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31 de mai de 2011

Deusa Mictlancihuatl

(não consta a autoria, mas acredito que seja da Rosana Volpatto)

DEUSA MICTLANCIHUATL

A deusa Mãe da Morte é conhecida pelos astecas pelo nome de Mictlancihuatl e ela é chefe suprema dos anjos da morte. É a única que nos liberta da dor e da amargura. Ela nos retira deste vale de lágrimas, com seu imenso amor maternal, cheia de caridade, adorável e bondosa. Os astecas a representam com uma diadema de 9 crânios, o 9 é o número da iniciação.
A importância do culto a Mictlancihuatl, a Senhora de Mictlan, recai na esfera de ação da morte. Ela devora o homem como se observa na lâmina cinco do Códice Borgia, aqui a deusa veste sua fantasia de morta desencarnada, inclusive em seu dorso podemos observar suas costelas. Seu "cueitl com prega na borda é branco, possivelmente de papel, com a estamparia simbolizando a Terra. Seus brincos são de ouro com adorno de papel. Atrás de seu corpo distingue-se quatro bandeiras de papel com franjas largas e compridas na cor vermelha que qualificam seu aspecto mortuário. A deusa se mostra na atitude e posição para receber o corpo do homem em seu seio.
Nenhuma deidade como a Mãe-Terra pode ter o poder absoluto da vida, da realidade absoluta. Tudo que sai de seu seio está dotado de vida e tudo que regressa à terra, produzirá vida novamente. O destino da terra é engendrar sem cessar, dar forma a vida a tudo que regressa à ela inerte e estéril. A terra é o começo e o fim de toda a vida. As mulheres, como a terra, também geram a vida humana, a devolvem para sua origem e possuem a capacidade de fazê-la surgir de novo. A força destrutiva e desintegradora, busca a todo o momento, destruir para dar origem a uma nova vida.
Mesmo no México contemporâneo, ainda existe um sentimento especial ante ao fenômeno natural da morte e da dor que ela possa produzir. Para eles a morte é um espelho, para o qual devemos olhar e nele se refletirá tudo o que fizemos durante a vida. Se a sua morte carece de sentido, é porque sua vida foi vivida sem sentido, pois a morte nada mais é do que o reflexo da vida, o outro lado do espelho.
Para os mexicanos, a morte não é a vingança da vida, mas sim a sua libertação para os tesouros mais profundos da nossa natureza.

A MORTE É O SABER DO "NADA"

O nada está a nossa volta
Tudo que fazemos é
circunscrito e inscrito do nada
Não tenha medo do nada da morte
Pois não há nada a temer
Nada se cria se
Não houver um espaço vazio para tanto
E este espaço é o nada

E se não houver este espaço

A alma não pode despertar
Portanto não há motivo
Para se temer o nada

Pois o nada faz parte tanto
Da vida quanto da morte
Aceite o nada como um presente
Que ao abri-lo,
Terá a surpresa de uma nova vida
É o nada que transformou-se em tudo
Ao se entregar ao nada Você ganhará a plenitude.

O Reino dos Mortos

MICTLÁN

Para entendermos sobre Mictlán (Lugar dos Mortos) e de Mitctlantecutli e Mictlancihuatl (Senhor e Senhora da Morte), temos que nos desprender das concepções ocidentais da morte.

Para nossos distantes ancestrais a relação da vida era unida à da morte. Segundo esta concepção, não se têm consciência plena da vida, se não tivermos consciência plena da morte. Desta forma o Quinto Sol (em que vivemos), foi produto do sacrifício e morte de Telauciztécatl e Nanahuatzin, deuses que se jogaram ao fogo cósmico que ardia em Teotihuacán, para a partir de sua morte, converterem-se em Lua e Sol.
Morrer para renascer. Este ensinamento nos é propiciado pelo Sol, que nasce, incansavelmente no Oriente (oeste) e se extingue, moribundo, no útero devorador do mundo no Ocidente (leste). Da mesma forma que a natureza, o homem está condenado a morte eterna. Morte e vida são portanto, aspectos de uma mesma realidade. A vida brota da morte, como a planta do grão, que se decompõe no seio da terra. A morte se justifica como um bem coletivo e dá continuidade à criação. Os mortos desaparecem para voltar ao mundo das sombras e para fundir-se ao ar, ao fogo e a terra. A morte é o regresso à essência do universo.
Para os astecas, havia uma crença que os guerreiros mortos em combate ou na pedra de sacrifício, morriam sob o signo de "Uitzilopochtli" e se convertiam em "companheiros da águia", eleitos para "acompanhar o Sol" do nascimento até o meio-dia. E, as mulheres mortas de parto, consideradas como guerreiras pela luta e sofrimento ao dar à luz, eram eleitas para acompanhar o astro do meio-dia ao entardecer. Mas, somente os homens, ao término de 4 anos desta caminhada se convertiam em aves de rica plumagem e regressavam a vida terrena.
Ao observarmos os mistérios da iniciação do final do Antiguidade, verifica-se que o candidato deveria suportar o perigoso caminho através do mundo inferior a fim de conquistar o renascimento, verificamos que este segue o mesmo caminho do sol dos astecas. Assim, os iniciados nos mistérios de Ísis, deveriam atravessar as doze horas noturnas, as quais correspondem na concepção egípcia ao caminho da barca solar do mundo inferior.
A verdadeira vida, para os astecas não era aqui na terra e tinham que se sacrificar para se fazer dignos da próxima existência. É, portanto, somente depois de uma vida de impecável virtude, ao chegar à morte, o guerreiro poderia acompanhar o astro-rei em sua deslumbrante caminhada. O asteca tinha como verdadeiro objetivo chegar purificado a morte, que não era outra coisa senão a vida luminosa da consciência. Viver para morrer, sofrer para viver eternamente. Pensando desta forma, a vida se apresenta como um verdadeiro desafio, como também uma maravilhosa oportunidade, um corredor que conduz à porta da imortalidade.
Mas, nem todos os homens possuem a força espiritual, o domínio da vontade e a mesma maneira de encarar a vida e a morte. Por isso, existiam quatro lugares para onde iam os mortos.
O primeiro era o Ilhuicatltonatiuh, o lugar prometido para os guerreiros, àqueles que lograram o florescer de seu coração e doavam-se como alimento.
• Chichihuacuahco, o segundo lugar, era para onde iam as crianças mortas, elas se alimentavam em uma bela e frondosa árvore de cujos galhos brotavam gotas de leite. Estes pequeninos voltarão ao mundo quando este se destruir, dando término a época denominada de Quinto Sol (época atual).
• terceiro lugar era Tlalócan, a "Mansão da Lua", para onde iam os que morriam de raios, afogados, ou de doenças como: gota, sarna e lepra. Este local era como uma casa de veraneio, agradável e fresca onde nada faltava.
Finalmente existia o Mictlán, para onde iam todos aqueles que não haviam alcançado a morte luminosa do guerreiro, nem a morte terna da criança, nem uma morte associada à água.
Mictlán era um lugar terrível, porque significava o "nada", a morte estéril produto de uma vida estéril, a morte-por nada. Esta região era governada por Mictantecutli e Mictlancihuatl, Senhor e Senhora do Mundo dos Mortos. Simbolicamente este local era considerado o intestino da terra.
• morto para chegar a Mictlán tinha que atravessar um longo caminho cheio de perigos e passar primeiro por um caudoso rio chamado Apanahuaya, para tal feito, necessitaria da ajuda de um cão chamado techichi. Posteriormente teria que cruzar entre duas montanhas que sempre estavam se chocando uma com a outra (Tépetlmonamicitia). Devia ainda enfrentar uma terrível lagartixa de nome Xalchitonal e escapar de um crocodilo. Também deveria cruzar 8 desertos e subir 8 colinas e suportar um vento gélido que cortava como urna navalha e o jogava sobre as pedras. Depois destes terríveis sofrimentos se encontrava com Teocoyleualoyan, um imenso tigre que lhe comia a coração. Então, após ter concluído sua terrível e dolorosa viagem, apresentava-se ante o Senhor Mictlantecutli que lhe dizia: "Agora que concluístes tuas penas, podes dormir teu sono mortal". Depois de 4 anos de viagem, o viajante chegava a Mictlán, onde simplesmente deixava de existir, desaparecia.
Mictlán era pois, um ponto de contato entre a terra e o inframundo, porta de entrada ao terrível mundo do NADA.

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