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20 de mai de 2012

Deidades da Arte:

Deidades da Arte: deus e deusa como polaridades da energia criadora. Todos os deuses são um único deus?

Autoria: Lua Serena

Mais um pouco dos infinitos questionamentos na Arte...

Entendendo a Bruxaria como um gênero com inúmeras espécies, podemos dizer que em todas as vertentes da Bruxaria há culto a um casal divino?

Na Arte, cultuamos uma única força, multifacetada em deuses e deusas dos mais variados panteões? Ou cultuamos deuses e deusas diversos, distintos entre si?

Bem, para tentar responder a este questionamento, devemos mergulhar em uma série de conceitos...

Podemos começar com os “teísmos”, que são diversas formas adotadas pelas religiões para tentar compreender a natureza da força criadora. Vamos aos conceitos:

MONOTEÍSMO: é a crença na existência de apenas um só Deus

POLITEÍSMO: consiste na crença em mais do que uma divindade de gênero masculino, feminino ou indefinido, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente com uma personalidade e vontade próprias, governando sobre diversas atividades, áreas, objetos, instituições, elementos naturais e mesmo relações humanas.

PANTEÍSMO: crença em um Deus que está em tudo, ou a de muitos deuses representados pelos múltiplos elementos divinizados da natureza e do universo.

PANENTEÍSMO: ou krausismo, é uma doutrina que diz que o universo está contido em Deus (ou nos deuses), mas Deus (ou os deuses) é maior do que o universo. É diferente do panteísmo (pan-teísmo), que diz que Deus e o universo coincidem perfeitamente (ou seja, são o mesmo). No panenteísmo, todas as coisas estão na divindade, são abarcadas por ela, identificam-se (ponto em comum com o panteísmo), mas a divindade é, além disso, algo além de todas as coisas, transcendente a elas, sem necessariamente perder sua unidade (ou seja, a mesma divindade é todas as coisas e algo a mais).

HENOTEÍSMO: crença em um deus único, mesmo aceitando a existência possível de outros deuses. Termos equivalentes a essa ideia são "monoteísmo inclusivo" e "politeísmo monárquico". Nesse sentido, um "deus" pode se referir a uma personificação (entre outras) do Deus supremo, mas também pode-se atribuir a esse Deus o poder de assumir múltiplas personalidades.

Bem, já deu para perceber que o tema é longo e profundo, ou seja... vai longe!

Pelo pouco que já vivi, li e ouvi de muitos pagãos, a definição da Arte como isso ou aquilo é tão variada quanto é variada a forma de conceituar Bruxaria. Talvez até mais. Em outras palavras, há visões diversas sobre a natureza da Divindade cultuada na Bruxaria.

Acho muito importante estudar esses conceitos, compreende-los, assim como é bastante importante entender os conceitos de imanência e transcendência da Divindade. Para quem não conhece esses termos, vamos aos conceitos:

IMANÊNCIA: é um conceito religioso e metafísico que defende a existência de um ser supremo e divino (ou força) dentro do mundo físico. Este conceito geralmente contrasta ou coexiste com a ideia de transcendência.

TRANSCENDÊNCIA: Deus está completamente além dos limites do mundo.

Percebam que esses conceitos meio que complementam ou estão inseridos nos conceitos dos “teísmos”.

Bem, como eu disse, é importante estudar, compreender esses conceitos... mas é também importante (bem mais, na minha opinião) perguntar a si mesmo como vc entende a Divindade. Estamos falando do sagrado de cada um... e se é de cada um, entendo que é preciso haver respeito dentro da diversidade.

Vou dar a minha opinião sobre a natureza da Divindade...

Deusa e Deus é uma forma de falar do grande mistério (que envolve questionamentos do tipo "quem somos?" "de onde viemos?" "para que viemos?" "Quem criou a vida?" "Pq?" etc. e tal). Meio que seria a forma que conseguimos encontrar para entender tudo o que envolve essas e outras muitas questões.

Para mim a forma mais próxima de entender o grande mistério é através de um casal divino.

Explico: a vida como conhecemos, nós humanos, só é possível através de um nascimento. Eu só vivo porque nasci... e para eu nascer, um homem e uma mulher tiveram que se unir sexualmente. Duas energias juntas formaram uma terceira energia, no exemplo: eu... que carrego o DNA do meu pai e da minha mãe, e de toda a minha linhagem ancestral.

De alguma forma, por onde eu olho, vejo que a união de duas forças gerando uma terceira força, que por sua vez se unirá a outra energia oposta da sua e fará surgir mais uma energia, que por sua vez... e por aí vai.

Pitágoras, curiosamente, explicando a existência de Deus, nos fala dessa trindade. Para ele, o 1 junto do 2 foram o 3. A famigerada trindade, tão misteriosa, presente em diversas crenças, inclusive, para muitos de nós, pagãos. É uma das formas de compreender e exprimir a nossa limitada compreensão do grande mistério da vida.

Por outro lado, de uma forma que não vou saber dizer muito bem com eu sei e pq sei (pois é um sentimento que nem eu mesma entendo muito bem), embora eu entenda o sentido não há um Deus de Chifres fisicamente na floresta, nenhuma Deusa morando na Lua, devo dizer ao mesmo tempo que sim, eles estão lá. E no físico! Pois Eles são a própria floresta (fisicamente), a própria Lua (fisicamente), as próprias estrelas (fisicamente) também são muito mais que isso.

Ou, para aqueles que não acreditam na matéria (teoria meio Matrix de ser): Nós, presos a esta ilusão (Maya... uma Deusa), acreditamos que existe floresta, Lua, chão, Mac Donalds, corpo e Deuses personificados... mas no fundo, não existe nada disso... o que existe é energia...

E o que é energia? Pois é... sempre acabamos chegando no mesmo lugar, qual seja, o grande mistério.

Todo esse assunto nos leva a falar sobre politeísmo, panteísmo, monoteísmo... E a questionar também a devoção em determinado Deus, determinada Deusa e então entraremos na questão da fé.

Muita gente diz que a afirmação "todos os Deuses são um único Deus e todas as Deusas são uma única Deusa" é errada, é burra e aqueles que ousam afirmar isso são alvejados com uma porção de explicações do tipo: uma Deusa celta e uma Deusa romana são divindades distintas, que esses povos eram inimigos, que essas energias são contrárias (daí a questão do choque de egrégoras). Mas para mim, sim, todos os Deuses e todas as Deusas podem ser compreendidos como uma única força.

Porém, o que se quer dizer com essa frase não é que Eostre é a mesma coisa que Kali ou Nu Kua. Da mesma forma que eu não sou a mesma pessoa que minha amiga Anitsi. Não dá na mesma dizer Lua ou dizer Anitsi... Não dá na mesma dizer Kali ou Nu Kua...

No entanto, numa visão macro, Lua e Anitsi são partes de uma mesma coisa, muito maior... tão maior que a gente não tem como entender ou explicar com exatidão. É um grande mistério... opa! Chegamos ao mesmo ponto novamente.

Talvez a tão proclamada unidade de Deus tenha sido um grande equívoco (ou uma sacada oportunista, dependendo do ângulo) de algumas pessoas que não enxergavam tudo com uma visão holística.

Mais ou menos no mesmo sentido, devemos compreender que as palavras são ainda mais limitadas que a nossa capacidade de compreensão , por isso muitas vezes não conseguimos traduzir em palavras aquilo que estamos sentindo.

Em outras palavras (olha a dificuldade aí), se compreender o grande mistério já não conseguimos plenamente, que dirá explicar isso para alguém (momento em que precisaremos de palavras, não tem escapatória).

É por esse motivo que muita coisa vivida iniciaticamente só pode ser dita àqueles que já são iniciados. E não estou falando de juramento de Tradição. Isso é outro papo. Estou dizendo que certas coisas, certos insights, certas conexões que temos com os Deuses só são compreendidas por aqueles já experienciaram tais situações, sensações. Por isso a Bruxaria é iniciática e mistérica, por isso dizemos que "devemos acessar os mistérios" ou que existem mistérios maiores e mistérios menores...

Contudo... ironicamente quando nos deparamos com alguém que já acessou alguns mistérios, as palavras são dispensáveis, pois a comunicação é no olhar. Você não precisa tentar explicar com um discurso enoooorme, uma ou outra palavra já basta.

Assim, enxergando holisticamente, Kali, Afrodite, Nu Kua, Inanna, Eros, Thor, Dionísio e Zeus... eu, Anitsi, o meu vizinho, o cara que mora na China que eu jamais conhecerei, minha cachorra Shanta, meu gato Tigor... são partes de uma mesma coisa, muuuito mais... tão maior que a gente não tem como entender ou explicar com exatidão. É um grande mistério.

Concluindo, para mim, essa força criadora é dual (Deus e Deusa) e manifesta-se de diferentes formas, com diferentes nomes, mas ainda assim é a mesma força.

E para você?

Uma dica de livro bastante interessante sobre o nosso tema é PAGANISMO, Uma Introdução da Religião Centrada na Terra, de River e Joyce Higginbotham.

As fontes dos conceitos que utilizei aqui são da Wikipédia.

fonte do texto e foto: http://caldeiraodecirce.blogspot.com.br/

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