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14 de mar de 2011

Divindades Infernais

 

OS INFERNOS

Existem duas concepções, a Homérica (grega) e a Virgiliana (Romana).

Na mitologia grega e romana, os Infernos são os lugares subterrâneos onde descem as almas depois da morte para ser julgadas, e receber o castigo dos seus crimes ou a recompensa das boas ações.

"Todos os caminhos levam aos Infernos", disse um poeta antigo, isto é, à morte e consequente julgamento.

Esses lugares subterrâneos, situados a uma profundidade incomensurável embaixo da Grécia e da Itália, estendiam-se até os extremos confins do mundo então conhecido; e assim como a Terra era cercada pelo rio Oceano, eles eram circunscritos e limitados pelo reino da Noite. Acreditavam os gregos que a sua entrada estava situada nos antros vizinhos do cabo Averno, ao sul do Peloponeso; os romanos supunham que havia outras entradas mais perto deles, como por exemplo, os abismos do lago Averno, as grutas vizinhas de Cumas. De resto, tanto na Grécia como na Itália, era crença geral que todas as cavernas, todas as anfractuosidades, as fendas do solo cuja profundidade ninguém nunca sondara, podiam estar em comunicação com os Infernos.

Será supérfluo e pueril tentar uma descrição desse império subterrâneo, onde a imaginação dos poetas, auxiliada pela credulidade dos povos, se aprouve em introduzir particularidades divergentes e muitas vezes contraditórias.

Entretanto, é possível fazer uma ideia geral da carta geográfica dos Infernos tal qual a antiguidade a imaginava no seu conjunto. Distinguiam-se quatro regiões principais.

A primeira, a mais vizinha da terra, era o Érebo; para além estava o Inferno dos maus; a terceira região compreendia o Tártaro, e a quarta os Campos Elíseos.

ÉREBO:

No Érebo viam-se os palácios da Noite, do Sono e dos Sonhos; era a morada de Cérbero, das Fúrias e da Morte. Era aí que erravam durante cem anos as desgraçadas sombras cujos corpos não tinham recebido sepultura; quando Ulisses evocou os mortos, aqueles que lhe apareceram, diz Homero, saíram todos do Érebo.

O INFERNO:

O Inferno dos maus era o lugar temível de todas as expiações: era lá que o crime recebia o seu justo castigo, era lá que o remorso atormentava as suas vítimas, era lá enfim que se faziam ouvir as lamentações e os gritos agudos da dor. Aí estavam todos os gêneros de tortura. Essa região horrível, cujas planícies eram apenas aridez, cujas montanhas eram apenas rochas e declives, encerrava tanques gelados e lagos de enxofre e pez fervendo onde as almas eram sucessivamente mergulhadas e passavam pelos suplícios de um frio ou de um calor extremo. Essa região era cercada de pântanos lamacentos e fétidos, de rios de águas empoçadas ou abrasadas, formando uma barreira impossível de transpor; e não deixando às almas nem uma esperança de fuga, de consolação nem de socorro.

O TÁRTARO:

O Tártaro propriamente dito vinha depois desse Inferno: era a prisão dos deuses.

Cercado de um tríplice muro de bronze, sustentava os vastos fundamentos da terra e dos mares. A sua profundidade era bem afastada do céu. Era aí que estavam encerrados os Titãs, os Gigantes e os deuses antigos expulsos do Olimpo pelos deuses que reinavam vitoriosamente; era lá, também, que estava o palácio do rei dos Infernos.

OS CAMPOS ELÍSEOS:

Os Campos Elíseos eram a morada feliz das almas virtuosas; reinava aí uma eterna primavera, a terra sempre alegre cobria-se incessantemente de verdura, de folhagem, de flores e de frutos. À sombra dos bosques embalsamados, das moitas de roseiras e de mirtos, alegrados pelo canto e pelo gorjeio das aves, regados pelas águas do Letes, correndo em doce murmúrio, as almas afortunadas gozavam o mais delicioso repouso, uma perpétua mocidade, sem sobressaltos e sem dor.

Deitados sobre leitos de asfodelo, planta de pálida folhagem, ou mole mente reclinados sobre a fresca relva, os heróis contavam mutuamente as suas empresas ou ouviam os poetas que celebravam os seus nomes em versos de uma encantadora harmonia. Nos Campos Elíseos finalmente estavam reunidos todos os encantos e prazeres, assim como no Inferno dos maus estavam acumulados todas as espécies de tormentos.

Diante do vestíbulo dos Infernos, na estreita passagem que conduz à sombria morada, habitam pavorosos espectros. É aí a morada escolhida pela Dor, pelo Luto, pelos pungentes Remorsos, pelas pálidas Moléstias, pela triste Velhice, pelo Terror, pela Fome, essa má conselheira, pela vergonhosa Indigência, pela Fadiga, pelo Abatimento, pela Morte. Aí também se veem o Sono, irmão da Morte, as Alegrias culpadas, e defronte a Guerra assassina, as jaulas de ferro das Eumênidas e a cega Discórdia, cuja cabeleira cheia de serpentes está entrelaçada por fitas ensanguentadas. No meio do vestíbulo eleva-se um olmo capado, imensamente grande, onde residem os Sonhos quiméricos, que aderem sob todas as folhas. Encontram-se ainda nesse lugar outros monstruosos espectros de toda espécie e conformação: são centauros, seres híbridos, gigantes de cem braços, a hidra de Lerna, uma quimera que vomita fogo, e silvam horrivelmente Gorgones e Harpias, homens compostos de três corpos em um só. É por esse caminho medonho que chegam as almas e daí se encaminham para os seus juízes, mas é preciso que antes de tudo atravessem os rios infernais.

Fonte: Texto na íntegra do Livro Mitologia Grega e Romana do Professor P.Commelin.

OUTRA VERSÃO:
Os Três Caminhos
Em outras versões, existem três caminhos para onde os mortos eram enviados, após julgados:

Primeiro Caminho Campo — O primeiro caminho é uma espécie de "campo", uma região de nevoeiros e de árvores assustadoras. Aqui está a Planície dos Narcisos, mais além estão os campos verdes do Érebo, em algumas versões aqui está o Rio Lete (apesar de ser mais aceito ele nos Campos Elísios). Aqui estão os mortos menos afortunados. Não sofriam tormentos especiais a não ser a tristeza, muitos fugiriam se pudessem;

Segundo Caminho — Campos Elísios;

Terceiro Caminho — Tártaro. (união do Inferno dos Maus e o Tártaro dos Deuses), seria o inferno

Nesta versão o Tártaro é semelhante ao inferno da mitologia cristã, para onde vão as almas malignas. Em outra versão, Tártaro é exclusivamente onde estão aprisionados os titãs, vigiados pelos três Hecatônquiros: Coto, Briareu e Giges.

O Tártaro é semelhante ao inferno da mitologia cristã, para onde vão as almas malignas. Em outra versão, Tártaro é exclusivamente onde estão aprisionados os titãs, vigiados pelos três Hecatônquiros: Coto, Briareu e Giges.

Sendo que os mortos caem simplesmente no mundo inferior, em algumas versões ele possuía um largo portão de bronze que era fechado por dentro, abrindo-se apenas para dar entrada a mais uma sombra, cercado por muralhas triplas que rodeavam os condenados, e não consta que nenhum conseguisse escapar. Nele trabalhava Hécate, as Harpias (Aelo, Ocípite e Celeno), as Górgonas (Medusa, Esteno, e Euríale).

Interessante observar que as harpias e as górgonas já morreram e agora servem a Hades. As Erínias, deusas da vingança (Tisífone, Megaira e Alecto), ficariam parte do tempo punindo os mortos no Tártaro e outro punindo os vivos na Terra. Também trabalhariam no Tártaro as Queres, deusas da morte violenta (existem várias Queres, algumas são Híbride, Limos e Poinê), apesar de em algumas versões as Queres trabalharem ao lado de Tânatos (enquanto Tânatos representa a morte tranquila, as Queres representam a morte cruel, antes da hora), e em outras trabalham com Ares, deus da guerra.

No Tártaro correria o rio Cócito (das lamentações), Flegetonte (do fogo) e Erídano.

RIO AQUERONTE:

O rio mitológico Aqueronte localiza-se no Épiro, região do noroeste da Grécia. O nome rio pode ser traduzido como "rio do infortúnio" e acreditava-se que fosse um afluente do rio Styx (Estige), este localizado no mundo dos mortos. Nele se encontra Caronte, o barqueiro que leva as almas recém-chegadas ao outro lado do rio, às portas do Hades, onde o Cérbero os aguarda.

CARONTE E AQUERONTE:

Antes de chegar ao Hades, os mortos pegam a balsa de Caronte (0 barqueiro do inferno) para atravessar o rio Aqueronte (das dores).Caronte transporta os heróis, as crianças, os ricos e os pobres para o Hades propriamente dito.

Caronte cobra moedas para fazer a passagem.[1] Era costume grego colocar uma moeda, chamada óbolo, sob a língua do cadáver, para pagar Caronte pela viagem. Se a alma não pudesse pagar, ficaria forçadamente na margem do Aqueronte para toda a eternidade, e os gregos temiam que pudesse regressar para perturbar os vivos.
Hades ordenou-lhe que não transportasse vivos, fossem quais fossem as razões para atravessar o rio, ameaçando-o com um pesado castigo, mas alguns, com muita habilidade, conseguiam enganar Caronte ou convencê-lo a abrir uma exceção.

Em algumas versões, em vez do rio Aqueronte aqui estaria o rio Estige, entretanto se considerarmos que o Estige é o rio da imortalidade, é mais provável sua localização nos Campos Elísios.
Na outra margem do Aqueronte ficaria Cérbero, o cão de guarda de três cabeças do Hades. Era muito dócil e gentil com as almas que chegavam, mas demonstrava sua face violenta caso elas tentassem fugir

LOCALIZAÇÃO:
O lago chamado Aquerúsia e o rio ainda chamado Aqueronte, junto às ruínas de Necromanteion, encontram-se próximos a Parga, cidade grega situada na parte continental desse país, diretamente oposta a Corfu.

Acreditava-se também que um outro afluente do Aqueronte emergia no cabo Aquerúsio (atualmente chamado de Eregli, situado na Turquia), e foi visto pelos argonautas, de acordo com Apolônio de Rodes.
Os gregos estabelecidos na Itália identificavam o lago Aquerúsia, no qual o Aqueronte fluía, como sendo o lago Averno.
No Fédon de Platão, o filósofo aponta o Aqueronte como sendo o segundo maior rio do mundo (o primeiro é Oceanus). Platão declarava que o Aqueronte fluía na direção oposta de Oceanus, sob a terra de lugares desertos.
A palavra é também ocasionalmente usada como uma sinédoque para o próprio Hades.
O deus do rio concebeu Ascálafo com Orfne (ou Górgira, de acordo com outra versão).
Virgílio menciona o Aqueronte junto a outros rios infernais em sua descrição do mundo dos mortos no Livro VI da Eneida.
No Inferno de Dante, o rio Aqueronte forma fronteira com o Inferno na região chamada de Ante-Inferno. Seguindo a tradição da mitologia grega, Caronte é quem transporta almas no rio em direção ao Inferno.

Referências:

1 - As 100 Melhores Histórias da Mitologia greco-Romana

RIO CÓCITO:

Na mitologia grega o Rio Cócito é o rio das lamentações, um dos rios do Hades.
Rio Cócito na Divina Comédia
A Divina Comédia de Dante Alighieri envolve tradições gregas e católicas, na primeira parte da obra (Inferno): o rio Cócito é um rio de gelo no 9°Círculo do inferno, onde estão os traidores, nesse rio estão 4 esferas por onde eles se distribuem, e é inclusive a morada de Lúcifer.

RIO ESTIGE:

O rio Estige ou Styx é o rio da imortalidade, um dos rios do Hades. Segundo uma versão da lenda de Dionísio, uma promessa pelo estige é o voto mais sagrado que pode ser feito, nem mesmo os deuses podem quebrar uma promessa pelo Estige.

Segundo a lenda, a mortal Semele, mãe de Dionisio, uma amante de Zeus, foi enganada por Hera, que querendo vingar-se da amante do marido se metamorfoseia em sua serva. Hera convenceu Semele a pedir a Zeus uma prova de amor: primeiro Semele fez Zeus fazer uma promessa pelo estige sem saber do que se tratava, depois Semele disse que queria ver a forma verdadeira de Zeus.

Tendo já feito a promessa, Zeus não pôde voltar atrás e mostrou sua verdadeira forma a Semele, que morre nessa metamorfose.

O fato de nem mesmo Zeus ter ousado quebrar a promessa, demonstra a importância do voto. O Estige aparece em várias histórias, numa das mais comuns, Tétis tentou tornar o seu filho Aquiles imortal mergulhando-o nas suas águas. Porém, ao mergulhá-lo, suspendeu-o pelo calcanhar (o calcanhar de Aquiles), ficando esta parte vulnerável e tendo-o levado à morte durante a Guerra de Tróia.

Rio Estige na Divina Comédia
Divina Comédia de Dante Alighieri envolve tradições gregas e católicas, na primeira parte da obra (Inferno): o rio Estige é um pântano, está no 5°Círculo do inferno, onde ficam os acusados de ira, inveja e soberba, batendo e se torturando, seu barqueiro é Flégias.(figura acima: Flégias com Dante, por Gustave Doré em Divina Comédia).

RIO FLEGETONTE:
Na mitologia grega o Flegetonte é um dos rios do Hades, o flegetonte é o rio de fogo, que passa pelo Tártaro.

O Flageton é um afluente do Aqueronte, onde rolava torrentes de chamas sulforosas, seu curso ao contrário de Cócito, era altamente nocivo, cercava a prisão dos maus.

Rio Flegetonte na Divina Comédia
Na Divina Comédia de Dante, na primeira parte da obra (Inferno), que envolve tradições gregas e católicas, o flegetonte aparece no 7°Círculo do Inferno, no 1º Vale onde estão os violentos, afogados no rio flegetonte de sangue fervente, quanto mais grave o crime, maior a parte imersa.

RIO LETE:

Na Grécia Antiga, Lete ou Lethe, literalmente significa "esquecimento". Seu oposto é a palavra grega para "verdade" - alétheia (αλήθεια).
Na mitologia grega Lete é um dos rios do Hades. Aqueles que bebessem de sua água experimentariam o completo esquecimento.
Lete é também uma das náiades, filha da deusa Eris, senhora da discórdia, irmã de Algos, Limos, Horcus e Ponos.

Algumas religiões esotéricas ensinavam que havia um outro rio, o Mnemósine, e beber das suas águas faria recordar tudo e alcançar a onisciência. Aos iniciados, ensinava-se que, se lhes fosse dado escolher de que rio beber após a morte, deveriam beber do Mnemósine em lugar do Lete. Os dois rios aparecem em vários versos inscritos em placas de ouro do século IV a.C. em diante, em Turios, no sul da Italia, e por todo o mundo grego.

Rio Lete:
O Rio Lete (do grego Λήθη Lếthê, "esquecimento" ou "ocultação") é um rio do Hades onde quem bebia, esquecia-se das vidas passadas. Logo o Lete passou a simbolizar o esquecimento.


A sua localização no Hades é contraditória, em algumas versões o lete está nos Campos Elísios, seus habitantes ficariam no paraíso por 1000 anos até apagar-se tudo de terreno neles, depois disto bebendo do lete esqueciam toda a sua vida e reencarnavam ou realizavam metempsicose - reencarnar em animais. Em outras versões o lete ficava em um "campo" no Hades, um local de melancolia, onde os mortos não sofriam tormentos. Apesar de ser mais aceita sua localização nos Campos Elísios.

O rio Lete na Divina Comédia:
A Divina Comédia de Dante Alighieri envolve tradições gregas e católicas. Na segunda parte da obra, Purgatório, o Lete aparece como um rio de cujas águas os pecadores tinham de beber para apagarem seus pecados e entrarem no Céu.

RIO ERÍDANO:

O rio Erídano (do latim Eridanus) é um dos cinco rios que cruzam Hades na mitologia grega.
O Erídano é mencionado em escritos da Grécia Antiga como um rio na região norte da Europa rico em âmbar. Há várias suposições sobre o qual seria o real rio ao qual se refere Erídano: entre eles estão o Rio Pó no norte a Itália, o rio Nilo e o rio Danúbio.

Fonte:

P.Commelin, Mitologia Grega Romana.

Tassilo Orpheu Spalding - Dicionário de Mitologia Greco-Latina

Wikipedia.

PLUTÃO (HADES)

HADES:

Na mitologia grega, Hades (em grego antigo: Άδης, transl. Hádēs) é o deus do submundo e das riquezas dos mortos. O nome Hades era usado freqüentemente para designar tanto o deus quanto o reino que governa, nos subterrâneos da Terra. Ele é também conhecido por ter raptado a deusa Perséfone filha de Deméter. É interessante observar que, ao contrário de seus irmãos Zeus e Posídon, que tiveram dezenas de filhos, Hades teve apenas uma filha, Macária, sendo poucas as tradições nas quais ele teve mais filhos. Outros autores ainda dão a ele os filhos Diaras, Oberon e Fégia.

Arrancado dos braços do seu pai Cronos (Saturno) por Zeus (Júpiter) que estava prestes a devorar-lhe, Hades agradecido ajudou Zeus na luta contra os Titãs. Na divisão dos reinos, Poseidon ficou com o Mar, Zeus com o Céu e Hades com os Infernos. Morava dentro do Tártaro.

Hades, o deus do mundo dos mortos:

Hades (Άδης em grego), filho de Cronos e de Réia, irmão de Zeus e Posídon. Segundo a lenda, o poder de Hades, Zeus e Poseidon era equivalente. Hades era um deus de poucas palavras e seu nome inspirava tanto medo que as pessoas procuravam não o pronunciar. Era descrito como austero e impiedoso, insensível a preces ou sacrifícios, intimidativo e distante.

Invocava-se Hades geralmente por meio de eufemismos, como Clímeno (o Ilustre) ou Eubuleu (o que dá bons conselhos). Seu nome significa, em grego, o Invisível, e era geralmente representado com o elmo mágico que lhe dava essa habilidade, que ele ganhou dos ciclopes quando participou da titanomaquia contra os titãs. No fim da luta contra os titãs, vencidos os adversários, Zeus, Poseidon e Hades partilharam entre si o universo, Zeus ficou com o céu, e a terra, Poseidon ficou com os mares e Hades tornou-se o deus do inferno e das riquezas.

Como reinava sobre os mortos, Hades era ajudado por outras divindades, que serão mais tarde citadas. O nome Plutão "o rico" (pois era dono das riquezas do subsolo) ou "o distribuidor de riqueza", que se tornou corrente na religião romana, era também empregado pelos gregos, e apresentava um lado bom, pois era ele quem propiciava o desenvolvimento das sementes e favorecia a produtividade dos campos. Como divindade agrícola, seu nome estava ligado a Deméter e junto com ela era celebrado nos Mistérios de Elêusis que eram os ritos comemorativos da fertilidade, das colheitas e das estações. Hades teve uma amante cujo nome era Mente, que foi transformada por Perséfone em uma planta, hoje chamada de menta. Teve também outra amante, Leuce, porém antes do rapto de sua esposa.

Era também conhecido como o Hospitaleiro, pois sempre havia lugar para mais uma alma no seu reino. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, Hades não é o deus da morte, mas sim do pós-morte. Apenas Ares e Cronos estão relacionados com a prática da morte. Assim, Hades não é inimigo da humanidade, como o são Ares e Cronos. O deus raramente deixava seu mundo e não se envolvia em assuntos terrestres ou olímpicos. Deixou o seu reino apenas duas vezes; uma para raptar Perséfone, a quem tomou como esposa e outra para curar-se, no Olimpo, de uma ferida provocada por Heracles (Hércules).

Características

Para Hades, eram consagrados o narciso e o cipreste. O deus é representado de diversas maneiras:

- bonito de aparência jovem, corpo atlético;

- cenho franzido, cabelos e barbas em desalinho, vestindo túnica e mantos vermelhos, sentado no trono e tendo ao seu lado o cão Cérbero;

- como deus da vegetação, com traços mais suaves;

- portador de uma cornucópia ou com uma coroa de ébano na cabeça, chaves na mão e sobre um coche puxado por cavalos negros.

O mundo dos mortos

Na mitologia grega o Mundo dos mortos, chamado apenas de Hades, é o local no subterrâneo para onde vão as almas das pessoas mortas (sejam elas boas ou más), guiadas por Hermes, o emissário dos deuses, para lá tornarem-se sombras. É um local de tristeza.

No fim da luta dos deuses olímpicos contra os Titãs (a Titanomaquia), os deuses olímpicos saíram vitoriosos. Então Zeus, Poseidon e Hades partilharam entre si o universo: Zeus ficou com os céus e as terras, Poseidon ficou com os oceanos e Hades ficou com o mundo dos mortos. Os titãs pediram socorro a Érebo do mundo inferior; Zeus, então, lançou Érebo para lá também, assim tornou-se a noite eterna do Hades (Érebo também é outra designação do mundo inferior). Das Idades do Homem e suas raças, a raça de bronze, raça dos heróis, e a raça de ferro vão para o Hades após a morte.

Filhos

Da mesma forma que Zeus, Hades tinha inúmeras aventuras amorosas, gerando uma grande quantidade de filhos, que, como os filhos de Poseidon, eram violentos e malévolos. São poucas as lendas que falam sobre os filhos de Hades. Entre eles os mais conhecidos eram:

Macária, irmã de Celestas deusa da destruição, e Diaras, deusa dos campos, ambas habitavam os Eliséos, aparecem na mitologia delatando à sua mãe Perséfone que a Ninfa Menth teria um caso com Hades.

Também se destacava Oberon, fruto do romance de Hades com a ninfa Amantéia. Oberon era um deus muito bonito. Inspirou fortes amores em Enio a mensageira de Hades, filha de Ares. Oberon ficou conhecido como um deus sublime, o deus da escuridão. Teve confronto direto com Adônis que acabou sendo aprisionado pelo deus. Havia também Fégia, filho de Hades e Calíope que guardava a entrada para os Elíseos.

PLUTÃO:

Plutão, em Roma, era o nome do deus grego Hades, deus do submundo. Irmão de Júpiter, Netuno, Ceres, Vesta e Juno, faz parte da primeira geração dos deuses olímpicos.

De acordo com a mitologia, quando os três filhos de Cibele e Saturno fizeram a partilha do universo, Netuno ficou com os mares, Júpiter tomou posse do Olímpo, e Plutão ficou consequentemente com os Infernos (também chamado Hades). O deus governou o reino da morte sozinho até se apaixonar pela bela deusa Proserpina.

Embora o relacionamento entre os dois parecesse ter começado mal, pois Plutão sequestrou a deusa separando-a de sua família deixando-a inconsolável, sua união era calma e amorosa, ao contrário do casamento de seus irmãos Júpiter e Juno.

Embora identificado com Hades, o deus grego do mundo dos mortos, representa o seu aspecto benfazejo, e presidia as riquezas agrícolas. Hades era tão temido que ninguém ousava pronunciar seu nome, e quando era para se referir a ele, usavam outras definições. Dentre muitas, a mais conhecida é Plutão.

Por bastante tempo, o apelido substituiu o verdadeiro nome de Hades, dando origem ao deus romano.

Fonte:

P.Commelin, Mitologia Grega Romana.

Tassilo Orpheu Spalding - Dicionário de Mitologia Greco-Latina

PROSERPINA (PERSÉFONE)

Na mitologia grega, Perséfone ou Coré corresponde à deusa romana Proserpina ou Cora. Era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.
Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades que a pediu em casamento. Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o mundo subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos, e Perséfone recusou-se a ingerir qualquer alimento e começou a definhar. Deméter, junto com Hermes, foram buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo outras fontes, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como entretanto Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo, ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone. Este mito justifica o ciclo anual das colheitas.
Perséfone é normalmente descrita como uma mulher de cabelos claros, possuidora de uma beleza estonteante, pela qual muitos homens se apaixonaram, entre eles, Pírito e Adônis. Foi por causa deste último que Perséfone se tornou rival de Afrodite, pois ambas disputavam o amor do jovem, mas também outro motivo era porque Afrodite tinha inveja da beleza de Perséfone. Embora Adônis fosse seu amante, o amor que Perséfone sentia por Hades era bem maior. Os dois tinham uma relação calma e amorosa. As brigas eram raras, com exceção de quando Hades se sentiu atraído por uma ninfa chamada Menthe, e Perséfone, tomada de ciúmes, transformou a ninfa numa planta, destinada a vegetar nas entradas das cavernas, ou, em outra versão, na porta de entrada do reino dos mortos.
Entre muitos rituais atribuídos à entidade, cita-se que ninguém poderia morrer sem que a rainha do mundo dos mortos lhe cortasse o fio de cabelo que o ligava à vida. O culto de Perséfone foi muito desenvolvido na Sicília, ela presidia aos funerais. Os amigos ou parentes do morto cortavam os cabelos e os jogavam numa fogueira em honra à deusa infernal. A ela, eram imolados cães, e os gregos acreditavam que Perséfone fazia reencontrar objetos perdidos.
Conta-se, ainda, que Zeus, o pai da Perséfone, teve amor com a própria filha, sob a forma de uma serpente.
Apesar de Perséfone ter vários irmãos por parte de seu pai Zeus, tais como Ares, Hermes, Dionísio, Atena, Hebe, Apolo, entre outros, por parte de sua mãe Deméter, tinha um irmão, Pluto, um deus secundário que presidia às riquezas. É um deus pouco conhecido, e muito confundido como Plutão, o deus romano que corresponde a Hades. Tinha também como irmã, filha de sua mãe, uma deusa chamada Despina, que foi abandonada pela mãe de ambas ao nascer. Por isso ela tinha inveja da deusa do mundo dos mortos, até porque Demeter se excedia em atenções para a rainha. Em resposta, a filha rejeitada destruia tudo que Perséfone e sua mãe amavam, o que resultaria no inverno.
Preciosas informações retiradas de antigos textos gregos, citam que Perséfone teve um filho e uma filha com Zeus: Sabázio e Melinoe era de uma habilidade notável, e foi quem coseu Baco na coxa de seu pai. Com Heracles, teve Zagreus.
A rainha é representada ao lado de seu esposo, num trono de ébano, segurando um facho com fumos negros. A papoula foi-lhe dedicada por ter servido de lenitivo à sua mãe na ocasião de seu rapto. O narciso também lhe é dedicado, pois estava colhendo esta flor quando foi surpreendida e raptada por Hades. Perséfone, com Hades, é mãe de Macária, deusa de boa morte.

Fonte:

P.Commelin, Mitologia Grega Romana.

Tassilo Orpheu Spalding - Dicionário de Mitologia Greco-Latina

Wikipedia.

CARONTE

Caronte (em grego, Χάρων — o brilho) era uma figura mitológica do mundo inferior grego (o Hades) que transportava os recém-mortos na sua barca através do Aqueronte, rio que delimitava a região infernal, até o local no Hades que lhes era destinado.

Caronte era filho de Érrebo e da Noite, era um Deus Velho porém imortal. Sua função era transportar para a outra margem as sombras dos mortos em uma barca estreita que navegava na escuridão da noite eterna enevoada a do rio Aqueronte.
Era costume grego colocar uma moeda, chamada óbolo, sob a língua do cadáver, para pagar Caronte pela viagem. Se a alma não pudesse pagar ficaria forçosamente na margem do Aqueronte para toda a eternidade, e os gregos temiam que pudesse regressar para perturbar os vivos. Uma alma penada sem rumo.

Caronte era muitas vezes retratado com uma máscara de bronze na qual ocultava sua verdadeira face macabra que faria os recém-mortos repensarem em entrar na barca caronte recebeu esta tarefa como punição, após ter tentado roubar a caixa de pandora, surpreendido por Zeus ele foi mandado para o Erebus onde deveria cumprir sua tarefa.

Fonte:

P.Commelin, Mitologia Grega Romana.

Tassilo Orpheu Spalding - Dicionário de Mitologia Greco-Latina

Wikipedia.

CÉRBERO (O Cão do Inferno)

Na mitologia grega, Cérbero ou Cerberus (em grego, Κέρβερος – Kerberos = "demónio do poço") era um monstruoso cão de múltiplas cabeças e cobras ao redor do pescoço que guardava a entrada do Hades, o reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais saírem e despedaçando os mortais que por lá se aventurassem.

Morfologia

A descrição da morfologia de Cérbero nem sempre é a mesma, havendo variações. Mas uma coisa que em todas as fontes está presente é que Cérbero era um cão que guardava as portas do Tártaro, não impedindo a entrada e sim a saída. Quando alguém chegava, Cérbero fazia festa, era uma criatura adorável. Mas quando a pessoa queria ir embora, ele a impedia; tornando-se um cão feroz e temido por todos. Os únicos que conseguiram passar por Cérbero saindo vivos do submundo foram Héracles, Orfeu, Enéias e Psiquê.

Cérbero era um cão com várias cabeças, não se têm um número certo, mas na maioria das vezes é descrito como tricéfalo (três cabeças). Sua cauda também não é sempre descrita da mesma forma, às vezes como de dragão, como de cobra ou mesmo de cão. Às vezes, junto com sua cabeça são encontradas serpentes cuspidoras de fogo saindo de seu pescoço, e até mesmo de seu tronco.

Quanto à vida depois da morte, os gregos acreditavam que a morada dos mortos era o Hades, que levava o nome do deus que o regia, ao lado de Perséfone. Hades era irmão de Zeus. Localizava-se nos subterrâneos, rodeado de rios, que só poderiam ser atravessados pelos mortos. Os mortos conservavam a forma humana, mas não tinham corpo, não se podia tocá-los. Os mortos vagavam pelo Hades, mas também apareciam no local do sepultamento. Havia rituais cuidadosos nos enterros, e os mortos eram cultuados, principalmente pelas famílias em suas casas. Quando os homens morriam eram transportados, na barca de Caronte para a outra margem do rio Aqueronte, onde se situava a entrada do reino de Hades. O acesso se dava por uma porta de diamantes junto a qual Cérbero montava guarda.

Para acalmar a fúria de Cérbero, os mortos que residiam no submundo jogavam-lhe um bolo de farinha e mel que os seus entes queridos haviam deixado no túmulo.

Seu nome, Cérbero, vem da palavra Kroboros, que significa comedor de carne. Cérbero comia as pessoas. Um exemplo disso na mitologia é Piritoo, que por tentar seduzir Perséfone, a esposa de Hades e filha de Deméter, deusa da fertilidade da terra, foi entregue ao cão. Como castigo Cérbero comia o corpo dos condenados.

Cérbero era filho de Tífon (ou Tifão) e Equídina. Cérbero era irmão de Ortros e da Hidra de Lerna. Da sua união com Quimera, nasceram o Leão de Neméia e a Esfinge.

Divina Comédia:

Cérbero aparece no Inferno dos Gulosos, onde estes ficam solitários na lama. Sem poder comer e beber livremente. E ficavam sob uma chuva gelada e a presença de Cérbero que os come eternamente com seu apetite insaciável. Cérbero é a imagem do apetite descontrolado

Os 12 Trabalhos de Hércules:

Euristeu, sabendo que Heracles (Hércules) só ficaria mais um ano sob suas ordens, estava desesperado de medo e, para seu décimo segundo trabalho, ordenou-lhe que descesse ao reino de Hades e trouxesse de volta o cão tricéfalo, Cérbero, que guardava as portas do inferno. Isto, tinha certeza, estava acima de suas forças; e o próprio Héracles duvidava que jamais conseguisse realizar essa temerária e perigosa façanha. Ofertou grandes sacrifícios aos deuses, pedindo sua proteção; suas preces foram ouvidas. A deusa Atena, e Hermes, mensageiro dos deuses, apresentaram-se a ele, acompanhando-o até à sombria caverna, pelo túnel longo e escuro que levava às portas do Mundo Subterrâneo. Ao percebê-los, as três cabeças de Cérbero puseram-se a uivar de maneira horrível, o que chamou a atenção de Hades; mas ao ver um deus e uma deusa em companhia de Héracles, perguntou-lhes o que procuravam.

- Meu senhor Euristeu ordenou-me de levar à terra o cão tricéfalo Cérbero que guarda esta porta, disse Héracles, e é pela vontade de Zeus, senhor da terra e do céu, que eu lhe obedeço. Deixe-me levar seu cão de guarda para poder cumprir as ordens recebidas. Prometo-lhe que Cérbero nada sofrerá e lhe será restituído, são e salvo.

Hades fechou a carranca e respondeu:

- Se você for capaz de carregar Cérbero nos ombros, sem feri-lo, então poderá levá-lo ao seu senhor Euristeu; mas, prometa trazê-lo de volta, ileso.

Então Héracles aproximou-se de Cérbero e, apesar de suas três enormes bocarras guarnecidas de dentes afiados e cruéis, ergueu o animal aos ombros e subiu pelo caminho que levava da caverna tenebrosa à luz do dia. O caminho era longo, áspero e íngreme, e pesada a sua carga; as três cabeças rosnavam e mordiam, durante todo o trajeto, porém Héracles, concentrando-se no pensamento de próxima libertação, não lhes dava atenção. Afinal chegou a Micenas. Euristeu ficou tão apavorado quando soube que Héracles trazia nos ombros o terrível cão tricéfalo, que se escondeu debaixo da cuba de bronze, mandando-lhe uma mensagem na qual lhe ordenava que se afastasse de Micenas para todo o sempre. Então, de coração leve, dirigiu-se Héracles para a caverna. Desceu pelo longo túnel e depositou Cérbero às portas do Inferno.

Fonte:

P.Commelin, Mitologia Grega Romana.

Tassilo Orpheu Spalding - Dicionário de Mitologia Greco-Latina

Wikipedia.

OS JUÍZES DO INFERNO

No Hades as almas eram julgadas por três juízes, com responsabilidades específicas: Minos, tinha o voto decisivo, Éaco, julgava as almas europeias e Radamanto, julgava as almas asiáticas. Nem mesmo Hades interferia no julgamento deles, a não ser em raras ocasiões.
Quando um morto caía no Tártaro parece que ele recebia uma punição específica, como Sísifo que foi condenado a rolar uma pedra com suas mãos até o alto de uma montanha, e toda vez que estava alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida.
Os juízes não são deuses e sim mortos que devido à sua forte personalidade e seu senso de justiça tornaram-se juízes. Em algumas versões Hades seria o presidente do tribunal dos mortos.

RADAMANTO: Filho de Zeus com Europa, casou com Alcmene. Adquiriu reputação por ser um príncipe justo, porém severo. Era Irmão de Minos. Como juíz infernal, suas punições além de justas eram severas. Julgador dos Africanos, asiáticos.

EACO: Filho de Zeus com Egina. Julgava os Europeus. Foi o pai de Peleu, avô de Aquiles.

MINOS: Irmão de Radamento, filho de Zeus com Europa, quando havia empate, ele é que desempatava uma decisão.

Fonte:

P.Commelin, Mitologia Grega Romana.

Tassilo Orpheu Spalding - Dicionário de Mitologia Greco-Latina

Wikipedia.

AS FÚRIAS

As Erínias (Fúrias para os romanos – Furiæ ou Diræ) eram personificações da vingança, semelhantes a Nêmeses. Enquanto Nêmeses punia os deuses, as Erínias puniam os mortais. Eram Tisífone (Castigo), Megera (Rancor) e Alecto (Interminável).
Viviam nas profundezas do tártaro, onde torturavam as almas pecadoras julgadas por Hades e Perséfone. Nasceram das gotas do sangue que caíram sobre Gaia quando o deus Urano foi castrado por Cronos. Pavorosas, possuíam asas de morcego e cabelo de serpente.
As Erínias, deusas encarregadas de castigar os crimes, especialmente os delitos de sangue, são também chamadas Eumênides, que em grego significa as bondosas ou as Benevolentes, eufemismo usado para evitar pronunciar o seu verdadeiro nome, por medo de atrair sobre si a sua cólera. Em Atenas, usava-se como eufemismo a expressão Semnai Theai, ou deusas veneradas.
Na versão de Ésquilo, as Erínias são filhas da deusa Nix, da noite.
Supunha-se elas serem muitas, mas na peça de Ésquilo elas são apenas três, que encarregavam-se da vingança e habitam, segundo as versões, o Érebo ou o Tártaro, o infra mundo, onde descansam até que são de novo reclamadas na Terra.

Os seus nomes são:
Alecto, (a implacável), eternamente encolerizada. Encarrega-se de castigar os delitos morais como a ira, a cólera, a soberba, etc. Tem um papel muito similar ao da Deusa Nêmesis, com diferença de que esta se ocupa do referente aos deuses, Alecto tem uma dimensão mais "terrena". Alecto é a Erínia que espalha pestes e maldições. Seguia o infrator sem parar, ameaçando-o com fachos acesos, não o deixando dormir em paz.

Megaira, que personifica o rancor, a inveja, a cobiça e o ciúme. Castiga principalmente os delitos contra o matrimônio, em especial a infidelidade. É a Erínia que persegue com a maior sanha, fazendo a vítima fugir eternamente.Terceira das fúrias de Ésquilo, grita ininterruptamente nos ouvidos do criminoso, lembrando-lhe das faltas que cometera.

Tisífone, a vingadora dos assassinatos (patricídio, fratricídio, homicídio…). "É a Erínia que açoita os culpados e enlouquece-os."
As Erínias são divindades ctónicas presentes desde as origens do mundo, e apesar de terem poder sobre os deuses, não estando submetidas à autoridade de Zeus, vivem às margens do Olimpo, graças à rejeição natural que os deuses sentem por elas (e é com pesar que as toleram, pois devem fazê-lo). Por outro lado, os homens têm-lhe pânico, e fogem delas. Esta marginalidade e a sua necessidade de reconhecimento são o que, segundo conta Ésquilo, as Erínias acabam aceitando o veredicto de Atena, passando mesmo por cima da sua inesgotável sede de vingança.
Eram forças primitivas da natureza que atuavam como vingadoras do crime, reclamando com insistência o sangue parental derramado, só se satisfazendo com a morte violenta do homicida. Porém, posto que o castigo final dos crimes é um poder que não corresponde aos homens (por mais horríveis que sejam), estas três irmãs se encarregavam do castigo dos criminosos, perseguindo-os incansavelmente até mesmo no mundo dos mortos, pois seu campo de ação não tem limites. As Erínias são convocadas pela maldição lançada por alguém que clama vingança. São deusas justas, porém implacáveis, e não se deixam abrandar por sacrifícios nem suplícios de nenhum tipo. Não levam em conta atenuantes e castigam toda ofensa contra a sociedade e a natureza, como por exemplo, o perjúrio, a violação dos rituais de hospitalidade e, sobretudo, os assassinatos e crimes contra a família.
As Erínias são representadas normalmente como mulheres aladas de aspecto terrível, com olhos que escorrem sangue no lugar de lágrimas e madeixas trançadas de serpentes, estando muitas vezes acompanhadas por muitos destes animais.Aparecem sempre empunhando chicotes e tochas acesas, correndo atrás dos infratores dos preceitos morais.
Na Antiguidade, sacrificavam-lhes carneiros negros, assim como libações de nephalia (νηφάλια), ou hidromel.
Existe na Arcádia um lugar em que se atopam dois santuários consagrados às Erínias. Num deles, elas recebem o nome de Maniai (Μανίαι, as que volvem todos). Neste lugar, segundo a lenda relatada por Ésquilo na sua tragédia As Eumênides, perseguem a Orestes pela primeira vez, vestidas de negro. Perto dali, e segundo conta Pausânias, apontava-se outro santuário onde o seu culto associava-se ao das Cárites, deusas do perdão. Neste santuário purificaram a Orestes, vestidas completamente de branco. Orestes, uma vez curado e perdoado, aplicou um sacrifício expiatório às Maniai.

Fonte:

P.Commelin, Mitologia Grega Romana.

Tassilo Orpheu Spalding - Dicionário de Mitologia Greco-Latina

Wikipedia.

TANATOS (A MORTE)

“Na mitologia grega, Tanatos era a própria personificação da morte, enquanto Hades (Plutão) reinava sobre os mortos no submundo.

Tanatos era irmão gêmeo de Hipnos, o Sono e filho de Nix, a Noite e Érebo, as trevas.

Inimigo do gênero humano, odioso mesmo aos deuses, morava no Tártaro, ou conforme outras versões, tinha como habitação a porta dos Infernos. Hércules o amarrou com laços de diamantes quando foi libertar Alceste, primogênita de Pélios e mulher de Admeto, rei de Feres. Mas, segundo outros relatos, Febo (Apolo) conseguira das Parcas que estas poupassem a vida de Admeto se alguém quisesse morrer em seu lugar; Alceste ofereceu-se para isso, e esta sua dedicação comoveu Proserpina, esposa de Hades (Plutão), que a libertou.

Tanatos teria coração de ferro e entranhas de bronze. Os gregos representavam-no com a figura de uma criança de cor preta, com os pés tortos, acariciada pela Noite, ou, ainda, com o rosto desfeito e emagrecido, coberto por um véu, os olhos fechados e com uma foice na mão. Esse atributo parece significar que os homens são ceifados em multidão, como as flores e as ervas efêmeras, e além da foice, asas e um facho em queda, uma urna e uma borboleta. As asas indicariam a velocidade com que se aproxima dos mortais; o facho em queda, a extinção de uma etapa de realizações; a urna, tanto o segredo de pós-morte quanto o resíduo da vida (o corpo); e a borboleta, a alma.

Tanatos tem um pequeno papel na mitologia, sendo eclipsado por Hades (Plutão). Na nomenclatura psicanalítica de Freud, Tanatos é o conjunto dos instintos de morte, um impulso urgente e inconsciente de morrer, contrapondo-se a Eros, o instinto de vida. Em Roma era chamado de Orco, sendo provável que encarnasse a divindade infernal que castigava os perjuros, ou até mesmo que fosse uma primitiva divindade romana identificada mais tarde com Plutão. Era uma espécie de anjo da morte que assassinava os moribundos, supondo-se que o dia do seu aniversário, o quinto de cada mês, fosse infausto.

O culto a esse deus era ainda expresso por diversas outras manifestações na vida cotidiana dos romanos. Em tradições européias posteriores, derivadas diretamente da lenda romana, Orco, também conhecido como Horco, transformou-se num espírito da floresta, devorador de pessoas.”

FERNANDO KITZINGER DANNEMANN

http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=384244

SUPLÍCIOS DOS CONDENADOS:

Os criminosos mais conhecidos são:

TÍTIO:

Personagem da Mitologia grega. Filho da Terra, cujo corpo estendido cobria 990 metros quadrados, tentou desonrar Latona, um dia em que ela atravessava os campos de Panope, na fócida, para ir a Pito, Delfos. Foi morto por Apolo e Diana, a flechadas e foi precipitado n o Tártaro, onde um insaciável abutre lhe comia as entranhas em atrozes dores, suas entranhas durante a noite renasciam, para seu eterno suplício.

TÂNTALO:

Na mitologia grega, Tântalo foi um mitológico rei da Frígia ou da Lídia, casado com Dione. Ele era filho de Zeus e da princesa Plota. Segundo outras versões, Tântalo era filho do Rei Tmolo da Lídia (deus associado à montanha de mesmo nome). Teve três filhos: Níobe, Dascilo e Pélope. Certa vez, ousando testar a omnisciência dos deuses, roubou os manjares divinos e serviu-lhes a carne do próprio filho Pélope num festim.

Como castigo foi lançado ao Tártaro, onde, num vale abundante em vegetação e água, foi sentenciado a não poder saciar sua fome e sede, visto que, ao aproximar-se da água esta escoava e ao erguer-se para colher os frutos das árvores, os ramos moviam-se para longe de seu alcance sob força do vento.

A expressão suplício de Tântalo refere-se ao sofrimento daquele que deseja algo aparentemente próximo, porém, inalcançável, a exemplo do ditado popular "Tão perto e, ainda assim, tão longe".
Houve outros personagens com o nome Tântalo: um rei de Pisa no Peloponeso, um dos filhos de Tiestes e primeiro marido de Clitemnestra.
O nome Tântalo aparece no Canto XI da Odisseia de Homero, nos versos 582-592.

SÍSIFO:

Na mitologia grega, Sísifo, filho do rei Éolo, da Tessália, e Enarete, era considerado o mais astuto de todos os mortais. Foi o fundador e primeiro rei de Ephyra, depois chamada Corinto, onde governou por diversos anos. Casou-se com Mérope, filha de Atlas, sendo pai de Glauco e avô de Belerofonte.

A história de Sísifo

Mestre da malícia e dos truques, ele entrou para a tradição como um dos maiores ofensores dos deuses. Sísifo casou-se com Mérope, uma das sete Plêiades, tendo com ela um filho, Glauco.

Certa vez, uma grande águia sobrevoou sua cidade, levando nas garras uma bela jovem. Sísifo reconheceu a jovem Egina, filha de Asopo, um deus-rio, e viu a águia como sendo uma das metamorfoses de Zeus. Mais tarde, o velho Asopo veio perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual seria seu destino.

Sísifo logo fez um acordo: em troca de uma fonte de água para sua cidade ele contaria o paradeiro da filha. O acordo foi feito e a fonte presenteada recebeu o nome de Pirene e foi consagrada às Musas.

Assim, ele despertou a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da Morte, Tânatos, para levá-lo ao mundo subterrâneo. Porém o esperto Sísifo conseguiu enganar o enviado de Zeus. Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu pescoço com um colar. O colar, na verdade, não passava de uma coleira, com a qual Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu driblar seu destino.

Durante um tempo não morreu mais ninguém. Sísifo soube enganar a Morte, mas arrumou novas encrencas. Desta vez com Hades, o deus dos mortos, e com Ares, o deus da guerra, que precisava dos préstimos da Morte para consumar as batalhas.

Tão logo teve conhecimento, Hades libertou Tânatos e ordenou-lhe que trouxesse Sísifo imediatamente para os Infernos. Quando Sísifo se despediu de sua mulher, teve o cuidado de pedir secretamente que ela não enterrasse seu corpo.

Já no inferno, Sísifo reclamou com Hades da falta de respeito de sua esposa em não o enterrar. Então suplicou por mais um dia de prazo, para se vingar da mulher ingrata e cumprir os rituais fúnebres. Hades lhe concedeu o pedido. Sísifo então retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia enganado a Morte pela segunda vez.

Outra história a respeito de Sísifo trata do ocorrido quando Autólico, o mais esperto e bem-sucedido ladrão da Grécia (que era filho de Hermes e vizinho de Sísifo), tentou roubar-lhe o gado. Autólico mudava a cor dos animais. As reses desapareciam sistematicamente sem que se encontrasse o menor sinal do ladrão, porém Sísifo começou a desconfiar de algo, pois o rebanho de Autólico aumentava à medida que o seu diminuía. Sísifo, um homem letrado (teria sido um dos primeiros gregos a dominar a escrita), teve a idéia de marcar os cascos de seus animais com sinais de modo que, à medida que a res se afastava do curral, aparecia no chão a frase "Autólico me roubou". Posteriormente, Sísifo e Autólico fizeram as pazes e se tornaram amigos.

Sísifo morreu de velhice e Zeus enviou Hermes para conduzir sua alma ao Hades. No Hades, Sísifo foi considerado um grande rebelde e teve um castigo, juntamente com Prometeu, Títio, Tântalo e Ixíon.

Por toda a eternidade Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível. Por esse motivo, a tarefa que envolve esforços inúteis passou a ser chamada "Trabalho de Sísifo".

Trabalho de Sísifo

Sísifo tornou-se conhecido por executar um trabalho rotineiro e cansativo. Tratava-se de um castigo para mostrar-lhe que os mortais não têm a liberdade dos deuses. Os mortais têm a liberdade de escolha, devendo, pois, concentrar-se nos afazeres da vida cotidiana, vivendo-a em sua plenitude, tornando-se criativos na repetição e na monotonia.

ÍXION:

Íxion figura entre os três maiores vilões da mitologia grega, ao lado de Sísifo e Tântalo. Tanto a culpa de Tântalo quanto a justiça no castigo de Sísifo são questionáveis, contudo, não há argumentos capazes de defender Íxion.

Íxion, filho de Flégias, descendente do Deus-Rio Peneu foi rei dos lápidas, um povo que habitava a Tessália, próximo aos montes Pélios e Ossa. Tendo-se apaixonado por Dia, filha de Dioneu, prometeu-lhe seus cavalos em troca da mão de sua filha. Após o casamento, Íxion negou ao seu sogro os cavalos que lhe havia prometido, ao que este reagiu com a tomada à força do que lhe era devido, fazendo com que Íxion jurasse vingança. Não tendo conseguido decidir entre a morte e o sofrimento para seu sogro, Íxion optou por ambos: construiu uma câmara incendiária e camuflou-a em sua casa como um cômodo. Dioneu, tendo aceitado um convite de Íxion para uma reconciliação dirigiu-se à casa deste e caiu em sua armadilha. Enquanto era incinerado, seus gritos de desespero levaram Íxion ao arrependimento, mas era tarde. Ao abrir a porta da câmara, Íxion se deparou com o corpo carbonizado de seu sogro.

Após seu crime, o remorso fez com que Íxion enlouquecesse, e sua loucura o fez errar pelo mundo como mendigo. A única maneira de recobrar a sanidade seria submetendo-se a uma purificação para a expiação do crime, porém ninguém conhecia o ritual próprio para o caso, já que nunca antes ninguém havia assassinado um membro de sua própria família.

Ao ver o sofrimento de Íxion, Zeus apiedou-se.

Restitui-lhe a sanidade e convidou-o a partilhar do banquete dos Deuses, convite que foi prontamente aceito pelo mortal. Tendo-se embriagado pelo néctar, Íxion passou a assediar a esposa de seu anfitrião, a própria Hera Cronida. Esta, ao perceber as intenções do visitante alertou seu esposo a respeito das intenções de seu convidado. Ao que parece Zeus encontrava-se com um bom-humor anormal neste dia, pois, em lugar de irritar-se, acho divertida a situação, e para testar seu hóspede forjou um simulacro de sua própria esposa usando uma nuvem, e deixou-a a sós com Íxion, que a possuiu. Desse conúbio nasceu a raça dos Centauros, metade homens, metade cavalos. Todos os Centauros são descendentes de Íxion, exceto Kíron (preceptor de Achiles entre outros) e Folo.

Após ter possuído Néfele crendo ser esta Hera, Íxion despediu-se dos Deuses e voltou para a Terra e, tendo chegado, divulgou para os primeiros mortais que encontrou que havia possuído a esposa do próprio Zeus.

Este, enfim, irritou-se ao ver a possibilidade de angariar a fama de ter sido traído por um mortal. Imediatamente Íxion foi fulminado por um raio e lançado no Tártaro, onde foi preso a uma roda em chamas e condenado a nela girar pela eternidade.

Fonte:

P.Commelin, Mitologia Grega Romana.

Tassilo Orpheu Spalding - Dicionário de Mitologia Greco-Latina

Wikipedia.

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