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8 de abr de 2011

As Musas

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Para todo povo há entidades intermediárias, às vezes são os próprios deuses, outras semideuses. As Musas, habitantes do Olimpo, são deusas.

Filhas de Zeus e Mnemósine, sua quinta esposa, com a qual se uniu sob a aparência de um pastor, foram engendradas em nove noites distintas, longe dos demais imortais, com o objeto de que tivesse quem celebrasse a vitória dos Olímpicos sobre os Titãs.

Deusas da Memória (do céu) e da inspiração poética, atribui-se-lhes o poder de dar os nomes convenientes a todos os seres. Guardiãs do oráculo de Delfos, dizem “o que é, o que será e o que foi”.

Ainda que tenham nascido no morro Pierio, e ainda que visitem o Olimpo, onde alegram as festas dos imortais com seus cantos com que fazem resplandecer o palácio de seu pai, gostam de se reunir no cume do monte Helicão, de onde se aproximam na noite até a morada dos homens, que podem ouvir assim, na quietude, a melodia de suas vozes. Elas comunicam também aos olímpicos os males e sofrimentos destes, o canto de cuja criação é uma alegria para Zeus.

Estas entidades femininas, capazes de tomar indefinidas formas, e de não as tomar, e de revelar aos homens –se assim elas o desejarem–, seja através da harmonia daquelas, ou mediante o ritmo e o número, ou diretamente de sua própria voz, os mistérios da geração dos deuses, da ordem da Cosmogonia, das façanhas dos heróis em procura do céu e da cosmificação da terra, têm o poder de transformar a realidade, pois a audição de seus cantos faz do sensível símbolo da harmonia da Alma do mundo, manifestação e imagem do deus polar, Apolo.

Elas unem o homem com o sagrado porque estão diretamente vinculadas com o segredo e a harmonia da Criação (Cosmogonia) que revelam na alma humana, onde a reproduzem (poiésis = criação), e que conduzem assim ao pé do eixo que une os mundos, simbolizado na fonte, na pedra, na azinheira1, que aparecem no começo do canto de Hesíodo, a Teogonia. Como no Museu, onde se acham os produtos daquela audição e, portanto, da Memória, ao abrir um livro inspirado se abre também seu templo, ou mansão.

Ainda que apareçam como virgens, algumas tiveram filhos com deuses e homens; no entanto os destinos desta descendência assinala como o verdadeiro fim a geração espiritual, supracósmica, às vezes de forma trágica, como é o caso de Lino, filho de Urânia e de um mortal, ou, segundo alguns, de Apolo e Calíope –ou Terpsícore–, a quem este matou ao ser desafiado no canto; outras, como exclusiva geração do amor, como o de Himeneo, nascido da união de Apolo e Calíope.

Sendo ao começo três, quando nos tempos arcaicos, seu número ficou fixado em nove segundo a Teogonia de Hesíodo, a quem elas mesmas a revelaram, e seus próprios nomes estão unidos a sua função:

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Clío: que preside a História, e que canta a “glória” dos homens e a “celebração” dos deuses, sendo seus atributos a trombeta heroica e a clepsidra.

Eutherpe: “a que sabe agradar”, e que preside a música de flauta e outros instrumentos de sopro.

Thalía: a comédia, “a que traz flores”, ou “a que floresce”, nome também de uma das três Graças, representada com a máscara da comédia e o bastão de pastor.

Melpómene: a tragédia, a que canta “o que merece ser cantado”, representada com a máscara trágica e a clava de Hércules.

Terpsícore: a música em geral e a dança, a que “ama a dança”, cujo atributo é a cítara.

Erato: a poesia lírica e os cantos sagrados, acompanhada pela lira e o arco, cujo nome procede de Eros, o primeiro deus que apareceu após Gea, nascida de Caos e geradora dos demais deuses.

Polimnia: a arte mímica, a que inspira a união dos “múltiplos hinos”, e se vinculam a ela a retórica, a eloquência, a persuasão, representando-a com um dedo nos lábios.

Urânia: a “celeste”, a astronomia, a contemplação da harmonia do céu, representada com um trípode junto a ela.

Calíope: a poesia épica, a de voz “mais bela” ou “verdadeira”, a que reproduz a imagem do som primordial que se ouve no centro de todo ser, e que só depois de determinado estádio do ciclo se acha na cúspide da Montanha (Helicão), que deve ascender aquele que realiza o caminho de retorno, haja vista que o Olimpo é o lugar dos deuses imortais (os estados supra-individuais do ser), montanha celeste à qual elas mesmas se dirigem desde a anterior, após ter presenteado os homens, enquanto deixam ouvir depois de si um “encantador som que surge de seus passos”.

1 N.T. – Azinheira = Quercus ilex – Árvore de até 27 metros, de copa ovoide ou arredondada. Ritidoma não suberoso e escamoso-gretado. Ramos principais eretos. Raminhos estreitos e tomentosos. Folhas persistentes, orbiculares. As juvenis são serradas, as adultas são inteiras. Bolotas de maturação anual, aquénios e cúpula, com escamas imbricadas mais ou menos aplicadas e tomentosas.

Artigo por: Deldebbio em 20/10/2009
Imagens: Deviantar

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