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16 de abr de 2011

Mitologia Esquimó e Sedna

Por Daniel Silva (2007); fonte: Templo do Conhecimento

O círculo polar ártico é uma terra inóspita e impossível de cultivar; o povo vive da caça dos animais nativos, como focas e peixes, para sobreviver, ou da limitada fauna terrestre, como a de ursos e, até mesmo, cães.
Sua mitologia é profundamente animista, ligada aos espíritos da natureza, o que não é de se espantar; todos os animais sejam os terrestres, sejam os marinhos desempenham uma função importante na mitologia, como espíritos. Para contatar esses espíritos surge a figura do Xamã, que seria uma mistura de médico/sacerdote/mágico, que conhece todos os segredos do mundo dos espíritos. Em sociedades muito ligadas a natureza, a figura do xamã, apesar de diferenciada, apresenta notáveis semelhanças. Assim, o Pajé das tribos brasileiras e um xamã Inuit podem ser muito similares. A caça é antes de tudo um ser que permite que a humanidade sobreviva, e como tal é digna de homenagens e respeito. Se isso não ocorrer, pode vir a faltar, no futuro.
A comunicação espiritual pode ser realizada de muitas formas, seja indo a locais determinados, como ilhas ou zonas de caça, ou certos postes e fogueiras que são sagrados. Um objeto comum a esses xamãs seriam suas bolsas de pele de foca, ou suas máscaras de madeira representando os espíritos, chamadas inuas, que representam o espírito de algo: rochas, animais, plantas, etc. Todo o viajante deve fazer homenagens diante de uma inua.
Há muitas histórias envolvendo esses seres. Em uma delas, uma mulher de um caçador tem um caso com um Urso Polar. O marido sentiu o cheiro de urso em seu iglu, e fez a mulher confessar o malfeito, descobrindo onde o urso morava. Quando o caçador apareceu, o animal escapou, e irritado, decidiu punir a mulher, destruindo o iglu com ela lá dentro. No meio do caminho, já mais calmo, mudou de ideia, perdoou a mulher e empreendeu uma busca pelo verdadeiro amor.
Outra história curiosa, da Sibéria, é sobre a orça Akhlut, um dos espíritos mais terríveis espíritos. Ela costuma se metamorfosear em lobo, e, com essa aparência, vaga pela região, matando e devorando pessoas e animais. Depois de saciar sua fome e sede de sangue, ela retorna ao mar e a forma de baleia orça, e quando veem pegadas de lobo, os inuits sabem que Akhlut andou caçando.
Certos fenômenos típicos da região despertam um forte interesse, como a bela e misteriosa aurora boreal. Uns dizem que são os espíritos dos mortos dançando; outros, geralmente caçadores, acham que é o Homem das Luzes polares atirando flechas, para anunciar que a caça está chegando.
Também a lua é venerada, como Igaluk, um ser masculino. Conta-se que, uma vez humano, dormiu, sem o desejar, com sua irmã. Ao acordarem e ver o que fizeram, ambos sentiram vergonha, e decidiram deixar a terra, e não mais se verem; ele converteu-se na lua, ela, no sol. Igaluk é geralmente representado em pequenas esculturas de madeira, com penas para representar as estrelas, madeira clara para o ar, e madeira mais escura para a face da lua. É uma divindade que zela pelos humanos, controlando as marés e as estações do ano. É também conhecido como Homem da Lua.

De todos os espíritos, há um que merece um certo destaque, pela veneração que o povo da região lhe destina, como pela história, um tanto quanto análoga a do Homem da Lua: é a Mulher do Mar, a Mãe de Todos os Animais Marinhos, Sedna.
Sedna teria sido uma mulher humana de grande beleza que vivia sozinha, enfrentando muitas dificuldades para se manter. Apesar dos muitos pretendentes que a desejavam como esposa, e que poderiam dar a ela uma vida melhor, ela não desejava casar-se por alguém que não amasse. Por isso, todos eram rejeitados.
Mas o amor veio a chegar no coração de Sedna, e ala apaixonou-se por um cão! Isso desagradou ao povo, principalmente aos rejeitados, que disseram que isso traria azar, e não era natural. Eles, então, levaram-na para uma canoa, e, no mar, empurraram a jovem. Ela segurou-se na borda da embarcação, mas os jovens, cruelmente, cortaram fora os dedos da jovem.
O prodígio foi que, quando os dedos caíram no mar, eles transmutaram-se em animais marinhos, como focas e leões do mar. Sedna chegou ao fundo do mar e converteu-se em deusa dos animais marinhos, assim como em deusa de fúria, devido ao tratamento que lhe foi impingido. É adorada, pois se de bom humor fornece os alimentos, mas se desrespeitada ela guarda rancor, e prende os animais marinhos no fundo do mar, para que a humanidade morra de fome.
Os pecados e tolices da humanidade se juntam à sujeira nos longos cabelos lodosos de Sedna, que ela não pode pentear nem fazer tranças porque não é dotada de dedos. O xamã devem, portanto, mergulhar até a morada de Sedna, no mais profundo do mar, e passar por vários animais guardiões, como baleias e leões marinhos, e um enorme cão preto. Só depois de passar por esses animais é que ele chega a Mulher do Mar. Nesse caso, para aplacar sua ira, ele deve pentear os grossos cabelos dela, limpando e desembaraçando as mechas, arrumando-as em duas grossas tranças. Grata a isso, Sedna deixa que os pecados afundem no mar, e solta os animais para que o povo não morra de fome.

É natural uma associação de Sedna com seres marinhos de outras mitologias, como as sereias. Porém essa semelhança é de natureza muito superficial, pois lá elas são danosas à humanidade, além de nativas do mar; aqui Sedna é uma divindade fundamentalmente boa, ainda que até certo ponto rancorosa, e não é nativa do mar, mas do meio dos homens. A metáfora de transcender as dificuldades, como fazem a mulher do mar e o homem da lua podem ser identificadas com a de transcender o ambiente hostil em que vivem os esquimós.

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