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27 de mar. de 2011

Mitologia Romana

Texto: Lara Moncay

Nos tempos pré-históricos, a Itália, foi ocupada por dois grupos humanos de diferentes origens: mediterrâneos, aparentados aos cretenses e os pelasgos da Grécia continental e indo-europeus nômades, vindos do norte, como os que invadiram a Índia, Pérsia e a Grécia.

A religião de Roma e da Itália Romana aparece como uma velha religião autóctone, acrescida da contribuição dos indo-europeus, dos etruscos, o único povo estrangeiro que impôs sua lei a Roma, sendo eles próprios penetrados por influências da Grécia, sobretudo, nas diferentes épocas de seu desenvolvimento, e finalmente, dos cultos orientais.

Os Textos Sagrados da Religião Romana

Como textos sagrados, temos os fragmentos dos antigos Cantos Arvaus e dos Cantos Dálios – ambos são sacerdotes organizados em colégios. Há também os Oráculos Sibilinos, que nada tem em comum com os Livros Sibilinos que Tarquínio. Os Livros Sibilinos foram destruídos por ocasião do incêndio de Toma em 82 a.C. e foram substituídos por contrafações, fabricadas por judeus helenizantes. Os Livros Sibilinos forma adquiridos por Tarquínio pela Sibila de Cumas. Em muitas cidades as Sibilas – Pitonisas exaltadas a serviço de Apolo – proferiam oráculos bem recebidos tanto pelos gregos e romanos, como pelos orientais e israelitas.

(Sibila de Cumas)

A religião romana pode ser conhecida pelos escritores da literatura latina, especialmente por Varrão (116-27 a.C.), autor da obra intitulada De rebus divinis (das coisas divinas). O historiador Tito-Lívio (59 a.C. à 19 d. C.), assim como o poeta Ovídio (43 a.C. à 16 d.C), comentando em seus Fastos, o calendário das festas, são também, excelentes referências.

A Religião Primitiva de Roma

As sobrevivências totêmicas estão na crença em vegetais sagrados como a figueira e a fava e em animais sagrados, cujas lendas, justificam a proeminência: o lobo teria conduzido os samnitas à procura de um território, a loba, teria amamentado Rômulo e Remo, os gansos salvaram o Capitólio e os frangos eram considerados animais de presságios.

Algumas famílias conservavam os nomes totêmicos como os Porcci (porcos), os Fabii (fava). Sobre as insígnias das legiões figuram lobos, javalis e águias.

A palavra latina sacer, significa ao mesmo tempo o sagrado e o impuro. Havia dias nefastos, em que se ordena não pronunciar (non fari) as palavras sacramentais do oculto, há dias fastos. É proibido pronunciar o nome de certos deuses e tocar no saque feito durante a guerra.

O animismo romano coloca, em torno do homem, grande qualidade de espíritos. Procuram utilizá-los satisfazendo-os através da observação minuciosa de ritos.

Esses poderes impessoais são designados por uma palavra neutra – numem, plural numina. Assemelha-se a manifestação de manas, mas não parecem ligados a uma visão de conjunto sobre a unidade da matéria espalhada no mundo. São contidos em objetos materiais e aplicam-se a atos nitidamente definidos. Por exemplo, um espírito preside os campos, outro à preparação da terra, um terceiro às plantações, e assim sucessivamente.

Cada homem tem seu demônio (espírito) familiar, seu gênio (genius). Cada mulher possui um poder fecundante (juno). Há um espírito de barreira, separando as propriedades (terminus), um espírito da porta (janus), outro do lar (vesta). Existem espíritos protetores do solo e da casa, os "lares” e espíritos que protegem a despensa (penus), os penates. Quando se abandona a casa, deixam-se os lares para os outros, mas levam-se os penates. Os penates protegem os membros da família, mas não os escravos, os lares, mais populares os protegem.

(Juno)

Acreditavam na sobrevivência. Os mortos eram primitivamente enterrados sob o lar, que eles defendiam. Por eufemismo, chamavam manes (os bons) aos espíritos dos mortos. Dirigiam-lhe oferendas e refeições no dia dos mortos. Procuravam apaziguar os mortos hostis, os lêmures, através de determinadas cerimônias.

O animismo é acompanhado de magia. Os romanos reproduziam por imagens, por gestos e por palavras a realidade da qual desejava o aparecimento. Rodeiam-se as cidades com círculos mágicos para assegurar-lhes a defesa.

Festas campestres, algumas presididas pelo colégio dos sacerdotes Arvais (que significa campo), favorecem a vegetação, contribuem para o êxito da safra e das vindimas. Outros sacerdotes, os Lupercos (Lupus – lobo e Arcere – repelis), tiveram como tarefa principal correr nus - a fim de a roupa não atrapalhar a expansão da força mágica- e traçar um circulo que os lobos nunca ultrapassassem, esse era o objetivo da festa das Lupercais. Depois, Lupercos tornam-se, sobretudo estimuladores da fecundidade feminina, com um látego da pelo de bode, açoitavam as mulheres estéreis a fim de torná-las aptas à reprodução.

Os Sálios (da palavra salire – saltar) que formam outro colégio, executam, saltando e cantando, danças sagradas onde, entrechocando ruidosamente as armas e imitando o barulho das batalhas preparam a derrota do adversário e imantam seus escudos e suas lanças de força mágica.

Evolução da Religião de Roma

Pouco a poucos os espíritos vão se tornar deuses. Alguns destes deuses conservam o caráter neutro que tinham enquanto espíritos. Os romanos os dedicam preces, às vezes sem saber se são deuses ou deusas.: sive deus sive dea (quer seja deus ou deusa).

Todos os espíritos protetores das mulheres concentram-se na deusa Juno, desde uma época longínqua do matriarcado – o próprio nome Roma é feminino. O deus Término reúne os espíritos das demarcações que separam as propriedades. Os múltiplos deuses das portas tornam-se um só deus Janus, um Janus nacional. Janus Bifrons, de duas faces, das quais uma vigia a cidade e a outra o exterior, a fim de que nenhum intruso nela penetre. As portas de seu templo, fechadas em época de paz, ficam abertas durante a guerra: é preciso permitir aos combatentes entrar em sua cidade, pois o fechamento da porta seria abominável presságio, significando que nenhum guerreiro escaparia ao massacre.

(Janus)

As múltiplas divindades dos lares transformam-se em só divindade, Vesta, adorada num templo de forma arredondada como uma cabana – o templo mais antigo de Roma – por sacerdotisas castas, as Vestais, que aí mantém o fogo sagrado.

 

 

(Templo de Vesta)

Uma divindade rural é a Boa Deusa, deusa tutelar de um bosque sagrado próximo a Roma, é ela que a confraria dos arvais venera. Hércules é o protetor dos pais de família. A essas divindades particularmente antigas outras foram se juntar.

Os indo-europeus, conduzidos à vitória por um chefe único, divinizaram talvez esse chefe mágico e guerreiro. Uma sobrevivência desta concepção seria o costume de o general vitorioso, que recebe honras divinas, aparecer trajado com vestes de um deus, montando na quadriga divina. Em compensação, o chefe cujo poder mágico se revelou insuficiente, merecia a morte.

Em todo caso, os indo-europeus introduziram seu protetor todo poderoso comparável aos Zeus dos gregos, Júpiter, deus supremo do povo, deus supremo do universo.
Com Júpiter, formam uma tríade Marte, o deus da guerra e dos soldados e Quirino, o deus da paz e dos cidadãos pacíficos.

Além disso, o Panteão romano cedo acolhe as divindades estrangeiras: as primeiras divindades latinas, como Minerva, antiga deusa de Falérias, adotada pelos etruscos, que a impõe em Roma, será mais tarde Atena, a protetora dos trabalhadores, mas não possuirá as características guerreiras. A antiga tríade Júpiter – Marte – Quirino é substituída pela tríade Júpiter - Juno – Minerva. Diana, introduzida também pelos etruscos, será mais tarde identificada a Artêmis, a deusa da sorte e dos oráculos. Vênus divindade da Ardéia, reunindo nela, como Juno os espíritos da fecundidade, que existem, primeiro em cada mulher, será identificada como Afrodite.
Como Atena, Artêmis e Afrodite, outras divindades vêm da Grécia:Apolo, Posseidon, que confundem com Netuno, outrora deus das águas correntes, torna-se deus dos Oceanos. Deméter que identificam a antiga divindade local Ceres; Mercúrio que se transforma em Hermes, dentre outros.

Os Cultos Romanos

O culto é familiar e nacional.
Ao centro da casa, no lar, o romano piedoso reúne a família, até seus escravos, para orar e sacrificar alguns alimentos às divindades domésticas.
Quanto ao culto oficial, é um ritualismo estreitamente associado à vida política. Os sacerdotes são funcionários do Estado e encarregados do culto público.

A frente dos sacerdotes encontrava-se o rei, substituído, em seguida por aqueles que chamavam o rei dos sacrifícios. Abaixo do rei, três flâmines, isto é, assopradores, iluminadores do fogo sagrado; o flâmine de Júpiter, o de Marte e de Quirino. Abaixo destes, os pontífices, encarregados da construção de pontes, presidiam o culto nacional. Após a abolição da realeza, o grande pontífice (pontifex maximus) torna-se o mais poderoso de todos os sacerdotes.
Os decenviros (mais tarde quindecenviros) dos sacrifícios ocuparam-se com o culto devido aos deuses estrangeiros, aos deuses helênicos. Os áugures davam a conhecer a vontade dos deuses estudando o voo dos pássaros.
A religião romana encontrou, desde a antiguidade, ardorosos adversários. O mais eloquente foi o poeta Lucrécio (98-55 a.C.). Outras almas, que a religião não satisfez buscaram não à reflexão filosófica, mas ao sentimento místico. Voltam-se para os cultos orientais que penetram em Roma desde o século IV e II a. C. e que exerceram uma influência crescente, notadamente sobre as mulheres, escravos e estrangeiros. O culto de Cibele de Átis, culto de Osíris e de Ísis, depois de Serápis, culto sírio do Sol e de Mitra, dentre outros. Esses cultos sempre se apoiaram um no outro, sendo considerados como um sincretismo místico.

(deusa Cibele)

Os romanos conservadores inquietaram-se com a influência que essas religiões estrangeiras exerciam e em reação exaltaram o culto à Roma. Sob o império, esse culto toma a forma do culto dos Imperadores. Por um longo caminho, volta-se a adoração primitiva dos soberanos.
Entretanto, introduzida com os outros cultos orientais, uma religião vai erguer-se contra o culto dos imperadores: a religião cristã.

A piedade simples, sedutora e sincera, com uma grande escola de obediência e de força moral manifesta-se sobre tudo no culto doméstico. Por outro lado associa-se o culto do Imperador ao de Júpiter, tornando-se uma espécie de religião universal no seio do grande império mundial. Sob esse ponto de vista, a religião romana, preparou e forneceu a expansão de outra religião: o Cristianismo.

16 de mar. de 2011

Mitologia Romana

A categoria Mitologia romana abrange divindades, mitos e lendas da cidade-estado de Roma e de sua cultura latina original, em contraste com as divindades e mitos posteriormente adotados de outras culturas, principalmente da Mitologia grega.

BELONA

Bellona.jpg

Belona (do latim Bellona, derivado de bellum, "guerra") ou Duelona (do latim Duellona, de um termo latino mais antigo para "guerra") era uma antiga deusa da guerra romana, possivelmente de origem etrusca, que pode ter sido a deusa da guerra original dos romanos, anterior ao sincretismo com a cultura grega, após o qual foi identificada com a deusa grega Ênio.

Amiano Marcelino, ao descrever a derrota romana na Batalha de Adrianopla, diz que "Belona, soprando sua triste trombeta, enfurecia-se mais ferozmente que de costume, para infligir o desastre aos romanos".

Ela acompanhava Marte na batalha e foi considerada, por diferentes autores, sua irmã, esposa ou filha. Também foi (como no seu templo em Óstia) sincretizada com Magna Mater. Todas as sessões do Senado relacionadas à guerra estrangeira eram conduzidas no Templo de Belona, no monte Capitolino, fora do pomerium, o antigo muro sagrado de Roma.

O atributo de Belona é uma espada e ela é representada usando um elmo e armada com uma lança e uma tocha. Sua festa era comemorada em 3 de junho.

DIANA

Diana era a deusa romana da caça e das florestas, assimilada às deusas gregas Ártemis, Hécate e Selene. Seu culto nasceu às margens do lago Nemi, perto de Roma. Ali, seu sacerdote permanecia no posto, com o título de Rex Nemorensis, até ser morto pelo próximo pretendente, usualmente um escravo fugido, que viesse a colher um "ramo dourado" no bosque sagrado. Uma tentativa de explicar esse costume é o fio condutor de um dos mais belos e ambiciosos (mas não dos mais rigorosos) tratados de mitologia já escritos, O Ramo de Ouro, de Sir James George Frazer.

Nos últimos séculos da antiguidade romana, seu culto popular entre escravos e camponeses pobres em áreas remotas, permaneceu como um dos mais resistentes à erradicação pelo cristianismo. Foi um dos últimos a morrer, se é que chegou a desaparecer de todo.

A Diana Medieval Editar a secção A Diana Medieval

Em História Noturna: decifrando o Sabá, o historiador Carlo Ginzburg refere-se a uma vasta série de confissões de supostas feiticeiras dos séculos X ao XIV e mesmo posteriores que, interrogadas por padres e inquisidores, afirmavam participar em êxtase de voos noturnos na companhia de uma misteriosa divindade feminina, chamada, conforme a época ou região, de Diana, Fortuna, Richella (de "riqueza"), Abúndia (de "abundância"), Sácia (de "saciar"), Bensozia (Boa Sócia), Madame Oriente, Herodíade (personagem bíblica, identificada com Diana por razões obscuras), Perchta (deusa da vegetação na Áustria e sul da Alemanha, protetora das almas dos mortos), ou Huld/Holda/Holle (sua correspondente no norte da Alemanha, protetora das crianças e das tarefas domésticas femininas). Eram sinais de um resistente culto pré-cristão da fertilidade que ele chama de "religião diânica".

Nas ilhas Britânicas, a Diana ou Sácia latina e a Holda ou Perchta germânica tomam a forma da rainha dos elfos ou das fadas. Na Idade Moderna, Edmund Spenser, no poema The Faerie Queene a chamou (como metáfora para a rainha Elizabeth I) de Gloriana. Já Shakespeare, na comédia Sonhos de Uma Noite de Verão a chamou de Titânia, nome dado pelo poeta romano Ovídio às filhas de Titãs em geral e a Selene - uma das formas de Diana - em especial

Ginzburg anota julgamentos de mulheres e homens na Escócia do final do século XVI ao XVII que disseram ter-se encontrado com essa Rainha e seu consorte (ora um belo homem, ora um cervo - animal também ligado a Diana), que Shakespeare pelo nome tradicional de Oberon, derivado do francês Auberon ou Alberon, que por sua vez vem do alemão Alberich, "rei dos elfos".

Outros possíveis equivalentes, citados por outros autores, são, na Escócia, Nicceven ou Nicheven, de um termo que pode significar "divina" ou "brilhante", no país basco, a senhora Mari ou Andra Mari, a deusa-mãe basca. E na Itália, La Befana (de "Epifania"), uma fada que no folclore italiano traz presentes para as crianças na véspera da festa de Reis.

Na Idade Média, a Igreja frequentemente classificou como culto de Diana ou de Herodíade - originalmente uma personagem bíblica - várias aparentes sobrevivências de cultos e superstições pagãs e chamou as "bruxas" que as praticavam de "dianas". Usou a deusa romana e a princesa judia como fio condutor para orientar-se no labirinto das crença locais. Camponeses de várias partes da Europa latina deram-lhes ouvidos, identificando com Diana ou Jana tradições locais sobre espíritos femininos de diferentes origens, misturando e reinventando crenças e lendas. Mas nomes alternativos sobreviveram em alguns lugares - como Sácia, transformada em Xácia pela língua galega.

FAUNOS

Na mitologia romana, Fauno (Faunus, de uma raiz latina que significa "favorável") é uma das divindades mais antigas, o di indigetes das florestas, planícies e campos, que propicia a fertilidade (di indigetes, "deus indicado", é uma expressão que se refere aos deuses romanos nativos, em contraste com di novensides, "deus recém-chegado" de origem estrangeira, geralmente grega).

Dois festivais, chamados Faunalia, eram celebrados em sua honra: um em 13 de fevereiro, no templo de Fauno da ilha do Tibre, o outro em 5 de dezembro quando os camponeses lhe traziam oferendas rústicas e se divertiam com danças.

Fauno como deus do gado Editar a secção Fauno como deus do gado

Reconstrução das Lupercalia, para o History Channel

No papel de propiciador da fertilidade do gado era chamado Ínuo (Inuus). O escritor cristão Justino Mártir o identificou também como Luperco (Lupercus, "o que afasta o lobo"), protetor do gado, seguindo Lívio que considerou esse aspecto de Ínuo como o deus originalmente cultuado nas Lupercalia, celebradas no aniversário de fundação de seu templo, 15 de fevereiro, quando seus sacerdotes, os luperci, usavam peles de bode e chicoteavam os espectadores com cintos de pele de bode, rito que supostamente trazia a fertilidade.

Nos países anglo-saxões, muitos acreditam que as Lupercalia deram origem ao Valentine's day (14 de fevereiro, dia dos namorados nesses e em alguns outros países), mas não há base histórica para isso. A menção mais antiga desse dia como dedicado ao amor é de 1400, em Paris.

Fauna e os faunos Editar a secção Fauna e os faunosEditar

Fatidica, de Frederic Lord Leighton (1894)

Uma deusa de atributos semelhantes a Fauno, chamada Fauna, Fátua, Fatídica ou Bona Dea ("Boa Deusa"), era associada a seu culto, ora como esposa, ora como irmã. Fauno era também acompanhado pelos faunos, desdobramento do grande Fauno em gênios locais.

Fauno como deus da profecia

Fauno foi também racionalizado por romanos cultos como um rei legendário dos latinos, filho de Pico (Picus, "pica-pau") e da ninfa Canente (Canens, "cantora") e neto de Saturno. Com a ninfa Marica, teve como filho Latino, o rei do Lácio que recebeu os refugiados de Tróia liderados por Enéias. Após a morte, Fauno teria se tornado divindade tutelar da terra por seus serviços à agricultura e pecuária.

Sua sombra era consultada como uma divindade da profecia, sob o nome de Fátuo (Fatuus). Seus oráculos situavam-se nos bosques sagrados de Tibur, em torno da fonte Albunea, e também no monte Aventino, uma das sete colinas de Roma. As respostas eram dadas em versos saturnianos, um estilo arcaico e tipicamente romano, anterior à influência grega, em sonhos e vozes comunidades àqueles que iam dormir em seus precintos sobre um velo de cordeiro sacrificado. W. Warde Fowler sugeriu que esse Faunus é o mesmo que Favonius, deus do vento oeste mais tarde identificado com o Zéfiro grego.

Sincretismo Editar a secção Sincretismo

Fauno e os faunos latinos eram divindades sóbrias, mas com o crescente sincretismo entre as mitologias grega e latina, os romanos cultos passaram a identificar seus faunos com os sátiros gregos, diferentes em caráter e aparência. Fauno foi também parcialmente identificado com o grego e incluído no cortejo de Dioniso (com o nome helenizado de Phaunos), na Dionysiaca de Nonno, grego do século V nascido no Egito. Resultou disso a imagem dos faunos/sátiros da arte renascentista, que têm a aparência dos faunos latinos (e do Pã grego), mas o comportamento selvagem e orgiástico dos sátiros gregos.

GÊNIOS

A palavra gênio, do latim genius, vem do radical proto-indo-europeu *gen-, "dar à luz", "parir" e é cognato de gênero, gente, genos, genética etc.

A ideia original é a de uma entidade que acompanha o ser humano desde o nascimento, uma divindade particular que orienta, inspira e motiva a pessoa para o bem ou para o mal - como um "anjo da guarda" ou um "demônio tentador", em termos cristãos - e às vezes a possui.

Nesse sentido, "gênio" é equivalente ou tradução do grego daimon e pode ser tomado, em termos modernos, como uma representação da intuição e dos aspectos indomáveis do inconsciente capaz de contrariar e mesmo ultrapassar as convenções sociais e o senso comum, para o bem ou para o mal, usada para explicar comportamentos e atitudes pouco habituais ou julgadas de origem transcendente.

Esse sentido de "gênio" continua implícito quando se diz que alguém tem "bom gênio" ou "mau gênio" e também quando se fala de "incompatibilidade de gênios" entre duas pessoas.

A partir de Augusto, a veneração do gênio do Imperador foi imposta aos súditos, obrigação repudiada por judeus e, mais tarde, pelos cristãos.

O termo "gênio" também é usado como tradução do árabe djinn, apesar de este ser um tipo bem diferente de entidade sobrenatural.

Maia

Hermes Maia Staatliche Antikensammlungen 2304.jpgHermes com Maia, detalhe de ânfora grega, de Nikoxenos (500 a.C.)

Maia (do grego Maîa, "mãezinha", usado também para amas, avós, parteiras e senhoras idosas) é, na mitologia grega, a mais velha das Plêiades que, unida a Zeus, foi mãe de Hermes. Na mitologia romana, uma antiga deusa itálica, filha de Fauno e esposa de Vulcano. Apesar de não estarem relacionadas na origem, foram identificadas uma com a outra no sincretismo greco-romano.

Maia grega Editar a secção Maia gregaEditar

Maia era uma das ninfas Plêiades do monte Cilene, na Arcádia, a mais velha, bela e tímida. Unida a Zeus, foi mãe de Hermes. O poeta Simônides de Ceos cantou sobre a Maia oreias "de vivos olhos negros". Ésquilo a identificou repetidamente com Gaia.

Segundo o Hino a Hermes atribuído a Homero, Zeus aproximou-se dela no segredo da noite para gerar Hermes, pois ela vivia em uma caverna de Cilene para evitar a companhia dos deuses.

Maia também aparece em uma das versões do mito de Calisto como ama de Arcas, depois que sua mãe Calisto foi transformada em ursa por Hera.

Maia, como suas irmãs, foi transformada em pomba e depois em estrela, para escapar da perseguição de Órion.

Maia romana

Na mitologia romana, Maia ou Maia Maiestas é uma antiga divindade itálica, filha de Fauno e esposa de Vulcano, identificada às vezes com Bona Dea, com Fauna ou com Ops, mas sem nenhuma relação com a Maia grega. Como deusa da primavera, deu nome ao mês de maio. Os dias 1º e 15 de maio eram consagrados a Maia. No 1º de maio, o flâmine de Vulcano lhe sacrificava uma porca grávida, sacrifício adequado também para uma deusa da terra como Bona Dea. A deusa era acessível apenas às mulheres e os homens eram excluídos de seus perímetros sagrados.

A identificação das Maias grega e romana só se deu muito mais tarde, a partir do século III a.C., isto é, com a helenização de Roma, traduzida no sincretismo greco-latino.

Vulcanma.jpg Vulcano e Maia, de Bartholomaeus Spranger (1570-75)

SILVANOS

Silvanos (do latim sylva ou silva, "floresta") é um termo genérico que comprende osfaunos, os sátiros, os silenos, os pãs, os títiros e os egipãs, enquanto daimones dos bosques.

 

 

 

 

 

 

Two Satyrs.jpg Dois Sátiros, de Pieter Pauwel Rubens (1617)

fonte: http://pt.fantasia.wikia.com