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28 de mar de 2011

Mitologia Egípcia

Texto: Lara Moncay

A principal característica da mitologia egípcia, no seu contexto histórico, é a procura de uma ideia central que dê sentido à multidão de divindades regionais, locais, aos muitos seres celestiais e terrenos, aos animais divinizados; em resumo, trata-se do primeiro grande esforço do Ocidente por achar uma razão externa e superior, a primeira tentativa para alcançar uma fórmula que explique os mistérios e seja a unificadora de todas as crenças tradicionais. Para os egípcios, estava claro que o ciclo anual do Nilo com suas enchentes era a base da sua existência e a partir dessa deram o trono ao sol, princípio e fim de cada dia, de cada ciclo anual, sob as denominações de Rá, Aton ou Amon.

Os Mitos do Egito – Origem

Como em todas as civilizações antigas, a cosmogonia ocupa a primeira parte dos textos sagrados egípcios. Para os egípcios, como para o resto das grandes religiões, a criação do Universo faz-se de um único ato da vontade suprema, a partir do nada, da escuridão, do caos original. O seu criador chama-se Áton (Num ou Atum) e era o espírito primogênito, um indefinido ser. Nun foi o berço espiritual, da primeira força em que tomariam forma os novos espíritos, os dois primeiros filhos divinos nasceram com corpos de humanos e cabeças de leão. Tefnut, passional e emotiva tornou-se a deusa das águas que caem na terra, da umidade. Shu, o prático, a mente, o deus do ar. Juntos ficavam na areia sentados sob os tornozelos como esfinges de olhos dourados, fitando direções opostas com as caudas entrelaçadas guardando as entradas para o mundo.

Também Shu e Tefnut vão continuar a obra iniciada por Áton, criando da sua união, outros dois novos filhos. A filha, de nome Nut, era a aurora e o anoitecer, o céu. O filho, Geb, era a força vital e passional da Terra. Eles eram um par de amantes divinos; toda emoção sentida por Geb era também sentida por Nut. Os dois deitavam-se juntos como se fossem um só, num abraço tão longo quanto a eternidade.

Um par de filhos foram os frutos dessa união celestial; o primeiro nasceu na aurora e recebeu o nome de Rá, a criança dourada, o nobre Sol. A segunda nasceu no anoitecer e recebeu o nome de Toth, o deus escriba, a Lua. As duas crianças projetavam luzes sobre os seus pais, que finalmente puderam ver os seus corpos, que antes só haviam tocado e sentido. Logo Nut estaria novamente grávida.

À medida que crescia a barriga da mãe céu, crescia igualmente o ciúme e a irritação do primogênito Rá, que, confiando na força de seu avô Shu, pediu ao deus do ar que erguesse Nut, afastando-a cada vez mais de seu amado irmão Geb, podendo vê-lo, mas incapaz de tocá-lo, exceto nas bordas do horizonte, onde os dedos das mãos e dos pés roçavam a Terra.

REMIT – A Criação da Humanidade

Rá, que havia criado o dia e a noite, a duração dos meses e do ano egípcio decreta, então, que ele poderia criar de si mesmo, seus filhos e filhas, qual chamaria de Remit (humanidade), e povoaria toda a Terra com eles, e mais ninguém, além da Remit, nasceria em qualquer dia ou noite do seu ano.

Os filhos de Rá eram como sementes que caem no chão, e assim como as sementes podiam ser boas ou más. Levadas pelo vento até os confins do mundo, criaram raízes, prosperaram e cresceram como ervas silvestres. Não podiam ser contidas.

Enquanto isso anos, séculos ou até milênios se passaram. E impossível dizer quanto tempo os irmãos e irmãs de Rá, permaneceram, em gestação, no ventre escuro da Mãe-Céu Nut. Lá estava Osíris, deus da fecundidade, a divindade que representa e sustenta a continuidade da natureza; ele é quem faz nascer a semente, quem a amadurece e quem prepara os campos; Osíris é o princípio da própria vida. Lá estava Ísis a irmã e esposa de Osíris. Ísis reinará em igualdade sobre o extenso domínio do Nilo, em perfeita harmonia com o seu irmão, formando o casal positivo do binômio. Se Osíris se encarrega de proporcionar a vida aos humanos, Ísis está sempre à frente, após a invenção de todas as artes necessárias para desenvolver a vida, desde a moagem do grão até as complexas regras e leis da vida familiar. Lá estava Neftis, a segunda irmã e a menor de todos, não podia ter a sorte de Ísis, a sorte de ser esposa do bom e belo Osíris; por isso Neftis ficou à margem da felicidade; também por isso era a representação do resto do país útil, a deusa das terras menos felizes, as terras secas junto dos campos de cultivo. Lá estava Seth, o segundo homem e o terceiro dos filhos, é a criatura que pressagiou o seu destino ao nascer prematuramente, dado que abriu o ventre da sua mãe Nut, fazendo-a sofrer cruelmente; Set é o deus da maldade, o espírito negativo e o representante do deserto sem vida, a personificação da morte.

O Nascimento dos Deuses

Em algum lugar do Céu ou da Terra, a sutil Lua, Toth, jogou infindáveis partidas de damas com arrogante irmão Rá, o Sol, deixando ganhar a maioria dos jogos, porem Toth era um jogador habilidoso e durante um certo tempo apostou e ganhou cinco dias da luminosidade do Sol. O deus Lua recolheu os seus ganhos.

Então os quatro deuses e deusas gerados pela Mãe Céu reuniram-se tirando a sorte para ver quem deveria nascer primeiro. Osíris concordou em sair primeiro e fazer as pazes com Rá, que havia impedido-os de nascer, juntando forças com o Sol para reavivar a Terra e devolver ao Nilo sua abundância. Mas Seth queria nascer primeiro e lutar contra Rá.

Nasceu então Osíris, o primeiro deus-homem. Sua força era silenciosa; o saber sutil. Por onde ele passava, as rochas secas se fendiam e a água fluía pelo chão. Então, deformado pela ira, Seth rompeu a barriga de sua mãe, Nut, e caiu no chão. Tinha a cabeça de asno e seu nobre coração endureceu como um bloco de ferro.

No dia do nascimento de Seth, Rá enviou um vendaval cheio de fúria e arreia. Seth transformou-se numa áspide e, coleando, entrou pela greta de alguma rocha do deserto, esperando a tempestade passar. No terceiro dia, cessou o vendaval e então Ísis atravessou o portal do tempo, deixando Néftis sozinha na escuridão esperando pelo seu parto. No quarto dia, a deusa Néftis nasceu cercada de uma cortina de mistério. Dizem que na noite de seu nascimento os lobos uivaram e as rãs, engolindo o ar, saltaram das profundezas do rio. Diziam que a deusa trazia às Terras do Egito a verdade, mas a verdade só podia ser vislumbrada em sonhos. A partir desses modelos de deuses-homens e deusas-mulheres, foi feito o mundo. E os deuses chamaram essa Terra de Kemit.

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