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12 de out de 2011

Deusa Escura

Copyright © Monika von Koss

Tentativas sérias de transformação interna não podem ser abordadas ou alcançadas sem o encontro com a deusa escura, a verdade por trás de toda manifestação, uma realidade mais profunda, além de toda forma. Como uma força primordial, ela tem sido ignorada e suprimida, com profundos efeitos negativos, tanto para a humanidade quanto para o planeta Terra.

Compreender a deusa escura nos leva a um equilíbrio sexual e a uma maturidade em todos os níveis de consciência, incluindo aqueles que transcendem o gênero, escreve Caitlín Matthews em Sophia, Goddess of Wisdom.

Na base do conhecimento espiritual, sua imagem continuamente aparece em muitas tradições como a Deusa Velada, a Virgem Negra, a Irmã Renegada, a Viúva Enlutada, a Escura Mulher do Conhecimento. Nossa própria procura pela Deusa começa na escuridão e no desconhecimento. Iniciamos com a sábia ignorância da criança no útero materno, que teme as forças que a fazem nascer para um mundo desconhecido. Mas uma vez fora do útero, o que nos assusta é o confronto com nossas origens, estes tesouros do divino feminino que estão profundamente dentro de nós, esperando para serem descobertos.

Na tradição celta do Mundo Profundo, há dois aspectos da Deusa que são especialmente relevantes e poderosos: a Deusa Luminosa que habita acima e a Deusa Escura que habita abaixo. Elas são as duas faces de uma unidade que, na prática, quando meditamos ou visualizamos, são encontradas muito próximas uma da outra. “Mas elas não são intercambiáveis de um modo fácil, através da arbitragem humana”, nos alerta R.J.Stewart em Earth Light.

A deusa escura é a casa de força que alimenta nossa espiritualidade, mesmo se a desconhecemos. Tememos a deusa escura, porque projetamos nossos temores em qualquer coisa que não conhecemos e que permanece escondido de nós. Mas houve um tempo em que a natureza e a deusa estavam integradas na nossa visão do mundo, antes que surgisse o desprezo pela matéria, por nossos próprios corpos e suas funções. Quando nos aventuramos no caminho que leva a ela, chegamos invariavelmente à deusa das estrelas, a deusa luminosa que é sua outra faceta.

Sua imagem foi afastada por muito tempo, mas agora a encontramos para onde quer que olharmos, pois ela assume a face da natureza, a face do mundo, para nos lembrar de nossa responsabilidade pela criação. Para entrar em contato com a Deusa Negra precisamos seguir o caminho das sensações, contornando o hábito de pensar. Chegamos a ela através do próprio corpo, pois ela é a matéria da qual nossos corpos são feitos.

Os físicos e astrônomos, que exploram a vasta e escura extensão do universo na busca de uma compreensão científica da nossa origem, têm afirmado que a Via Láctea é formada por matéria que reflete a luz, denominada de bariônica (composta de elétrons e prótons), aquela que somos capazes de detectar e conhecer por meio de instrumentos altamente sofisticados e de tecnologia avançada. Mas as pesquisas mais recentes têm chegado à conclusão de que esta matéria bariônica constitui apenas a décima parte da matéria que compõe o universo,  as outras nove partes sendo de uma matéria escura, desconhecida e de difícil detecção, pois não reflete a luz. Sabemos de sua existência por causa de seus efeitos sobre a matéria luminosa.

Não bastasse o mistério desta matéria escura, os pesquisadores se depararam com algo mais misterioso ainda: a energia escura, responsável pela acelerada expansão do universo. Conhecida e desconhecida, escura ou não, a matéria responde por um total de 27,5% do universo, dos quais apenas 4,8% é matéria comum. Os restantes 72,5% são energia escura, cuja pressão produz uma espécie de antigravidade, ou seja, ela afasta os corpos celestes, criando espaço entre eles. É neste espaço que precisamos penetrar, para encontrar nossa origem.

Enquanto a ciência tenta descobrir o mistério da matéria e da energia escura, dando continuidade à busca alquímica pela prima matéria, a matéria primordial, caótica e misteriosa, com a qual se iniciava a grande obra da transformação, ela sempre esteve presente na imaginação de todos os povos como a Deusa Negra.

Os mitos arcaicos falam da Escuridão Primordial, do Grande Profundo, que originou o mundo que conhecemos. Os gregos denominaram este caos primordial de Gaia, a mãe de todos os deuses. No Egito pré-dinástico era Nun, o oceano primordial. Entre os sumérios, era chamada de Nammu, o abismo aquoso.

As grandes deusas arcaicas sempre se apresentavam em um aspecto duplo, regendo sobre o mundo da luz e sobre o mundo da escuridão. A Ísis Negra, mais antiga e primitiva, regia as horas noturnas, quando a divindade solar masculina se defrontava com seus maiores inimigos. Sua contraparte era Hathor, aquela que regia as horas diurnas.

Na mitologia sumeriana, encontramos a Deusa Negra na figura de Ereshkigal, a Rainha do Grande Abaixo, a quem foi atribuída o domínio do submundo, o mundo do não retorno. Sua contraparte é Inanna, a jovem deusa vestida de estrelas.

Também Deméter, a deusa mãe grega responsável pelos campos arados, possuía seu aspecto claro e escuro. Como Deméter Olímpica, era a mãe de Plutão/Hades, doadora de riqueza. Na Arcádia, como a deusa que vagueia, ela foi raptada por Poseidon e, tendo ficado muito furiosa, os habitantes locais a chamaram de Fúria. As Fúrias são mulheres do submundo, representadas como anciãs, tendo serpentes como cabelo, cabeça de cachorro, corpos negros, asas de morcego e olhos tintos de sangue. Sua função é vingarem danos feitos às mães e, quando elas se tornam aflições de consciência, são capazes de matar um homem que brutal ou inadvertidamente quebra um tabu.

Sophia, a Deusa da Sabedoria, era a matéria prima com que os alquimistas começavam sua grande obra. Sua condição original era o estado da rubedo (vermelhidão), o fogo interior que aquecia e inspirava a todos. Após a queda da humanidade, transformou-se em nigredo(negritude), a Escura Mãe da Terra, tão antiga quanto o tempo e denominada Sophia Nigrans. Em seu esforço para ascender, ela representa a Sophia Stellarum, a Brilhante Virgem do Céu, tão jovem quanto a eternidade. A tintura que buscavam obter os alquimistas era o sangue sagrado, que representa o elo entre os seres humanos, a fagulha do espírito na matéria.

Na tradição celta, são muitas as mulheres feias, negras, desfiguradas. Em contraposição às belas donzelas, elas têm sempre um papel ativo, sua função principal sendo a de desafiar os de boa índole a irem em busca do verdadeiro valor da alma, valor este que está oculto na escuridão e que, ao emergir, traz a luz.

A deusa escura representa os mistérios do inconsciente, seja pessoal, seja coletivo, razão pela qual pode parecer ameaçadora, especialmente para a consciência egóica defensiva, obcecada com sua própria independência. Apesar de ser uma função útil e peculiar do ser humano, uma função e extensão da psique total, é preciso que o ego reconheça e aceite a deusa escura como um fator positivo da totalidade, caso contrário ele corta suas próprias raízes e rapidamente seca e colapsa.

As tentativas da consciência egóica para alcançar independência, baseada na demonização da deusa escura, é o erro principal da era patriarcal, sua correção sendo uma tarefa urgente para nosso tempo, se quisermos criar um mundo de harmonia.

Como um portal para a consciência em expansão, a Deusa Escura é acessível através de nossas sensações. Quando prestamos atenção ao que acontece em nosso corpo, podemos vislumbrar sua orientação e nos abrirmos para outras dimensões em consciência.

A negritude da deusa se deve ao fato dela ser “o símbolo de todas as coisas que podemos saber na escuridão além da visão. Porque ela representa todas as forças que nos envolvem e que não são percebidas com os olhos, mas que se estendem do espectro visível até os modos inexplorados de ser. Porque ela é a Deusa da visão da noite, do sonho e de todas as coisas que vemos com a luz interior, quando nossos olhos estão fechados”, escrevem Penelope Shuttle e Peter Redgrove em The Wise Wound [A Ferida Sábia].

Monika von Koss em julho de 2009

fonte do texto: http://www.monikavonkoss.com.br/site/indice-de-artigos/102-a-deusa-escura

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