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28 de mar de 2011

Mitologia Azteca

Texto: Lara Moncay

Começamos por tentar resumir a mitologia mais barroca de América do Norte, a azteca, centrando-nos unicamente na descrição dos grandes deuses do seu panteão, dada a grande variedade de divindades menores, inclusive de outras muitas importadas de religiões que foram assimiladas juntamente com as vitórias territoriais. Em princípio, segundo o mito geral de América Central, e em particular o azteca, a criação do Universo se deve ao sacrifício de um deus, Ometeotl ("deus duplo"), ou Nanahuatzin, que, nessa constante sacralização do sacrifício, se transforma (Nanahuatzin está vinculado ao fogo) para dar-nos a construção do nosso mundo. Um mundo que também se constrói, por vontade de Ometeotl, a partir do seu sacrifício, engendrando na sua desaparição os quatros Tezcatlipocas. Com eles se vão sucedendo as quatro idades.

Ometeotl

A primeira, quando o primeiro Tezcatlipoca se converte no Sol e faz nascer à humanidade; mas esse mundo termina, devido ao confronto entre os quatros Tezcatlipoca, com a destruição do Universo por Quetzalcóatl, através do dilúvio, com uma humanidade transformada nos peixes que habitaram nas águas vindas do céu. Depois se estabelece a idade dos gigantes, mas esta era termina com a queda do céu; na terceira idade, o fogo celestial arrasou a superfície do mundo; na quarta e última idade, o vento arrasou de novo a superfície terrestre e os humanos se transformam em símios. Após essa quarta idade, no mito nauatl, nascem de novo os homens numa terra também renovada, ao mesmo tempo em que os deuses saem do nosso mundo para ir para o dos mortos e deixar-nos viver sem o perigo das suas rivalidades. Naturalmente, há diversas versões do mito da criação, alguma delas com três idades (os homens de argila, os de madeira e os de milho) e outra com cinco idades, mas todas elas coincidem em apontar que o nosso mundo conheceu muitas mutações e que outras nos esperam no final de cada tempo, sob o olhar atento do deus principal, Huitzilopochtl.

Um Pouco de História

Para situar melhor o contexto histórico da cultura Azteca, digamos que os aztecas, um povo nahua, tinham chegado ao vale de México vindo do norte, mas sem que se possa precisar a sua origem, e fundam México em 1.324, a sua capital, sendo, pois, a última das grandes civilizações que se instalam na zona e posteriores aos toltecas, que desalojam no poder, e os milenários maias, embora o seu império se desmorone completamente em 1.521, enquanto os maias continuariam em pé durante outros cento e oitenta anos, depois de terem existido durante mais de dois mil e quinhentos anos. A sociedade Azteca estava estratificada em classes, duas superiores (sacerdotes e guerreiros), intermédias (comerciantes, dos camponeses e povo) e a inferior (os escravos).

A terra era propriedade de todos, embora os teocalli ou templos tivessem as suas próprias terras, as teotlalpan (terras dos deuses) e os clãs eram a única forma de se transmitir e manter o poder, embora a grande maioria residisse na imensa legião de sacerdotes (um milhão, segundo os cronistas) que se ocupavam dos quarenta mil templos abertos em todo o império Azteca, e aos quais havia que pagar tributo, entregar as primícias da terra e prestar trabalho obrigatório. Além de servir as necessidades de tão vasta igreja, os produtos guardados nos celeiros e nos silos também serviam para ajudar a povoação em épocas de escassez. Por sua parte, os reis aztecas procuravam que a maior parte destas obrigações para com a religião e para com a sua própria corte fosse por conta dos povos conquistados, aliviando assim a sua gente, ao mesmo tempo em que se favoreceria o militarismo da casta guerreira, apresentado como uma vantagem para o povo devido à permanente conquista de territórios e à aliança com os povos fronteiriços.

A Morte no Centro da Vida

O mito Azteca, como todos os mitos da América Central, girava ao redor da morte; a sua religião exigia sacrifícios de sangue e se movia ao redor de uma plêiade de divindades da morte e de muitas outras entidades menores e terríveis. Sobre todas essas criaturas do tenebroso mito infernal regiam, a partir do nono círculo, o mais recôndito do universo escuro de Chicnaujmichtla, os esposos Mictlantecuhli e Mictecacihualtl.

O Universo estava composto por uma série de planos paralelos, que iam dos nove, ou treze, exteriores, onde residiam os deuses (nos planos superiores) de planetas e astros que se veem no firmamento, passando pelos céus e suas cores.

Sob o plano do nosso mundo, debaixo desse disco que está no centro do Universo (rodeado por água em toda a sua periferia), se sucediam os planos paralelos, que aqui somavam nove, terminando no inferno para o qual iam as almas dos seres anônimos. Esse caminho durava quatro anos através de duras provas às quais eram submetidas às almas que não foram escolhidas por Huitzilopochtl, o grande deus supremo e divindade do Sol, que só se preocupava da morte dos seus escolhidos, os guerreiros. Ou ainda, aqueles que não foram escolhidos por Tlaloc, o deus das chuvas e a água, a quem correspondia os que tinham morrido pelas águas exteriores do céu e da terra, pelas tempestades e pelos raios, e por causa de doenças relacionadas com as "águas" interiores do corpo humano, numa estranha assimilação da gota e da hidropisia à água das nuvens, dos mares e dos rios.

O nosso mundo, como os céus situados sob os deuses, tem quatro cores que situam nas suas quatro partes componentes: diante do preto do país da morte, situado ao Norte, está o azul, que corresponde ao país do Sul; diante do levante de cor branca, está o poente de cor vermelha.

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