prosperar ou definhar o gado. Seus privilégios se estendiam a todos os campos e era invocada como a deusa que nutria a juventude, protetora das crianças, enfermeira e curandeira de jovens e mulheres.
Acreditava-se que ela aparecia nas noites de Lua Nova com sua horrível matilha diante dos viajantes que cruzavam as estradas. Ela era considerada a deusa da magia e da noite em suas vertentes mais terríveis e obscuras. Com seu poder de encantamento, também enviava os terrores noturnos e espectros para atormentar os mortais. Frequentava as encruzilhadas, os cemitérios e locais de crimes e orgias, tornando-se assim a senhora dos ritos e da magia negra. Senhora dos portões entre o mundo dos vivos e o mundo subterrâneo das sombras, Hécate é a condutora de almas e as Lâmpades, ninfas do Subterrâneo, são suas companheiras.
Com Eetes, Hécate gerou a feiticeira Circe - a deusa da noite que se tornou uma famosa feiticeira com imenso poder da alquimia. Segundo a lenda, a filha de Hécate elaborava venenos, poções mágicas e podia transformar os homens em animais. Vivendo em um palácio cheio de artifícios na Ilha Ea ou Eana, no litoral da Itália, Circe se tornou a deusa da Lua Nova ou Lua Negra, sendo relacionada à morte horrenda, à feitiçaria, maldições, vinganças, sonhos precognitivos, magia negra e aos encantamentos que ela preparava em seus grandes caldeirões.

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Descendente dos Titãs, Hécate não tem um mito próprio e foi uma das divindades mais ignoradas da mitologia grega, mencionada apenas em outros mitos, tal como o mito de Perséfone e Deméter. Hécate é deusa dos caminhos e seu poder de olhar para três direções ao mesmo tempo sugere que algo no passado pode interferir no presente e prejudicar planos futuros.
A deusa grega nos lembra da importância da mudança, ajudando-nos a libertar do passado, especialmente do que atrapalha nosso crescimento e evolução, para aceitar as mudanças e transições. Às vezes ela nos pede para deixar o que é familiar e seguro para viajarmos para os lugares assustadores da alma. Novos começos, seja espiritual ou mundano, nem sempre são fáceis mas Hécate está lá para apoiar e mostrar o caminho.
Ela empresta sua clarividência para vermos o que está profundamente esquecido ou até mesmo escondido de nós mesmos, ajudando a encontrarmos e escolhermos um caminho na vida. Com suas tochas, ela nos guia e pode nos levar a ver as coisas de forma diferente, inclusive vermos a nós mesmos, ajudando-nos a encontrar uma maior compreensão de nós mesmos e dos outros.
Hécate nos ensina a sermos justos e tolerantes com aqueles que são diferentes e com aqueles que tem menos sorte, mas ela não é demasiadamente vulnerável, pois Hécate dispensa justiça cega e de forma igual. Apesar de seu nome significar "a distante", Hécate está presente nos momentos de necessidade. Quando liberamos o passado e o que nos é familiar, Hécate nos ajuda a encontrar um novo caminho através de novos começos, apesar da confusão das ideias, da flutuação dos nossos humores e às incertezas quando enfrentamos as inevitáveis mudanças de vida.
A poderosa deusa possuía todos aspectos e qualidades femininos, tendo sob seu controle as forças secretas da natureza. Considerada a patrona das sacerdotisas, deusa das feiticeiras e senhora das encruzilhadas, Hécate transita pelos três reinos, a todos conhece mas nenhum domina. Os três reinos são posses de figuras masculinas, mas ela está além da posse ou do ego, ela é a sábia, a anciã. A senhora do visível e do invisível, aguarda na encruzilhada e observa: o passado, o presente e o futuro. Ela não se precipita, aguarda o tempo que for preciso até uma direção ser tomada. Ela não escolhe a direção, nós escolhemos. Ela oferece apenas a sua sabedoria e profunda visão, acima das ilusões.
Os gregos sempre viam Hécate como uma jovem donzela. Acompanhada frequentemente em suas viagens por uma coruja, símbolo da sabedoria, a ela se atribuía a invenção da magia e da feitiçaria, tendo sido incorporada à família das deusas feiticeiras. Dizia-se que Medéia seria a sacerdotisa de Hécate. Ela praticava a bruxaria para manipular com destreza ervas mágicas, venenos e ainda para poder deter o curso dos rios e comprovar as trajetórias da lua e das estrelas.
Como deusa dos encantamentos, acreditava-se que Hécate vagava à noite pela Terra, sempre acompanhada por seu espíritos e fantasmas. Suas lendas contam que ela passava pela Terra ao pôr do Sol, para recolher os mortos daquele dia. Como feiticeira, não podia ser vista e sua presença era anunciada apenas pelos latidos dos cães. Na verdade, as imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes da deusa, protetora da independência feminina, defensora contra a violência e opressão das mulheres, regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.
Em função dessas memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a deusa escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens distorcidas não são reais nem verdadeiras. Elas foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.
Para receber seus dons visionários, criativos ou proféticos, precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da deusa escura dentro de nós, honrando seu poder e lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos sua presença em nós, ela irá nos guiar. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações. Somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo.
A conexão com Hécate representa um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique. Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação.
As Moiras teciam, mediam e cortavam o fio da vida dos mortais, mas Hécate podia intervir nos fios do destino. Muitas vezes foi representada com uma foice ou punhal para cortar as ligações com o mundo dos vivos. O cipreste está associado à imortalidade, intemporalidade e eterna juventude. Sendo a morte encarada como passagem transformadora e não o fim assustador e definitivo, essa significação tem origem na própria terra que dá vida, dá a morte e transforma os frutos em novas sementes que irão renascer.

texto vem daqui: http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2011/10/hecate-deusa-dos-caminhos.html