Pesquisar neste blog

A principal fonte dos textos postados aqui é da Internet, meio de informação pública e muita coisa é publicada sem informações de Copyright, fonte, autor etc. Caso algum texto postado ou imagem não tenha sua devida informação ou indicação, será escrito (autoria desconhecida). Caso souberem, por favor, deixe um comentário indicando o ou no texto, ou caso reconheçam algum conteúdo protegido pelas leis de direitos autorais, por favor, avisar para que se possa retirá-lo do blog ou dar-lhe os devidos créditos. Se forem utilizar qualquer texto postado aqui, por favor, deem os devidos créditos aos seus autores. Obrigada!

Abençoados sejam todos!

27 de mar de 2011

Confucionismo

O confucionismo em sua origem não é uma religião e sim uma doutrina filosófica que visa restabelecer a ordem social e resgatar os valores sínicos. Portanto, a primeira característica dessa doutrina é o tradicionalismo de seus ensinamentos, onde estabelece as normais morais reguladoras do procedimento do indivíduo e de suas relações pessoais e públicas.

O próprio filósofo acentuou seu apego ao passado quando disse:

“Transmito os ensinamentos antigos, nada invento de novo, apego-me à antiguidade com confiança e afeição”.[1]

É uma filosofia positivista. Os preceitos e advertências de Confúcio são fontes preciosas em que se renovam as antigas virtudes da alma chinesa. Cortesia, piedade filial e virtudes como a benevolência, retidão, lealdade e a integridade de caráter são as bases do confucionismo que permaneceu como religião oficial da China desde sua unificação, na dinastia dos Han, até a sua proclamação como República em 1911.

Confúcio compilou, editou e escreveu diversas obras. Sua biografia pode ser encontrada em três livros clássicos, sendo as três últimas elaboradas por seus discípulos:

- Chun-Chiu (Anais das Primaveras e Outonos) – história da China, principalmente sobre o ducado de Lu, sua terra natal;
- Lun Yu (Anacletos) – Coleção de máximas de Confúcio e seus princípios éticos;
- Ta Hsio (grande aprendizado) – ensinamentos sobre a virtude;
- Chung Tung (Doutrina do meio) – ensinamentos sobre a moderação perfeita;
- Meng Tze (Mêncio) – Obra do grande expositor e discípulo de Confúcio.

________________________________________

[1] Franca, S. J., Leonel. Noções da História da Filosofia. 13ª Edição. Revista Agir, Rio de Janeiro 1952.

Confusio

Confúcio ou K’ung Ch’u (Mestre Kong) nasceu nos meados do século VI a.C. (551 a 479), em uma pequena cidade no ducado de Lu, atual Chantong. É o filho mais novo de 12 irmãos, ficando órfão aos três anos de idade. Seu pai foi um magistrado e um guerreiro de certo destaque.
Filósofo e dedicado ao ensino, viveu na época das guerras feudais, onde o valor de soldado era medido pelo número de cabeças inimigas que carregava consigo. Populações inteiras foram dizimadas através da decapitação de mulheres, crianças e velhos.

Aos 30 anos deixa o ducado de Lu e parte com o Duque Chao para a província de Ch’i. Aos 50 anos ocupa cargos políticos, sendo nomeado o Grande Oficial da Justiça. Aos 55 anos parte para uma longa viagem aos estados vizinhos, onde pretende colocar suas idéias de unificação e a visão do estado como bem público. Apesar de ser recebido como um Erudito, não obteve sucesso em sua jornada.
Regressa aos 68 anos e continua dedicando-se ao ensino de um grupo de discípulos, chegando a ter em sua escola 3000 alunos. Desse grande grupo 72 eram considerados seus discípulos mais eruditos. A meta era transformá-los em Jens, seres humanos perfeitos.
Após sua morte seus discípulos o lamentaram por três anos, sendo que um deles permaneceu junto à sua sepultura por seis anos.

 

Filosofia de Confúcio

Confúcio considerava a natureza humana originalmente boa, porém essa disposição natural pode ser corrompida pelas paixões que o homem desenvolver durante sua vida. Para que isso não aconteça é necessário o completo domínio sobre si mesmo, sendo esse o meio essencial para o aperfeiçoamento pessoal.

Levando em consideração os dons naturais de cada um, Confúcio dividia o homem em quatro classes: os homens superiores – aqueles em que o conhecimento dos princípios da sabedoria é inato; aqueles que adquirem esse conhecimento através do estudo; os que possuem pouca inteligência, mas que procuram adquirir o conhecimento e aqueles que não possuem nenhuma inteligência nem o desejo de aprender.

O homem perfeito respeita três coisas: a vontade do céu (princípio de ordem natural); os homens eminentes em virtudes e em dignidade, as máximas dos sábios. O homem vulgar não conhece a lei natural e não a respeita, trata sem respeito os homens eminentes, zomba das máximas dos sábios.

O homem é naturalmente sociável e tem o dever de viver em sociedade, esforçando-se para levá-la a ordem. A harmonia dessa vida social é obtida através do “justo meio”. Atingir esse ideal requer muita perseverança e vigilância, sendo poucos os que conseguem manter-se nesse caminho.

A piedade filial e o respeito aos antepassados são consideradas a fonte de todas as virtudes, dela procede toda a disciplina e toda a instrução:

“Durante a vida de seus pais, o filho deve cumprir os deveres que lhe são devidos, segundo os princípios da razão. Quando morrem, devem enterrá-los segundo as cerimônias prescritas pelos ritos e fazer-lhes em seguida as oferendas igualmente conforme os ritos".[1]

Através da comparação com a piedade filial devem ser concebidos todos os outros deveres, como o dever do caçula com os irmãos mais velhos, a esposa para com o marido, do súdito para com o soberano.

Sobre o Estado Confúcio afirma que o governo é aquilo que é justo, governar é retificar o povo, sendo o governante ideal aquele que cumpre bem os seus deveres e conduz os homens à prática da virtude e à perfeição do espírito de tal maneira que haja uma harmonia perfeita. Se o súdito deve se comparar a um filho o soberano deve ser o pai, assegurando a seu povo a paz, o bem estar e a instrução.

Em suas máximas afirmava que é necessário fazer bem pelo bem e a justiça pela justiça, não fazendo ao outro o que não quer para si mesmo.

É necessário que o homem domine a si mesmo, e controle suas paixões, excluindo de sua vida toda e qualquer preocupação egoísta e mesquinha, como a vaidade e os interesses materiais. É preciso ganhar dinheiro para se viver, mas não viver para ganhar dinheiro.

É necessário que o homem honrado ame seus semelhantes, devendo ser benevolente com todos igualmente, ou seja, uma benevolência universal. O humanismo.

Dois de seus discípulos destacam-se como continuadores do confucionismo:

Mencius (Meng-Tse) viveu em 372 a 289 a.C., um homem de grande espírito político que se empenhou em defender a doutrina de seu mestre contra os filósofos contemporâneos. Acreditava que a manutenção da paz era responsabilidade do soberano e garantir o futuro das crianças fornecendo a elas condições e meios seguros de existência.

Sun-Tse, que viveu entre 330 e 2365 a.C, reivindicou para a Escola de Ju (escola de Confúcio) o título de única possuidora da verdade e única capaz de dar remédio aos males da sociedade.

________________________________________
[1] Granet, Marcel. A civilização chinesa. 1952.

Crenças e Práticas do Confucionismo

Culto ao Supremo Governador

Esse culto era conduzido pelos imperadores e por aqueles que ocupavam os mais altos postos chineses. O poder de governar o pais era dado pelo Céu, o Supremo Governador, e a ele deviam render culto.

Os cultos eram realizados no Templo do Céu na cidade de Pequim, no solstício de inverno (hemisfério norte – 22 de dezembro), onde ofereciam novilhos, vinho e alimento, como cereais e pães. Os cultos eram acompanhados de procissões, música e luzes. Esse tempo possui o maior altar da história da humanidade.

Ao norte de Pequim, no parque Ditan existe o Templo da Terra, onde são feitas entregas de flores e alimentos no equinócio de primavera (hemisfério norte - 21 de março), porém com menor importância que o Templo do Céu

(altar do Templo da Terra)

Culto aos antepassados

Para os chineses o homem é composto de duas almas em cada ser humano. A alma material e uma alma espiritual. Os textos quanto ao destino dessas almas são contraditórios. Alguns afirmam que a alma material é o princípio da vida embrionária e que na morte fica junto ao seu corpo físico, outros falam que viviam em um mundo subterrâneo próprio aos mortos. Quanto a alma espiritual, essa só apareceria depois do nascimento e depois da morte permaneceria no templo dos antepassados enquanto outros textos afirmam que estariam junto ao Governante do Céu.

Acredita-se que o morto pode influenciar a vida das pessoas vivas. Essa influência é proporcional ao poder e destaque que o morto possuía em vida, sendo responsabilidade dos familiares vivos garantirem aos mortos uma vida pós-morte igual a que tinham enquanto vivo. Para tanto, objetos pessoais, vasos com alimentos e flores acompanhavam o cadáver junto a sepultura.

Os familiares devem honrar a memória dos seus antepassados, cultuando-os através da oferta de alimentos, bebidas e animais. Alguns historiadores chegam a mencionar sacrifícios humanos, tanto de servos e escravos que seriam enterrados junto ao morto, quanto a prisioneiros de guerra oferecidos nos rituais de culto aos mortos.

Confúcio em seus ensinamentos, no entanto, nada falava sobre a vida pós-morte alegando que se o homem não conhecia a vida, como poderia ele conhecer a morte. Mencionava em seus ensinamentos o culto e honra aos antepassados segundo os rituais sínicos, e apenas isso.

Texto: Lara Moncay

Nenhum comentário:

Postar um comentário