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22 de out de 2011

Deusa Iemanjá

Iemanjá, nossa mãe do mar

“A estrela brilhou
Lá no alto-mar
Quem vem nos salvar
É nossa mãe Iemanjá.
Seja bem-vinda
Nossa mãe bondosa
Venha nos ajudar
E para o fundo do mar
Todo o mal descarregar”
Ponto cantado da Umbanda popular.

Mirella Faur

O culto a Iemanjá foi trazido ao Brasil no século XVIII pelos escravos da nação ioruba, oriundos de Abeokutá, região no Oeste africano. Apesar das perseguições e proibições, têm sido mantido vivo até os dias de hoje pela dedicação de seus pais, mães e filhos “de Santo” e de fé.

Hoje em dia, com exceção da Índia, o Brasil é o país que concentra o maior número de pessoas no mundo a cultuarem uma das manifestações da Grande Mãe, graças a esta profunda fé ancestral e ao sincretismo religioso, contribuindo, inconscientemente, para o fortalecimento e para a expansão do Sagrado Feminino.

Analisando-se o nome Yemanya conforme a Lei de Pemba – a grafia sagrada dos Orixás, postulada pela Umbanda Esotérica, reconhecemos o princípio gerador, a matriz dos poderes da água, a potência criadora, as qualidades nutridoras, a própria representação do eterno e sagrado feminino: a Divina Mãe.

No sincretismo afro-brasileiro, Iemanjá foi equiparada à Virgem Maria (em seu aspecto de Stela Maris, atributo herdado da deusa egípcia Ísis), sendo cultuada como “Nossa Senhora dos Navegantes” com procissões marítimas similares aos antigos rituais egípcios e romanos Navigium Isidi. Em Cuba e na Umbanda, Iemanjá é reverenciada como La Virgem de Regla, padroeira dos marinheiros, enquanto que na Santeria, assim como na Umbanda esotérica, Ela é considerada uma das sete forças originais.

Segundo o escritor e estudioso Pierre Verger, Yeyé Omo Ejá, “A Mãe cujos filhos são peixes” era o orixá dos Egbá, uma nação ioruba estabelecida outrora perto do Rio Yemojá, no antigo reino de Benim. Em razão das guerras, os Egbá migraram e se estabeleceram em uma região às margens do Rio Ogun, tornando-se o novo centro do culto de Iemanjá, que foi então levado pelos escravos para o Brasil, Cuba e Haiti.

O mito descreve como Iemanjá, filha de Olookun, o deus ou deusa do mar, teria casado pela primeira vez com Orunmilá, o deus do oráculo, e depois com Olofin, o rei de Ifé, com quem teve dez filhos. Após algum tempo, Iemanjá fugiu de Ifé e foi para o Oeste, onde foi encontrada pelo exército de seu marido. Sem querer voltar para Ifé, Iemanjá quebrou uma garrafa mágica dada por seu pai/mãe para ser utilizada em caso de perigo. Da garrafa saiu um rio que a levou de volta para o oceano, onde reside até os dias de hoje.

Na mitologia ioruba, Iemanjá é descrita como uma mulher morena, madura, com seios volumosos. No Brasil, Iemanjá é representada como uma sereia, possivelmente uma reminiscência das antigas deusas-peixe neolíticas encontrada em várias escavações realizadas em templos na Europa e na Ásia. Também pode ser representada como uma mulher magra e esbelta, com seios pequenos, o que contradiz suas qualidades geradoras e nutridoras características.

Na Tradição da Deusa, Iemanjá é a mãe ancestral do oceano, conhecida como Mami Vata, em Gana ; Agwe, em Dahomey ; Yemayá, no Haiti; La Balianne, em Nova Orleans e Mãe d´Água ou Janaína, no Brasil. Apesar da diversidade de nomes e representações em seus diversos cultos, Ela é sempre a regente do mar, da lua cheia, padroeira da fecundidade e da gestação, inspiradora dos sonhos e das visões, mãe divina protetora e nutridora que acalenta e mitiga as dores.

Assim, no fim do ano e na véspera do Novo Ano, nada mais apropriado do que invocar a bênção de Iemanjá, suplicando-lhe que remova todos os resíduos negativos (materiais, mentais, emocionais, psíquicos ou espirituais) criados ou adquiridos ao longo do ano que passou. Seja na noite de 30 de dezembro, seja na seguinte – que é a data tradicionalmente a Ela consagrada – procure um lugar por onde passem os caminhos que levam à Iemanjá: mar, lagoa, rio, fonte, praia, arrecifes.

Mergulhe na água, entregue à água suas dores, mágoas, ressentimentos, fracassos, decepções, medos e preocupações e saia purificada e renovada. Caso não seja possível, tome um banho de desimpregnação fluídica, com sal grosso e infusão de pétalas de rosas brancas. Enquanto ora à Iemanjá, ofereça-lhe arroz cozido com leite de coco e coberto com mel, vinho espumante, uvas e flores brancas, perfume e incenso de rosas e um colar de contas de cristal.

Agradeça-lhe por tudo que você criou, nutriu, alcançou e recebeu ao longo das treze lunações do ano que passou. Reconheça e agradeça as alegrias e as dores, as conquistas e as perdas, os frutos doces e os amargos, mas principalmente seja grato por sua fé, que mantém viva a chama sagrada da esperança e que ilumina as incertezas da vida. Peça-lhe que continue zelando por você no silêncio da noite ou no tumulto do dia, que lhe envie avisos nos sonhos e que lhe sustente no combate cotidiano, enxugando suas lágrimas ou aumentando sua coragem.

Despeça-se dela com a tradicional saudação Odo Iyá e, envolta no seu amor e fortalecida por sua bênção, entre para mais um Ano Novo de paz, saúde, amor, sucesso, prosperidade e segurança, dedicando-lhe o primeiro brinde de sua comemoração e entoando seu canto tradicional:

"Yemaya Assessu, Assessu Yemaya,
Yemaya Olodo, Olodo Yemaya".

fonte do texto e foto: http://www.teiadethea.org/?q=node/159

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