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04/03/2011

Deusa Afrodite

Texto de Herne, the Hunter. Visitem seu blog Chakaruna é muito interessante.

Fotos: internet

AFRODITE - LENDAS E ARQUEOLOGIA

Provavelmente, a lenda da origem de Afrodite contada por Hesíodo (séc. VIII a.C.) em sua Teogonia foi criada em épocas tardias. Antes dele, alguns poetas – entre os quais Homero (séc. IV a.C.), autor de A Ilíada e A Odissíea – falam da deusa como filha de Zeus e Dione.
Embora nos relatos de seu nascimento as circunstâncias sejam diferentes, não pairam mais dúvidas sobre a origem oriental da deusa. No princípio, ela seria apenas variação de uma grande deusa semítica chamada Ishtar na Mesopotâmia, Astarte na Síria e Fenícia ou Milila na Babilônia; seu culto teria sido introduzido na Grécia por intermédio dos marinheiros e mercadores. A essa divindade estrangeira, os gregos teriam transferido as características de Atena Tritogenéia, deusa do amor que primitivamente veneravam.
Segundo a lenda, Afrodite, nascida no mar, desembarcou de sua concha na ilha de Citera, que atualmente corresponde ao rochedo vulcânico chamado Cérico. Ali os gregos erigiram diversos santuários, onde a cultuavam sob o nome de Citeréia. Pouco mais tarde, ainda conforme a tradição, a deusa partiu para a ilha de Chiple, onde, nas cidades de Pafos, Amatunte e Idálio, era venerada sob vários epítetos: Ciprogenéia (nativa de Chipre), Páfis, Amatúsia e Idália. Para cada uma havia templos especialmente construídos. Mas existem outros centros famosos por seu culto: Cnidos, Cós, Corinto e o Monte Érice.
Inicialmente, a exemplo da antiga deusa asiática, Afrodite era considerada a DEUSA DO INSTINTO DA FECUNDIDADE. Sua ação era ilimitada, abrangendo toda a natureza (humanos, outros animais e vegetais). Acreditava-se que ela espalhava o elemento úmido, causa fundamental de todo princípio gerador e de toda a fecundidade na natureza; sob seus passos, as flores germinavam e o mesmo acontecia com as árvores e plantas, consideradas frutos do amor de Gaia e Céu. A chuva da primavera era o elemento fecundante enviado pela deusa.
Somente mais tarde é que Afrodite passou a ser a DEUSA DO AMOR. Com o tempo, passou a personificar o amor em seus inúmeros aspectos, recebendo vários outros nomes e cultos diversos. Na Ática e na Argólida, por exemplo, existem ainda alguns templos dedicados a Afrodite Urânia (celeste), que simboliza o amor puro e ideal e se assemelha a Afrodite Nínfia, que os romanos identificam a Vênus Genitrix, protetora dos matrimônios. Ambas são representadas com pouca nudez, mas são concepções bastante tardias, teorizadas por Platão (427-347 a.C.).
Já Afrodite Pândemos (literalmente "de todo o povo") diferia totalmente das anteriores: era a DEUSA DO AMOR SENSUAL E VENAL. Na origem, porém seu apelido significava apenas que era venerada em todas as comunidades áticas. Somente com o advento das Leis de Sólon (séc. VII-VI a.C.) adquiriu o significado pejorativo associado à prostituição. Essa mesma Afrodite foi, também, chamada Pandemia ou, mais exatamente, Hetaira e Porné (meretriz) e representada nua em atitude luxuriosa nas estátuas. Em cidades como Corinto, Abido e Éfeso, suas sacerdotisas eram as cortesãs profissionais.
Em Esparta, Afrodite adquiriu um caráter guerreiro ou vitorioso sendo, assim retratada com elmo e armas. Tal imagem é explicada conforme duas hipóteses: ou significaria uma associação da deusa com Ares, o deus da guerra, ou corresponderia a Ishtar, a divindade guerreira dos babilônios.Finalmente, era conhecida uma Afrodite protetora dos marinheiros, que, nessa atribuição, recebia o epíteto de Pelagia ou Pontia (marinha). Veneravam-na principalmente em Ermion, porto da Argólida. Em Cnidos, na mesma função, era conhecida como Euplóia, isto é, favorável à navegação.

foto de Elias Silveira

AFRODITE, A BELA DEUSA DO AMOR

São inúmeras as lendas em que a deusa aparece com todos os seus atributos, ora como protetora dos amantes, ora envolvida, ela mesma, com seus amores.
É ela quem detém o poder de satisfazer os desejos amorosos daqueles que a procuram em seus santuários – como é o caso do escultor Pigmalião – ou de inspirar paixões desastrosas – como a de Páris e Helena.
Na figura de Afrodite, os gregos representavam sua sabedoria em relação à vida e à morte. Sabiam que a vida é um curto círculo de juventude, depois uma idade de pleno poder e, por fim, a velhice. Nem com a ajuda dos deuses seria possível alterar essa realidade. Humanos, animais e vegetais estão submetidos ao mesmo destino.
Todavia, promovendo alegrias ou sofrimentos, Afrodite representou, na consciência popular, o PODER REPRODUTOR DA NATUREZA, ao qual é confiada a conservação da espécie. Assim a evoca o hino órfico: "Tu geras tudo o que está no céu, na terra fecunda, no abismo do mar...". Nesse sentido, a deusa helênica tem os caracteres da Astarte fenícia e da Atar aramaica, de onde derivou no período grego-romano a composta e orientalizada Atagátis – a DEUSA DA GERAÇÃO E DA FECUNDIDADE, que assumiu atributos de muitas outras deusas.
Assim, também o ciclo das estações é referido a Afrodite na lenda de Adônis e na de Hades e Perséfone, onde estão mais bem explicadas as diferenças entre as estações férteis e áridas. Afrodite expressa a VIDA PRIMAVERIL. Preside ao esplendor anual das plantas e à renovação das existências pelo amor, num paralelo entre a vida humana e a vegetal. Sem primavera não há fertilidade, sem fertilidade não há futuro!
Embora personificasse o INSTINTO NATURAL DA FECUNDAÇÃO E GERAÇÃO, presente em todos os seres vivos, Afrodite era, por excelência, a DEUSA DO AMOR no mais amplo sentido da palavra. Simbolizava o ATRATIVO SEXUAL fora de qualquer limite, tanto que, para os gregos dos tempos homéricos, era considerada uma força corrupta e dissolvente. Segundo Homero, somente três divindades olímpicas não se deixaram seduzir por ela: Atena, Ártemis e Héstia. Recusando-se a obedecer às suas leis, estas deusas têm as atribuições que os gregos consideravam mais importantes, por constituírem a nobreza e a beleza da vida: a arte, a honra e o lar.
O mirto, a rosa e a maçã, entre os vegetais; a pomba, o bode, a concha, o delfim e a tartaruga, entre os animais, constituem os principais símbolos da deusa. Pombas e cisnes puxavam seu carro, feito de conchas de nácar.
Como outros deuses, Afrodite também possuía seu cortejo: era sempre seguida pelas Graças e, muitas vezes, também por Eros (deus do amor celeste), Peito (tida como filha de Afrodite e com ela venerada em Atenas, era a deusa da persuasão) e Himeneu (divindade que conduzia o cortejo nupcial).
A deusa do amor inspirou artistas de várias épocas. Durante séculos, os gregos elaboraram um tipo ideal de Afrodite, procurando realizar a perfeita beleza feminina. No entanto, quanto mais se aproximavam do humano, mais se distanciavam do elemento divino, principalmente porque os artistas usavam de modelos reais para as suas obras. Em esculturas bastante antigas, Afrodite aparece vestida até à cabeça; a partir da Segunda metade do séc. V a.C., os artistas começaram a mostrar algumas partes do seu corpo (um ombro, um seio ou uma perna), mas a nudez realmente sensual só aconteceu mesmo na época helenística (séc. IV a.C a III d.C.). Dentre as mais célebres obras desse gênero, destaca-se o afresco de Afrodite Anadiômena (surgindo do mar), pintado por Apeles, no séc. IV a.C., para o templo de Asclépio, em Cós e, depois, levado para Roma por Augusto (63. a.C – 14 d.C.), onde acabou por perder-se. Afrodite Cnídia, um nu sensual esculpido por Praxíteles (370-330 a.C.) provocou sensação por ser demasiado "profano".Embora geralmente representada segundo um padrão ideal da mais perfeita beleza feminina, em algumas esculturas antigas Afrodite figura com uma força quase viril. É o caso de suas imagens guerreiras em Esparta, de certas estátuas em Chipre e até mesmo da célebre obra de Praxíteles, na qual se pode perceber uma certa masculinidade. Também na figuração de seus deuses, não raro se delineiam traços femininos (como a famosa escultura de Apolo do Belvedere). Juntando, assim, o belo feminino ao belo masculino, os antigos procuravam realizar o mais completo tipo de beleza. A mesma idéia expressa-se, de maneira poética, na lenda de Hermafrodito (filho de Afrodite com Hermes).

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