Pesquisar neste blog

A principal fonte dos textos postados aqui é da Internet, meio de informação pública e muita coisa é publicada sem informações de Copyright, fonte, autor etc. Caso algum texto postado ou imagem não tenha sua devida informação ou indicação, será escrito (autoria desconhecida). Caso souberem, por favor, deixe um comentário indicando o ou no texto, ou caso reconheçam algum conteúdo protegido pelas leis de direitos autorais, por favor, avisar para que se possa retirá-lo do blog ou dar-lhe os devidos créditos. Se forem utilizar qualquer texto postado aqui, por favor, deem os devidos créditos aos seus autores. Obrigada!

Abençoados sejam todos!

16 de abr de 2011

Morgana

Texto de Ioldanach (2007); fonte: Templo do Conhecimento

A Origem de Morgana
Desde os autores da Idade Média aos da literatura contemporânea nada se apresenta mais controverso do que a figura de Morgana , onde em algumas versões ela é tida como a grande vilã no enredo enquanto outros designam a ela o papel de fundamental aliada de Arthur.

No principal documento que a cita historicamente, a saber o livro intitulado "Vita Merlini" (Vida de Merlin) de autoria de Geoffrey of Monmouth (1100 - 1155) , Morgana é apresentada como uma das nove irmãs que governavam um mágico lugar a que chamavam "ilha de maçãs" e que homens conheciam pelo nome de "A Ilha Afortunada" (o mesma é citada em "Navigatio Sancti Brendani" por São Brandão na narrativa de suas lendárias viagens aum Paraíso Perdido) pelo fato de que ali a Mãe Natureza nutria seus habitantes com tamanha abundancia que nem havia necessidade de cultivar a terra e nela passar o arado.
Morgana é aqui chamada de "Morgen" por Geoffrey , sendo descrita por ele como tendo notável beleza, extraordinários conhecimentos e incríveis poderes de mudar a sua própria forma. Seria ela uma espécie de líder e mentora de suas irmãs. Porém, a importância que dá a ela no "Vita Merlini" é secundária já que o texto concentra mais em falar de Merlin (praticamente só um parágrafo é gasto para mencioná-la) que encerra uma espécie de trilogia que deu inicio com "Prophetiae Merlini" (Profecias de Merlin) e passa por
"Historia Regum Britanniae" (Histórias dos Reis da Britania).
Posteriormente a mesma personagem com certas mudanças é citada com um pouco mais destaque como "Morgawse" (vemos outros autores menos renomados a chama-la também de "Anna") por
Sir Thomas Malory (1405-1471) em seu livro "Le Morte d´Artur" onde é compilado para o francês as sagas arturianas. Porém, seja qual fosse o nome o fato é que Morgana e outros personagens femininos figuram como secundários em face Arthur , Merlin e os Cavaleiros da Távola Redonda.
Tempos depois já no século XX a escritora norte-americana Marion Zimmer Bradley (1930-1999) tem a iniciativa de criar uma versão sob o ponto feminino das lendas arturianas em seu livro "As Brumas de Avalon" onde Morgana é finalmente elevada a condição de quase personagem central da estória só que assumindo a alcunha de "Morgana Le Fey" no enredo.


A Outra Face de Morgana
Ocorre que seja como Morgen, Morgawse, Anna, Morgana Le Fey ou qual for o nome , tomada como personagem principal ou mero coadjuvante na trama bem como também encarando seu papel como vilã ou heroína na vida de Arthur , o fato é que toda esta narrativa não passa de uma espécie de "releitura" de lendas bem mais antigas.
Nesta perspectiva, centrando a obra de Geoffrey of Monmouth como grande paradigma na criação da mitologia arturiana, pelo o qual outros escritores vieram depois para se inspirar pelos século afora, a tese mais aceita é que ele fez uma versão "franco-normanda" de mitos célticos e o mesclou com ficção histórica, ou seja, pegou lendas ancestrais e procedeu uma "revisão" nos eventos históricos de modo que lendas e fatos se misturassem como sendo uma só coisa.
Seja quem fosse a Morgana como personagem histórica, partindo é claro do pressuposto que ela tenha de fato existido, não resta dúvida que Morrigan (ou se muito a sua versão galesa como "deusa Gwyar") é a principal base de inspiração para Geoffrey compor a personagem.
Evidências que comprovam esta ascendência mítica sobre Morgana são inúmeras que vão desde sua descrição física , seus poderes e atitudes que são bem típicos daqueles vistos em Morrigan. Leia-se , por exemplo, o poema "Morgan le Fay" de autoria de
Madison Julius Cawein (1865 -1914) e vejam se "a sombra de Morrigan" não aparece lá :
De Samito * era feito o seu leito,
No seu cabelo um aro de ouro,
Como luminescência orgânica, no amarelo-torrado da luz do luar,
Era luzente e fria.
Com olhos cinzentos claros, ela olhava ameaçadora e fixamente;
Com lábios vermelhos claros cantava uma canção:
Qual era o cavaleiro que ao olha-la,
Não a receava?

Obs : samito era uma espécie de tecido pesado de seda usado na Idade Média.

Nenhum comentário:

Postar um comentário