Quetzalcoatl representa as energias telúricas que ascendem, daí a sua representação como uma serpente emplumada. Neste sentido, representa a vida, a abundância da vegetação, o alimento físico e espiritual para o povo que a cultua ou o indivíduo que tenta uma ascese espiritual.
Quetzalcoatl, principal divindade do panteão “maia/azteca”, representada por um pássaro/serpente ou uma serpente emplumada, é também o nome de um conceito cósmico, dando a ideia de ponte entre o animal e o divino. Na chave interpretativa astronômica, Quetzalcoatl é a Via Láctea e na astrológica, o planeta Vénus, com o qual o vemos continuamente identificado. Dizem as tradições que inaugurou a Era do Centro, a 5° idade, aquela que ultrapassou os 4 sóis precedentes, isto é, as 4 raças de que nos fala o “Popol Vuh”. Este ser, entre mítico e histórico, já que nos anais encontramos um governante com o mesmo nome, tinha como preocupação vencer a inércia e verticalizar os esforços, criando assim uma doutrina mística que lembrasse aos homens sua origem celeste. Por isso, o Quincunce era seu emblema, como também de um remoto deus “Huehueteo tl” - Velho deus do Fogo - (lembremos que o fogo é elemento dinâmico por excelência) e se observarmos detidamente o Quincunce percebemos que nele está impresso um continuo movimento de transformação ininterrupta. Se nos aproximamos do oriente há uma divindade de que nos fala o Rig Veda, isto é, Agni que "coincidentemente" simboliza o fogo, responsável pela purificação da matéria.
fonte e texto: http://www.luzemhisterio.com.br







A figura de Quetzalcóatl também aparece muita destacada no mito Azteca, porque se trata do deus que se sacrifica pelos humanos para devolver-lhes a terra, entregando-se ele e o seu duplo, o seu nahual, ao reino dos mortos. Quetzalcóatl gozava da simpatia dos seus fiéis, dado que ele era o criador das artes e das indústrias, a divindade encarregada de fazer chegar tudo o que o ser humano tinha a seu favor, embora também fosse tratado como uma divindade temível, dado que se lhe devia sacrificar um belo escravo, comprado quarenta dias antes da festa do deus; do seu corpo se apoderavam os mais ricos comerciantes, dado que essa carne santificada também era manjar ritual. Mas, à parte dos sacrifícios de sangue, tão intimamente unidos com a religião azteca, o bom deus Quetzalcóatl, enfrentado a Tezcatlipoca, que tinha introduzido entre os habitantes da cidade de Tula a maldade e o vício, termina por ter que abandonar a sua própria terra, na qual os povoadores já tinham sofrido o castigo à sua desobediência, para sair para o mar, não sem antes prometer regressar algum dia glorioso, dia que se esperava ativamente, com uma sentinela constante das costas por onde se sabia que Quetzalcóatl regressaria para trazer só o bem ao seu povo. Tal foi o mito, e Hernan Cortês, informado da sua existência, aproveitou a firme crença da povoação azteca para apresentar-se, no seu esplendor de cavalheiro conquistador, armado e engalanado, como o navegante mitológico que regressava aos seus domínios, anulando com astúcia qualquer a possível resistência que o imponente império podia ter-lhe apresentado.