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16 de abr de 2011

Panteão Hindu

Traduzido e Adaptado por Rafael Brito (2007); fonte: Templo do Conhecimento

Seguindo os ensinamentos da própria Mitologia Hindu, o nome do deus Ganesha deve ser chamado antes de qualquer trabalho. Assim sendo, iniciaremos essa nova seção mitológica falando sobre esse importante deus hindu.

Ganesha – O deus que remove os obstáculos

Ganesha é o mais cultuado deus hindu. Seu nome é invocado antes de qualquer trabalho ou empreendimento, pois ele é considerado o deus que remove os obstáculos (vignam), sendo também conhecido como Vigneshwara.
Ele possui uma cabeça de elefante e quatro braços. Ganesha tem uma enorme barriga e adora doces e frutas. Em torno de sua barriga, ele usa uma cobra como adorno.normalmente, ele é representado de pé, sentado ou dançando. Seu vahana é um pequeno rato (mooshikam ou minjur).
Ele também é conhecido como:
Ganapati
Gajanana (aquele com o rosto de elefante)
Pilliar
Vinayagar

 

Brahma – o Deus da Criação

Brahma representa a força que cria tudo no universo. Nesse papel, ele é ajudado por sua consorte Sarasvati, que é possuidora do sumo conhecimento. Juntos, são responsáveis por infundir alma aos seres vivos.
Segundo algumas lendas, Brahma nasceu do umbigo do deus Vishnu, quando este avistou a encantadora Lakshimi, deusa da beleza e da fortuna. Em outros contos, Brahma surgiu de um ovo de ouro, posto por Brahman (a energia espiritual suprema) nas águas primordiais que originariam toda a existência. Após o ovo ter se rachado, libertando o deus, suas duas metades tornaram-se o céu e a terra.
Alguns textos (e mesmo algumas imagens) mostram o deus como tendo cinco ou quatro cabeças (das quais saíram os Vedas, as sagradas escrituras do hinduísmo). Mas há outras versões que falam apenas de três cabeças, que teriam surgido da seguinte maneira:
"Certo dia, ao avistar a bela Sarasvati, de pele alva e vastos cabelos negros, graciosamente sentada sobre uma flor de lótus, o deus apaixonou-se imediatamente. Percebendo que Brahma a observava, a deusa ficou constrangida e pôs-se a andar para a esquerda. No mesmo instante, surgiu uma nova cabeça no ombro esquerdo de Brahma, que não queria perder a bela deusa de vista. Ainda observada pelo deus, Sarasvati dirigiu-se para o lado oposto, mas novamente surgiu outra cabeça no deus – desta vez em seu ombro direito. Por fim, a deusa do conhecimento correspondeu ao amor de Brahma e tornou-se sua esposa. Desde então, o deus possui sua três cabeças, que lhe permitem conhecer tudo o que se passa no universo."
São muito raros os templos dedicados a Brahma, pois não há um culto separado para este deus (diferentemente do que ocorre com Vishnu ou Shiva). Conforme a mitologia, Brahma teria sido amaldiçoado por Shiva (por ter proferido uma mentira e ofendido seu ego) e, portanto, não seria cultuado. Ainda assim, em todos os templos dedicados a Vishnu e a Shiva há a imagem de Brahma.

 

Ganga – O Rio Sagrado

Ganga é a deusa do sagrado rio Ganges. Ela originalmente vivia nos céus, mas foi trazida à Terra por Bhageeratha, que queria enviar seus ancestrais à salvação. Eles haviam sido queimados pela fúria do sábio Kapila, sem que ninguém pudesse lhes fazer os ritos de funeral apropriados. Assim, suas almas não podiam ascender aos céus.
Bhageeratha contou com a ajuda do deus Shiva, que suportou a força do fluxo do rio enquanto este descia à terra. Desejando desequilibrar o deus, Durga utilizou toda a sua força nessa descida. Ainda assim, Shiva era mais que páreo para essa deusa, e facilmente conseguiu dominá-la, prendendo-a com suas emaranhas trancas internas. Ouvindo as súplicas de Bhageeratha, Shiva liberou um pequeno fluxo do rio para a terra. Esse minúsculo fluxo liberado é o grandioso rio Ganges, que nasce no Himalaia.
Ganga, certa vez, foi amaldiçoada a se casar com um mortal. Em decorrência da maldição, ela casou-se com Shantanu, com quem teve oito filhos. A deusa afogou todos eles, com exceção do último, que sobreviveu graças à intervenção de Shantanu. A criança sobrevivente era Bhishma, também chamado Ganga-Putra. Como Shantanu havia quebrado sua promessa de jamais contrariar a deusa, Durga deixou-o, levando consigo seu filho (que naquele tempo se chamava Devaratha). Posteriormente, ela enviou o filho de volta, após tê-lo ensinado tanto nas escrituras como no manuseio das armas.

Hanuman (Anjaneya) O deus-macaco

Hanuman, o deus-macaco, é intitulado Chiranjeevi (de vida eterna). Ele é forte, valoroso e possui vários poderes e habilidades. Ao mesmo tempo, ele é sábio e um grande iogue (praticante da yoga). Possuía um único pensamento: servir a seu senhor Rama com extrema devoção e humildade.
Ele é conhecido por vários nomes: Hanuman, Anumandhayya, Aanjaneyalu, Anjaneya (por ser o filho de Anjana), Maruthi (filho de Vaayu - no Maharashtra), Anumandhan, Vaayunandhan, Kesarinandhanan, Aadhitasishyan e Siriya Thiruvadi (por ter sido o servo de Rama).
Ele é adorado nos templos como Bhaktha Hanuman ou Veera Hanuman. Como Bhaktha Hanuman, ele é visto com as duas mãos juntas, postas em oração. Como Veera Hanuman, aparece com seu cetro em uma mão e o sanjeevi Parvatham na outra.
Sua vida:
Hanuman, ou Anjaneya, é o filho da devta Anjana, que, há tempos, fora uma dama celestial, que nascera como uma mulher-macaca em decorrência de uma maldição.
Anjana vivia alegremente com seu esposo Kesari. Quando o rei Dasaratha executou um ritual pedindo por mais descendentes, encontrou uma jarra de payasam (espécie de pudim) entre as chamas da fogueira que acendera. Suas esposas dividiram entre si a iguaria, e assim deram à luz a Rama, Lakshmana, Bharatha e Shatrugana. Uma porção da iguaria também foi levada pelo deus dos ventos, Vaayu (ou Vayu), e acabou nas mãos de Anjana, que teve um filho forte e adorável. Sendo Vaayu o responsável pela chegada do payasam às mãos de Anjana, ele também é considerado o pai de Hanuman.
Hanuman cresceu como um rapaz valente e travesso. Ele podia correr tão rápido como o vento. Confundindo o Sol com uma fruta, voou pelos céus para alcançá-lo (tamanha era a sua força de vontade, mesmo quando criança). Indra, transtornado por tal comportamento, acertou Hanuman com seu raio (Vajraayudham). Vaayu chateou-se porque seu filho fora atacado e parou os ventos. O mundo inteiro passou a viver um caos. Todos os deuses ofereceram várias dádivas poderosas a Hanuman, tornando-o mais poderoso e invencível que anteriormente. Vaayu Bhagavan contentou-se, e tornou a seu trabalho, liberando os ventos.
Hanuman estava causando problemas para os rishis e para as demais pessoas, sem se dar conta de quão grande era agora o seu poder. Os rishis furiosos, então, o amaldiçoaram: ele não mais se recordaria dos próprios poderes até que alguém o lembrasse destes. Isso o fez aquietar-se, e ele começou então a estudar com os rishis. Ele quis aprender com Surya, que viaja eternamente. O poderoso Hanuman viajou velozmente com Surya, aprendendo com ele todas as escrituras. Concordou, posteriormente, em servir ao filho de Surya, Sukriva. Depois, acabou tornando-se um confiável e valoroso ministro de Sugreeva, um rei macaco.
Hanuman teve um papel muito importante no grande épico Ramayana. Quando Rama foi banido de seu reino (Ayodhya) por sua mãe Kaikeyi, teve de partir para a floresta, acompanhado pela esposa Sita e pelo irmão Lakshmana. Sugreeva, com seu exército e Hanuman, escondia-se de seu irmão Vaali naquela mesma floresta. Lá Hanuman encontrou Rama, a quem desde então jamais deixou. Quando Sita foi raptada por Ravana, um rei-demônio, Hanuman voou por todo o mundo até encontrá-la. Ele tornou-se o mensageiro da paz na corte de Ravana. Ajudou Rama a atravessar o oceano, construindo uma ponte. Durante uma guerra, voou para buscar a montanha Sanjeevi, repleta de ervas medicinais, para reviver Lakshmana, que havia caído em batalha. Quando o vitorioso Rama retornou a Ayodhya e foi coroado rei, Hanuman continuou a servi-lo.
Hanuman aparece também no épico Mahabaratha, aliando-se aos Pândavas na guerra contra os Káuravas. Ele estabilizou e protegeu a carruagem de Arjuna, estando presente no estandarte preso ao veículo. Ele foi, assim, honrado por presenciar a grandiosa vitória do pupilo de Krishna na guerra dos Bharathas.

Indra – O rei dos céus

Indra é o rei dos Devtas, o deus do trovão, filho de Aditi com o sábio Kashyapa. Sua grande cidade nos céus chama-se Amaravathi. Ele possui um elefante chamado Iyravata e uma vaca sagrada de nome Kamadhenu. Essa vaca é capaz de realizar qualquer desejo; portanto, Indra é muito rico. Indra também possui uma árvore chamada Kalpatharu, que rende riquezas.
Sua rainha e consorte é Sachi. Os Asuras são seus inimigos mortais, e a guerra entre asuras e devtas jamais teve fim e, por vezes, os Asuras conseguiram subjugar os Devtas, como se descreve no próprio Rig Veda.
Seu feito mais importante foi a derrota do asura Vritra, que era um dragão (ahi). Vritra encerrava, em seu interior, todos os elementos vitais do universo e, para libertá-los, Indra enfrentou e derrotou o demônio. Em suas batalhas contra Vritra e outros demônios, como Namuci, Indra frequentemente contou com o apoio de Vishnu.
Indra é a principal deidade do Rig Veda. A maioria dos hinos nesse primordial livro do hinduísmo dirige-se a ele. Indra é capaz de conceder algumas pequenas dádivas a seus devotos. Ele não é diretamente adorado, mas é frequentemente invocado em sacrifícios.
Diz-se que Indra não é propriamente um indivíduo, mas o nome genérico para o rei dos céus. Ao executar certos sacrifícios e penitências, um mortal pode ascender ao paraíso e tornar-se o rei dos céus. Seu reino deve durar até que outra pessoa torne-se elegível para sua posição. Diz-se que, ao executar mil sacrifícios de Ashwamedha, uma pessoa torna-se elegível para ser Indra. Assim sendo, o Indra em exercício sempre teme por sua posição e permanece atento aos mortais que realizam sacrifícios e penitências, cuidando para que eles não cumpram as condições para destroná-lo.
No Rig Veda, Indra é descrito como o deus mais poderoso. De todo modo, em textos posteriores, sua importância foi consideravelmente diminuída. Ele já não é o todo-poderoso, tendo de sujeitar-se à trindade suprema de Brahma, Vishnu e Shiva. Ele é descrito como enganoso e de fraca determinação em muitas histórias. Em decorrência de seus atos, ele é frequentemente amaldiçoado por sábios ascetas.

 

Kama, o deus do amor

Kama é o deus do amor e da luxúria. É também chamado Manamatha, e é o mais belo entre homens e deuses. Ele usa um arco de cana-de-açúcar, com o qual lança flechas de flor nos humanos, para fazê-los apaixonarem-se. Ele é casado com Rati, uma das filhas de Daksha.
Há certa confusão para definir sua origem. O Vishnu Purana (um dos Puranas – importantes obras hindus) o traz como filho de Dharma (Yama) e Shradha (uma filha de Daksha). De todo modo, uma versão mais popular, baseada no Shiva Purana, apresenta Kama como filho de Brahma.
Certa vez, quando Shiva se entristecera pela morte de sua esposa Sati e decidira abandonar o mundo, os Devtas temeram pelo destino do universo. Eles sabiam que, caso Shiva não se alegrasse novamente, o mundo estaria condenado ao fim. Eles queriam que o deus se apaixonasse novamente e tivesse filhos. Assim, eles encarregaram Kama dessa tarefa, pois tal era seu ofício.
Kama foi para a desolada floresta onde Shiva meditava profundamente. Ele foi acompanhado pela primavera, e logo toda a floresta transformou-se em um belo jardim. Uma indescritível e inebriante fragrância tomou conta do ar. Para que Shiva finalmente se apaixonasse, era necessário que ele encontrasse uma mulher digna e satisfatória. Felizmente, Uma, filha de Himavan (o rei das montanhas), era uma encarnação de Parvati e já estava prometida para Shiva; portanto, ela era a esposa certa para o deus. Mas, mesmo que ela tudo fizesse pelo deus, este não lhe dava muita atenção, tamanha a sua tristeza pela morte de sua amada Sati.
Esse era o momento certo. Kama ajustou uma de suas melhores flechas-de-flor em seu arco de cana-de-açúcar e disparou a seta rumo ao coração de Shiva. No momento em que o alvo foi atingido, Shiva abriu seus olhos e imediatamente apaixonou-se por Uma. Porém, logo o deus enfureceu-se, ao perceber o ardil de Kama para interferir em seus planos. Assim, Shiva abriu seu terceiro olho, a semente da destruição, e fixou seu olhar furioso em Kama.
Tamanha era a força do olhar de Shiva que Kama foi imediatamente reduzido a cinzas. Ao ver seu marido morto, Rati caiu aos pés de Shiva, implorando por sua misericórdia. Por fim, comovido pelos argumentos da desesperada esposa, Shiva cedeu e trouxe Kama de volta à vida. Porém, havia uma condição: Kama não mais teria forma, e apenas Rati poderia vê-lo em sua real beleza; o deus seria invisível para todos os demais. Essa história pode ser vista no Matsya Purana.

 

Shiva – Deus da Destruição

Shiva é o deus da destruição, aquele que, juntamente com Brahma (o criador) e Vishnu (o preservador), faz completar-se o ciclo da exitência. Em seu divino papel, é ajudado por sua consorte, Parvati, a deusa da desintegração.
Shiva é normalmente adorado na forma do falo (Linga) fixo em um pedestal. O Linga representa a energia primordial do criador. O Linga, adorado como símbolo do deus Shiva em diversos templos, é geralmente feito de pedra, consistindo em três partes. A porção inferior, com a forma de um quadrado, representa Brahma. A parte central, com a forma de um octógono, simboliza Vishnu. Estas duas partes são embutidas em um pedestal. A terceira parte, um cilindro que se projeta acima do pedestal, representa o deus Shiva.
Shiva reside em altas cadeias de montanhas nevadas. As representações de sua forma física costumam mostrar o deus calmamente meditando. Seus ornamentos não são os usuais enfeites de pedra ou ouro. Ele usa um colar feito de crânios, representando seu papel como destruidor. Possui cobras enroladas em seu corpo e seus cabelos se estendem por todo o céu. A lua crescente adorna sua coroa, simbolizando seu controle sobre o ciclo do tempo. Ele cobre seu corpo com cinzas e usa peles de tigre e de elefante. Possui também um terceiro olho, fonte de conhecimento e sabedoria.
Assim, a referência a Vishnu meramente como destruidor de toda a existência não é precisa. O deus representa o poder que, no devido momento, guiará a todos no retorno à origem de toda a existência; ele é a força que, ao destruir tudo que existe, permite a continuidade, a perpetuação do ciclo existencial.
Outros nomes e manifestações de Shiva:
Nataraja
Dakshinamurthi
Lingodhbava
Haryardhamurthi
Ardhanareeswara
Bhikshatana

 

Surya – O Sol

Surya é o sol. Tal como Chandra, ele é tanto Devta como Navagraha (um dos nove astros/planetas de grande importância nos rituais hindus). De acordo com o PurushaSuktam (do Rig Veda), ele surgiu dos olhos de Purusha, o homem primordial, quando este foi sacrificado. Surya tem duas esposas, Sangya (filha de Vishwakarma) e Chaaya. Ele tem muitos filhos, sendo o mais conhecido Shani (saturno), que é também um dos Navagrahas. Algumas fontes também trazem Kama como filho de Surya.
Dentre os planetas, seus inimigos são Rahu e Ketu. Tal inimizade decorre do incidente da busca pelo Amirtham (néctar da imortalidade), que também envolveu um dos avatares de Vishnu, Kurma.
Suas virtudes são exaltadas no hino de Aditya Hridayam. Nesse hino, ele é adorado como senhor do universo, origem de todas as bênçãos.
Do Aditya Hridayam:
Em verdade, ele é o mesmo que Brahma, Vishnu, Shiva, Skanda ou Prajapati.
O mesmo que Indra, Kubera, Kala, Yama, Soma e Varuna.
Ele é Pitris, Vasus, Sadyhas, Ashwins, Maruts e Manu.
Ele é o vento, o fogo e a respiração, o criador das estações e a fonte da luz.

 

Vishnu – Deus da Preservação

Vishnu é o deus da proteção e da manutenção de toda a vida. Sua esposa, Lakshimi, representa a riqueza (não só material, mas de alimentos, de coragem, de espírito, de felicidade e de descendentes), que tem grande importância à preservação da vida. Vishnu e Lakshimi, portanto, preservam as almas introduzidas por Brahma no ciclo da vida.
É descrito como um belíssimo deus, de pele azul como o infinito. É geralmente representado com quatro braços, e nas mãos leva uma concha, um disco (o chackra), um cetro e a flor de lótus. Sua montaria é o pássaro solar Garuda, filho de uma divindade primordial, Kasiapa.

Segundo algumas lendas, foi Vishnu o criador do deus Brahma (que teria nascido de seu umbigo) e do deus Shiva (surgido de sua testa). Como Vishnu-Narayana, ele teria trazido o universo à vida, através de sua própria energia, chupando o dedão do pé como um bebê, enquanto flutuava nas águas primordiais sobre uma folhe de bananeira.
Vishnu é também chamado Nilameghashyamalan – possuidor da aparência das nuvens negras. Como prova de que os opostos se atraem, apesar dessa aparência, Vishnu é visto como aquele que traz a luz e a serenidade ao mundo. Sempre que a existência está ameaçada, Vishnu restabelece o equilíbrio universal. Para tanto, ele encarna sob uma forma terrena, um avatar (ava = manifestação, tara = lei), combatendo os maus espíritos e mostrando ao homem o caminho da salvação. Por nove vezes ele já desceu ao mundo como um avatar, e agora é aguardado em sua décima e última encarnação terrena, que virá anunciando o fim dos tempos.

 

Yama – O deus da Morte

Talvez, à exceção de Indra, nenhum outro personagem védico tenha sofrido tantas transformações no tempo dos Puranas. No Rig Veda, Yama é o filho de Saranyu (filha de Tvashta, o deus-artesão) e Vivasvant (associado com o sol).
Em trechos diferentes do Rig Veda, Yama é o homem primordial. Sua irmã gêmea, Yami, o chama de "o único mortal" em um diálogo do Rig Veda, em que o incita a cometer incesto com ela. Em sua integridade, Yama rejeita os pecaminosos avanços da irmã. Ele afirma: "Os deuses estão sempre vigiando nossas ações e devem punir os pecadores".
Yama voluntariamente escolhe a morte, partindo para o outro mundo. Ele encontrou o caminho para a terra de seus antepassados; a Morte é seu reino. Mas tal escolha causou imensa aflição a Yami, que ficou inconsolável. Quando os deuses tentaram fazê-la para de chorar, ela respondeu: "Como posso eu não lamentar, se hoje é o dia da morte de meu irmão?!" – e, para curar seu sofrimento, os deuses criaram a noite. Desde então, a noite segue o dia, e o ciclo do tempo teve início.
A coruja e o pombo são mencionados como os mensageiros de Yama. Os cães farejadores de quatro olhos, filhos de Sarama (a cadela celestial) são seus emissários usuais. Eles vigiam o caminho ao longo do qual o homem morto caminha para encontrar seus antepassados.
Em algumas fontes, Yama é apresentado como filho de Surya e Sangya (que é filha de Vishwakarma), e irmão do planeta Shani (saturno). Ele é um dos oito guardiões das direções, responsável pelo sul. Ele é o senhor da morte, e todos os mortais vão para seu tribunal para serem julgados. Seu escriturário, Chitragupta, guarda um registro de todos os feitos de cada homem. Yama pode condenar a alma tanto ao céu como ao inferno, baseando-se no equilíbrio do Karma. Em seu papel como juiz, Yama é também chamado de Dharmaraja, o deus da justiça. Seu conhecimento das escrituras é imenso e ele é o último árbitro da verdade e da falsidade.
Yama vive em Yamapuri e é um fiel devoto de Vishnu. Seus servos são os chamados Kinkaras, que se encarregam de trazer as almas dos mortais para o julgamento. Sua montaria (vahana) é um búfalo, negro como o próprio deus. Yama carrega em sua mão um laço, o Yama Paasa, com o qual ele retira as almas de suas prisões mortais.
Há muitas histórias populares envolvendo Yama. O Katha Upanishad conta a história de como Nachiketa, um jovem adorador de Brahma, foi até sua morada perguntar sobre os segredos da morte e da alma.
No Mahabharata, Yama é o pai de Yudhishtira, o Pândava primogênito. Vidura (que também está presente no épico da grande guerra dos Bharathas), ministro-chefe de Dhritarashtra, possui alguns aspectos de Yama, compartilhando sua sabedoria e seu discernimento.
Como o próprio universo, dividido em céu e terra, Agni tem duas origens, e apenas a ele se aplica o epíteto dvi-janman (que possui dois nascimentos). Mais do que qualquer outro deus, Agni é associado com os humanos. Ele é chamado "Senhor da casa", e é aceso em toda habitação. Ele é o imortal que dorme entre mortais. Ele é, às vezes, chamado de pai, irmão ou filho de seus adoradores.
Sua sabedoria é lendária e ele sabe todos os detalhes dos ritos de sacrifício, e tal como Indra é o senhor dos guerreiros, ele é o senhor dos sacerdotes. Agni é um grande benfeitor de seus adoradores, e é também a testemunha dos juramentos, especialmente dos votos de matrimônio (é dito que o casamento hindu acontece com "Agni como testemunha").

 

Sarasvati

Sarasvati é a consorte de Brahma (o deus da Criação) e a deusa da sabedoria e do aprendizado. Ela é considerada a personificação de todo o conhecimento – artes, ciências e todos os demais ofícios e habilidades.
Ela é vista como a elegante representação da pureza e da sabedoria. É representada como uma bela mulher, de vastos cabelos negros, sobre uma flor de lótus, geralmente acompanhada por um pavão e por seu vahana, um cisne (que, por saber distinguir o leite da água, representa a sabedoria da deusa em separar o bem do mal). Possui quatro braços; em uma das mãos, carrega um livro, em outra, um rosário. Com as outras duas mãos, ela toca a veena (instrumento de cordas).
Tal como Brahma, ela não é adorada em muitos templos. De todo modo, ao menos uma vez no ano, os professores, estudantes, artesãos e outros trabalhadores fazem uma celebração em sua honra, oferecendo suas preces por mais um ano de bons trabalhos.

Lakshmi

Lakshmi (ou Lakshimi) é a deusa da riqueza e prosperidade, consorte de Vishnu (o Preservador). É associada com Sri, uma deidade pré-védica da fertilidade.
Lakshmi é a fonte de riqueza (não só material), fortuna, prosperidade, amor e beleza. Nas encarnações (avatares) de Vishnu, ela também tomou várias formas para acompanhá-lo, como Sita (esposa de Rama) e Rukmini (esposa de Krishna).
Ela é possuidora de grande beleza e é representada tanto em pé como sentada, mas sempre sobre uma flor de lótus. É geralmente acompanhada por dois (às vezes quatro) elefantes, que aparecem entregando-lhe adornos ou borrifando água sobre a deusa. Possui quatro braços e, com os dois superiores, carrega flores de lótus. Nos outros dois braços (em algumas representações) leva o amirtha kalasam (pote com ambrosia) e um jarro que transborda com ouro e outras preciosidades.
Ashta Lakshims são as oito diferentes representações em que a deusa é comumente adorada. Em cada representação, ela dá uma forma de riqueza diferente a seus devotos.

Ashta Lakshms:
São chamadas Aadi Lakshmi, Santhana Lakshmi, Gaja Lakshmi, Dhana Lakshmi, Dhaanya Lakshmi, Vijaya Lakshmi, Veera Lakshmi e Aiswarya Lakshmi.
Templos exclusivos para Lakshmi não são muito comuns. Porém, em todos os templos Vaishnavite (dedicados a Vishnu), há um santuário separado para a deusa.
São inúmeros os rituais e festivais realizados para invocar as bênçãos de Lakshmi. Em alguns deles, durante Navarathiri (nove noites), são oferecidas orações especiais a Sakthi, Lakshmi e Sarasvati – três noites para cada deusa.

Simbolismo
* Quatro braços: Os quatro braços de Lakshmi representam as quatro direções e a sua disponibilidade em guiar e ajudar em todos os lugares. Eles também representam os benefícios que ela dá – as quatro nobres metas de uma vida humana: dharma, artha, kama e moksha (respectivamente: cumprir com as obrigações, ganhar riqueza, realizar os desejos materiais e alcançar a salvação do espírito).
* Lótus: O lótus tem uma qualidade especial. Embora planta e flor vivam na água, o líquido não se aproxima delas. Krishna, no Bhagavad Gita, diz: "viva a vida como o lótus que não é tocado pela água mesmo nela vivendo". Lakshmi é a deusa mais associada com o lótus no sentido de que, enquanto aproveitamos a riqueza e a prosperidade que ela nos dá, devemos também evitar o apego aos bens materiais.
Amirta kalasam: representa o poder da deusa Lakshmi em conceder a imortalidade.
Outros nomes da deusa:
Haripriya
Padma – que vive sobre o lótus
Lokamata – mãe de todos no mundo
Padmasini, Kamalakshi, Ambujam

 

Parvati

Parvati é a mãe divina (Sakthi), consorte do deus Shiva. Em seu aspecto sereno, ela é também conhecida como a deusa Uma, sendo usualmente representada junto a Shiva e a seus filhos, Ganesha e Murugan. Possui apenas duas mãos, sendo que na destra (em algumas representações) segura um lótus azul.
Em seus aspectos tempestuosos, é comumente adorada sob os nomes de Durga e Kali. Essas formas são tomadas pela deusa quando é preciso destruir alguma forma do mal e, portanto, sequer precisam invocar o medo, pois ela é apenas a mãe zelosa que combate o mal e preserva a eterna paz e felicidade de seus filhos.
Como Durga, ela representa o poder supremo que preserva a ordem moral e a probidade na criação. Durga, também chamada Mãe Divina, protege a humanidade da dor e da miséria, destruindo as forças do mal como o egoísmo, o ciúme, o preconceito, ódio e a raiva. Seus dezoito braços significam que ela possui o poder combinado das nove encarnações do deus Vishnu na Terra. As diferentes armas em suas mãos (tal como a maça, a espada, o disco, a flecha e o tridente) trazem a ideia de que uma só arma não é capaz de derrotar todos os inimigos. Durga possui também um terceiro olho (em sua testa), veste-se com um belo sári vermelho e, às vezes, é vista sobre uma flor de lótus ou uma cabeça de búfalo.
Como Kali (a deusa do Tempo*), ela apresenta seu mais temível aspecto, geralmente retratada em um enterro ou em um campo de guerra. Em algumas imagens, ela aparece de pé sobre um cadáver, usando uma guirlanda de crânios e com seus cabelos soltos e desordenados.
*De fato, kali significa "preto", e kala (uma palavra diferente) significa "tempo". Possivelmente, foi deste trocadilho kali-kala que veio a ideia de Kali (verdadeiramente, a negra deusa da cremação), como também deusa do tempo.
Parvati é também adorada com os seguintes nomes:
Maheswari
Kaumari
Varahi
Vaishnavi
Chamundi
Durga
Kali
Bhuvaneswari
Mathangi
Lalitha
Annapurani
Rajarajeswari.

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