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5 de mai de 2011

Deusa Ceridwen e Taliesin

(autoria desconhecida)

No alto das montanhas do País de Gales escondido por trás de árvores e guardada por falcões, existe a cidade secreta dos druidas alquimistas conhecida como Dinas-affaraon - a cidade ambrosial. Aqui os Pheryllt, como os alquimistas são chamados, praticam a arte mágica do druidismo, explorando as profundezas dos oceanos o coração da terra, as civilizações de outras eras e galáxias. Eles cuidam do caldeirão do conhecimento luminoso, três gotas de líquido deste caldeirão traz iluminação ao merecedor. Eles refinam sua filosofia e suas artes em debates nas torres de cristal que são tão altas quanto os picos desnowdonia, ao redor deles as estórias e músicas dos bardos aquecem seus corações a noite, as ervas e óleos de seus curandeiros, os ovados, lhes trazem força durante o dia. Eles encontraram o grau e aqui na parte mais interna de seu santuário, ele irradia seu poder e amor através do mundo. Próximo jaz o corpo do Rei Arthur, com seus cavaleiros ao seu redor, adormecido num sono sem morte, mas pronto para acordar caso seja necessário ...

Uma vez há muito tempo antes da grande batalha de Camlan na qual o Rei Arthur foi morto pela espada de seu próprio filho, quando o reinado de Arthur se iniciava e a távola redonda acabava de ser estabelecida em Camelot, existia lá um Senhor e uma Senhora que viviam num grande castelo às margens do rio Bala.

Esta Senhora era ninguém menos do que a Deusa Ceridwen, Rainha da Colheita e da Foice da Lua. Apesar de sua beleza e seus poderes existiam aqueles que negavam que ela era uma Deusa: “ Ceridwen é apenas uma bruxa “, eles diziam, suas vozes traindo o seu medo a respeito daquela mulher que tinha o poder de se transformar em um corvo nu, piscar de olhos. Com seus cabelos vermelhos, profundos olhos azuis e finos porém largos ombros, ela inspirava devoção em alguns e medo em outros. Seu marido, o Sr.Tegid, era dificilmente visto ao lado dela. Por meses ele mantinha-se afastado do castelo caçando com os outros barões em terras selvagens. De seus dois filhos, seu grande tesouro era sua filha Creirwy, mas ele mal podia suportar olhar para seu filho Morfran (Corvo do Mar), que algumas vezes era chamado Afagdduou profunda escuridão, de tão repulsiva que era sua face.

Determinada que seu filho não podia ser bonito então ao menos que fosse inspirado e iluminado, Ceridwenfez sua jornada até Dinas-affaraon para descobrir através dos próprios Pheryllt a fórmula para a criação do Awen. O Awen – elixir mágico dos druidas que podia trazer iluminação e alegria a qualquer um que bebesse suas três gotas. Se Afagddu não podia ser bonito, que pelo menos pudesse ser sábio e em paz com o mundo.

Ceridwen deixou suas crianças aos cuidados de sua babá que estava a serviço de sua família desde pequena. Ela viajou por dias em seu cavalo até atingir as montanhas de snowdonia de onde pode ver as torres de cristal no horizonte reluzindo com a luz do sol poente, ela continuou até atingir a cidade ao cair da noite.

De frente às portas de ferro do muro externo da cidade, Ceridwen esperava que os portões fossem abertos por um guarda armado, mas ao contrário do que esperava, se viu de frente a uma mulher de cabelos escuros e olhos cinza claro enrolada em um véu preto que guiou-a sem uma única palavra ao coração da cidade. Lá Ceridwen encontrou o conselho interno composto por homens e mulheres de faces calmas que ouviram sua estória e concordaram com seu pedido. Eles pediram à mesma moça (porteira da cidade) que levasse Ceridwen até a biblioteca na torre central da cidade. Lá, cercado por antigos manuscritos, o bibliotecário abriu a ela o primeiro livro dos alquimistas. E lá em suas páginas estava a fórmula da criação do Awen.

Uma vez terminada a transcrição da fórmula, Ceridwen foi levada aos portões da cidade, e olhou mais uma vez para as torres antes de montar em seu cavalo e cavalgar como uma criatura do vento de volta ao seu castelo.

Ao retornar ela correu diretamente ao quarto das crianças e lá viu ambos dormindo, Creirwy com seus cachos dourados formando uma moldura em seus tacos delicados e Afagddu com sua face deformada se retorcendo durante seu sono. Certa da segurança de seus filhos ela começou a preparação do cozido que traria o Awen ao seu filho. O livro dos druidas disse que ela deveria preparar um caldeirão cheio de água fresca, no qual deveria cozer ervas e raízes colhidas em horários especiais do dia e da noite, ao amanhecer algumas plantas, ao entardecer raízes e a lua cheia para outras. Tudo deveria ser fervido por um ano e um dia dentro de um grande caldeirão de ferro. Então deste cozido três gotas voariam, as três gotas do conhecimento e trariam sabedoria e conhecimento a qualquer um que as provasse.

Ceridwen deixou o castelo e andou à luz da lua nas margens do lago. Lá a oeste ela podia ver os picos de Caer Emrys, aparecendo de dentro das águas. O céu estava repleto de estrelas e a lua crescente quase atingia seu ponto alto no céu. As curvas das montanhas ao redor do lago a protegiam como protegem as águas e batem gentilmente nas rochas na costa. Ceridwen estendeu seus braços para o lago e começou a levantá-los gentilmente em direção a lua. Ela fez isto por nove vezes e cada vez que o fazia podia sentir uma energia vindo de seu útero e do lago ao mesmo tempo. E ela encantou: “Fora do útero, fora dos domínios do mundo e do tempo e das profundezas eu peço que você venha, minha visão, meu desejo e minha vontade”, e conforme ela pedia o desconhecido, viu seu filho emergindo do lago radiante como a luz conhecendo todas as coisas sendo o mais fino poeta, e alcançando o posto de bardo da ilha de Merlin.

A magia feita, ela correu ao forjador Govannon. Lá em sua forja construída ao lado da montanha, Govannon retirava as energias da terra, fogo, ar e água para criar suas armas e rodas para o Sr. Tegid e seus aliados. Um druida com muitos anos de treinamento, ele podia chamar os dragões de Bely para voar de Dinas-affaraon até a sua forja ao lado da montanha, para lá trabalharem som suas chamas. “ Eu preciso de um caldeirão largo e fundo” disse Ceridwen entregando um saco de moedas de prata enquanto lhe dizia para entregar o caldeirão na cabana vazia do pescador ao lado do lago.

Para atender o fogo sob o caldeirão por um ano e um dia, Ceridwen precisava de serventes e como que por acaso ela se deparou com um homem cego vagando através da floresta atrás de seu castelo, liderado por um jovem. O homem cego reconheceu Ceridwen imediatamente sabendo que ela não era uma bruxa ou mortal mas com a certeza em seu coração de que ela era a Deusa branca da lua e da colheita. Seu nome era Morda, pai do mar, e ele viveu nas florestas por anos. Em sua mão direita ele carregava uma bengala para sustentar seu corpo frágil e através de sua mão esquerda ele era guiado por Gwion Bach, pequeno inocente, que veio de Caereinion.

Ceridwen contratou ambos jovem e o velho ao mesmo tempo para cortarem uma pilha de madeira para o fogo do caldeirão e para cuidarem do cozido através das estações.

Vários dias se passaram até que Govannon trouxesse o novo caldeirão até a cabana. Ceridwen acordou Morda e Gwion que imediatamente prepararam o fogo.

Então ela correu ao lago para buscar água e retornou a cabana onde avisou pela 90º vez Gwion e Morda para que nunca provassem o cozido. “Lembre-se” os druidas disseram a ela “as primeiras três gotas trazem conhecimento mas o resto do cozido traz apenas miséria a tudo que o toca. Tenha certeza de que seu filho prove as três primeiras gotas e então permita que o resto da mistura ferva até não sobrar nada e depois derreta o caldeirão.”

Então ela colocou a água no caldeirão adicionou as ervas e raízes e encantou conforme lhe fora ensinado. E retornou ao seu castelo.

Por um ano Morda e Gwion juntaram lenha e atenderam ao caldeirão para ter certeza que a mistura nunca fervesse para fora dele e para ter certeza que a água fresca fosse adicionada sempre que necessário. Eles passavam o tempo falando de suas vidas, contando estórias,e jogando uma antiga forma de xadrez – gwyddbwyll.

O ano passou lentamente: verão virou outono, então o inverno veio tão de repente que surpreendeu até mesmo Morda, que havia sobrevivido 70 invernos em campos selvagens. Esperando os dias frios passarem, Gwion e Morda sentavam-se perto do fogo, esquentando suas mãos e torrando comida. Mas dias tornaram-se noite e a primavera se aproximava do inverno e não muito tempo depois já era verão novamente. Um ano havia se passado e com somente mais um dia Afagddu estaria pronto para receber as três gotas sagradas. Ceridwen e seu filho vieram à cabana, cumprimentaram Morda e Gwion brevemente antes de se sentarem ao lado do caldeirão. Quando a meia-noite se aproximava, ambos adormeceram, Morda sentiu o fogo morrendo e ordenou a Gwion que colocasse mais lenha sob o caldeirão. Conforme ele fazia isso a mistura ferveu e três gotas voaram para o dedo de Gwion que sem pensar chupou o dedo onde a pele estava queimando.

Naquele instante o caldeirão zunia como se estivesse com dor. Houve um grande barulho de explosão e o caldeirão quebrou-se em dois, libertando todo o resto do cozido que correu para fora da casa envenenando o lago bala e toda terra ao seu redor. A grama tornou-se preta e os cavalos morreram. Mas naquele instante Gwion sabia de tudo. Ele sabia que em um segundo Ceridwen chegaria e que em sua fúria ela tentaria matá-lo e então ele correu para fora da cabana e Ceridwen correu atrás dele gritando com tal fúria que Gwion sentiu um arrepio na espinha em minutos Ceridwen corria tão rápido atrás de Gwion que estava a minutos de alcançar sua garganta conforme ela o fazia ele descobriu que ele podia transformar-se em qualquer criatura que desejasse e assim transformou-se num cervo e logo ele estava bem na frente de Ceridwen pulando sobre cercas mas Ceridwen com seu poder transformou-se numa grande cadela cinza e a caçada continuou. Pulando sobre cercas ela logo alcançou o espaço que havia perdido e lá a milímetros dela estava o cervo quando ela estava para fincar suas presas na criatura ambos se depararam com um rio. Gwion agora se transformou em um salmão e em segundos descia com a corrente sentindo seu corpo na água fria nadando em direção ao oceano mas Ceridwen também em segundos transformou-se numa Lontra e quando estava para alcançar Gwion este transformou-se em um pássaro elevando seu corpo em direção ao ar mas no momento seguinte ela transformou-se em um falcão e quando ela estava prestes a alcançar o pobre Gwion este viu uma pilha de grãos e decidiu tornar-se um grão de trigo pois com certeza ela não o encontraria entre tantos grãos, pousando esta tornou-se um pássaro que come grãos, uma galinha de cristas vermelhas, com a precisão de seu bico ela pegou aquele único grão entre milhares de outros que era Gwion Bach.

Contentada, Ceridwen voltou para casa mas aquela semente que ela engolira, Gwion, tornou-se um bebê novamente e por nove meses ele cresceu no útero da Deusa que tentara destruí-lo. Quando o momento do nascimento chegou, Ceridwen estava determinada a matar Gwionmas quando o bebê nasceu a criança era tão alva e bonita que ela não conseguiu encontrar em seu coração um motivo para matá-lo. Então ela segurou a criança em seus braços colocou-o numa sacola de couro e jogou no mar. Por nove meses a sacola flutuou na água, por nove meses Gwion esteve na escuridão da jornada de sua alma entre este mundo e o próximo, encontrando segredos e aprendendo músicas. Por nove meses ele foi mantido no útero do oceano sentindo o poder do Deus do céu e da mãe Lua enquanto sua bolsa o levava em direção ao seu futuro, em direção ao seu futuro pai Elffin, que também estava viajando para encontrar o seu destino, encontrar seu filho adotivo.

Garanhir sempre quis ajudar seu filho Elffin que até aquele momento só havia experimentado má sorte em toda sua vida. Então ele disse a seu filho para ir à Costa e pegar o máximo de salmões que ele pudesse na véspera do Beltane, 1º de Maio. Garanhir costumava ir ele próprio e sempre encontrava muitos salmões lá ao menos, Elffin pode ganhar para ele mesmo uma soma pela venda destes peixes e retornar triunfante para casa para véspera do Beltane mas quando Elffin chegou a costa não encontrou um único salmão confirmando seu medo de que ele com certeza nascera para não ter sorte, Elffin lamentou até que notou uma bolsa de couro presa em uma das redes. Elffin levantou a bolsa da água e abriu-a e maravilhado vislumbrou um bebê diante de si virando para seus serventes ele exclamou “atenção todos para esta face radiante – Taliesin!” e o bebê sentou na bolsa sorrindo olhou diretamente aos olhos de Elffin e disse “sim eu sou Taliesin”.

Elffin carregou o bebê para sua esposa e eles cuidaram de Taliesin como seu próprio filho e a cada ano que ele crescia sua sabedoria crescia dez vezes então quando ele tinha 13 anos era o maior e mais sábio poeta daquelas terras. Então quando Taliesin atingiu uma certa idade seu pai Elffin viajou para a corte do rei Maelgwn. Lá ele disse ao rei que Taliesin era o mais fino dos bardos mas ao invés de sentir-se lisonjeado o rei sentiu-se ultrajado tomando esta declaração como uma disputa contra os vinte e quatro bardos de sua corte real e em fúria jogou Elffin na pior de suas masmorras. Com sua visão interior Taliesin viu esta injustiça e viajou em direção a corte assegurando a sua mãe: “Eu, Taliesin, chefe dos Bardos, com a sabedoria das palavras druídicas irei libertar Elffin”.

Ele chegou a corte e rendeu todos os bardos do rei deixando-os mudos com sua magia e disse ao rei “Primeiramente eu sou o Chefe dos bardos para Elffin, e o meu local de origem é a região das estrelas de verão”. Então ele causou uma tempestade ao redor do castelo do rei até que este libertasse Elffin da prisão aceitando Taliesin como o mais sábio de todos os bardos. E até mesmo o maior dos druidas, Merlin disse: “Eu Merlin só sou segundo para Taliesin, e que minhas palavras sejam ouvidas como a verdade. E por esta razão alguns dizem que o nome secreto da ilha de Merlin é ilha de Taliesin, a ilha dos poetas, sonhadores e dos que buscam a sabedoria.

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