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28 de mar de 2011

Zoroatrismo

Texto: Lara Moncay

Muito pouco se sabe da verdadeira história de Zaratustra, de Zoroastro, como o chamaram os gregos, e apenas se pode supor, pelo que se conta sobre a sua vida eremita e contemplativa, que devia ter sido um clérigo-cantor estático, um zaotar, dos que se isolavam para, na sua solidão e com a ajuda de substâncias tóxicas ou alucinógenas, tentar entrar no transe que lhes permita ascender às regiões superiores da divindade, até converter-se, como ele próprio o descreve, num Saoshyans, num sábio. Supõe-se que nasceu ao redor dos 628 a.C. na antiga cidade de Rhages, na Pérsia, no atual Irã que agora se chama Rayy.

Segundo a lenda, conta-se que Zaratustra nasceu com o sorriso no seu rosto, como presságio da felicidade que trazia o predestinado menino. Calcula-se que morreu no ano 551 a.C., mas não se sabe com certeza onde aconteceu a sua morte nem se conhecem muitos mais dados da sua vida. O que nos transmitiu foi a sua revelação, que - aos trinta anos de idade - teve do deus único, Ahura, o Ormuz que chegou também pela mão dos gregos. Zaratustra já recebeu uma mensagem divina aos vinte anos de idade, quando Deus lhe ordenou que abandonasse a sua vida familiar para sair à procura de outra forma de vida, entregue à verdade e ao auxílio dos que nada possuíam, dando comida, bebida e refúgio do fogo aos humanos e animais que necessitassem deles. Após sete anos de retiro hermético, Zaratustra alcança finalmente a perfeição e é premiado com a mensagem divina que lhe trazem os arcanjos ao alcançar o estado de êxtase perfeito, levando-o à presença de Ahura. Essa revelação está escrita no livro do Avesta, que foi, além de um texto sagrado, uma rebelião contra o politeísmo inicial, uma revolta contra a antiga ordem dos persas.

A Criação

Ahura falou a Zaratustra e lhe revelou a verdade sobre a criação, sobre a sua criação de um universo criado por sua vontade do nada, para evitar que o mundo se deslizasse para o abismo do Erjana Veja criado pelo deus da morte Ahriman, para esse território gelado no qual os dez meses de frio apenas são contrariados pelos dois escassos meses de sol, desse mundo maldito em que o curto verão não chega a aquecer suficientemente para permitir a vida. Por isso, para nós os humanos, o deus Ahura criou o paraíso, Ghaon, o lugar onde mora Sughdra, onde florescem as rosas e cantam os pássaros; mas Ahriman tentou desbaratar a sua beleza, criando os insetos que atacam as plantas e os animais. Ahurada fez aparecer depois a cidade santa de Murú e Agra Manyú a infestou com todos os vícios e mais a mentira que tudo corrompe. Ahura não desfaleceu e criou a cidade exemplar de Bachdi, rodeada de campos férteis, pastos povoados com todas as classes de gado, uma rica e florescente cidade à qual Agra Manyú enviou as suas feras e bestas para devorarem o gado que pastava nos viçosos pastos de Bachdi. Mas Ahura contra-atacou construindo a cidade religiosa de Nisa, que Ahriman rodeou com a nuvem da dúvida, para corromper a sua fé. De novo Ahura retomou o seu trabalho criador e pôs em pé a próspera e laboriosa cidade de Harojú, a qual Ahriman mandou a negligência para empobrecê-la. E a luta sempre continua, com Ahura criando bondade e virtude por um lado, e Ahriman pela sua parte, destruindo continuamente a obra sagrada com a sua maldade. Ahura também explica a Zaratustra que é Agra Manyú quem espalha sem trégua entre as criaturas terrestres a mentira e a maldade.

Texto Sagrado – Avesta

Segundo a religião zoroástrica, anterior em séculos ao texto sagrado do Avesta, ao livro composto muito tempo depois da morte de Zaratustra, talvez no século III da nossa era, sobre a base do que pregou o sábio e santo reformador, Ahura, o deus do bem e da verdade mantém uma luta cíclica contra o demônio Ahriman, contra a personificação do mal e da mentira.

É uma longa batalha iniciada com aquela luta permanente da criação e que vai durar um total de doze mil anos, uma guerra com resultados desiguais e mutantes, na qual de três em três mil anos se vai produzir uma volta na sorte dos adversários. Assim Ahura, ou Ormuz, e as suas tropas vencerão em duas ocasiões, sendo em outras duas o triunfo para o exército do seu adversário Ahriman, para terminar definitivamente, decorridos os doze mil anos de combate, com a vitória de Ahura, do bem sobre o mal, da verdade sobre a mentira, da luz sobre as trevas. Será também o dia em que se produzirá o cataclismo universal que marca o fim dos tempos, quando chegar o momento em que um meteoro caia dos céus e venha chocar contra a nossa terra, como juiz e carrasco da humanidade. Após o seu choque, o planeta ver-se-á envolvido num abrasador mar de metal fundido purificador, mas o sofrimento não será igual para todos, vivos e mortos ressuscitados, dado que o fogo insuportável da penitência se repartirá segundo a justiça divina, para fazer cumprir a penitência exata que corresponde a todos e cada um dos seres humanos. Terminado o purgatório sobre a face da terra, chegado o momento em que todos os homens tenham expiado as suas faltas, se acabará o sofrimento e todos os seres humanos alcançarão a imortalidade prometida por Ahura, passando a habitar no seu reino eterno do bem e da luz.

Antecedentes do Zoroatrismo

Quando o zaotar recebe a visita do arcanjo da sabedoria, de Bou mano, com o qual vai ser iniciado nos segredos da criação e na essência única do deus Ahura, também é ensinado a comportar-se de acordo com a sua divina vontade, dado que recebe o prontuário sacro da forma em que devem ser as relações do homem com os vivos e os mortos, como há que queimar os restos mortais e não entregá-los sacrilegamente à terra, como há que cuidar dos animais domésticos, como deve ser o comportamento do ser humano com o fogo e a água, com os metais e a terra, com a vegetação e os seus frutos. Zaratustra recebe, pois, a ciência infusa, o conhecimento total de Deus, mas não é uma cerimônia fácil, dado que Ahriman também quer desbaratar esta obra e ataca o zoatar com as suas tentações, oferecendo-lhe todos os bens da terra em troca da sua promessa de não atacar o mal e os seus enviados. Zaratustra, tocado pela luz e a verdade, rejeita a oferta demoníaca e lança-se a pregar a palavra sagrada, a religião do único Deus verdadeiro. E a sua palavra ganha prova inequívoca através dos seus muitos milagres e assombrosos fatos, pois ele, com a graça de Ahura, já é Shaoshyans, um sábio que conhece todas as respostas a todas as perguntas ainda não formuladas, como soube responder com palavra justa ao malvado, ao demônio que ele descobre e sobre o qual é o primeiro em advertir a sua presença, em anunciar ao mundo do perigo da sua existência, com tanto êxito que até os reis ouvem a sua mensagem e fazem sua a doutrina invocada pelo santo Zaratustra quem, de novo, segundo o pouco que dele se sabe, nunca ocupou cargos públicos nem arrecadou fortuna ou poder, pois o simples fato do desconhecimento do lugar onde morreu, ou como foi honrado após sua morte, vem ser suficiente demonstração de que o homem de fé venceu o possível chefe religioso.

Uma Religião do Estado

O zoroastrismo serviu de motor para a conquista do império pela dinastia sassânida. Com eles no trono, o Avesta tomou a sua forma definitiva, com salmos, mandamentos, relatos sagrados, orações e liturgia. O Avesta fala-nos da complicada composição militar e política das hostes do bem e do mal; no exército de Ahurada, e com ele no Conselho, estavam os seus seis ministros, os arcanjos Amchaspends: Ardibibich, encarregado do fogo; Bahman, encarregado dos animais; Chariver, a cargo dos metais; Jordad, das águas; Murded, ministro do reino vegetal, e Sipendarmich, senhor da terra. Por baixo dos ministros estava a legião dos anjos Yazata e a outra das mulheres-anjos. O exército do mal, sob o comando do demônio Ahriman, tinha a sua corte dos diabos, ou Divs: Aechma, encarregado da ira; Akono, a cargo das tentações; Indra, que se encarregava das almas condenadas ao inferno; Naosijaita, que insuflava a soberba nos humanos; Sorú, o encarregado de aconselhar o mal aos dirigentes e de induzir o crime nos súbditos. Por baixo deles estavam os demônios menores, masculinos e femininos, que se encarregavam de todas as ações perversas que os seus chefes Divs lhes encomendassem. O ser humano herdou o castigo merecido pelo preço dos primeiros pais, Yima e Yimé, que se levantaram contra o seu deus, julgando-se iguais, embora este lhes tivesse dado a vida e o conhecimento, construído o Paraíso e salvo do Dilúvio. O ser humano, pois, agora tinha que fazer com que a sua vida decorresse pelo reto caminho, ouvindo os conselhos dos arcanjos e anjos e rejeitando as tentações e as provocações de demônios e diabos. No final da sua vida, a alma tinha que passar a ponte de Chinvat, onde sofria a pesagem definitiva, para ver se prevaleciam as boas ações ou se, pelo contrário, o condenavam às suas culpas, como no julgamento do mito egípcio, mas com a diferença de que, à passagem das almas, a ponte se alargava e tornava reta para os bons e estreita e tortuosa para os pecadores, que terminavam por cair dela e submergir-se nas profundidades do inferno eterno.

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