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Abençoados sejam todos!

20 de nov de 2011

Mãe do Tempo

De todos os pensamentos e formas de cultos encontrados na pré-história, o de uma Divindade criadora feminina, a Deusa, parece ter sido o mais central e desenvolvido.

Estatuetas de Vênus é um termo amplo para um número de itens pré-históricos, principalmente em forma de estátuas de mulheres obesas ou grávidas, esculpidas no período Paleolítico Superior e achadas na Europa. Estão entre os objetos de cerâmica mais antigos já conhecidos. São consideradas por muitos estudiosos ícones da fertilidade e representações do arquétipo da Grande Mãe. Elas são feitas de pedra, osso, barro e foram descobertas perto dos restos de paredes das primeiras habitações humanas. Estas estátuas foram encontradas na Espanha, França, Alemanha, Áustria, Checoslováquia e Rússia e a maioria delas tem mais de dez mil anos.

A Vênus de Laussel é uma estatueta da Deusa datada do período Paleolítico. Ela aparece com um chifre nas mãos com treze marcas, numa alusão aos 13 meses do antigo calendário lunar das culturas ancestrais.

Vênus de Willendorf

A Vênus de Willendorf é talvez a estatueta Pleistocena mais famosa. Esta pequena estatueta é representada com seios e nádegas exagerados. Esta figura foi feita na Idade da Pedra há mais de 20.000 anos e forma nossas impressões da primeira Deusa Mãe Primordial. O acento sexual nos seios femininos e nádegas é considerado, por muitos, um sinal de fertilidade. Estas estatuetas sem forma são predominantes nas esculturas Pleistocenas. Há mais de cinquenta figuras deste período encontradas e entre elas somente aproximadamente cinco masculinas são conhecidas. Nem todas as estatuetas femininas são protuberantes e gordas, mas a maioria se assemelha a Vênus de Willendorf. É comum que a barriga e seios sejam desproporcionais. A cabeça e braços são demonstrados relativamente sem importância em relação ao meio do tronco. As coxas tendem a ser exageradas com pernas menores. As Deusas Primordiais do Pleistoceno só podem representar símbolos de fertilidade. O mundo Pleistoceno representa a mudança do Homo Neanderthalensis para Homo Sapiens. É um mundo que desperta com a arte das cavernas e expansão geográfica.

O culto à Deusa Mãe é muito anterior à Era de Touro (4000 AEC à 2000 AEC), tempo em que os homens viviam da caça e pesca e as mulheres eram as grandes Sacerdotisas, Xamãs e detentoras do poder religioso. Nesta época o respeito ao feminino e aos mistérios da procriação estavam em seu apogeu. Os homens ainda não tinham associado o ato sexual à concepção e viam a gravidez e o nascimento como algo sagrado, recebido diretamente dos Deuses. Os homens ancestrais acreditavam que as mulheres engravidavam deitadas ao luar, através da Grande Deusa personificada como a própria Lua.

Foi à partir daí, que o conceito do Sagrado Feminino passou a existir e prevaleceu durante milênios. Nossos ancestrais acreditavam que o poder que conspirou para que o Universo existisse era feminino e por isso cultuavam a Deusa como a Criadora do mundo e de tudo aquilo que existe nele. Segundo as crenças Pagãs primitivas, essa Deusa geralmente simbolizada pela Terra e/ou pela Lua teria criado tudo e todos, até seu próprio complemento, o Deus, que era personificado através do Sol.

A Deusa seguiu sendo reverenciada ao redor do mundo por milhares de anos até que foi silenciada através das religiões patriarcais. Em anos recentes a Deusa e seus cultos tiveram ressurgimento e hoje contam com grande popularidade entre as feministas, que buscam uma dimensão espiritual para as suas causas políticas aqueles que se interessam pelas religiões antigas, abrangendo aqui todas as manifestações Pagãs pelas mulheres e homens comuns que sentem que algo está se perdendo nas proeminentes religiões organizadas de hoje.

É difícil definir a Deusa em alguns parágrafos, mas a versatilidade é uma de Suas características mais interessantes. Para alguns Ela é a única Divindade existente. A Deusa não é necessariamente vista como uma pessoa, mas uma força multifacetada de energia que se expressa em uma variedade de formas e pode ter inúmeros nomes diferentes.

Ela foi chamada Ishtar, Astarte, Inanna, Lillith, Isis, Maat, Brigid, Cerridwen, Gaia, Demeter, Danu, Arianhod, Ceridwen, Afrodite, Vênus, Artemis, Athena, Kali, Lakshmi, Kuan-Yi, Pele e Mari, entre muitos outros nomes. A Ela foram atribuídos muitos símbolos, como serpentes, pássaros, a Lua e a Terra.

A Deusa é a Criadora de todas as coisas e ao mesmo tempo a Destruidora. Tudo vem Dela e tudo retornará à Ela. A Deusa está contida em tudo e vive na Terra, nós céus, no mar, em cada botão de flor, em cada pingo d’água e em cada grão de areia. Ela não é um Ser distante e intocável, mas sim uma Divindade que está aqui conosco, vive e se manifesta em cada um de nós. Ela é Donzela, a Mãe e a Anciã. Ela é você, Ela sou eu, Ela é tudo e todos.

Nas praticas Pagãs a Deusa possui três aspectos distintos. A Triplicidade da Deusa é muito anterior ao Cristianismo e não é difícil que seja ela quem deu origem ao pensamento da Trindade Cristã. Porém na Wicca, a Triplicidade se refere a três estados distintos da mesma divindade.

Cada um destes aspectos tem suas características particulares, distintas das outras e cada uma delas traz a possibilidade de serem relacionados com aspectos internos de nossa psique. Suas três faces são a Donzela, Mãe e Anciã, os seus aspectos reverenciados por toda a humanidade desde tempos imemoráveis.

A Donzela representa os impulsos, os começos e está relacionada a Lua

Crescente.

A Mãe é a Doadora da Vida, a Grande Nutridora e está associada à Lua Cheia.

A Anciã é a detentora da sabedoria, A Grande Conhecedora e Transformadora e está associada a Lua Minguante.

A Deusa teve grande popularidade e proeminência até as religiões patriarcais como Judaísmo, Cristianismo e Islamismo silenciarem-na. A mudança para o patriarcado foi gradual e procedeu de uma reformulação nos sistemas de parentesco que se tornou de matrilinear a patrilinear. A ênfase na paternidade e no homem é clara e evidente nas principais religiões praticadas até hoje. A relação de pai/filho e Deus/Jesus é a chave do Cristianismo, embora a figura da mãe tenha conseguido persistir e aparecer no Catolicismo como Maria, que curiosamente é chamada de “A Mãe de Deus”.

A maioria das religiões atuais da humanidade são baseadas em figuras e princípios divinos masculinos, com Deuses e Sacerdotes ao invés de Deusas e Sacerdotisas. Durante milênios, os valores femininos foram colocados em segundo plano e em muitas culturas as mulheres fora subjugadas e passaram a ocupar uma posição inferior aos homens, quer seja no nível social ou espiritual.

A Wicca busca recuperar o Sagrado Feminino e o papel das mulheres na religião como Sacerdotisas da Grande Mãe, além da complementaridade e equilíbrio entre homem e mulher, simbolizados através da Deusa e do Deus, que se complementam.

O Deus é representa os aspectos masculinos da criação. Ele é o Deus Cornífero, o protetor das florestas e dos animais que presidia principalmente a caça. Ele é considerado o primeiro nascido, sendo ao mesmo tempo filho e amante da Deusa.

Para alguns isso pode parecer incestuoso, mas o simbolismo é fácil de ser compreendido: o Deus é ao mesmo tempo filho e consorte da Grande Mãe porque ele expressa o Sagrado Masculino e simboliza analogamente os homens, que nascem de uma mulher para se unir com outra. Simbolicamente, ao final, todos os homens se unirão em casamento ao mesmo princípio que os gerou, o Feminino.

O reconhecimento e reverência ao Deus Cornífero surgem tempos depois do culto à Deusa e ele foi proeminente no Paleolítico, aproximadamente 12 mil anos atrás, onde os homens o representaram nas paredes das cavernas.

 Representações que simbolizam o Sagrado Masculino são muito mais recentes na história da humanidade. Uma das figuras mais antigas simbolizando os aspectos masculinos do divino foi encontrada na caverna de Trois Frere e é nomeada de “Xamã” ou “Feiticeiro”. Ela data apenas de 10 mil anos AEC aproximadamente, enquanto a maioria das estatuetas da Deusa esta datada em 40 mil AEC anos ou mais.

Assim, mesmo sendo considerada uma religião centrada no Sagrado Feminino, a Wicca é baseada na dualidade que reflete o equilíbrio e energia da natureza. A Deusa é considerada a doadora da vida enquanto o Deus é o fertilizador. A Deusa é todas as mulheres e o Deus é todos os homens.

Deusa é todas as mulheres e o Deus é todos os homens. É necessário deixar claro que a visão do Deus para a Wicca em nada se parece com o Deus patriarcal expresso pelas religiões judaico-cristãs. O Deus da Wicca é vivo, forte, sexual, ligado aos animais, não sendo em nada semelhante ao assexuado e transcendental Deus monoteísta. Ele representa tudo o que é bom e prazeroso como a vida, o amor, a luz, o sexo, a fertilização.

 

Com a chegada do Cristianismo na Europa com todo o seu conjunto de pecados, proibições e tabus sexuais, o Deus Cornífero foi transformado na figura do Demônio e do mal pelos primeiros Cristãos. Até então o Diabo jamais tinha sido representado com chifres na cabeça e isso só aconteceu para denegrir a imagem do Deus dos Bruxos.

O Deus Cornífero orna chifres em sua cabeça não por ser o Diabo, pois Bruxos nem nele acreditam, mas por causa da sua ligação com os animais e a caça. Ele não é de nenhuma forma o Demônio e muito menos é o Deus Cristão. Ele é, sim, o Deus Pagão da natureza e da vida.

O Deus Cornífero é geralmente representado ornando chifres de veado. Nas culturas antigas o veado é um importante animal simbólico. Parece que na arte das cavernas ele teria constituído, junto com um touro, do mesmo modo que o cavalo e o boi selvagem, um sistema dualístico mítico-cosmológico, de acordo com historiadores. Por causa de seus chifres serem semelhantes às árvores e se renovarem periodicamente, o veado era considerado símbolo da vida que rejuvenesce de modo contínuo, do renascimento e do decorrer do tempo. Na mitologia nórdica antiga, quatro veados teriam se alimentado dos ramos da árvore do mundo, a Yggdrasil, comendo seus frutos (horas), flores (dias) e ramos (estações do ano). Na Antiguidade ele era considerado inimigo da serpentes venenosas, sua pele era um amuleto contra mordidas de cobra, e o pó do chifre defendia sementes de sortilégios.

Na cultura celta o veado é o primeiro dos quatro animais sagrados a ser mencionado no poema de Amergin. Existe uma relação próxima entre o veado e o javali na mitologia céltica. É a relação da luz crescente e minguante no ciclo do ano. Ambos são criaturas do “Outro mundo”, que cruzam os limites entre os mundos servindo como mensageiros ou guias através destes limites. Um é associado com o "Dia" e o outro com "Noite" do ano. Depois de Beltane, o javali se torna um animal solar talentoso com sabedoria poética e a potência do veado está nos limiar do verde, crescendo terra abaixo. E depois de Samhain, é quando o Javali que agora é um leitão, vaga sobre a Terra estéril disfarçada em uma Deusa medrosa, enquanto o veado mora nos reinos celestiais como uma presença brilhante, oferecendo esperança.

O veado é um mensageiro apropriado para a grande mudança que está para acontecer depois do Solstício de Inverno. Embora a Terra permaneça escura e infrutífera, as noites são muito mais longas que os dias, a luz começou a crescer, mas é ainda imperceptível. Estamos ainda envolvidos na escuridão dos tempos, mas uma centelha começa a arder diante de nós, lembrando-nos para ficar em contato com a energia vital, pois em breve estaremos na luz. O "veado de sete galhos," que tem sido forte, por muitos ciclos de crescimento e minguamento, sempre lutou em busca de uma vida triunfante, é um guia no qual podemos confiar.

O veado é flexível, tenso, indiferente e incrivelmente forte. Personifica o espírito selvagem e é o emblema antigo não só do Deus, mas da Deusa como doadora do nascimento. Por outro lado, seus chifres ramificados estão ligados aos raios do sol. Cervo, outro nome pelo qual os veados são chamados, quer dizer "fogo brilhante", ou seja, o próprio sol.

O sol sempre esteve ligado ao Deus. Por ser simbolizado pelo sol, o Deus mostra suas diferentes faces através da viagem do astro pelas 4 estações do ano. Isto reflete as mudanças dos ciclos sazonais. Ele nasce no Solstício de inverno como um jovem bebê, cresce na Primavera se tornado um jovem viril. No verão ele atinge sua maturidade e no outono torna-se o sábio Ancião, se preparando para retornar ao ventre da Deusa e renascer no primeiro dia do inverno.

A união da Deusa e do Deus traz vida e luz à Terra e por isso é sagrada. Eles são considerados parte de nós e estão vivos em todas as coisas e em todos os lugares.

Os Wiccanianos cultuam seus Deuses para pedir por saúde, paz, harmonia, sucesso e prosperidade da mesma forma que os praticantes de quaisquer outras religiões fazem. No nosso dia a dia desenvolvemos uma prática constante de meditações, rituais e invocações que possibilitam o desenvolvimento de nossa relação com o Sagrado. Qualquer pessoa pode e deve explorar a energia e poder da Deusa e do Deus em sua vida.

Sua lei é o amor em suas múltiplas formas.

Se você for capaz de amar você poderá alcançá-los. Eles estão dentro de todos nós, esperando o nosso chamado para que possamos nos tornar um reflexo do seu amor.

Que os Deuses lhe abençoem!

Que a luz do Sol (de dia) e da Lua (a noite) lhe guiem!

fonte do texto e fotos: http://wiccaanalua.blogspot.com/2011/06/parte-i-mae-do-tempo-estatuetas.html

fonte foto Vênus de Willendorf: artenormal.blogspot.com

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