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24 de nov. de 2012

As Três Faces de Afrodite

 

Afrodite talvez seja a Deusa grega mais conhecida pelas massas. Mas será que de fato a conhecemos?
Tentei reunir aqui um pouco do trabalho de pesquisa que fiz em busca das origens do culto e facetas de Afrodite, mas a medida em que minha pesquisa avançada, eu percebia que nenhuma pesquisa, por completa que seja, conseguiria tocar a verdade sobre a conhecida Deusa do Amor.
Há quem considere Afrodite uma variação da Deusa sumeriana do amor e da guerra, Inanna, e isso explicaria o nascimento de Afrodite ter sido no mar, pois somente por essa via o culto à Deusa do amor chegaria do oriente ao ocidente. Talvez seja por esse motivo que Afrodite é também considerada protetora dos viajantes.
De fato, estudando ambas, pude notar muitos pontos em comum. No entanto, a ideia central desse trabalho não é traçar uma comparação entre as duas Deusas, mas compartilhar minhas pesquisas focadas em Afrodite.
Começando pelo seu nascimento, encontrei três versões diferentes.

A primeira versão é segundo Hesíodo – poeta grego da idade arcaica, que escreveu “A gênese dos deuses” e “Os trabalhos e os dias” – para quem Afrodite teria nascido do falo de Urano, extirpado por seu filho Cronos.
Cronos, o filho mais novo de Gaia ou Geia e Urano (Terra e Céu), cortou os genitais do pai porque ele aprisionara seus irmãos nos confins da Terra, no Tártaro.
O falo de Urano foi jogado no mar e das espumas desse nasceu Afrodite. Essa versão explica a origem do nome de Afrodite, “nascida da espuma”.
Logo após seu nascimento, a Deusa nadou até chegar na ilha de Citera. Por isso também é conhecida pelo nome de Citeréia. Segundo a lenda, por onde Afrodite passava, a relva se renovava, as flores nasciam, ela trazia o amor maior, o amor que tudo fertiliza, que embeleza.
Vale, portanto, a associação da Deusa do amor com a primavera, pois está intimamente ligada à vida que se renova, às flores, aos nascimentos. Para corroborar essa associação, encontramos uma outra denominação para a Deusa, Antheia, a Deusa das Flores.
Depois de Citera, Afrodite foi para Chipre, onde foi recebida pelas Horas, guardiãs da porta do céu (o Olimpo) e filhas de Têmis, Deusa da Justiça. Nessa ocasião, Afrodite foi vestida por elas e, em seguida, levada à presença dos Deuses. Encantou a todos, claro!
É dessa versão do nascimento de Afrodite que nasce a chamada Afrodite Urânia, doadora do amor universal, da qual falaremos mais além.
A segunda versão de seu nascimento é encontrada, entre outras fontes, em Homero, poeta grego que viveu por volta de 850 a.C em Jônia, antigo distrito grego onde hoje situa-se a Turquia.
Homero escreveu Ilíada e Odisseia, porém, há sérias controvérsias históricas em razão da diferença de estilo entre as duas obras. A controvérsia é tanta que há quem ponha em dúvida, inclusive, a existência de Homero. Dessa discussão nasceu a expressão “questão homérica” a qual se diz quando estamos diante de um impasse.
Pois bem, segundo essa segunda versão do nascimento de Afrodite, descrita também por Homero, a Deusa teria nascido de Zeus e Dione. Porém, me parece que nessa versão encontramos uma forma de restringir a amplitude e força da Deusa.
Entre as discrepâncias encontradas nessa versão, a que mais me chamou a atenção foi o fato de Afrodite ser também conhecida pelo nome de Dione, que é a forma feminina de Zeus, conhecida como Deusa das águas, das fontes, do carvalho e dos oráculos, sendo essa última característica de Afrodite, pouco mencionada.
A terceira versão do nascimento de Afrodite é pouco conhecida. O que sabemos é que Afrodite teria nascido de um caramujo e desembarcado de uma concha na ilha de Citera.
Em Cnido – costa da Ásia maior – o caramujo é considerado uma criatura sagrada da Deusa.
Outra ligação de Afrodite com o caramujo está na lenda de que Afrodite, antes do Olimpo, viveu no mar, na companhia de um caramujo de extrema beleza chamado Nérites, filho de Nereu, uma das facetas da triplicidade da divindade do mar conhecida como “O Velho do Mar”.
Pouco se sabe dessa terceira versão do nascimento da Deusa, mas é inegável a relação de Afrodite com o caramujo.
Essas três versões da origem de Afrodite nos falam de seu nascimento na água. Afrodite nasce na água, ou da água do mar, o por nós conhecido útero primordial. Nós, seres humanos, também nascemos na água. Talvez nosso passado intra-uterino faça com que tenhamos tanto amor por essa Deusa maravilhosa, e talvez seja também esse nosso passado intra-uterino que nos dê a sensação de retorno às nossas origens quando mergulhamos no mar.
Outro ponto interessante sobre a força de Afrodite é que Ela é o amor que tudo gera.
Nós também somos, ou temos, esse amor que nasceu nas águas. A água é símbolo do nosso inconsciente, do nosso lado feminino, da fertilidade, da emoção.
O oceano primordial de onde creem alguns termos nos originado me lembra muito o nascimento de Afrodite e sua relação com a humanidade.
Quem sabe Afrodite não seja a expressão humana dessa vida, pois tudo que ela toca se torna fértil, pulsante e vivo. Quem sabe Afrodite não seja essa própria força geradora da vida.
Afrodite e a humanidade, que relação impressionante. Mesmo entre os que dizem não cultuar a Deusa, nutre por Ela uma estranha ligação.
Como Deusa do Amor Maior, da beleza e da vida Afrodite também pode ser cruel, destruidora, como veremos. Nesse ponto reside a estreita conexão de Afrodite com a humanidade. Temos em nós esses dois polos, essas duas versões de nós mesmos.
A bem da verdade, não seria correto dizer “dois polos de Afrodite”. Poucos conhecem a versão tríplice da Deusa do Amor. Porém, noto que, cada vez que pesquiso sobre aspectos de determinada divindade, sempre encontro essa característica tríplice que, pasmem, também não para no número três. Mas isso é assunto para outro texto.
Hoje o que conhecemos de Afrodite é reduzido ao quesito amor. Porém, Afrodite se mostra muito além do que se é possível escrever sobre a Deusa.
Afrodite não é somente a Deusa do amor e da beleza. A primeira face de Afrodite, em sua triplicidade, é Afrodite Urânia, distribuidora do amor universal, a doce, a bela, aquela que une os pares com amor, que dá cor e beleza ao mundo. É a Deusa do céu, das estrelas, do amor celestial. Sempre que penso nesse aspecto de Afrodite, me lembro da já mencionada Inanna, a Deusa dos Céus, como provedora, amorosa.
A segunda face é Afrodite Pandemos, que está intimamente ligada a questões carnais, sexuais, físicas, materiais. O amor sensual é domínio dessa faceta da Deusa, é Ela quem nos oferece os prazeres do corpo, que desperta o desejo, que nos faz querer a beleza para conquistar.
O terceiro aspecto é o menos conhecido, Afrodite Apostrófia, que significa “aquela que se afasta”. Esse é o aspecto destruidor da Deusa, o aspecto mais difícil e menos explorado.
É como se quisessem deixar à mostra somente o lado que convém. Vemos muito disso ao estudar essa Deusa.
Afrodite Apostrófia é que deturpa, a que escraviza e a que traz a mazelas, as desgraças. Penso muito nas modelos anoréxicas e bulímicas quando ouço o nome Afrodite Apostrófia.
Como dissemos, em verdade, não se trata de apenas três faces. O culto de Afrodite e suas faces vão variando conforme a época, o local e a ideologia do povo.
Temos, por exemplo, Afrodite Eleêmon, cultuada em Chipre como “A Misericordiosa”, cuja imagem se assemelha muito com a da Virgem Maria, porém, sem o aspecto da castidade.
Afrodite Pasifessa, “A que brilha longe”, conhecida como a Deusa lunar que rege os mistérios do inconsciente.
Afrodite Zeríntia, que muito se assemelha a Hécate. Afrodite Zeríntia é uma face da Deusa que está além do Olimpo, cujos domínios são além da Terra e do céu, assim como Hécate.
Para os atenienses, Afrodite Zeríntia era a mais velha das moiras.
Outro ponto em comum com Hécate era o sacrifício de cachorros, feitos em honra à Afrodite na costa trácia, posto que esse animal era consagrado à Afrodite Zeríntia.
Afrodite Genetílis, outra faceta da Deusa, também recebia sacrifícios. Ficou conhecida como Vênus Genetrix, pelos latinos, a Deusa dos partos.
Temos também conhecimento de um outro aspecto da Deusa, Afrodite Hetaira, que era venerada pelas cortesãs.
Diferentes das prostitutas pobres e não cidadãs, as hetairas eram treinadas desde cedo nas artes do sexo.
Aquele que comprava uma hetaira pagava uma soma muito alta. Tratava-se de um investimento. Muitos pagavam fortunas pelos favores sexuais das hetairas, e investiam também nos dotes artísticos delas.
É fato histórico que algumas hetairas acabaram comprando sua liberdade, tornando-se grandes e conhecidas mulheres.
Em Esparta, Afrodite era adorada como Enóplio, portando armas, e Afrodite Morfo, a acorrentada. Era chamada de “a de corpo bem feito” ou “a de várias formas”.
Afrodite Ambológera era adorada também em Esparta como aquela que adia a velhice, trazendo vigor físico.
Temos também a Afrodite Negra, ou Melena/ Melênis, dominadora dos mistérios da morte e destruição, aspecto relacionado com as Erínias.
Aliás, os aspectos negros de Afrodite são os que menos conhecemos. Podemos citar Afrodite Andrófono, a matadora de homens; Afrodite Anósia, a que peca, e Afrodite Tamborico, a cavadora de túmulos.
Existe também a ligação de Afrodite com Perséfone. Afrodite Persefessa era invocada como Rainha do submundo.
Interessante notar que Eurínome, a Deusa primordial dos pelasgos, também tinha relação com o mar, era a Deusa dos prazeres, governou antes do patriarcado olimpiano e foi rebaixada, deixada de lado.
Como podemos ver, Afrodite é muito mais complexa do que lemos por aí. Não daria para explanar toda a complexidade da Deusa nesse trabalho.
Afrodite não se resume ao amor físico, nem ao amor universal, nem ao sexo, nem à beleza. Ela rege tudo isso e muito mais. Afrodite é o amor entre seres e intra seres, é o amor que cria, mas é também o amor que ceifa.
Afrodite está presente no sexo, no prazer, Ela é o desejo, a vontade entre dois seres. É Ela quem faz com que duas pessoas se desejem e desse desejo mútuo, dessa explosão de energia entre dois corpos, duas mentes e dois espíritos possa ser criado um outro ser, pois Afrodite é doadora da vida também.
Afrodite é a própria beleza da Terra, não diz respeito somente a corpos jovens e esbeltos. Para Afrodite a beleza plástica não vale nada. Afrodite quer a beleza da mente, do corpo e do espírito.
De nada adiantará explorarmos as novidades cosméticas se não explorarmos nossa beleza real, aquela que é dada por Afrodite a todos, sem exceção.
Afrodite abençoou a todos com a beleza, é uma sabedoria que poucos compreendem.
Creio que Afrodite perguntaria às pessoas:
De que adianta a sua beleza, sua perfeição se você vive destrói o seu planeta?
De que adianta a forma física perfeita se é vazio por dentro?
Como pode você desejar a beleza constantemente na sua vida e degradar a sua casa?
Afrodite é doadora da beleza, do viço, porém, Afrodite também deseja que cada um de nós leve a beleza para a vida daqueles que nos cercam.
O que acontece com pessoas bonitas, jovens, que exercem sua sexualidade desmedida?
O que acontece com pessoas que em nome do amor aprisionam outro ser?
O que acontecem com pessoas que buscam a beleza vazia?
Solidão.
Solidão no sentido mais amplo.
Afrodite vai embora e leva consigo a real beleza, o sexo pleno, o amor verdadeiro.
É nessa hora que podemos conhecer a face da qual poucos falam, Afrodite Apostrófia, aquela que se afasta.

Por: Lua Serena
(Extraído da página do Facebook Espiral das Bacantes)

20 de mai. de 2012

Deusa Afrodite

Autoria: Lua Serena

Afrodite talvez seja a Deusa grega mais conhecida pelas massas. Mas será que de fato a conhecemos?

Tentei reunir aqui um pouco do trabalho de pesquisa que fiz em busca das origens do culto e facetas de Afrodite, mas a medida em que minha pesquisa avançada, eu percebia que nenhuma pesquisa, por completa que seja, conseguiria tocar a verdade sobre a conhecida Deusa do Amor.

Há quem considere Afrodite uma variação da Deusa sumeriana do amor e da guerra, Inanna, e isso explicaria o nascimento de Afrodite ter sido no mar, pois somente por essa via o culto à Deusa do amor chegaria do oriente ao ocidente. Talvez seja por esse motivo que Afrodite é também considerada protetora dos viajantes.

De fato, estudando ambas, pude notar muitos pontos em comum. No entanto, a ideia central desse trabalho não é traçar uma comparação entre as duas Deusas, mas compartilhar minhas pesquisas focadas em Afrodite.

Começando pelo seu nascimento, encontrei três versões diferentes.

A primeira versão é segundo Hesíodo – poeta grego da idade arcaica, que escreveu “A gênese dos deuses” e “Os trabalhos e os dias” – para quem Afrodite teria nascido do falo de Urano, extirpado por seu filho Cronos.

Cronos, o filho mais novo de Gaia ou Geia e Urano (Terra e Céu), cortou os genitais do pai porque ele aprisionara seus irmãos nos confins da Terra, no Tártaro.

O falo de Urano foi jogado no mar e das espumas desse nasceu Afrodite. Essa versão explica a origem do nome de Afrodite, “nascida da espuma”.

Logo após seu nascimento, a Deusa nadou até chegar na ilha de Citera. Por isso também é conhecida pelo nome de Citeréia. Segundo a lenda, por onde Afrodite passava, a relva se renovava, as flores nasciam, ela trazia o amor maior, o amor que tudo fertiliza, que embeleza.
Vale, portanto, a associação da Deusa do amor com a primavera, pois está intimamente ligada à vida que se renova, às flores, aos nascimentos. Para corroborar essa associação, encontramos uma outra denominação para a Deusa, Antheia, a Deusa das Flores.

Depois de Citera, Afrodite foi para Chipre, onde foi recebida pelas Horas, guardiãs da porta do céu (o Olimpo) e filhas de Têmis, Deusa da Justiça. Nessa ocasião, Afrodite foi vestida por elas e, em seguida, levada à presença dos Deuses. Encantou a todos, claro!

É dessa versão do nascimento de Afrodite que nasce a chamada Afrodite Urânia, doadora do amor universal, da qual falaremos mais além.

A segunda versão de seu nascimento é encontrada, entre outras fontes, em Homero, poeta grego que viveu por volta de 850 a.C em Jônia, antigo distrito grego onde hoje situa-se a Turquia.

Homero escreveu Ilíada e Odisseia, porém, há sérias controvérsias históricas em razão da diferença de estilo entre as duas obras. A controvérsia é tanta que há quem ponha em dúvida, inclusive, a existência de Homero. Dessa discussão nasceu a expressão “questão homérica” a qual se diz quando estamos diante de um impasse.

Pois bem, segundo essa segunda versão do nascimento de Afrodite, descrita também por Homero, a Deusa teria nascido de Zeus e Dione. Porém, me parece que nessa versão encontramos uma forma de restringir a amplitude e força da Deusa.

Entre as discrepâncias encontradas nessa versão, a que mais me chamou a atenção foi o fato de Afrodite ser também conhecida pelo nome de Dione, que é a forma feminina de Zeus, conhecida como Deusa das águas, das fontes, do carvalho e dos oráculos, sendo essa última característica de Afrodite, pouco mencionada.

A terceira versão do nascimento de Afrodite é pouco conhecida. O que sabemos é que Afrodite teria nascido de um caramujo e desembarcado de uma concha na ilha de Citera.

Em Cnido – costa da Ásia maior – o caramujo é considerado uma criatura sagrada da Deusa.

Outra ligação de Afrodite com o caramujo está na lenda de que Afrodite, antes do Olimpo, viveu no mar, na companhia de um caramujo de extrema beleza chamado Nérites, filho de Nereu, uma das facetas da triplicidade da divindade do mar conhecida como “O Velho do Mar”.
Pouco se sabe dessa terceira versão do nascimento da Deusa, mas é inegável a relação de Afrodite com o caramujo.

Essas três versões da origem de Afrodite nos falam de seu nascimento na água. Afrodite nasce na água, ou da água do mar, o por nós conhecido útero primordial. Nós, seres humanos, também nascemos na água. Talvez nosso passado intra-uterino faça com que tenhamos tanto amor por essa Deusa maravilhosa, e talvez seja também esse nosso passado intra-uterino que nos dê a sensação de retorno às nossas origens quando mergulhamos no mar.

Outro ponto interessante sobre a força de Afrodite é que Ela é o amor que tudo gera.

Nós também somos, ou temos, esse amor que nasceu nas águas. A água é símbolo do nosso inconsciente, do nosso lado feminino, da fertilidade, da emoção.

O oceano primordial de onde creem alguns termos nos originado me lembra muito o nascimento de Afrodite e sua relação com a humanidade.

Quem sabe Afrodite não seja a expressão humana dessa vida, pois tudo que ela toca se torna fértil, pulsante e vivo. Quem sabe Afrodite não seja essa própria força geradora da vida.

Afrodite e a humanidade, que relação impressionante. Mesmo entre os que dizem não cultuar a Deusa, nutre por Ela uma estranha ligação.

Como Deusa do Amor Maior, da beleza e da vida Afrodite também pode ser cruel, destruidora, como veremos. Nesse ponto reside a estreita conexão de Afrodite com a humanidade. Temos em nós esses dois polos, essas duas versões de nós mesmos.

A bem da verdade, não seria correto dizer “dois polos de Afrodite”. Poucos conhecem a versão tríplice da Deusa do Amor. Porém, noto que, cada vez que pesquiso sobre aspectos de determinada divindade, sempre encontro essa característica tríplice que, pasmem, também não para no número três. Mas isso é assunto para outro texto.

Hoje o que conhecemos de Afrodite é reduzido ao quesito amor. Porém, Afrodite se mostra muito além do que se é possível escrever sobre a Deusa.

Afrodite não é somente a Deusa do amor e da beleza. A primeira face de Afrodite, em sua triplicidade, é Afrodite Urânia, distribuidora do amor universal, a doce, a bela, aquela que une os pares com amor, que dá cor e beleza ao mundo. É a Deusa do céu, das estrelas, do amor celestial. Sempre que penso nesse aspecto de Afrodite, me lembro da já mencionada Inanna, a Deusa dos Céus, como provedora, amorosa.

A segunda face é Afrodite Pandemos, que está intimamente ligada a questões carnais, sexuais, físicas, materiais. O amor sensual é domínio dessa faceta da Deusa, é Ela quem nos oferece os prazeres do corpo, que desperta o desejo, que nos faz querer a beleza para conquistar.

O terceiro aspecto é o menos conhecido, Afrodite Apostrófia, que significa “aquela que se afasta”. Esse é o aspecto destruidor da Deusa, o aspecto mais difícil e menos explorado.
É como se quisessem deixar à mostra somente o lado que convém. Vemos muito disso ao estudar essa Deusa.

Afrodite Apostrófia é que deturpa, a que escraviza e a que traz a mazelas, as desgraças. Penso muito nas modelos anoréxicas e bulímicas quando ouço o nome Afrodite Apostrófia.
Como dissemos, em verdade, não se trata de apenas três faces. O culto de Afrodite e suas faces vão variando conforme a época, o local e a ideologia do povo.

Temos, por exemplo, Afrodite Eleêmon, cultuada em Chipre como “A Misericordiosa”, cuja imagem se assemelha muito com a da Virgem Maria, porém, sem o aspecto da castidade.
Afrodite Pasifessa, “A que brilha longe”, conhecida como a Deusa lunar que rege os mistérios do inconsciente.

Afrodite Zeríntia, que muito se assemelha a Hécate. Afrodite Zeríntia é uma face da Deusa que está além do Olimpo, cujos domínios são além da Terra e do céu, assim como Hécate.
Para os atenienses, Afrodite Zeríntia era a mais velha das moiras.

Outro ponto em comum com Hécate era o sacrifício de cachorros, feitos em honra à Afrodite na costa trácia, posto que esse animal era consagrado à Afrodite Zeríntia.

Afrodite Genetílis, outra faceta da Deusa, também recebia sacrifícios. Ficou conhecida como Vênus Genetrix, pelos latinos, a Deusa dos partos.

Temos também conhecimento de um outro aspecto da Deusa, Afrodite Hetaira, que era venerada pelas cortesãs.

Diferentes das prostitutas pobres e não cidadãs, as hetairas eram treinadas desde cedo nas artes do sexo.

Aquele que comprava uma hetaira pagava uma soma muito alta. Tratava-se de um investimento. Muitos pagavam fortunas pelos favores sexuais das hetairas, e investiam também nos dotes artísticos delas.

É fato histórico que algumas hetairas acabaram comprando sua liberdade, tornando-se grandes e conhecidas mulheres.

Em Esparta, Afrodite era adorada como Enóplio, portando armas, e Afrodite Morfo, a acorrentada. Era chamada de “a de corpo bem feito” ou “a de várias formas”.

Afrodite Ambológera era adorada também em Esparta como aquela que adia a velhice, trazendo vigor físico.

Temos também a Afrodite Negra, ou Melena/ Melênis, dominadora dos mistérios da morte e destruição, aspecto relacionado com as Erínias.

Aliás, os aspectos negros de Afrodite são os que menos conhecemos. Podemos citar Afrodite Andrófono, a matadora de homens; Afrodite Anósia, a que peca, e Afrodite Tamborico, a cavadora de túmulos.

Existe também a ligação de Afrodite com Perséfone. Afrodite Persefessa era invocada como Rainha do submundo.

Interessante notar que Eurínome, a Deusa primordial dos pelasgos, também tinha relação com o mar, era a Deusa dos prazeres, governou antes do patriarcado olimpiano e foi rebaixada, deixada de lado.
Como podemos ver, Afrodite é muito mais complexa do que lemos por aí. Não daria para explanar toda a complexidade da Deusa nesse trabalho.

Afrodite não se resume ao amor físico, nem ao amor universal, nem ao sexo, nem à beleza. Ela rege tudo isso e muito mais. Afrodite é o amor entre seres e intra seres, é o amor que cria, mas é também o amor que ceifa.

Afrodite está presente no sexo, no prazer, Ela é o desejo, a vontade entre dois seres. É Ela quem faz com que duas pessoas se desejem e desse desejo mútuo, dessa explosão de energia entre dois corpos, duas mentes e dois espíritos possa ser criado um outro ser, pois Afrodite é doadora da vida também.

Afrodite é a própria beleza da Terra, não diz respeito somente a corpos jovens e esbeltos. Para Afrodite a beleza plástica não vale nada. Afrodite quer a beleza da mente, do corpo e do espírito.
De nada adiantará explorarmos as novidades cosméticas se não explorarmos nossa beleza real, aquela que é dada por Afrodite a todos, sem exceção.

Afrodite abençoou a todos com a beleza, é uma sabedoria que poucos compreendem.

Creio que Afrodite perguntaria às pessoas:

De que adianta a sua beleza, sua perfeição se você vive destrói o seu planeta?

De que adianta a forma física perfeita se é vazio por dentro?

Como pode você desejar a beleza constantemente na sua vida e degradar a sua casa?

Afrodite é doadora da beleza, do viço, porém, Afrodite também deseja que cada um de nós leve a beleza para a vida daqueles que nos cercam.

O que acontece com pessoas bonitas, jovens, que exercem sua sexualidade desmedida?

O que acontece com pessoas que em nome do amor aprisionam outro ser?

O que acontecem com pessoas que buscam a beleza vazia?

Solidão.

Solidão no sentido mais amplo.

Afrodite vai embora e leva consigo a real beleza, o sexo pleno, o amor verdadeiro.

É nessa hora que podemos conhecer a face da qual poucos falam, Afrodite Apostrófia, aquela que se afasta.

Figura: www.dailypainters.com

fonte do texto: http://caldeiraodecirce.blogspot.com.br/

8 de nov. de 2011

Deusa Afrodite

O amor atraído por Afrodite é grande... é apaixonado... é verdadeiro. Afrodite é o arquétipo da sexualidade e da sensualidade. Afrodite é filha do Céu e do Mar, a Deusa Mãe original em muitas tradições, e o primeiro fruto da separação do céu e da terra. Como foi gerada no mar, é a filha do começo, é a figura que, igual a Deusa original, volta a unir as formas separadas de sua criação. Nesse sentido, Afrodite "nasce" quando as pessoas recordam, com alegria, o vínculo que une os seres humanos com os animais e com toda a natureza e ainda, quando percebem esse vínculo como uma realidade clara e sagrada. O mito sugere que isso aconteceu mediante o amor. A união se converteu em reunião, pois o amor que gera vida se faz eco do próprio mistério da vida. A união é reunião como a fertilidade é renascimento. Essa concepção se manifestava cada primavera no banho ritual de Afrodite que renovava sua virgindade e a da terra. As Horas, as primeiras à vestir Afrodite quando nasceu, são também Deusas das estações, que são as horas do ano e, na primavera, quando nasce o ano, a vestem de novo, ajudadas pelas Graças... 

Como Deusa do mar, se desliza por cima das ondas sobre o lombo dos delfins; como Deusa dos animais, faz com que o desejo os impulsione, atraindo-os entre si; como Deusa da terra em seu aspecto fértil, através da chuva reúne o céu e a terra, e faz com que as sementes da terra úmidas brotem raízes e folhas. Como Deusa do céu, viaja pelo ar em carruagens de cisnes e gansos, e se senta sobre um trono de cisnes. 

“Vênus foi a primeira em despojar os homens do aspecto feroz que lhes era peculiar. Dela foi que nos vieram o atavio e o cuidado do próprio corpo." A figura da Afrodite Urânia, Afrodite celeste, inspirava a possibilidade de um amor global e incluía a paixão pelas ideias e sugeria a paixão da alma onde quer que estivesse. Afrodite Pandemo, literalmente Afrodite do povo, põe em relação à toda humanidade através do vínculo comum da natureza: era a imagem de um tipo de amor mais terreno e direto no qual todos podem tomar parte. 

Casou-se com Hefesto e esse foi um casamento de muitos episódios de relações amorosas infiéis. Com Ares, a Deusa teve três filhos: uma filha, Harmonia e dois filhos, Deimos (Terror) e Fóbos (Medo). A união entre estes dois deuses, o amor e a guerra, são duas paixões incontroláveis, as quais se em perfeito equilíbrio, poderiam estabelecer a harmonia. Afrodite também uniu-se a Hermes e dessa união nasceu um deus Hermafrodito, que herdou a beleza de ambos os pais, trouxe igualmente consigo seus nomes, e teve as características sexuais de ambos. 

Afrodite é uma divindade da Lua Cheia, a qual sustenta e nutre a vida. Seus poderes são maduros, cheios de vida e poderosos, mas ela também protege ferrenhamente tudo aquilo que cria. Por simbolizar o amor e a fertilidade, seus símbolos são as vacas, cervos, cabras, ovelhas, pombas e abelhas. A Deusa presidia ainda, os casamentos, os nascimentos, mas particularmente à galanteria. 

Quando Afrodite está ativa e presente em nosso íntimo, um magnetismo pessoal nos induz a caminhar em um campo eroticamente carregado de intensa percepção sexual. Nos tornamos mais "quentes", atraentes e vibrantes. Há uma magia no ar e um estado de encantamento e louca paixão é evocado. 

É a energia sutil de Afrodite que nos faz ver o mundo não como algo codificado, mas sim, se apresentando com uma fisionomia, um rosto, revelando sua imagem interior. É só através dos olhos de Afrodite que vislumbramos o mundo nas suas diversas e infindáveis cores, cheiros, sabores, sons... 

Se o mundo é tão belo, por que não sofisticarmos nossa percepção? Perceber é o modo de conhecer o mundo e, a nossa deusa Afrodite é pura sedução e nos revela a nudez das coisas, de modo a nos mostrar a sua imaginação sensual. 

As flores sempre foram associadas a todas as deusas do amor e beleza, pois elas representam a sexualidade da natureza. Elas representam os órgãos sexuais mais belos que conhecemos. A associação simbólica das flores e os órgãos sexuais de uma mulher está em sua natureza delicada, na maneira pela qual brota, floresce e abre-se, fazendo-se vulnerável para a polinização e fertilização com outras. É exatamente este o motivo pelo qual as flores são o presente mais comum ofertado entre amantes, pois simboliza a beleza da sexualidade humana. 

As principais flores associadas com Afrodite são: a rosa vermelha, o jasmim, a orquídea, papoulas e o hibisco. 

Afrodite chega em nossas vidas para nos ensinar a dança do amor. Nos fará recuperar o respeito próprio e aprenderemos a nos aceitar como realmente somos. Toda a mulher que deseja buscar a consciência perdida de Afrodite precisa começar a amar e acalentar o seu corpo, tal como ele é. 

O primeiro passo para explorar este domínio perdido é através da dança. Dance em sua casa ou saia para dançar, este é um dos melhores remédios para nos aceitarmos e nos conhecermos melhor. Quando estamos em harmonia com nosso corpo um grande milagre se opera: começamos a sentir verdadeiramente. Há uma espécie de derretimento de defesas interiores e uma abertura se concretiza, liberando uma sensibilidade à disposições e atmosferas mais sutis. 

fonte do texto: http://grandetemplodeusasedeuses.blogspot.com/search/label/-%20Grega

9 de out. de 2011

Deusa Afrodite

Deusa Grega da beleza e do amor...

Virgem que veio do mar
Estrela sempre luminosa da manhã
Deusa radiante da beleza feminina
Amante do encanto virginal da sensualidade
Vênus eterna da tolerância e beleza
Baila na luz, oculta dentro de nossos olhos
Sensualidade feminina
Eternamente revelada na mulher.

O amor atraído por Afrodite é grande...é apaixonado...é verdadeiro.
Afrodite é o arquétipo da sexualidade e da sensualidade.

NASCIMENTO DE AFRODITE
Há duas versões sobre o nascimento biológico desta Deusa. Na versão de Homero, Afrodite nasce de modo convencional, como sendo filha de Zeus e Dione, ninfa do mar. Já na versão de Hesíodo, ela nasce em consequência e um ato bárbaro. Cronos, cortou os órgãos de seu pai Urano e os atirou no mar. Uma espuma branca surgiu em torno deles e misturando-se ao mar, gerou Afrodite. Sendo assim, Afrodite é filha do Céu e do Mar, a Deusa Mãe original em muitas tradições, e o primeiro fruto da separação do céu e da terra. Como foi gerada no mar, é a filha do começo, é a figura que, igual a Deusa original, volta a unir as formas separadas de sua criação. Nesse sentido, Afrodite "nasce" quando as pessoas recordam, com alegria, o vínculo que une os seres humanos com os animais e com toda a natureza e ainda, quando percebem esse vínculo como uma realidade clara e sagrada. O mito sugere que isso aconteceu mediante o amor. A união se converteu em reunião, pois o amor que gera vida se faz eco do próprio mistério da vida.
A união é reunião como a fertilidade é renascimento. Essa concepção se manifestava cada primavera no banho ritual de Afrodite que renovava sua virgindade e a da terra. As Horas, as primeiras à vestir Afrodite quando nasceu, são também Deusas das estações, que são as horas do ano e, na primavera, quando nasce o ano, a vestem de novo, ajudadas pelas Graças.

A DEUSA DA LUA, DO MAR DO AMOR... AFRODITE

Afrodite em noite de lua cheia a contemplar ...

A Sereia do Mar,rainha do mar,Iemanjá vem contemplar seu luar com seu encanto a planar...

Deusa do amor,Da magia,Com cores e aromas de flores,

todos tem o poder de ter e conseguir fazer emergir um amor sensual de acordo com a Afrodite a Deusa Vênus e ao mesmo tempo sendo a dona da lua nas suas 4 fases,ela vem com seu jeitinho, bailando alcançar,o amor,sensual...

Não é casual,é causal.

Ela é a razão pelo qual nos sentimos felizes,amados e damos amor,pois a Deusa ou a mãe de todos ou Orixá trás consigo em todas as mitologias, a essência verdadeira do amor transformado em MAGIA.

(MÔNICA BYNOT Mônica Bynot Publicado no Recanto das Letras em 18/05/2008Código do texto: T995259)

fonte do texto: http://branwen-eowyn.blogspot.com/2008/12/esbat-deusa-afrodite.html

24 de jul. de 2011

Os Filhos de Afrodite

Os filhos de Afrodite mostram seu domínio sobre as mais diversas faces do amor e da paixão humana. Sempre amou a alegria e o glamour e nunca se satisfez sendo esposa de Hefesto. Amou e foi amada por diversos deuses e mortais. Punia quem ousasse possuir ou comparar sua beleza. Apesar de ser casada com Hefesto, Afrodite era sedutora e tinha vários amantes.

* Hermafrodito é filho de Afrodite com Hermes, o mensageiro dos deuses. Representa a fusão dos dois sexos e não tem gênero definido. Teria nascido extremamente bonito e transformou-se num ser andrógino quando a Ninfa Salmacis tentou seduzí-lo mas foi rejeitada. Ela esperou que ele entrasse no lago e mergulhou entrelaçando-se com ele e pediu aos deus para os unirem para sempre.

* Em outra versão, Eros é filho de Afrodite com Zeus, Hermes ou Ares. Queixando-se que seu filho continuava sempre criança, a deusa da prudência explicou que Eros era muito solitário e haveria de crescer se tivesse um irmão. Pouco tempo depois nasceu Anteros e Eros tornou-se robusto e cresceu.

* Anteros é filho de Afrodite com Ares. É o deus da ordem e foi criado por um pescador. Como seu próprio nome diz, ele é oposto de Eros. Seus poderes são de dar ordem e as pessoas obedecerem. Era o irmão de Eros que só cresceu depois que ele nasceu.

* Fobos - o medo e Deimos - o terror são gêmeos, filhos de Afrodite e Ares. Eles acompanhavam o pai nas batalhas, injetando nos corações dos inimigos a covardia e o medo, fazendo-os fugir. Na astronomia, Fobos e Deimos são as duas luas do planêta Marte.

* Harmonia é a deusa da concórdia. Filha de Afrodite e Ares, casou-se com Cadmo, rei de Tebas.

* Himeneu é o deus grego do casamento, filho de Afrodite e Apolo. Como era de se esperar, sendo filho de uma linda deusa e do deus mais bonito do Olimpo, Himeneu era confundido com as mais lindas moças devido a sua exuberante beleza.

* Príapo era filho de Afrodite e Dioniso. Era considerado protetor dos rebanhos, uvas e abelhas. Hera sentia inveja e ciúmes de Afrodite e fêz que Príapo nascesse com uma grande deformidade, um pênis absurdamente exagerado. Por sua libertinagem, Príapo se tornou objeto de terror e repulsa.

* Eneias foi um chefe troiano, filho de Afrodite e Anquises. Com a queda de Tróia, Eneias partiu com sua família carregando seu velho pai nos braços, que o orientou até chegar às novas terras.

ARES
Ares, deus da guerra e da violência, tinha Éris como companheira de batalha - deusa da discórdia. Era amante da esposa de seu irmão, com quem teve vários filhos, e também outras inúmeras amantes.
* Ares também seduziu Réia Silvia gerando Rômulo e Remo, fundadores de Roma.

* Oenomaus era filho de Harpina com Ares e Diomedes era filho de Cireme com Ares. Eles eram guerreiros que habitavam ás margens do Mar Negro.

*Ares foi amante de Otrera, a rainha das Amazonas, com quem teve quatro filhas: Hipólita, Menalipe, Antíopa e Pentesiléia.

texto e fonte: http://eventosmitologiagrega.blogspot.com

4 de mar. de 2011

Deusa Afrodite

Texto de Herne, the Hunter. Visitem seu blog Chakaruna é muito interessante.

Fotos: internet

AFRODITE - LENDAS E ARQUEOLOGIA

Provavelmente, a lenda da origem de Afrodite contada por Hesíodo (séc. VIII a.C.) em sua Teogonia foi criada em épocas tardias. Antes dele, alguns poetas – entre os quais Homero (séc. IV a.C.), autor de A Ilíada e A Odissíea – falam da deusa como filha de Zeus e Dione.
Embora nos relatos de seu nascimento as circunstâncias sejam diferentes, não pairam mais dúvidas sobre a origem oriental da deusa. No princípio, ela seria apenas variação de uma grande deusa semítica chamada Ishtar na Mesopotâmia, Astarte na Síria e Fenícia ou Milila na Babilônia; seu culto teria sido introduzido na Grécia por intermédio dos marinheiros e mercadores. A essa divindade estrangeira, os gregos teriam transferido as características de Atena Tritogenéia, deusa do amor que primitivamente veneravam.
Segundo a lenda, Afrodite, nascida no mar, desembarcou de sua concha na ilha de Citera, que atualmente corresponde ao rochedo vulcânico chamado Cérico. Ali os gregos erigiram diversos santuários, onde a cultuavam sob o nome de Citeréia. Pouco mais tarde, ainda conforme a tradição, a deusa partiu para a ilha de Chiple, onde, nas cidades de Pafos, Amatunte e Idálio, era venerada sob vários epítetos: Ciprogenéia (nativa de Chipre), Páfis, Amatúsia e Idália. Para cada uma havia templos especialmente construídos. Mas existem outros centros famosos por seu culto: Cnidos, Cós, Corinto e o Monte Érice.
Inicialmente, a exemplo da antiga deusa asiática, Afrodite era considerada a DEUSA DO INSTINTO DA FECUNDIDADE. Sua ação era ilimitada, abrangendo toda a natureza (humanos, outros animais e vegetais). Acreditava-se que ela espalhava o elemento úmido, causa fundamental de todo princípio gerador e de toda a fecundidade na natureza; sob seus passos, as flores germinavam e o mesmo acontecia com as árvores e plantas, consideradas frutos do amor de Gaia e Céu. A chuva da primavera era o elemento fecundante enviado pela deusa.
Somente mais tarde é que Afrodite passou a ser a DEUSA DO AMOR. Com o tempo, passou a personificar o amor em seus inúmeros aspectos, recebendo vários outros nomes e cultos diversos. Na Ática e na Argólida, por exemplo, existem ainda alguns templos dedicados a Afrodite Urânia (celeste), que simboliza o amor puro e ideal e se assemelha a Afrodite Nínfia, que os romanos identificam a Vênus Genitrix, protetora dos matrimônios. Ambas são representadas com pouca nudez, mas são concepções bastante tardias, teorizadas por Platão (427-347 a.C.).
Já Afrodite Pândemos (literalmente "de todo o povo") diferia totalmente das anteriores: era a DEUSA DO AMOR SENSUAL E VENAL. Na origem, porém seu apelido significava apenas que era venerada em todas as comunidades áticas. Somente com o advento das Leis de Sólon (séc. VII-VI a.C.) adquiriu o significado pejorativo associado à prostituição. Essa mesma Afrodite foi, também, chamada Pandemia ou, mais exatamente, Hetaira e Porné (meretriz) e representada nua em atitude luxuriosa nas estátuas. Em cidades como Corinto, Abido e Éfeso, suas sacerdotisas eram as cortesãs profissionais.
Em Esparta, Afrodite adquiriu um caráter guerreiro ou vitorioso sendo, assim retratada com elmo e armas. Tal imagem é explicada conforme duas hipóteses: ou significaria uma associação da deusa com Ares, o deus da guerra, ou corresponderia a Ishtar, a divindade guerreira dos babilônios.Finalmente, era conhecida uma Afrodite protetora dos marinheiros, que, nessa atribuição, recebia o epíteto de Pelagia ou Pontia (marinha). Veneravam-na principalmente em Ermion, porto da Argólida. Em Cnidos, na mesma função, era conhecida como Euplóia, isto é, favorável à navegação.

foto de Elias Silveira

AFRODITE, A BELA DEUSA DO AMOR

São inúmeras as lendas em que a deusa aparece com todos os seus atributos, ora como protetora dos amantes, ora envolvida, ela mesma, com seus amores.
É ela quem detém o poder de satisfazer os desejos amorosos daqueles que a procuram em seus santuários – como é o caso do escultor Pigmalião – ou de inspirar paixões desastrosas – como a de Páris e Helena.
Na figura de Afrodite, os gregos representavam sua sabedoria em relação à vida e à morte. Sabiam que a vida é um curto círculo de juventude, depois uma idade de pleno poder e, por fim, a velhice. Nem com a ajuda dos deuses seria possível alterar essa realidade. Humanos, animais e vegetais estão submetidos ao mesmo destino.
Todavia, promovendo alegrias ou sofrimentos, Afrodite representou, na consciência popular, o PODER REPRODUTOR DA NATUREZA, ao qual é confiada a conservação da espécie. Assim a evoca o hino órfico: "Tu geras tudo o que está no céu, na terra fecunda, no abismo do mar...". Nesse sentido, a deusa helênica tem os caracteres da Astarte fenícia e da Atar aramaica, de onde derivou no período grego-romano a composta e orientalizada Atagátis – a DEUSA DA GERAÇÃO E DA FECUNDIDADE, que assumiu atributos de muitas outras deusas.
Assim, também o ciclo das estações é referido a Afrodite na lenda de Adônis e na de Hades e Perséfone, onde estão mais bem explicadas as diferenças entre as estações férteis e áridas. Afrodite expressa a VIDA PRIMAVERIL. Preside ao esplendor anual das plantas e à renovação das existências pelo amor, num paralelo entre a vida humana e a vegetal. Sem primavera não há fertilidade, sem fertilidade não há futuro!
Embora personificasse o INSTINTO NATURAL DA FECUNDAÇÃO E GERAÇÃO, presente em todos os seres vivos, Afrodite era, por excelência, a DEUSA DO AMOR no mais amplo sentido da palavra. Simbolizava o ATRATIVO SEXUAL fora de qualquer limite, tanto que, para os gregos dos tempos homéricos, era considerada uma força corrupta e dissolvente. Segundo Homero, somente três divindades olímpicas não se deixaram seduzir por ela: Atena, Ártemis e Héstia. Recusando-se a obedecer às suas leis, estas deusas têm as atribuições que os gregos consideravam mais importantes, por constituírem a nobreza e a beleza da vida: a arte, a honra e o lar.
O mirto, a rosa e a maçã, entre os vegetais; a pomba, o bode, a concha, o delfim e a tartaruga, entre os animais, constituem os principais símbolos da deusa. Pombas e cisnes puxavam seu carro, feito de conchas de nácar.
Como outros deuses, Afrodite também possuía seu cortejo: era sempre seguida pelas Graças e, muitas vezes, também por Eros (deus do amor celeste), Peito (tida como filha de Afrodite e com ela venerada em Atenas, era a deusa da persuasão) e Himeneu (divindade que conduzia o cortejo nupcial).
A deusa do amor inspirou artistas de várias épocas. Durante séculos, os gregos elaboraram um tipo ideal de Afrodite, procurando realizar a perfeita beleza feminina. No entanto, quanto mais se aproximavam do humano, mais se distanciavam do elemento divino, principalmente porque os artistas usavam de modelos reais para as suas obras. Em esculturas bastante antigas, Afrodite aparece vestida até à cabeça; a partir da Segunda metade do séc. V a.C., os artistas começaram a mostrar algumas partes do seu corpo (um ombro, um seio ou uma perna), mas a nudez realmente sensual só aconteceu mesmo na época helenística (séc. IV a.C a III d.C.). Dentre as mais célebres obras desse gênero, destaca-se o afresco de Afrodite Anadiômena (surgindo do mar), pintado por Apeles, no séc. IV a.C., para o templo de Asclépio, em Cós e, depois, levado para Roma por Augusto (63. a.C – 14 d.C.), onde acabou por perder-se. Afrodite Cnídia, um nu sensual esculpido por Praxíteles (370-330 a.C.) provocou sensação por ser demasiado "profano".Embora geralmente representada segundo um padrão ideal da mais perfeita beleza feminina, em algumas esculturas antigas Afrodite figura com uma força quase viril. É o caso de suas imagens guerreiras em Esparta, de certas estátuas em Chipre e até mesmo da célebre obra de Praxíteles, na qual se pode perceber uma certa masculinidade. Também na figuração de seus deuses, não raro se delineiam traços femininos (como a famosa escultura de Apolo do Belvedere). Juntando, assim, o belo feminino ao belo masculino, os antigos procuravam realizar o mais completo tipo de beleza. A mesma idéia expressa-se, de maneira poética, na lenda de Hermafrodito (filho de Afrodite com Hermes).

Deusa Afrodite

Virgem que veio do mar

Estrela sempre luminosa da manhã

Deusa radiante da beleza feminina

Amante do encanto virginal da sensualidade

Vênus eterna da tolerância e beleza

Baila na luz, oculta dentro de nossos olhos

Sensualidade feminina

Eternamente revelada na mulher.

O amor atraído por Afrodite é grande...é apaixonado...é verdadeiro.

Afrodite é o arquétipo da sexualidade e da sensualidade.

NASCIMENTO DE AFRODITE

Há duas versões sobre o nascimento biológico desta Deusa. Na versão de Homero, Afrodite nasce de modo convencional, como sendo filha de Zeus e Dione, ninfa do mar. Já na versão de Hesíodo, ela nasce em consequência e um ato bárbaro. Cronos, cortou os órgãos de seu pai Urano e os atirou no mar. Uma espuma branca surgiu em torno deles e misturando-se ao mar, gerou Afrodite. Sendo assim, Afrodite é filha do Céu e do Mar, a Deusa Mãe original em muitas tradições, e o primeiro fruto da separação do céu e da terra. Como foi gerada no mar, é a filha do começo, é a figura que, igual a Deusa original, volta a unir as formas separadas de sua criação. Nesse sentido, Afrodite "nasce" quando as pessoas recordam, com alegria, o vínculo que une os seres humanos com os animais e com toda a natureza e ainda, quando percebem esse vínculo como uma realidade clara e sagrada. O mito sugere que isso aconteceu mediante o amor. A união se converteu em reunião, pois o amor que gera vida se faz eco do próprio mistério da vida.

A união é reunião como a fertilidade é renascimento. Essa concepção se manifestava cada primavera no banho ritual de Afrodite que renovava sua virgindade e a da terra. As Horas, as primeiras à vestir Afrodite quando nasceu, são também Deusas das estações, que são as horas do ano e, na primavera, quando nasce o ano, a vestem de novo, ajudadas pelas Graças.

O pintor Apeles representara em um admirável quadro o nascimento de Afrodite chamada Anadiómente, ou seja, "que sai do mar". Esse quadro foi consagrado à Deusa pelo próprio Imperador Augusto e, ainda existia na época do poeta latino Ausone, que fez dele uma breve mais viva descrição:

"Vede, diz ele, como esse excelente mestre soube exprimir a água cheia de espuma que corre através das mãos e dos cabelos da Deusa, sem lhe ocultar nem uma das graças: também desde que Atena percebeu, dirigiu essas palavras a Hera: Cedamos, cedamos oh! Hera, a essa Deusa que nasce, todo o prêmio da beleza."

A imagem de Afrodite emergindo do mar foi imortalizada durante a Renascença por Botticelli em "O nascimento da Vênus". Esta pintura mostra uma mulher nua, delicada e graciosa, sobre uma concha, sendo levada para a praia pelos deuses do vento e uma chuva de rosas.

Há um grande número de estátuas de Afrodite (Vênus): as mais célebres são a Vênus de Medicis, que se acreditava ser uma cópia de Vênus de Cnide, executada por Praxíteles, a Vênus de Arle, a Vênus de Milo, descoberta em Milo pelo Conde Marcellus, em 1820.

Uma das mais curiosas estátuas dessa Deusa, variação da Vênus hermafrodita, era a Vênus barbata. Estava em Roma: representava na sua parte superior um homem com cabeleira e barba abundantes, enquanto a parte inferior era de mulher. Essa singular estátua foi consagrada à Deusa por ocasião de uma moléstia epidêmica, em consequência da qual as damas romanas perdiam os cabelos. A Afrodite atribuiu-se a cura.

Em muitos quadros modernos, Afrodite é representada sobre o seu carro, tirado por dois cisnes: usa uma coroa de rosas e uma cabeleira loira; nos olhos brilha a alegria, paira o sorriso nos lábios; em torno dela brincam dois pombos e uma grande quantidade de pequenos amores.

Em uma medalha que pertenceu a Imperatriz Faustina, vê-se a imagem de "Vênus mãe": segura uma maçã com a mão direita, e com a esquerda uma criança envolta em cueiros. Em outra medalha da mesma imperatriz, vê-se a "Vênus vitoriosa". Com suas carícias, a Deusa se esforça em deter Ares, que parte para a guerra.

O nome de Afrodite, surge da mesma forma que seu nascimento: "afrós" significa "espuma" em grego. Contudo, o útero do mar que a acolheu e alimentou o sêmen do céu não foi concebido como uma concha até que Botticelli a imortalizou com a dita imagem (kteís, a palavra grega que designa a concha, significava também os genitais femininos).

Seu nome latino, Vênus, é a raiz da expressão "doença venérea". A sexta-feira (vendredi, em francês), dia da semana, era-lhe consagrada (Veneris dies).

Afrodite também era chamada "Dionéia" como sua mãe. "Anadómene", isto é, "saindo das águas". Possuía um cinto onde estavam encerradas as graças, os atrativos, o sorriso sedutor, o falar doce, o suspiro mais persuasivo, o silêncio expressivo e a eloqüência dos olhos. Conta-se que Hera o pediu emprestado a Afrodite para reanimar a paixão de Zeus e para vencê-lo na causa dos gregos contra os troianos.

O JULGAMENTO DE PARIS

Nada é mais célebre do que o julgamento de Paris e a vitória conquistada por Afrodite sobre Hera e Atena, apesar das suas rivais terem exigido dela que, antes de qualquer coisa, deveria tirar o seu temível cinto. A história se passou, mais ou menos assim:

Todos os Deuses Olímpicos, menos Éris, Deusa da Luta e da Discórdia, uma Deusa Menor, foram convidados para o casamento de Peleu, rei de Tessália, com a bela ninfa marítima Tétis. Mas Éris apareceu mesmo sem ser convidada e resolveu vingar-se pela desconsideração. Ela interrompeu as festividades atirando uma maçã de ouro onde estava gravado "para a mais bela" entre as convidadas reunidas.

A maçã rolou pelo chão e foi imediatamente reivindicada por Hera, Atena e Afrodite. Cada uma sentiu que a maçã era legítima e merecidamente sua. Elas não podiam, certamente, decidir entre si qual era a mais bonita, portanto apelaram pela decisão de Zeus. Ele recusou fazer a escolha, e as enviou ao pastor Páris, um mortal que sabia apreciar as mulheres bonitas; ele seria o juiz.

As três Deusas encontraram Páris vivendo a vida bucólica com uma ninfa dos montes nos declives do monte Ida. Sucessivamente, cada uma das três bonitas Deusas esforçaram-se para influenciar sua decisão com um suborno.

Hera ofereceu-lhe poder sobre os reinos da Ásia se ele lhe concedesse a maçã. Atenas prometeu-lhe vitória em todas as batalhas. Afrodite ofereceu-lhe a mulher mais bonita do mundo. Sem hesitação Páris declarou Afrodite a mais bela, e ofereceu-lhe a maçã de ouro, incorrendo portanto no ódio eterno de Hera e Atenas. O Destino acabou selando o amor que já havia sido despertado entre Páris e Helena. Mas, ao optar pela beleza e o amor, não só rechaçou a maternidade, a castidade, mas também perdeu a proteção de Hera e Atena, que acabaram ajudando os gregos.

AFRODITE COMO RAINHA DO CÉU E DA TERRA

Afrodite chegou à Grécia vinda do Chipre e, antes disso, desde Mesopotâmia. Era portanto, uma Deusa muito antiga, tão antiga como o tempo, entretanto, no Monte Olimpo era uma divindade de aparição recente, cujo papel havia sido reduzido, pois sua esfera de atuação era tão somente as paixões humanas. As divindades anteriores tem maior transcendência: tendem a ser deidades que realizam todo tipo de obra. Porém quando é esculpida e pintada com seus animais e pássaros, os golfinhos, o bode macho, o ganso, o cisne e a pomba, pode-se vislumbrar claramente sua antiga linhagem. Como Deusa do mar, se desliza por cima das ondas sobre o lombo dos delfins; como Deusa dos animais, faz com que o desejo os impulsione, atraindo-os entre si; como Deusa da terra em seu aspecto fértil, através da chuva reúne o céu e a terra, e faz com que as sementes da terra úmidas brotem raízes raízes e folhas.

Como Deusa do céu, viaja pelo ar em carruagens de cisnes e gansos, e se senta sobre um trono de cisnes.

Afrodite rege o céu, a terra, as ondas e a todas as criaturas vivas. "Foi ela que deu o germe das plantas e das árvores, foi ela que reuniu nos laços da sociedade os primeiros homens, espíritos ferozes e bárbaros, foi ela que ensinou a cada ser a unir-se a uma companheira. Foi ela que nos proporcionou as inúmeras espécies de aves e a multiplicação dos rebanhos. O carneiro furioso luta, às chifradas, com o carneiro. Mas teme ferir a ovelha. O touro cujos longos mugidos faziam ecoar os vales e os bosques abandona a ferocidade, quando vê a novilha. O mesmo poder sustenta tudo quanto vive sob os amplos mares e povoa as águas de peixes sem conta. Vênus foi a primeira em despojar os homens do aspecto feroz que lhes era peculiar. Dela foi que nos vieram o atavio e o cuidado do próprio corpo." (Ovídio).

Igual a Inanna-Isthar, Afrodite encarnava a estrela mais brilhante do céu, a estrela da manhã e do entardecer que chamamos por seu nome romano, Vênus. O templo micênico chipriota do século XII a. C. consagrado a Afrodite estava decorado com uma estrela e com uma lua crescente e também com a pomba.

No século IV a.C., a filosofia platônica distinguiu entre uma Afrodite Celeste e uma terrena com a finalidade de expressar os distintos tipos e intensidades do amor. Através disso se queria reconhecer a amplitude de seu domínio, porém também se separava aquilo para cuja união ela existe. A figura da Afrodite Urania, Afrodite celeste, inspirava a possibilidade de um amor global e incluía a paixão pelas idéias e sugeria a paixão da alma onde quer que estivesse.

Afrodite Pandemo, literalmente Afrodite do povo, põe em relação à toda humanidade através do vínculo comum da natureza: era a imagem de um tipo de amor mais terreno e direto no qual todos podem tomar parte.

Essa expressão de Afrodite também implicava o ritual da "prostituição" sagrada do templo, um serviço que se oferecia sem pedir nada em troca, em nome da Deusa e sempre provocava longas filas. O animal de Afrodite que representava esse aspecto é o bode macho, conhecido por sua natureza amorosa.

Em todos os mitos gregos que versam sobre ela, Afrodite "nasceu" no Chipre, de onde os micênicos também emigraram. Fenícia só se distância 96 Km no ponto mais longínquo, ou seja, um dia de viagem de barco à vela. No segundo milênio a.C., os fenícios se estenderam ao longo da costa da Palestina, comercializando suas tintas púrpura e seus tecidos, e também trocando crenças e costumes.

Chifre foi um ponto de encontro de muitas tradições diferentes: fenícia, frígia, micênica, entre outras. Os aqueus micênicos chegaram à Chifre já no século XII a.C., e construíram em Pafos um templo monumental à Afrodite que foi uma das maravilhas do mundo antigo. Essas tradições diferentes se mesclaram para criar uma figura que não era simplesmente a versão grega do antigo mito e sim uma imagem totalmente nova de vida. Entretanto, a imagem comum a todas essas culturas é a pomba: consagrada à Afrodite como foi à Inanna-Isthar. A pomba é na tradição cristã a imagem da união por excelência que representa o aspecto feminino ausente na divindade. Essa expressão é significativa se recordarmos o domínio de Afrodite sobre o céu e a terra e seu papel de mediadora entre eles; a pomba é o Espírito Santo que coloca em relação a humanidade com a deidade.

AMORES DE AFRODITE

Na mitologia tardia, Afrodite estava casada com Hefesto, o coxo, o deus que como o vulcão, produzia o fogo nas profundezas da terra. É filho de Hera que, como deus ferreiro, forjava os relâmpagos para Zeus. Conta-se que seu pai, Zeus, a entregou como esposa à Hefesto, para castigar o seu orgulho. A Deusa aceitou, pensando que o deus ferreiro seria fácil de contentar.

São inumeráveis os episódios que a relacionam com relações amorosas infiéis.

A relação adúltera de Afrodite com Ares, o deus da guerra, alternadamente valente e covarde, porém sempre indisciplinado, foi descoberta por Hefesto.

Com Ares, a Deusa teve três filhos: uma filha, Harmonia e dois filhos, Deimos (Terror) e Fóbos (Medo). A união entre estes dois deuses, o amor e a guerra, são duas paixões incontroláveis, as quais se em perfeito equilíbrio, poderiam estabelecer a harmonia.

Afrodite também uniu-se a Hermes e dessa união nasceu um deus Hermafrodito, que herdou a beleza de ambos os pais, trouxe igualmente consigo seus nomes, e teve as características sexuais de ambos. Como um símbolo, este deus pode representar a bissexualidade ou a androginia.

Com Dionísio procriou a Príapo, um feio menino de grandes genitais.

Eros (Cupido), deus do amor, foi o filho mais famoso de Afrodite. Armado com seu arco, desfechava as setas do desejo no coração dos deuses e dos homens. Entretanto, mitos posteriores descrevem-no como filho ilegítimo de Afrodite. Com o tempo, passou a ter sua força diminuída e o que hoje conhecemos dele é a representação sob a forma de um bebê de fraldas com um arco e flechas, conhecido com o nome de Cupido.

Carl Jung definiu Eros como a capacidade de relacionar-se, a qualidade de ligar-se aos outros. Segundo Hesíodo, Eros foi a força fundamental da criação, presente antes dos titãs e dos deuses olímpicos.

SEUS AMORES MORTAIS

Sob o nome romano de Vênus, viu Anquines cuidando de seu gado em uma certa montanha, enamorou-se . Fingindo ser uma jovem muito linda, arrancou fervorosa paixão dele. Mais tarde, revelou sua real identidade e contou que concebera um filho, o piedoso Enéias, que foi o lendário fundador de Roma.

Os romanos consideravam Vênus sua mãe ancestral e a cidade de Veneza recebeu este nome em sua homenagem.

A IRA DA DEUSA

Embora seja considerada a Deusa do Amor, Afrodite não foi muito amável com seus adversários, sendo muito vingativa e impiedosa nas suas vinganças. Para punir o deus Sol (Apolo) da indiscrição de haver advertido Hefesto do seu adultério com Ares, tornou-o infeliz em quase todos os amores. Perseguiu-o mesmo pelas armas, até os seus descendentes. Castigou da mesma maneira, a musa Clio, que havia censurado o seu amor por Adonis.

Fedra foi outra vítima do poder de Afrodite. Era a madrasta de má sorte de Hipólito, jovem elegante que tinha se dedicado a Ártemis e a uma vida de celibato. Afrodite usou Fedra como instrumento de seu descontentamento com Hipólito, que se recusou honrar a Deusa do amor ou seus ritos. Afrodite motivou Fedra a apaixonar-se perdidamente por seu enteado.

No mito, Fedra tentou resistir à paixão, lutou contra seu desejo ilícito e ficou doente. Finalmente, uma criada descobriu a causa de sua miséria, e aproximou o jovem em favor dela. Ele ficou tão insultado e horrorizado diante da sugestão de ter um romance com sua madrasta que irrompeu num discurso longo e alto, que ela pode ouvi-lo.

Humilhada, Fedra se enforcou, deixando uma nota suicida acusando falsamente Hipólito de tê-la estuprado. Quando seu pai Teseu retornou para encontrar sua esposa morta e a nota, chamou Poseidon, deus do mar, para matar o filho. Enquanto Hipólito dirigia sua carruagem pela praia, Poseidon enviou enormes ondas e um monstro marinho para amedrontar os cavalos. A carruagem tombou e Hipólito foi levado de rastos até a morte. Dessa forma Afrodite se vingou, às custas de Fedra.

ADONIS, O FILHO-AMANTE DE AFRODITE

Adonis nasceu de uma árvore de mirra, segundo conta uma lenda. Ele era filho de uma relação incestuosa de Mirra e seu pai, Ciniras, rei de Pafos. De acordo com uma versão dessa história, a própria Afrodite teria motivado essa paixão proibida pelos seguintes motivos: porque a mãe de Mirra teria negligenciado venerar Afrodite. De qualquer forma, ela se aproximou do pai disfarçada e no escuro, e se tornou sua amante secreta. Depois de diversos encontros clandestinos, ele descobriu que a tal mulher era a sua própria filha. Tomado de horror e de repugnância, induzido pela necessidade de puni-la, ele tentou matá-la. Grávida e desesperada e ainda,quando seu pai estava a ponto de alcançá-la, orou aos deuses para que a salvassem.

Por ordem divina, para protegê-la da ira do pai, pois ela foi transformada em uma árvore de mirra, de modo, que sua gravidez se converteu na gravidez da árvore. Dez meses depois, a árvore se abriu e Adonis nasceu. Ele é portanto, meio-humano e meio-divino.

Tão belo era o bebê que Afrodite o ocultou em um baú e o deu a Perséfone para que o cuidasse. Porém, quando a Deusa o vê, decide ficar com ele, enquanto que Afrodite decide que o quer de volta. Afrodite apelou então para Zeus, que julgando as exigências, permite que Adonis passe parte do ano com Perséfone e a outra parte com Afrodite.

Adonis cresceu e se transformou num lindo rapaz, amado e protegido por Afrodite. Porém um dia, contra seu conselho, foi caçar um javali selvagem e por circunstâncias do destino é morto pelo animal. Afrodite escuta seus gemidos e vai buscá-lo com sua carruagem puxada por aves, porém já o encontra sem vida e ensanguentado. O sangue era tão brilhante que a Deusa o transforma em uma flor, a anêmona, que cresce na primavera nas ladeiras das colinas.

Adonis, como deus da vegetação, do trigo e de todas as formas de vida visíveis, que crescem e morrem, deve morrer para que tudo viva, do mesmo modo que Osíris e Atis (há um javali que também o mata em certos relatos). O javali encarna o aspecto masculino da Grande Mãe. A Deusa sacrifica o amante para que possa renascer como filho e o filho-amante deve aceitar a morte, porque é a imagem do ser encarnado que, como a semente, regressa à fonte que o originou; enquanto a Deusa, aqui o princípio contínuo da vida, permanece para produzir novas formas a partir de seu inesgotável depósito.

Em rituais anuais que se acompanhava a essa cerimônia, celebrada durante o verão na Grécia e Alexandria, e na primavera na Síria, se carregava pelas ruas efígies de Adonis e, em certas ocasiões, também de Afrodite. Em seguida, entre prantos e lamentos, Adonis era jogado no rio ou no mar.

Afrodite é uma divindade da Lua Cheia, a qual sustenta e nutre a vida. Seus poderes são maduros, cheios de vida e poderosos, mas ela também protege ferrenhamente tudo aquilo que cria. Por simbolizar o amor e a fertilidade, seus símbolos são as vacas, cervos, cabras, ovelhas, pombas e abelhas.

A Deusa presidia ainda, os casamentos, os nascimentos, mas particularmente à galanteria.

ARQUÉTIPO DA SENSUALIDADE

Quando uma mulher apaixona-se por alguém e é correspondida, obtemos a personificação do arquétipo de Afrodite. Incorporando um corpo mortal, a deusa do amor se sente atraente e sensual, tornando-se desse modo, irresistível.

Quando Afrodite está ativa e presente em nosso íntimo, um magnetismo pessoal nos induz a caminhar em um campo eroticamente carregado de intensa percepção sexual. Nos tornamos mais "quentes", atraentes e vibrantes. Há uma magia no ar e um estado de encantamento e louca paixão é evocado.

É a energia sutil de Afrodite que nos faz ver o mundo não como algo codificado, mas sim, se apresentando com uma fisionomia, um rosto, revelando sua imagem interior. É só através dos olhos de Afrodite que vislumbramos o mundo nas suas diversas e infindáveis cores, cheiros, sabores, sons...

Perder esta Deusa é morrer no deserto árido, seco, sem cor, sem vida. Afrodite é uma necessidade imperativa. Ela é a Beleza e a Deusa Dourada que nos sorri. É somente através dela que os outros deuses se manifestam e deixam de ser meras abstrações teológicas.

Se o mundo é tão belo, por que não sofisticarmos nossa percepção? Perceber é o modo de conhecer o mundo e, a nossa deusa Afrodite é pura sedução e nos revela a nudez das coisas, de modo a nos mostrar a sua imaginação sensual.

AFRODITE E A LÍNGUA DAS FLORES

As flores sempre foram associadas a todas as deusas do amor e beleza, pois elas representam a sexualidade da natureza. Elas representam os órgãos sexuais mais belos que conhecemos. A associação simbólica das flores e os órgãos sexuais de uma mulher está em sua natureza delicada, na maneira pela qual brota, floresce e abre-se, fazendo-se vulnerável para a polinização e fertilização com outras. É exatamente este o motivo pelo qual as flores são o presente mais comum ofertado entre amantes, pois simboliza a beleza da sexualidade humana.

As principais flores associadas com Afrodite são: a rosa vermelha, o jasmim, a orquídea, papoulas e o hibisco.

AFRODITE EM NOSSAS VIDAS

Afrodite é a Deusa das pombas, dos cisnes, das rosas, das maçãs e de todas as coisas graciosas e criativas. Você está passando por algum trauma momentâneo? Ou você não se considera bonita o bastante? Pois Afrodite chega em nossas vidas para nos ensinar a dança do amor. Nos fará recuperar o respeito próprio e aprenderemos a nos aceitar como realmente somos. Toda a mulher que deseja buscar a consciência perdida de Afrodite precisa começar a amar e acalentar o seu corpo, tal como ele é. E, os homens também, precisam parar de comparar toda a mulher com um retrato interior imaginário e inatingível que trazem dentro de si.

O primeiro passo para explorar este domínio perdido é através da dança. Dance em sua casa ou saia para dançar, este é um dos melhores remédios para nos aceitarmos e nos conhecermos melhor. Quando estamos em harmonia com nosso corpo um grande milagre se opera: começamos a sentir verdadeiramente. Há uma espécie de derretimento de defesas interiores e uma abertura se concretiza, liberando uma sensibilidade à disposições e atmosferas mais sutis.

Afrodite nos presenteará com um carisma magnético que nos permitirá expressar-nos por inteiro. Vale a pena tentar!

CONECTANDO-SE COM AFRODITE

Deite-se e relaxe. Inspire e expire profundamente por seis vezes.

Em seguida imagine-se em um jardim cheio de rosas e orquídeas, douradas pelo pôr-do-sol, cujo perfume é carregado por uma suave brisa primaveril. Tal brisa acariciará seu rosto, massageará seus cabelos, e seu corpo. Delicie-se ingenuamente e chame Afrodite. Um movimento sutil no ar anunciará sua presença. Ela lhe estenderá a mão e a convidará para um passeio. Vislumbrará então uma grande floresta, um de seus locais de poder. Neste templo de árvores e pássaros, respire profundamente o cheiro da terra e o perfume das flores selvagens. Escute a música delicada dos pássaros. Afrodite lhe ofertará um presente: uma orquídea. Sinta e incorpore o seu aroma. Neste momento uma pomba pousará em seu braço. No olhar deste mágico ser você poderá compreender a beleza misteriosa da deusa Afrodite. Vários pássaros a sua volta cantarão uma linda uma linda melodia. Você deve dançar. Afrodite dançará com você e da floresta surgirão as graças e outras musas que dançarão também com vocês.

Visualize o infinito, pois a partir deste momento você terá em sua vida infinitas possibilidades de ser feliz, sendo você mesma, se assumindo, se aceitando e se amando.

Sinta o encanto, o prazer e a magia de ser você Por onde você pisa, brotam flores de todas as cores. Onde você passar neste mundo, despertará o amor e a beleza e sentirá feliz por ser você e estar viva.

Quando achar que está pronta, abrace Afrodite e agradeça os momentos maravilhosos que passaram juntas. Ela lhe conduzirá até a saída da floresta e depois você virá sozinha. Respire profundamente novamente e abra os olhos. Feliz retorno!

CRISTAL DE AMOR DE AFRODITE

Os cristais possuem o poder oculto de estimular o amor entre casais. Eis aqui um sortilégio de amor que usa um cristal de quartzo rosa, pedra de Afrodite. Ele é simples, mas eficiente.

Pegue o seu cristal e banhe-o em solução de água com sal marinho. Em seguido embrulhe-o em um pano branco até a hora de realizar o sortilégio. Deste modo, limpará e neutralizará todas as energias indesejáveis.

Depois deste tempo, pegue o cristal e carregue-o segurando-o em sua mão, para impregná-lo de sua energia e absorver a dele. Solicite neste momento, os poderes da Deusa Afrodite e que ela lhe traga a pessoa que seja correta e destinada para você.

Coloque o cristal em uma bolsinha de cetim vermelha, cobre ou verde. Você pode comprar o cetim e fazer você mesma (terá mais poder). Deve atar os quatro cantos do tecido unindo-os com um cordão da mesma cor.

DIA DOS NAMORADOS COM AFRODITE

Comemore o dia dos namorados com Afrodite. Que deusa melhor do que ela para compartilhar um dia tão romântico?

Em primeiro lugar, em honra a deusa Afrodite adorne seu quarto com rosas vermelhas e queime um incenso desta mesma essência.

RITUAL DE BANHO

Uma das conexões com a deusa Afrodite é através de um simples banho. Recordando seu mito de nascimento, onde ela surgiu da espumas do mar, você pode praticar este ritual numa praia, rio, na banheira e até no chuveiro.

Inicie este seu maravilhoso dia com um gostoso banho. Se puder, polvilhando-o com pétalas de rosas vermelhas, declarando mentalmente toda a sua paixão e desejo. Comece então molhando seu cabelo. Deixe ou faça a água gotejar sobre seu corpo. Sinta-se e diga que é tão bela e atraente quanto Afrodite. Permaneça um bom tempo mergulhada neste tipo de pensamento, depois pode pegar a toalha e enxugar-se.

A seguir faça uma delicada massagem facial-corporal com óleo de essência de rosas. Deste modo, liberará todas as suas tensões e o odor de rosas se exalará invocando assim todos os seus efeitos aromáticos que são afrodisíacos.

Coloque sua melhor roupa e saia para comprar o presente de seu amado. Você não tem um? Tudo bem, deve sair mesmo assim e comprar um presente especial para você. Neste caso, busque roupas e acessórios que você nunca teve coragem de usar antes.

INOVE!

Escolha algo que lhe deixe atrevidamente sensual. Achou? Pois à noite será a hora de vesti-lo e badalar. Talvez seja hoje o dia que Afrodite lhe trará seu principie encantado, retirando todos os "sapos" que insistem em cruzar seu caminho. Quem sabe?

O AMOR ESTÁ NO AR...

O amor está no ar e no perfume de cada dia.

Já foi cientificamente comprovado que o aroma desempenha um papel importante no contexto da atração sexual. O caminho do coração, passa com certeza, primeiro pelo nariz. Uma presença marcante, só se faz através de um perfume de mesmo porte. Portanto, sempre recomendo para que toda mulher eleja um fragrância de seu agrado e lhe seja fiel. Ela deve ser reconhecida por um cheiro particular.

Mas existe também uma poção mágica que pode ativar os poderes afrodisíacos de seu perfume habitual, sem alterar suas características naturais, que consiste em se acrescentar:

1/4 de óleo da patchulli

1/4 de óleo de benjoim

1/4 de óleo de loto

1/4 de óleo de heliotrópio

1/4 de óleo de lírio florentino

1/4 de azeite de oliva

Misture todos os ingredientes acima. Adicione à mistura o seu perfume ou colônia preferida.

JANTAR PARA UM AMOR MAIS RECEPTIVO

Depois do nariz, a parte mais vulnerável do homem é o estômago. Então, neste dia dos namorados é a hora certa de preparar-lhe aquele jantarzinho muito especial.

Decore sua mesa com muito amor cobrindo-a com uma toalha cor-de-rosa. Adorne com um centro de mesa com rosas vermelhas ou papoulas, acrescentando duas velas da mesma cor. Nelas você deve escrever as iniciais dos dois nomes. Primeiro o dele e depois o seu em cima. Elas simbolizarão o desejo ardente mútuo.

Perfume o ambiente com um incenso de rosas vermelhas.

Prepare ou compre uma torta de maças. Tenha disponível uvas e morangos, que deverão ser mergulhados em chocolate, para no término do jantar, num momento mais íntimo serem brindados com champanhe. Tribos indígenas da América do Sul, costumavam usar o chocolate para cobrir suas zonas erógenas. Tornavam assim, os beijos mais doces e agradáveis. O chocolate é considerado o alimento de Vênus.

Prepare um jantar simples, mas não esqueça de usar manjericão, erva tradicional que deve ser sempre acrescentada em refeições de amor. Se servir alguma salada, ela deve ser temperada com vinagre rosa.

RITUAL DE AFRODITE PARA OS AMANTES SEPARADOS

Esse ritual é para aqueles momentos em que se está separado de seu parceiro, seja por trabalho ou outro motivo. Ele nos dará a paciência necessária para suportar essa separação, da mesma maneira que Afrodite esperou pacientemente quando esteve separada de Adonis.

Você necessitará para esse ritual adquirir material de moldar, pode ser de barro, massa ou de cera (encontrado em qualquer livraria especializada em material escolar). Molde dois corações planos. Poderá amassar ou aplanar a massa ou barro ou usar um molde em forma de coração.

Depois acenda uma vela vermelha, já que essa é a cor da paixão. Tão logo a cera comece a derreter, faça com que goteje sobre um dos corações. Enquanto a cera ainda estiver quente, pressione os dois corações, como se fosse um sanduíche, de maneira que a cera cole juntos os dois corações. Ao realizar essa tarefa, vá dizendo:

-"Deusa Afrodite, traga de volta pra mim, são e salvo, o meu amor".

Depois guarde os dois corações em lugar seguro até que volte a encontrar seu parceiro.

Bibliografia:

El Mito de la Diosa - Anne Baring/Jules Cashford, Ediciones Siruela, 2005

La Diosa - Sharukh Husain, 1997

As Deusas e a Mulher - Jean Shinoda Bolen, 1984

Mitologia Grega e Romana - P. Commelin, Ediouro

El Libro de las Diosas - Roni Jay, EDAF, 2003

The Gods of de Greeks, Themes & Hudson, Londres 1979

The Golden one - Aphodite - Karl Kerênyi, 1979

Aphodite (Vênus) - Philip Mayerson, 1976

Deusa Afrodite


  • O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli (1482–1486)

O Nascimento de Vênus, de Adolphe-William Bouguereau (1879)

Afrodite Urânia, de Christian Griepenkerl (1839-1916), representada com o globo terrestre na mão, como ideal dos artistas

Afrodite agachada, cópia romana de escultura helenística

Aphrodite Kallipygos, cópia romana de escultura helenística de 100 a.C.- 150 a.C. (Afrodite admira o próprio traseiro, refletido n'água)

Afrodite de Cnido, cópia romana de estátua de Praxíteles do século IV a.C.

Afrodite Anadiômene, inspirada em pintura de Apelles

Vênus Anadiômene, de Ticiano Vecellio (1488-90)

Vênus Verticórdia, de Dante Gabriel Rosseti (1864-68)

Afrodite (do grego Ἀφροδίτη, Aphroditê) é a deusa grega do amor, do prazer e da beleza, identificada pelos romanos como Vênus. Amurta, a romã, a maçã, a pomba, o pardal e o cisne são consagrados a ela.

Origem Editar a secção Origem

Afrodite é uma divindade de características orientais, cujo culto foi provavelmente introduzido na Grécia pelos fenícios, a partir das suas feitorias. Uma delas estabeleceu-se na ilha de Cítera, próxima do Peloponeso. Os fenícios tiveram também uma colônia em Pafos, Chipre.

Afrodite e seu culto de origem semita parecem ter tomado, na Grécia, o lugar da deusa indo-europeia Eos, a Aurora. Ainda que tenha sido identificada com a Afrodite grega, o nome romano de Vênus parece ser etimologicamente relacionado a Eos e sua equivalente indiana, Ushas. Já o nome "Afrodite" parece derivar do nome de alguma divindade hitita relacionada à semita Istar, Astarot ou Astarte, com a qual Afrodite foi frequentemente assimilada.

Na Ilíada de Homero (750 a.C.), Afrodite é filha de Dione, deusa considerada consorte de Zeus no oráculo de Dodona. Daí, seu epíteto alternativo de Dioneia.

Já segundo a Teogonia de Hesíodo (700 a.C.), Afrodite nasceu da espuma branca das ondas, provocada pela queda no mar do esperma e dos genitais de Urano, castrado por Cronos. Essa versão parece derivar da etimologia popular que relacionou o nome da deusa com a palavra grega aphros, "espuma":

O pênis, tão logo cortando-o com o aço

atirou do continente no undoso mar,

aí muito boiou na planície, ao redor branca

espuma da imortal carne ejaculava-se, dela

uma virgem criou-se. Primeiro Citera divina

atingiu, depois foi à circunfluída Chipre

e saiu veneranda bela Deusa, ao redor relva

crescia sob esbeltos pés. A ela, Afrodite,

Deusa nascida de espuma e bem-coroada Citeréia

apelidam homens e Deuses, porque da espuma

criou-se e Citeréia porque tocou Citera,

Cípria porque nasceu na undosa Chipre,

e Amor-do-pênis porque saiu do pênis à luz.

Eros acompanhou-a, Desejo seguiu-a belo,

tão logo nasceu e foi para a grei dos Deuses.

Esta honra tem dês o começo e na partilha

coube-lhe entre homens e Deuses imortais

as conversas de moças, os sorrisos, os enganos,

o doce gozo, o amor e a meiguice.

Segundo a Dionisíaca de Nonnus (século V d.C.), porém, a deusa não nasceu simplesmente da espuma, mas de sua conjunção com Talassa, deusa do mar.

Com o epíteto de Anadiômene, "a que surge" das ondas do mar, de um famoso quadro do pintor grego Apeles (século IV a.C.), tão logo nasceu, a deusa foi levada pelas ondas ou pelo vento Zéfiro para Cítera e em seguida para Chipre, terras consideradas como a pátria de Afrodite e que lhe deram os epítetos de Citeréia eCípris.

Urânia e Pandemos Editar a secção Urânia e Pandemos

Uma concepção tardia dividiu Afrodite em duas deusas distintas, Afrodite Urânia, "Celestial", nascida sem mãe, do esperma de Urano; e Afrodite Pandemos, "De Todos os Povos" ou "De Todo o Povo", nascida de Zeus e Dione.

Esse conceito encontra-se pela primeira vez no século V a.C., em Platão. Para os neoplatônicos e seus intérpretes cristãos, Afrodite Urânia, ou Vênus Celestial, representa o amor espiritual, enquanto Afrodite Pandemos era associada ao amor físico. Outras concepções davam a primeira como deusa do amor lícito, matrimonial e a segunda como a do amor desregrado, principalmente com prostitutas.

A representação de Afrodite Urânia com um pé descansando em uma tartaruga foi interpretada como um emblema de discrição nos conflitos conjugais. A imagem é creditada a Fídias em uma escultura criselefantina (de ouro e marfim) feita para a cidade de Élis e notada por Pausânias. No seu culto eram proibidas oferendas e libações de vinho.

Afrodite Pandemos foi representada em Élis, por Scopas, cavalgando um carneiro. Afrodite Pandemos também era cultuada em Megalópolis, na Arcádia e e Tebas. Um festival em sua honra foi mencionado por Ateneu e a ela eram oferecidos sacrifícios de cabras brancas.

Originalmente, Afrodite Pandemos representava simplesmente a união dos povoados, os "demos", em um só corpo político, como os que formaram cidades-estados maiores como Atenas e Megalópolis. Era venerada em Atenas junto com Peito ("Persuasão") e seu culto teria sido instituído por Teseu quando unificou as comunidades da Ática. A transição para a interpretação como "Afrodite Popular", "Afrodite Vulgar" ou "Afrodite Promíscua" pode ter-se relacionado ao fato de seu santuário, que teria sido mandado construir por Sólon, estar situado na popular Ágora, a praça do mercado, ou de as hetairas terem custeado sua construção.

Símbolos

Afrodite foi, sucessivamente, representada envolta em finos véus, seminua e mais tarde totalmente nua (a partir de Escopas e de Praxíteles, século IV a.C.).

Os artistas apresentaram-na, geralmente, cercada de suas flores preferidas, a rosa e a murta, e acompanhada dos seus animais favoritos, as pombas, que ela atrelava ao seu carro. Também lhe eram consagrados os pomos em geral, incluindo a maçã, a lima e o marmelo, mas mais especificamente a romã. Era especialmente ligada às conchas (principalmente vieiras e amêijoas), que representavam os órgãos sexuais femininos. Cisnes e delfins são também frequentemente associados a essa deusa.

Afrodite costuma ser acompanhada de um cortejo de servidores e de servas que encarnam os prazeres e o encanto do mundo, das quais a mais importantes são as Cárites e as Horas. As ninfas oréadas também costumam acompanhá-la.

Sendo a ilha de Cítera sua primeira pátria e um dos centros mais tradicionais de seu culto, a expressão "viagem a Cítera" tornou-se uma metáfora usual para a paixão amorosa e para o ato sexual.

Culto Editar a secção Culto

No templo de Afrodite no alto do Acrocorinto (antes da destruição da cidade pelos romanos em 146 a.C.), ter relações sexuais com suas sacerdotisas ou hieródulas era uma das maneiras de cultuar Afrodite. O mesmo costume existia em templos de Afrodite em Chipre, Cítera e na Sicília, seguindo a tradição dos cultos a Inana, Ishtar, Astarot ou Astarte dos povos da Mesopotâmia, Síria, Fenícia e Palestina.

Essas sacerdotisas entregavam-se nos templos da deusa aos visitantes com o fito, em primeiro lugar, de promover e provocar a vegetação e a fertilidade e, em segundo lugar, para arrecadar dinheiro para os próprios templos. No riquíssimo (graças às hieródulas) santuário de Afrodite no monte Érix, na Sicília, e em Corinto, nos bosques de ciprestes de um famoso Ginásio, chamado Craníon, a deusa era cercada por mais de mil hieródulas, que, à custa dos visitantes, lhe enriqueciam o santuário. Personagens principais das famosas Afrodísias de Corinto, todas as noites elas saíam às ruas em alegres cortejos e procissões rituais. Embora alguns poetas cômicos, como Aléxis e Eubulo, ambos do século IV a.C., tivessem escrito a esse respeito versos maliciosos, pedia-se às hieródulas que dirigissem as preces públicas a Afrodite também em momentos da maior gravidade, como nas invasões persas de Dario (490 a.C.) e Xerxes (480 a.C.).

Píndaro, um dos mais religiosos dos poetas gregos, celebrou com um skólion (canção convivial) um grande número de jovens hieródulas que Xenofonte de Corinto ofertou a Afrodite, em agradecimento por uma dupla vitória nos Jogos Olímpicos.

Epítetos

Os epítetos mais usados entre os gregos eram o de Afrodite Acidália, Cípria (Kypris) e Citeréia (Cytherea). O festival de Afrodite, chamado Afrodisíaca ou Afrodísia, era celebrado em toda a Grécia, mas especialmente em Atenas e Corinto.

Outros epítetos gregos comuns foram:

  • Aphrodite Akidalia: segundo Servius, derivada da fone Acidalius perto de Orcômeno, na qual Afrodite se banhava com as Cárites; outros ligam o nome com o grego άκιδες,acides, "preocupa-se".

  • Aphrodite Akraia - epíteto dado a deusa em templos situados sobre colinas.

  • Aphrodite Alitta ou Alilat - nome pelo qual, segundo Heródoto, os árabes chamavam Afrodite Urânia.

  • Aphrodite Amathousia ou Amathountia - derivada da cidade de Amathus em Chipre, um de seus centros de culto mais antigos.

  • Aphrodite Ambologêra - de anaballô e gêras "que afasta a velhice", nome de uma imagem em Esparta.

  • Aphrodite Anadyomenê - a deusa erguendo-se do mar, em alusão à sua origem e a uma famosa representação de Apeles da deusa enxugando o cabelo com suas mãos.

  • Aphrodite Antheia - o brotar, ou a amiga das flores, epíteto usado em Cnossos.

  • Aphrodite Apatouria - "a enganadora", usado em Phanagoria e outros lugares do Quersoneso Táurico, alude a um mito no qual Afrodite foi atacada por gigantes e pediu socorro a Héracles. Ele se escondeu com ela em uma caverna e, quando os gigantes aproximavam-se dela um por um, ela os entregava a Héracles para que os matasse.

  • Aphrodite Aphakitis - da cidade de Aphace na Coele-Syria, onde tinha um célebre templo e oráculo.

  • Aphrodite Apotrophia - "a expulsora", usado em Tebras, onde descrevia a deusa como expelindo o desejo dos corações dos homens depois do prazer pecaminoso. Seu culto teria sido instituído por Harmonia junto com o de Afrodite Urânia e Pandemos.

  • Aphrodite Arakynthias - derivada do monte Aracynthus, onde havia um templo de Afrodite.

  • Aphrodite Areia - a Afrodite de Ares, representada de armadura, como em Esparta.

  • Aphrodite Argennis - de Argennus, favorita de Agamêmnon, em homenagem à qual o rei construiu um santuário a Afrodite no rio Cephissus.

  • Aphroditê Hetaíra - "companheira", "amante", protetora em Atenas das hetairas propriamente ditas.

  • Aphrodite Kallipygos - "de bela bunda", venerada em Siracusa. A imagem alude a um conto segundo a qual um camponês tinha duas belas filhas que se puseram a discutir na rua sobre qual tinha o traseiro mais bonito. Um rapaz que passava, filho de um homem velho e rico, foi escolhido como juiz. Não só se pronunciou a favor da irmã mais velha, como se apaixonou por ela e acabou por levá-la para a cama e contar pra seu irmão mais novo. Este, curioso, foi para o campo, viu as duas garotas e se apaixonou pela mais nova. Quando o pai tentou fazer os dois jovens se casarem com moças da sua própria classe, não conseguiu convencê-los e acabou por aceitar que se casassem com suas camponesas. Ambas as moças foram chamadas de "calipígias" pelos cidadãos de Siracusa e, ao ficarem ricas e famosas, fundaram o templo de Afrodite e chamaram a deusa pelo mesmo epíteto.

  • Aphrodite Knidia - da cidade de Cnidus, na Cária, para a qual Praxíteles fez uma estátua célebre.

  • Aphrodite Kôlias - de uma estátua no promontório de Cólias, na Ática.

  • Aphrodite Despoina - "a déspota", epíteto usado também em relação a outras deusas, como Deméter e Perséfone.

  • Aphrodite Diônaia - a "filha de Dione".

  • Aphrodite Erykinê - derivada do monte Érix, na Sicília, que teria sido construído por Érix, filho de Afrodite e do rei Butes, ou, segundo Virgílio, por Enéias. Psófis, filha de Érix, eria construito um templo a essa Afrodite em Psófis, na Arcádia. Da Sicília, seu culto foi introduzido em Roma no início da II Guerra Púnica e em 181 a.C. foi-lhe construído um templo fora da Porta Collatina. Em Roma, representava o "amor impuro" e era a padroeira das prostitutas.

  • Aphrodite Gamêlii - como uma das divindades protetoras do casamento, a saber, Zeus, Hera, Afrodite, Peito e Ártemis e às vezes também as Moiras.

  • Aphrodite Genetyllis - como protetora dos nascimentos e às vezes como Genetile, uma divindade distinta, ou como Genaides ou Genetílides, uma classe de divindades presidindo à concepção e ao nascimento em companhia de Aphrodite Colias. O epíteto também é aplicado a Ártemis.

  • Aphrodite Hekaergê - "que atinge à distância", epíteto usado em Iulis, ilha de Cós.

  • Aphrodite Idalia - da cidade de Idálion, em Chipre.

  • Aphrodite Limenia, Limenitês, Limenitis ou Limenodkopos - "protetora do porto", epíteto também aplicado a Zeus, Ártemis e Pã.

  • Aphrodite Mêchaneus ou Mechanitis - hábil em invenções, aplicado em Megalópolis.

  • Aphrodite Melainis - "a negra", epíteto usado em Corinto.

  • Aphrodite Melinaia - derivado da cidade argiva de Meline.

  • Aphrodite Migônitis - derivado de Migonium, lugar dentro ou perto da ilha de Cranne, na Lacônia, onde havia um templo da deusa.

  • Aphrodite Morphô - "formosa", epíteto usado em Esparta à deusa representada sentada, com a cabeça coberta e os pés acorrentados.

  • Aphrodite Nikêphoros - "que traz a vitória", aplicado também a outras divindades.

  • Aphrodite Paphia - do célebre templo em Pafos, Chipre. Também havia uma estátua de Afrodite Páfia no santuário de Ino, entre Oetylus e Thalamae na Lacônia.

  • Aphrodite Peithô - "a persuasão", considerada uma divindade distinta em Sícion, em cuja ágora tinha um templo, mas epíteto de Afrodite em Atenas, onde seu culto teria sido introduzido por Teseu quando unificou a Ática. Em Atenas as estátuas de Peitho e Afrodite Pandemos estavam bem juntas e em Mégara a estátua de Peitho ficava no templo de Afrodite.

  • Syria Dea - "deusa síria", designação de Astarte.

  • Aphrodite Zephyritis - do promontório de Zefírio, no Egito.

  • Aphrodite Zêrynthia - da cidade de Zerinto na Trácia, onde seu santuário teria sido construído por Fedra.

Com o nome de Vênus, Afrodite foi particularmente querida dos romanos, que a consideravam ancestral de Enéias, de Rômulo e Remo e dos Césares e a celebravam em vários festivais. Seu culto teria começado em Ardea e Lavinium, no Lácio. Entre os epítetos de Vênus em Roma, contam-se:

  • Vênus Cloacina: fusão de Vênus com a deusa etrusca da água Cloacina, que provavelmente resultou da proeminente estátua de Vênus próxima daCloaca Máxima (sistema de esgotos de Roma) erguida no lugar onde teria sido feita a paz entre os romanos e os sabinos.

  • Vênus Felix ("Vênus Feliz") foi o epíteto usado em um templo na colina do Esquilino Hill em outro construído por Adriano e dedicado a Vênus Felix et Roma Aeterna no lado norte da Via Sacra. Esse epíteto é usado também para uma escultura específicas dos Museus do Vaticano.

  • Vênus Genetrix ("Vênus Genitora") era Vênus no papel de ancestral do povo romano, uma deusa da maternidade e domesticidade. Um festival era celebrado em sua honra em 26 de setembro. Como Vênus era considerada mãe da gens Júlia em particular, Júlio César lhe dedicou um templo em Roma.

  • Vênus Libertina era um epiteto que pode ter surgido de um erro, quando os romanos tomaram lubentina ("agradável", "apaixonante") por libertina(das escravas libertas). Um epíteto possivelmente relacionado é o de Vênus Libitina, Libentina, Libentia, Lubentina, Lubentini ou Lubentia, que provavelmente surgiu da confusão com Libitina, uma deusa funérea, com a Vênus Lubentina. Um templo foi dedicado a Vênus Libitina na colina do Esquilino.

  • Vênus Murcia ("Vênus da Murta") foi um epíteto que uniu Vênus a Murcia ou Murtia, uma divindade pouco conhecida, associada com a murta. Algumas fontes a consideram uma deusa da preguiça.

  • Vênus Obsequens ("Vênus Indulgente") era um epíteto ao qual foi dedicado um templo em 293 a.C., durante a Terceira Guerra Samnita, por Quintus Fabius Maximus Gurges. Foi construído com o dinheiro de mulheres multadas por adultério e era o mais antigo templo de Vênus em Roma. Provavelmente situava-se ao pé do monte Aventino, perto do Circus Maximus. No dia de sua dedicação, 19 de agosto, era celebrado o festival da Vinalia Rustica.

  • Vênus Verticordia ("Vênus que vira corações"), era tida como protetora contra o vício e o festival daVeneralia era celebrado em sua honra em 1º de abril. Um templo em sua honra foi dedicado em 1º de abril de 114 a.C,, seguindo instruções dos Livros Sibilinos, como expiação pela violação do voto de castidade por três virgens vestais.

  • Vênus Victrix ("Vênus Vitoriosa") era um aspecto armado de Afrodite herdado pelos gregos do Oriente, onde a deusa Ishtar nunca deixou de ser também uma deusa da guerra. Foi a essa Vênus que Pompeu dedicou um templo no topo do seu teatro no Campus Martius em 55 a.C. Havia também um santuário de Vênus Victrix no monte Capitolino, com festivais em 12 de agosto e 9 de outubro. Na arte neoclássica, esse epíteto foi usado no sentido de "Vênus vitoriosa sobre os corações dos homens" ou no contexto do Julgamento de Páris.

Outros epítetos romanos incluem Vênus Amica ("Venus Amiga"), Vênus Armata("Vênus Armada"), Vênus Caelestis ("Vênus Celeste"), e Vênus Aurea ("Vênus Dourada").

Mitos de Afrodite Editar a secção Mitos de Afrodite

Vênus e Marte, de Sandro Botticelli (1485)

Visita de Vênus a Vulcano, de François Boucher (1754)

Hefesto nasceu feio e, por isso, foi atirado do alto do Monte Olimpo aos mares por Hera, sua mãe. Foi recolhido por Tétis e Eurímone, com as quais viveu por nove anos. Já crescido, ele se vingou dela, enviando-lhe de presente um trono de adamanto. Quando Hera se sentou, correntes a prenderam habilmente e nem Zeus foi capaz de quebrá-las. Hefesto só consentiu em libertar a mãe em troca da volta ao Olimpo e da mão de Afrodite.

Ares, nas ausências de Hefesto, que tinha suas forjas no monte Etna, na Sicília, partilhava constantemente o leito de Afrodite. Fazia-o com tranquilidade, pois deixava à porta dos aposentos da deusa uma sentinela, um jovem chamado Aléctrion ("Galo"), que deveria avisá-lo da aproximação do nascer do sol. Um dia, porém, o vigia dormiu e Hélios, o Sol, que tudo vê e que não perde a hora, surpreendeu os amantes e avisou Hefesto. Este, deus que sabe atar e desatar, preparou uma rede mágica, com correntes invisíveis de adamanto e prendeu o casal ao leito. Convocou os deuses para testemunharem o adultério e estes se divertiram tanto com a picante situação que a abóbada celeste reboava com as suas gargalhadas. Após insistentes pedidos de Poseidon, o deus coxo consentiu em retirar a rede. Envergonhada, Afrodite fugiu para Chipre e Ares para a Trácia. Desses amores, nasceram Fobos ("Medo"), Deimos ("Terror") e Harmonia, que mais tarde foi esposa de Cadmo, rei de Tebas. Aléctrion foi punido sendo transformado em galo e obrigado a cantar toda madrugada, antes do nascimento do Sol.

Vulcano surpreende Vênus e Marte, de Jacopo Comin "Tintoretto" (1551)

Por ter Eos se enamorado de Ares, Afrodite, enciumada, fez a rival apaixonar-se violentamente pelo gigante Órion, a ponto de arrebatá-lo e escondê-lo, com grande desgosto dos deuses, uma vez que o gigante, como Héracles, limpava os campos e as cidades de feras e monstros.

  • Tão longo Afrodite nasceu, Zeus por ela se apaixonou e a possuiu numa longa noite de amor. Hera, enciumada com a gravidez da deusa oriental, e temendo que, se da mesma nascesse um filho com a beleza da mãe e o poder do pai, ele certamente poria em perigo a estabilidade dos imortais, deu um soco no ventre de Afrodite. O resultado foi que Priapo nasceu com um membro viril descomunal. Com medo de que seu filho e ela própria fossem ridicularizados pelos deuses, abandonou-o numa alta montanha, onde foi encontrado e criado pelos pastores (outra versão faz de Priapo filho de Afrodite com Dioniso).

  • Da união de Afrodite com Hermes, nasceu Hermafrodito, um jovem belíssimo. Salmácis, uma ninfa crinéia, apaixono-se por ele, agarrou-o quando foi banhar-se em sua fonte e pediu aos deuses que jamais a separassem dele. Desde então, Hermafrodito passou a ter uma dupla natureza.

  • Afrodite castigou Hipólito por ter-se dedicado à deusa da castidade Ártemis e desprezado seu culto. Inspirou a Fedra, madrasta de Hipólito, uma paixão incontrolável pelo enteado. Repelida por este, Fedra se matou, mas deixou uma mensagem mentirosa a Teseu, seu marido e pai de Hipólito, acusando a este último de tentar violentá-la, o que lhe explicava o suicídio. Desconhecendo a inocência do filho, Teseu expulsou-o de casa e invocou contra o filho a cólera de Poseidon. Este enviou contra Hipólito um monstro marinho que espantou os cavalos de sua biga, fazendo-o cair e ser arrastado e despedaçado.

O Julgamento de Páris, de Pieter Pauwel Rubens (1639)

  • Durante o banquete de núpcias de Tétis e de Peleu, para o qual os deuses tinham sido convidados, Éris, a Discórdia, lançou para o meio dos convivas um pomo de ouro, na qual figurava a inscrição καλλίστῃ (kallístê, "à mais bela"). Hera e Atena opuseram-se, imediatamente a Afrodite, cada uma delas reivindicando o pomo e o título. Zeus convenceu-as a remeter esta questão à apreciação de um mortal, e foi eleito como juiz o Troiano Páris, filho do rei Príamo. Hermes conduziu as três deusas junto dele, numa altura em que este vigiava os seus rebanhos no monte Ida, na Frigia. Hera fez valer a sua beleza senhorial e ofereceu a Páris o Império da Ásia; Atena, dotada de uma beleza severa, garantiu ao príncipe troiano a invencibilidade e sabedoria; Afrodite, soltando as fivelas que prendiam a sua túnica, desnudou-se e prometeu a Páris o amor da mais bela mulher do mundo. Afrodite recebeu o pomo e o troiano, em recompensa, conseguiria seduzir a bela Helena, esposa do rei de Esparta, Menelau, dando início à Guerra de Tróia.

  • A beleza do troiano Anquises, "digna dos deuses", fascinou Afrodite, a ponto de ela se disfarçar na filha do rei da Frígia para amá-lo e lhe dar um filho, Enéias, que a deusa protegeu com todas as suas forças. Diomedes quase o matou em batalha, mas Afrodite o salvou. Diomedes, furioso, feriu Afrodite, que deixou cair o filho e voou para o Olimpo, queixar-se do arranhão à sua mãe Dione, enquanto Apolo envolvia Enéas em uma nuvem e o levava a Tróia, onde foi curado por Ártemis. Enéias, após a queda de Tróia, ficou responsável pela perpetuação da sua raça e da sua pátria, transferindo-as para Itália, no Lácio, onde, mais tarde, os seus descendentes fundariam e governariam Roma.

O Nascimento de Adônis, de Marcantonio Franceschini (1648-1729)

Vênus e Adônis, de Pieter Pauwel Rubens (1610)

Téias, rei da Síria, tinha uma filha, Mirra ou Esmirna que, desejando competir em beleza com a deusa do amor, foi castigada por esta com uma paixão incestuosa pelo próprio pai. Com auxílio de sua aia Hipólita, Mirra enganou Téias unindo-se com ele por doze noites consecutivas. Na última noite, o rei percebeu o engodo e perseguiu a filha com a intenção de matá-la. Mirra colocou-se sob a proteção dos deuses, que a transformaram na árvore que tem seu nome.

Em outra versão do mesmo mito, Mirra era filha de Cíniras, rei fenício de Chipre, e da rainha Cencréia. Esta ofendeu Afrodite, dizendo que a filha era mais bela que a deusa, que então despertou na rival a paixão pelo pai. Apavorada com seus próprios desejos, Mirra quis enforcar-se, mas Hipólita interveio e facilitou a satisfação do amor incestuoso. Consumado o incesto, Mirra fugiu para a floresta e foi a própria Afrodite que, compadecida com seu sofrimento, a transformou em árvore de mirra.

Meses depois, a casca da mirra começou a inchar e no décimo mês se abriu (ou, segundo outras versões, foi aberta pelo pai ou pelos dentes de um javali), nascendo Adônis. Tocada pela beleza da criança, Afrodite recolheu-a e a confiou, em segredo, a Perséfone. Esta, também encantada com o menino, negou-se a devolvê-lo à esposa de Hefesto. A querela foi arbitrada por Zeus, que estipulou que Adônis passaria um terço do ano com Perséfone, outro com Afrodite e os restantes com quem quisesse.

Mais tarde, Ares, com ciúme - ou Ártemis, ou Apolo, segundo outras versões - lançou contra Adônis um javali que o matou. Afrodite então transformou seu amor em anêmona, flor da primavera, que continuou a passar os quatro meses primaveris com Afrodite, para então fenecer e morrer. No afã de tentar salvar o amante, Afrodite pisou num espinho de rosa e seu sangue deu à flor um novo colorido.

fonte: http://pt.fantasia.wikia.com/wiki/Afrodite