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23 de mar de 2012

Modron e Mabon

Modron (Grande Deusa Mãe) é uma Deusa céltica similar a Deusa grega Deméter. Etimologicamente, Modron é a "Matrona", cujo nome (Modr em galês) é o do rio Marne (rio da França), igual ao nome genérico de todas as Deusas Mãe que se observava nas estátuas da época galo-romana.
A tradição galesa fala, algumas vezes que Modron é mãe dos gêmeos Owein e Morvud, outras vezes fala de um filho único. Esse filho único não deixa de ser misterioso, pois trata-se de Mabon.
Mabon é o Deus Sol celta da profecia e está ainda, associado à caça selvagem ou à caça ritual. Igual a Deusa Perséfone, foi roubado de sua mãe com três dias de idade. Sua saga é contada na narração galesa "Kulhwch y Olwen", cuja origem é muito antiga.
Modron é também muito citada nos textos mitológicos galeses. Uma Tríada referida a "três portas benditas da Ilha da Bretanha" cita a "Owein, Morvud, e Modron. Morvud, que algumas vezes aparece como irmã de Modron, é, segundo outra Tríada, uma das mulheres mais amadas pelo rei Arthur. No entanto, sua amante é Kynon ab Klydno.
Ela é ainda, neta do Deus Belenus e filha do rei de Avalon, Avallach, onde mora com suas irmãs e cuida da terra. Associada à soberania da terra, é feiticeira e curadora, e protege as nascentes sagradas, fontes, artesãos e artistas. Seus símbolos mágicos são as crianças, as flores e frutas, e ela incorpora a força da vida e a fertilidade, bem como a maternidade e as energias criativas da natureza.

A BUSCA DE MABON
Na narração "A Busca por Mabon", cabe ao herói Culhwch (Kulhwch) encontrá-lo, pois é uma das tarefas que deve realizar para conseguir a mão de Olwen em casamento.
Para essa aventura, levou junto: Gwrhyr, que era um excelente tradutor da língua dos animais e o rei Arthur.
Ao seguir caminho para cumprir a missão, Gwrhyr questionou um melro de peito branco:
-"Você sabe alguma coisa de Mabon, filho de Modron, que lhe foi roubado com três dias de vida?"
Mas o pássaro apesar de velho, disse que nada tinha visto, mas que perguntassem para o veado de Rhedynfre, que já tinha vivido mais tempo que ele e talvez soubesse algo.
Ao ser consultado o veado respondeu:
-"Quando cheguei aqui, era o único veado galhado e nenhuma árvore crescia, com exceção de uma única árvore de carvalho. A árvore de carvalho cresceu e inúmeras outras surgiram a sua volta. Entretanto, apesar de ter aqui passado tanto tempo, nunca ouvi falar do homem que procuram. Mas sei que mais velho que eu é a coruja".
O O veado então conduziu-lhes à coruja de Cwm Cawlwyd. Gwrhyr, voltou a indagar se ela tinha visto Mabon. A coruja respondeu-lhe:
--"Quando aqui cheguei, esse vale grande que você vê era estreito e arborizado. Então a raça do homem veio para destruí-lo. Mas, um tempo depois, uma nova floresta cresceu por cima. Essa floresta que você vê hoje já é a terceira. Quanto a mim, minhas asas desgastaram e não consigo mais voar. Embora já tenha vivido tanto, nunca ouvi falar do homem que você procura. Mas sei de uma criatura, a mais velha do mundo e quem viajado muito mais que eu, que poderá lhe ajudar."
A A coruja levou-os até à águia de Gwernabwy. Gwrhyr perguntou à águia:
-“Você sabe qualquer coisa de Mabon, filho de Modron, que foi roubado de sua mãe quando tinha três dias de vida?”
A águia respondeu:
-"Eu vim para cá há muito tempo, mas não ouvi falar do homem que você procura, exceto quando fui caçar meu alimento no lago Llyw. Lá enfiei minhas garras em um grande salmão, esperando que me alimentaria por diversos dias. Em vez disso, arrastou-me para dentro da água e eu mal consegui escapar. Eu fui atrás de todos meus parentes para tentar destruí-la, mas ele pediu paz e veio nos encontrar com cinquenta peixes espadas. Talvez esse salmão saiba algo sobre o homem que procura. Vou levá-lo até ele."
Ao ser indagado, o salmão disse que nadando rio acima para alimentar-se, perto de Kaer Loyw, ouviu lamentos que nunca havia escutado antes. Propôs então, levá-lo nos ombros até o local.
Assim, Kai e Gwrhyr montaram no ombro do salmão e chegando próximo a um castelo, ouviram gemidos e terríveis lamentos vindos de dentro das paredes. Gwrhyr perguntou:
-"Quem é que está gemendo desse jeito?"
Ouviu então a resposta:
-"Aliás, há uma razão para tão terríveis lamentos. Mabon, filho de Modron, está aqui prisioneiro."
Gwrhyr volta a perguntar:
-"Existe esperança de podermos libertá-lo em troca de algum resgate?"
E foi respondido:
-"Não, só pela força conseguirei escapar."
Gwrhyr então voltou para contar o ocorrido ao rei Arthur. Esse, reuniu seus homens, atacou o castelo e conseguiu libertar Mabon, que foi encontrado em uma prisão subterrânea. Devemos acrescentar, que a prisão de Mabon se encontra em Kaer Loyw, que significa "Cidadela da Luz" e só lhe liberam graças a um veneno, o que equivale a um verdadeiro "regressus ad uterum", uma regeneração pela mãe.
Chamado de o "Filho da Luz" ou o "Filho Divino", Mabon representa a plena juventude, o sexo, o amor, a magia e adora pregar peças. Associado a Myrddin e posteriormente a Cristo, seus símbolos são o javali, as nascentes minerais e a lira.

MABON, A DIVINA "CRIANÇA INTERIOR"
Mabon, como toda a Criança Divina", passou pouco tempo junto de de sua mãe, conforme a narração, três dias, pois é raptada e colocada num local úmido, escuro e subterrâneo de um castelo, que muito lembra o útero da Grande Mãe Terra.
Confirma-se assim, que toda a Criança que se destina a algo grande, necessita de um segundo parto no santuário da Grande Mãe, enquanto é equipado com as capacidades extraordinárias e as forças que precisa para cumprir suas árduas tarefas. Tal criança, portanto, precisa receber o sopro vital da Mãe Divina e este é o motivo pelo qual, devem ser afastadas de suas verdadeiras mães, mas nunca para serem aniquiladas e sim serem salvas. Sua salvação não está ao alcance de sua mãe biológica.
Entretanto, o relacionamento primal com sua mãe, jamais será esquecido. Mesmo que mãe e filho se dispersem, se separem, as vivências, as recordações permanecem, pois o filho é um pedaço de sua mãe e nunca seu destino a deixará indiferente.
O que todos nós precisamos, assim como a Criança Divina, é alguma vez na vida experimentar como uma pessoa se sente quando é amada. E, se nenhuma pessoa estiver disposta a nos proporcionar essa experiência, então precisamos aprender a amar à nós mesmos.
Entretanto, muito embora a Criança Divina, seja tratada de um modo especial, isso não quer dizer, que não terá dificuldades na vida adulta, pois quanto mais importante é o personagem, tanto mais arriscada será a sua existência. É como se ela precisasse primeiramente dar provas de sua missão conforme o lema: "o que não me mata me fortalece".
A lenda do Deus Mabon representa, em um sentido mais pessoal, a capacidade de superar as dificuldades, de suportar as dificuldades e aprender com elas, para renascermos como pessoas melhores.
Mabon é a Criança Divina que dormita em nosso inconsciente e que não pode ser negligenciada e muito menos afogada com argumentos "racionais", pois ela contêm em si todo o conhecimento sobre a capacidade de resistir à nova vida. E, quando esse arquétipo infantil constela dentro de nós, surge também o arquétipo "Mãe", pois não existe filho sem mãe. E também, o arquétipo "Pai", pois não existe filho sem pai, muito embora os povos mais antigos não tivessem consciência do fato. Assim, a família está completa, uma "Família Divina", porque representa a totalidade, o Si-mesmo.
Ao acessarmos nossa Criança Divina Anterior, também devemos cavalgar nas costas do salmão que nos levará até a entrada de uma gruta muito escura, mas cheia de tesouros. O "Abre-te Sésamo" para chegarmos até toda essa riqueza é tomarmos consciência da nossa "criança interior", porém, quanto mais tempo nos demorarmos nessa auto-descoberta, mais nos afastamos de sentir o prazer da felicidade plena.

O POÇO SAGRADO DE MODRON

O poço consagrado à Deusa Modron, que foi cristianizada como Santa Madrun fica em Cornwall, na Inglaterra. No trajeto até o poço, encontramos árvores adornadas com muitas tiras de panos ("clouties"). O costume de pendurar tiras de tecidos nas árvores ou arbustos das vizinhanças de um poço ou fonte sagrada, ainda é bastante difundido na Escócia, País de Gales e na Irlanda. A idéia desse ritual é rasgar uma parte da roupa do corpo, mas exatamente do local que está doente. Em seguida, deverá ser atado à árvore. Quando o pedaço do pano apodrecer na árvore, a enfermidade desaparecerá com ele.

O simbolismo relacionado com a Deusa Mãe foi esquecido quase por completo, desde que começaram a ser realizados ritos cristãos nas igrejas. Contudo, a veneração da água, que desempenhou papel importante na antiga religião celta, ainda se conserva em alguns costumes populares relacionados com os poços sagrados.

Os poços e fontes, são muito visitados com várias intenções, entre elas: com o propósito de adivinhação, especialmente por moças solteiras, na primeira quinta-feira do mês de maio. As visitantes confeccionam anteriormente, cruzes com dois pequenos pedaços de palha, fixados com um alfinete. Tais cruzes devem ser colocadas na água para flutuar. O número de bolhas que surgirá na superfície, indicará o número de anos de espera para se casarem.
Ou ainda, objetivando a cura de alguma enfermidade. Nesse caso, a pessoa ou criança deve mergulhar despida (ou traje de banho), três nas águas do poço, estando de frente para o sol. Em seguida, deve dar nove voltas em torno do poço e depois deitar-se em qualquer relva próxima para secar-se ao sol. Esse ritual deve ser realizado na primeira quarta-feira ou domingo do mês de maio e em absoluto silêncio. Quando estiver indo embora, se o ritual foi realizado para uma criança, deixe uma peça de roupa dela amarrada em uma árvore próxima.

Texto pesquisado e desenvolvido por ROSANE VOLPATTO

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